
John Flanagan

Rangers, Ordem dos arqueiros 05

Feiticeiro do norte




A todos aqueles que participaram desta traduo

     Agradecemos a todos aqueles que participaram da traduo, reviso,
estruturao, reviso final, entre outras diversas atividades que foram
desempenhadas para concluir esse trabalho.

    Sem a ajuda de vocs esse trabalho no teria o mesmo valor e peso que as
tradues da mfia tm, pois so vocs que fazem com que ela seja hoje uma das
comunidades de traduo mais acessada do Orkut.

    Parabns aos voluntrios que aqui dedicaram horas de trabalho e empenho
lendo, digitando e tentando fazer com que as coisas acontecessem, pois 
pessoal, elas aconteceram e com isso conclumos mais um livro que levar o selo
da Mfia. Nossos mais sinceros parabns e obrigado por estarem conosco.

Equipe de Organizao:
- Moderadores Anderson e Dbora Cristina
- Fbio Santiago
 - Ricardo Pereira

Equipe de Traduo / Reviso:
- Traduo: Fbio Santiago                    - Reviso: Fbio Santiago
             Gabriela Carvalho                           Dbora Cristina
             Tenshi Gabrielle                            Duduh Torres
             Ana Martha                                   Andr Inocenti
             Rafael Cavalcanti                           Gustavo do Valle
             R. Figueiredo                               Gustavo Guerra
             Marcus Arnhold                              Andria
             Duduh Torres                                Joel Braga
             Felipe V.                                    Caio Mesquita
             Fbio Nadal                                 Tati Oliveira
                                                          Anna Catherine
                                                      Augusto Moreira
                                                      Caio Msquita
Reviso Final:
- Fbio Santiago




1
        Ele sabia que no norte as tempestades de inverno que, antecipavam a
chuva fariam com que o mar se chocasse contra a costa causando pequenas
nuvens, formadas por gotculas brancas soltas no ar.
        Aqui, na regio sul do reino, os nicos sinais da chegada do inverno eram
as suaves baforadas de vapor que marcavam a respirao dos dois cavalos dele.
O cu era de um azul claro e o sol era quente nos seus ombros. Ele poderia ter
cochilado na cela, deixando Puxo escolher o seu prprio caminho ao longo da
estrada, mas os anos que ele passou treinando e aprendendo com uma dura
disciplina nunca permitiriam tal indulgncia.
        Os olhos de Will se moviam constantemente, vasculhando todos os lados
possveis. Um observador nunca teria notado esse constante movimento  sua
cabea permanecia parada. Novamente, este era o seu treinamento, ver sem ser
visto; notar sem ser notado. Ele sabia que esta parte do reino era relativamente
imperturbvel. Foi por isso que ele foi designado para o feudo de Seacliff.
Afinal, um novo e recm-contratado arqueiro seria dificilmente largado em uma
das reas mais problemticas do reino. Ele sorriu com os braos cruzados
imaginando o que poderia acontecer.
        O sorriso de Will desapareceu quando seus olhos avistaram algo a meia
distancia, escondido quase completamente pela grama alta do outro lado da
estrada.
        Seu comportamento no dava sinais de que tinha visto algo fora do
comum. Ele no enrijeceu e nem tentou olhar mais de perto como a maioria das
pessoas fariam. Ao contrrio, ele parecia se ajeitar um pouco em sua sela
enquanto guiava o cavalo  parecendo totalmente desinteressado pelo mundo ao
seu redor. Porm, seus olhos, escondidos nas sombras do capuz de sua capa o
alertaram urgentemente. Algo havia se movido, ele tinha certeza. E agora, diante
da grama alta do outro lado da estrada, ele pensou que teria visto um trao de
preto e branco  cores que no pertenciam ao verde vivo das plantaes.
        Ele no fora o nico a perceber que algo estava errado. As orelhas de
Puxo se remexeram e depois balanou a cabea, sacudindo a juba e relinchando
de maneira barulhenta.
        Eu entendi, ele disse silenciosamente, mostrando ao cavalo que o aviso
fora registrado. Tranqilizado pela voz grave de Will, Puxo se acalmou, apesar
de suas orelhas ainda estarem em estado de alerta. O cavalo de carga, parado e
contente atrs deles no mostrava nenhum interesse. Era apenas um animal de
carga puro e simples, no um cavalo que fora treinado para um arqueiro como
Puxo.
        A grama alta sacudiu mais uma vez. Era um simples movimento, mas no
havia vento algum que poderia caus-lo  assim como as pequenas nuvens de
vapor que marcavam a respirao do cavalo mostravam claramente. Will
encolheu seus ombros vagarosamente, tendo certeza de que seu palpite estava
certo. Seu arco pairava sobre seus joelhos. Arqueiros no carregam seus arcos
em seus ombros, sempre os colocam em uma posio de fcil uso.
        Seu corao batia um pouco mais rpido do que o normal. A origem dos
movimentos na grama estava a 30 metros de distancia. Ele lembrou as palavras
de Halt: No se concentre no bvio. Talvez eles queiram que voc no perceba
alguma outra coisa.
        Ele percebeu que a sua total ateno estava focada nas altas gramas do
outro lado da estrada. Rapidamente seus olhos comearam a escanear o local
mais uma vez, olhando para todos os lados enxergando uma grande rvore que
estava a 40 metros dele. Talvez houvesse um homem ali se escondendo pronto
para atacar enquanto sua ateno estava focada naquilo que, no importa o que
seja, estava fazendo a grama se mexer. Ladres, foras da lei, mercenrios, quem
sabe?
        Porm, ele no avistava nenhum sinal de que algum estaria se
escondendo atrs da rvore. Ele cutucou Puxo com seus joelhos fazendo com
que o cavalo parasse, com o cavalo de carga atrs deles. Seus braos
selecionaram uma flecha e a colocaram em posio junto ao arco em menos de
um segundo. Ele tirou o capuz para que sua cabea esteja livre. O arco, o cavalo,
sua capa, fariam com que qualquer um que passasse percebesse que ele  um
arqueiro, ele estava ciente disso.
        Quem est a? ele falou, projetando o arco na posio certa e a flecha
pronta para o ataque. Se estivesse algum escondido na grama, saberia que seria
morto em menos de dois passos.
        Sem resposta. Puxo continuou parado, treinado para que seja uma pedra
quando seu mestre est preparado para atacar.
        Aparea disse Will Voc de preto e branco, aparea.
        Um pensamento veio a sua cabea, lembrando-o que a momentos atrs
ele pensava que essa regio era pacfica. Agora ele estava enfrentando uma
possvel emboscada por um inimigo desconhecido.
        ltima chance, disse ele. Aparea ou lanarei uma flecha em sua
direo.
        Foi ento que ele ouviu, possivelmente em resposta da sua voz. Um
latido: o som de um co ferido. Puxo tambm ouviu. Suas orelhas se mexeram e
ele bufou sem tanta certeza.
        Um cachorro? pensou Will. Talvez um co selvagem esperando para
atacar? Ele descartou a idia assim que refletiu sobre ela. Um co selvagem no
teria feito som algum para alert-lo. Alm disso, o som que ele ouviu foi de dor,
no um latido feroz e perigoso. Ele chegou a uma deciso.
        Em um movimento suave, ele removeu o seu p esquerdo do estribo e
desceu calmamente de sua sela. Descendo do cavalo, ele permaneceu olhando
fixamente para o local onde possivelmente poderia ter algo perigoso com ambas
s mos livres para atirar.
        Puxo bufou novamente. Em momentos de incerteza como esse, Puxo
prefere que Will esteja montado em sua sela onde o cavalo poderia salv-lo do
perigo.
        Est tudo bem, Will disse ao cavalo serenamente e andou para frente,
com o arco em posio.
        Dez metros. Oito, cinco... Ele podia ver o preto e branco claramente
atravs da grama seca. E agora, como estava mais perto, ele viu algo mais no
preto e branco: sangue. O latido de dor foi ouvido de novo e Will pde ver
claramente o que havia parado eles.
        Ele se virou e fez um sinal positivo com a mo para Puxo, e o cavalo
respondeu indo em sua direo. Ento, deixando o arco de lado, Will se ajoelhou
ao lado do co ferido deitado na grama.
        O que  isso, garoto? ele disse gentilmente. O cachorro virou sua
cabea na direo daquela voz e grunhiu de novo enquanto Will o tocava
levemente, seus olhos observando o sangue ao lado deles. Quando o animal se
mexeu, mais sangue pde ser visto. Will o encarou e viu que o co estava
exausto e extremamente ferido.
        Era um Border Collie, ele percebeu, um dos ces que guiavam rebanhos
de ovelhas na regio norte, e conhecido pela sua inteligncia e lealdade. Seu
corpo era preto, com pelos brancos na altura da garganta, do peito e no final da
cauda felpuda. Suas patas eram de cor branca e a cor preta se repetia em sua
cabea assim como nas orelhas, enquanto um trao branco subia por entre os
olhos.
        O corte na lateral do cachorro no parecia ser muito profundo, e as
chances eram de que a caixa torcica havia protegido seus rgos vitais. Porm,
o corte era terrvel, como o co tivesse sido cortando por uma espada. E havia
sangrado muito. Este, ele pensou, seria o maior dos problemas. O co estava
fraco. Tinha perdido uma quantidade grande de sangue. Talvez muito grande.
        Will se levantou e se dirigiu at as bolsas presas na sela, pegando o kit de
primeiros socorros que todos os arqueiros levavam. Puxo o olhou curiosamente,
satisfeito de que o cachorro no representava uma ameaa. Will remexeu os
medicamentos.
        Funciona em pessoas, ele disse Deve funcionar em cachorros
tambm.
        Ele voltou ao animal ferido, tocando sua cabaa levemente. O co tentou
levantar sua cabea mas ele levou-a levemente at o cho, sussurrando palavras
encorajadoras para ele enquanto abria o kit com a sua mo livre.
        Agora vamos dar uma olhada no que eles fizeram em voc, garoto ele
disse.
        O pelo em volta do ferimento estava tingido de sangue e ele o limpou da
melhor maneira possvel com a gua de seu cantil. Ento, ele abriu um pequeno
compartimento e cuidadosamente passou a pomada ao longo das bordas da
ferida. A pomada era uma espcie de analgsico que faria com que o corte
sarasse para que ele pudesse limp-lo e enfaix-lo sem causar mais dor ao pobre
cachorro.
        Ele esperou alguns minutos para que a pomada fizesse efeito, ento
comeou a aplicar uma espcie de preparao na qual so utilizadas plantas
como ingredientes que faria com que uma infeco seja impedida de atingir o
ferimento assim curando-o. O analgsico parecia fazer efeito e seus
medicamentos no pareciam fazer mal algum ao cachorro, fazendo com que ele
pudesse utiliz-los livremente. Em quanto o curava, Will percebeu que havia
cometido um erro em cham-lo de garoto, o cachorro era fmea.
        O Border Collie, sentindo que Will estava o ajudando, continuou imvel.
Ocasionalmente, ela latia novamente. Porm, no de dor. O som era mais de
gratido. Sangue fresco ainda saa da ferida e ele sabia que teria que fech-la.
Enfaixar era pouco pratico, ainda mais por causa do pelo grosso da cadela e da
estranha posio do corte. Ele deixou-se intimidar imaginando que teria que dar
pontos.
         melhor fazer logo isso j que o analgsico ainda est fazendo efeito
ele disse ao animal. Ela continuou estendida no cho, enquanto apenas um de
seus olhos observava Will trabalhar.
        O Collie obviamente sentiu a agulha enquanto ele rapidamente fazia uma
dzia de pontos de seda fina juntando as bordas do ferimento. Porm, a cadela
no deu nenhum sinal de dor e deixou ele continuar.
        Terminado o trabalho, Will descansou uma das mos na cabea preta e
branca, sentindo a leveza dos pelos. Ele havia feito um timo procedimento mas
era bvio que a cadela no poderia andar, ao menos por um tempo.
        Fique aqui ele disse gentilmente fique.
        A cadela continuou deitada obediente enquanto ele ia at o cavalo de
carga pra descarregar seus utenslios.
        Will abriu espao na cela para que pudesse ter espao suficiente para ela.
Ele voltou para onde o animal estava estendido e cuidadosamente o levantou e
colocou no pequeno espao que ele havia preparado para ela. Ao coloc-la
suavemente, percebeu que seus olhos eram de cores diferentes. At aquele
momento ela apenas havia visto o olho direito, que era castanho, mas o esquerdo
era de um azul claro, que dava um ar misterioso  cadela.
        Boa menina, Will disse  cadela. Ento, ao virar para Puxo, ele
percebeu que o pequeno cavalo o olhava com um olhar curioso.
        Ns temos um cachorro ele disse, Puxo balanou a cabea e bufou,
Por qu?

2

         No incio da tarde eles chegaram ao mar e Will sabia que ele estava perto
do fim de sua jornada. O castelo de Seacliff foi construdo numa extensa ilha em
forma de folha, separada do continente por uma centena de metros de
profundidade. Na mar baixa uma calada estreita permitia o acesso  ilha, mas
na mar alta, como era agora, uma balsa de transporte levava-os para a ilha. O
difcil acesso tinha ajudado a manter Seacliff seguro por muitos anos e foi uma
das razes pelas quais o feudo tinha um remanso. Nos tempos antigos,  claro, os
Escandinavos fizeram incurses em seus navios tinha deixado as coisas muito
animadas. Mas j haviam passado alguns anos desde que os lobos do mar do
norte atacaram a costa da Araluen.

  A ilha tinha cerca de doze quilmetros de comprimento e oito de dimetro, e
Will no podia ainda ver o castelo. Ele imaginou que estaria em algum lugar no
meio do terreno elevado  aquele era um pensamento estratgico bsico. No
momento, no entanto, ele estava escondido da vista.
        Will tinha pensado em parar para uma refeio ao meio-dia, mas agora,
to perto do final do seu percurso, ele decidiu prosseguir. Haveria uma estalagem
de algum tipo na aldeia que se aglomerava perto das muralhas do castelo. Ou ele
poderia encontrar uma refeio na cozinha do castelo. Ele puxou a rdea para
trazer a sela ao lado e se inclinou para inspecionar o co ferido. Seus olhos
estavam fechados e seu nariz repousava sobre as patas dianteiras. Ele podia ver o
lado negro entrando e saindo conforme ela respirava. Havia um pouco de sangue
mais prximo dos lados da ferida, mas o fluxo principal tinha sido estancado.
Ciente de que ela estava confortvel, Will tocou num salto para Puxo para o
outro lado e moveram-se at a balsa, uma grande, de fundo plano que foi
elaborada                                  na                                praia.

        O operador, um musculoso homem de cerca de quarenta anos, estava
estirado no convs de sua embarcao, dormindo no sol quente de outono. Ele
acordou, entretanto, como algum sexto sentido registrou o tilintar do chicote de
fios dos dois cavalos. Ele sentou-se, esfregou os olhos e, em seguida veio
rapidamente a seus ps.
        "Eu preciso chegar at a ilha", Will disse-lhe, e o homem o
cumprimentou desajeitadamente.
        "Sim, de fato, senhor. Claro. Ao seu servio, Arqueiro".

        Houve uma pitada de nervosismo em sua voz. Will suspirou
interiormente. Ele ainda no se acostumara com o pensamento de que as pessoas
tinham receio de Arqueiros  mesmo com um de face nova como ele. Ele era um
homem jovem naturalmente amigvel e muitas vezes ele ansiava por
companheirismo fcil com outras pessoas. Mas esse no era o caminho dos
Arqueiros. Ele servia o seu propsito de permanecer distante das pessoas
comuns. Havia um ar de mistrio sobre o Corpo de Guarda. Sua habilidade
lendria com suas armas, sua capacidade de mover-se sem ser visto e a natureza
secreta de sua organizao todos acrescentavam sua mstica.

   O barqueiro soltou o cabo grosso que corria entre o continente  ilha,
passando por conjuntos de grandes roldanas em cada extremidade da balsa. A
balsa, flutuando em uma extremidade, moveu-se facilmente da praia, at que
repousava inteiramente na gua. Will imaginou que o sistema de polias deu ao
operador uma vantagem mecnica que lhe permitia mover as grandes
embarcaes to facilmente.
   Havia um conselho tarifrio pregado na grade e o operador foi estud-la.
   "No se cobra de um Arqueiro, senhor. Passagem livre para voc."

   Will balanou a cabea. Halt tinha conversado com ele a necessidade de pagar
o seu caminho. Nunca fique em dvida com ningum, ele tinha dito. Certifique-se
de          no           dever           favores                    ningum.
   Ele calculou rapidamente. Metade de uma moeda de ouro por pessoa, e o
mesmo para cada cavalo. Mais quatro centavos para outros animais. Perto o
suficiente para duas moedas ao todo. Ele desmontou da sela, tirou trs moedas de
ouro de sua bolsa e entregou-as ao homem.
   "Eu vou pagar", disse ele. "Duas moedas de ouro  perto o suficiente". O
homem olhou para a moeda, ento olhou para o piloto e os dois cavalos,
intrigado. Will sacudiu a cabea em direo  sela.
   "H outro animal na sela", explicou. O operador da balsa afirmou com a
cabea, e entregou-lhe um pedao de moeda de prata na mudana.

  "Certo o suficiente, senhor", disse ele. Ele olhou curiosamente na sela como
Will levou-o para a balsa, tendo um co no seu retiro confortvel.
  "Um co bem aparentado,", disse ele. "Ele  seu, senhor?"

   "Eu a encontrei ferida na estrada", disse Will. Algum a cortou com uma
lmina semelhante a uma espada e a deixou para morrer.

   O barqueiro barbudo esfregou o queixo, pensativo. "John Buttle tem um
pastor como aquele. E ele seria o tipo de homem que iria ferir um co e deix-lo
dessa forma. Tem um temperamento desagradvel, John faz coisas desse tipo,
principalmente quando est bbado."
   "E     o    que     esse     John      Buttle  faz?"      Will    perguntou.

   O barqueiro encolheu os ombros. "Ele  um pastor pelo comrcio. Mas ele faz
mais coisas. Alguns dizem que ele faz o seu trabalho real em noites ao longo das
estradas, olhando para os viajantes que esto por perto depois de escurecer. Mas
ningum provou isso. Ele  muito til com a lana para o meu gosto. Ele  um
homem bom para ficar longe."
   Will olhou para a sela novamente, pensando na ferida profunda cruel na
lateral                                 do                                   co.

   "Se Buttle  quem feriu esse co, ele vai fazer bem em ficar longe de mim",
disse ele friamente.
   O barqueiro examinou-o por um momento. O cara era jovem e bem
caracterizado. Mas havia uma luz dura nos olhos, ele viu. Ele percebeu que com
os Arqueiros, nunca o fizeram supor demais. Este rapaz, de aparncia agradvel
no estaria vestindo a capa de Arqueiro cinza e verde, se ele no tivesse ao nele.
Arqueiros eram pessoas enganosas e isso era um fato. Houve at alguns que
considerou que no eram hbeis nas artes negras de magia e bruxaria e o
barqueiro no estava completamente certo de que estas pessoas no tinham o
direito dele. Furtivamente fazendo um sinal para afastar o mal, ele mudou-se
para frente da balsa, contente de possuir uma desculpa para interromper a
conversa.
   "Melhor eles nos receberem em seguida", disse ele. Will sentiu a mudana na
atmosfera. Ele olhou para Puxo e ergueu as sobrancelhas. O cavalo no se
dignou                               ao                                 aviso.

   Como o barqueiro soltou novamente a corda espessa, a balsa deslizou sobre a
gua em direo  ilha, as ondas pequenas murmuravam sob a proa fechada e
batiam contra as paredes de madeira de baixo. Will percebeu que a casa do
operador de balsa, uma pequena cabana de pranchas de madeira com um telhado
de palha, estava do lado da ilha, presumivelmente como uma medida de
segurana. A proa do barco logo ralou na areia grossa da ilha, a corrente
balanou-a um pouco com o progresso para frente e parou. O operador
ferrovirio no agarrou a nica corda na frente e fez um gesto para Will
desembarcar. Will virou-se montado em Puxo e os cascos dos cavalos soaram
sobre as tbuas em que pisou com cuidado para frente.

  "Obrigado", ele disse ao barqueiro, quando Puxo desceu para a praia. O
operador          da           balsa          saudou          novamente.

   "Ao seu servio, Arqueiro", disse ele. Ele assistiu o garoto magro, uma figura
ereta, e como ele andava at rvores e aps isso o perdeu de vista.
   Demorou meia hora para chegar ao castelo. O caminho era para cima em
direo ao centro da ilha, atravs de bem-espaadas trilhas e de rvores varridas
pelo vento. No havia muita luz, ao contrrio das densas florestas em torno de
Castelo Redmont, ou nos escuros pinhais da Escandinvia que Will lembrava
muito                                                                       bem.

   As folhas tinham mudado, mas at agora a maioria delas permaneceram nos
ramos. Somando tudo, o pas era agradvel. Enquanto ele andava, Will viu a
abundncia de evidncias de caa de coelhos, claro, e peru selvagem. Uma vez
ele pegou um flash rpido de um veado branco quando lhe mostrou seu traseiro
uma vez que delimitava distncia. Caa ilegal provavelmente seria abundante
aqui, pensou. Will tinha uma simpatia de base para os moradores que procuraram
ocasionalmente aumentar a sua dieta com carne de veado e aves de caa.
Felizmente, a caa era uma questo de lei local, e seria controlada por guardas do
Baro. Por uma questo de poltica, embora, seria necessrio descobrir a
identidade dos profissionais locais. Caadores poderia ser uma fonte de
informao sobre acontecimentos. E a informao era o estoque do ofcio dos
Arqueiros.
   As rvores rarearam e eventualmente ele saiu a luz do sol novamente. A
subida pela estrada sinuosa tinha trazido para um patamar natural, uma vasta
plancie, talvez, de um quilmetro de dimetro. No centro da plancie ficava
Castelo Seacliff e sua aldeia dependente de um amontoado de cabanas de colmo
situado          perto         das          muralhas           do          castelo.

  O castelo propriamente dito, comparado com a massa impressionante que era
o Castelo Redmont ou a beleza subida do Castelo do Rei de Araluen, era uma
espcie de decepo. Era pouco mais que uma fortaleza, Will percebeu, que as
paredes que o cercavam tinham em torno de cinco metros de altura. Como ele
parecia mais perto, pde ver que, pelo menos, um pedao da muralha foi
construdo a partir de madeira, troncos de rvores grandes conjunto
verticalmente no solo e unidos com suportes de ferro. Era uma barreira eficaz o
suficiente, ele pensou, mas faltou o impacto dramtico de paredes macias de
Redmont de pedras. No entanto eram solidamente sustentadas torres em cada
canto e uma torre central, que seria um refgio de ltimo recurso em caso de um
ataque. Durante a parada, ele podia ver a bandeira do veado na cabea do Baro
Ergell que agitou a luz da tarde a brisa do mar.
   "Ns estamos aqui", disse ele a Puxo, e que o cavalo sacudiu a juba, uma vez
que ouviu sua voz.
   Ele tinha refreado  primeira vista do castelo. Agora, ele tocou o lado Puxo
com seus calcanhares e eles comearam a andar novamente. Como sempre, a
sela se afastou um pouco mais devagar, arrastando momentaneamente a levar a
cabo como eles fizeram o seu caminho atravs dos campos agrcolas aberto em
direo ao castelo. Havia um cheiro de fumaa no ar. O milho tinha sido
empacotado e queimado aps a colheita e eles ainda ardiam. Em uma semana ou
duas, os agricultores teriam arado as cinzas de volta para os campos e a
seqncia teria incio mais uma vez. O cheiro da fumaa, os campos nus e de
baixa luz solar da tarde em todos os ngulos do outono evocavam memrias em
Will. Memrias de crescer. Das colheitas e festivais de colheita. De veres
nebulosos, outonos enfumaados e invernos cobertos de neve. E, nos ltimos seis
anos, da profunda afeio que tinha crescido entre ele e seu mentor, o
enganosamente sombrio arqueiro chamado Halt.
   Havia alguns trabalhadores nos campos e eles pararam para olhar para a
figura camuflada que andava em direo ao castelo. Ele acenou para um ou dois
dos que estavam prximos a ele e balanou a cabea para trs, com cuidado,
levantando suas mos em saudao. Fazendeiros simples no compreendiam os
Arqueiros e, como resultado, no confiavam inteiramente neles tambm. Claro,
Will sabia que, em tempos de guerra ou de perigo, eles olham para os Arqueiros
por ajuda e proteo e liderana. Mas agora, sem o perigo ameaador, eles iriam
manter                                 distncia                            dele.

   Os ocupantes do castelo seriam uma questo diferente. Baro Ergell e seu
Chefe de Guerra  Will procurou lembrar o nome por alguns segundos, em
seguida, lembrou que era Norris  entendiam o papel do Corpo de Arqueiros e o
valor que os seus membros traziam aos cinqenta feudos do reino. Eles no
tinham medo dos Arqueiros, mas isso no significa que ele iria desfrutar de uma
estreita relao com eles tambm. Deles seria um trabalho em parceria.

   Lembre-se, Halt lhe tinha dito, a nossa tarefa  ajudar os bares, mas a nossa
primeira lealdade  para o rei. Ns somos os representantes diretos da vontade
do rei e, por vezes, que podem no coincidir exatamente com os interesses
locais. Cooperamos com os bares e aconselhamos eles. Mas mantemos a nossa
independncia deles. No se permita ter uma dvida para com o seu baro, ou
tornar-se demasiado perto do povo do castelo.
   Claro que, em um feudo como Redmont, onde ele tinha feito seu treinamento,
as coisas eram um pouco diferentes. Baro Arald, o Senhor de Redmont, era
membro do conselho interno do rei. Isso permitiu uma relao mais estreita entre
o Baro, seus oficiais e Halt, o Arqueiro atribudo ao seu feudo. Mas, em geral, a
vida          de           um            Arqueiro            era         solitria.

   No houve compensaes, claro. O chefe entre eles era a camaradagem que
existe entre os membros do Corpo de si mesmo. Havia cinqenta Arqueiros em
servio ativo, um para cada feudo do reino, e todos eles se conheciam pelo
nome. Na verdade, Will estava bem familiarizado com o homem que ele estava
substituindo a Seacliff. Bartell tinha sido um dos seus examinadores para a sua
avaliao anual como um aprendiz, e foi sua deciso de se aposentar, que o levou
a vontade de ser presenteado com sua Folha de Carvalho prata, o smbolo de um
Arqueiro desenvolvido. Bartell, passando os anos e ficando incapaz de enfrentar
os rigores da vida de um Arqueiro  montaria dura, sono spero e vigilncia
constante  trocou sua prpria Folha de Carvalho prata para o ouro da
aposentadoria. Ele havia sido transferido para a sede do Corpo do Castelo
Araluen, onde ele estava trabalhando na seo de arquivos, compilao da
histria                                 do                              Corpo.

    Will sorriu brevemente. Ele tinha visto como Bartell, um bem lido e
entendido homem surpreendente, apesar do fato de que seus primeiros encontros
tinham sido de ocasies de distinto desconforto para Will. O perito Bartell havia
sido quem realizara os testes para o aprendiz que foi calculado para tornar a vida
do jovem miservel. Will tinha desde ento o valor perguntas duras e difceis
problemas que Bartell tinha colocado para ele. Todos tinham ajudado a prepar-
lo para a vida difcil de um Arqueiro.
    Que a prpria vida foi o chefe de outra compensao para a natureza solitria
de dia-a-dia de um Arqueiro. Houve uma profunda satisfao e uma atrao
irresistvel para ser parte de um grupo de elite que conhecia o funcionamento
interno e os segredos polticos de todo o reino. Aprendizes de Arqueiro foram
contratados por suas habilidades fsicas, coordenao, agilidade, velocidade de
mos e olhos, mas ainda mais para a sua curiosidade natural. Um Arqueiro
procura sempre saber mais, pedir mais informaes e saber mais sobre o que se
passava ao seu redor. Como um jovem, antes Halt tinha recrutado ele, que a
curiosidade inquieta, e que originou a precocidade dele, tinha causado mais do
que             a           sua          quota            de           problemas.

   Ele estava entrando na pequena aldeia agora e mais pessoas estavam
observando-o. A maioria deles no faria contato com os olhos, e os poucos que o
fizeram caiam o seu olhar quando ele acenou-lhes  agradavelmente suficiente,
ele pensou. Eles saudaram, com um movimento desajeitado de mo para a testa,
e mudou de lado para deix-lo passar completamente desnecessrio, na verdade,
como no havia espao de sobra na rua da vila ampla. Ele olhou os smbolos
para as operaes usuais que podem ser encontrados em qualquer aldeia:
ferreiro,                    carpinteiro,                   sapateiro.

   No final da rua havia um nico e grande edifcio. Era o nico de dois andares
da histria da vila e tinha uma varanda de largura na frente e com o smbolo de
uma caneca pendurada por cima da porta. A pousada, ele percebeu. Ela parecia
limpa e bem mantida, as persianas das janelas do quarto andar de cima pintado e
fresco e as paredes caiadas de barro. Enquanto observava, uma das janelas do
andar de cima abriu e cabea de uma menina apareceu na abertura. Olhou-se
cerca de dezenove ou vinte anos, com o escuro, cabelo raspado e amplo conjunto
de olhos verdes. Ela tinha uma tez clara e era extraordinariamente bonita. O que
foi mais estranho, sozinho no meio do povo da aldeia, ela continuou a cumprir o
seu olhar como ele olhou para ela. Na verdade, ela chegou a sorrir para ele e,
quando ela fez, o rosto transformado era bem para tirar o flego.
   Will, inquieto com a relutncia das pessoas para satisfazer o seu olhar, ficou
ainda mais instvel agora pelo indisfarvel interesse da menina por ele. Ento
voc  o novo Arqueiro, imaginou seu pensamento. Voc parece muito jovem
para                 o              trabalho,                no               ?

   Enquanto ele andava debaixo da janela, percebeu um incmodo que, como ele
havia levantado a cabea para observ-la, com a boca se abrira um pouco. Ele
agarrou-a fechada e acenou para a menina, austero e sisudo. Seu sorriso cresceu
mais amplo e foi ele quem quebrou o primeiro contato com os olhos.

   Ele havia planejado parar para uma refeio rpida na pousada, mas a
presena desconcertante da garota o fez mudar de idia. Ele lembrou as
instrues por escrito que tinha sido dado. Sua prpria cabana ficava a cerca de
trezentos metros para alm da vila, na estrada para o castelo e protegida por um
pequeno bosque de rvores. Ele podia ver o bosque e ele tocou os calcanhares ao
lado de Puxo, deixando a quebra de um pequeno cavalo em trote que saiu da
aldeia para trs. Ele podia sentir vinte ou trinta pares de olhos chatos
curiosamente em suas costas enquanto ele andava. Ele questionou se os olhos
verdes do cenculo da estalagem estavam entre eles, ento encolheu os ombros
deixando o pensamento de lado.
   A cabana era uma casa de um Arqueiro tpico, construda de troncos com
grandes pedras de rio no telhado. Havia uma pequena varanda na frente da casa e
um jardim estvel e um estbulo por trs dela.  abrigado sob as rvores, e ele
ficou surpreso ao ver uma onda de fumaa da chamin em uma extremidade do
prdio.

   Ele balanou para baixo da sela de Puxo, um pouco duro, aps andar um dia.
No houve necessidade de amarrar Puxo, mas enlaou as rdeas do cavalo de
carga em torno de um dos postes da varanda. Ele verificou o co, viu que ela
estava dormindo e decidiu que ela poderia ficar onde estava por mais alguns
minutos.
  Se houvesse dvidas de que esta era a sua casa, elas foram dissipadas pelo
contorno talhado de uma Folha de Carvalho na padieira da porta. Ele ficou por
um instante, coando as orelhas de Puxo como o cavalo zuniu suavemente
contra                                                                    ele.

    "Bem, garoto", disse ele, "parece que estamos em casa."

3

        Will empurrou a porta e entrou na cabana. Era praticamente idntica ao
que tinha sido sua casa durante a maior parte dos ltimos anos. A sala pegava
cerca de metade do interior do espao e serviu como um combinado de estar e
jantar. Havia uma mesa de pinheiro com quatro cadeiras simples  sua esquerda,
contra uma janela, e duas confortveis poltronas de madeira e um sof de dois
lugares estabelecidos na extremidade oposta, agrupados ao redor do fogo alegre
e crepitante na lareira. Ele olhou ao redor da sala, perguntando quem tinha
acendido o fogo.
         A cozinha era uma pequena sala contgua  de jantar. Potes de cobre e
panelas, obviamente recentemente limpos e polidos, pendurados na parede ao
lado da lenha na em extenso da cozinha. Havia flores silvestres frescas em um
pequeno vaso na janela, o ltimo da temporada, ele pensou. O toque caseiro
lembrou mais uma vez de Halt, e o pensamento trouxe um caroo na garganta de
Will provocado pela solido. O sombrio Arqueiro tinha planejado para ter flores
em sua cabana, sempre que possvel.
        Moveu-se para inspecionar os dois quartos pequenos mobilhados de
forma simples e abrindo fora da sala de estar. Como esperava, no havia
ningum em qualquer um dos quartos. Ele tinha esgotado todas as possibilidades
na pequena cabana a menos que a pessoa que tinha acendido o fogo e arranjou as
flores estava escondido na parte de trs, nos estbulos, o que ele duvidou.
        A cabana tinha sido limpa recentemente, ele percebeu. Bartell tinha ido
embora h um ms ou mais, mas quando ele passou o dedo ao longo da parte
superior da lareira, no havia um rastro de poeira. E a pedra de sinalizao na
frente da grelha tinha sido varrida recentemente tambm. No havia nenhum
sinal de cinzas ou restos de fogo.
        "Obviamente que temos um esprito de amizade dos que vivem nas
proximidades", disse para si mesmo. Ento, lembrando-se que os animais
estavam esperando pacientemente do lado de fora, ele moveu-se para a porta
novamente. Ele olhou a posio do sol e estimou que ainda havia mais uma hora
de luz do dia. Tempo para desfazer as malas antes de fazer sua presena
conhecida no castelo.
        A cadela estava acordada quando ele olhou para ela, seus olhos de cores
variadas mostrando grande interesse no mundo  sua volta. Isso era uma coisa
boa, ele percebeu. Era uma indicao de uma forte vontade de viver que ela
estaria em bom lugar na sua atual condio enfraquecida. Ele gentilmente
levantou-a de seu ninho na sela e levou-a para dentro da casa. Ela deitou-se
relativamente satisfeita nas lajes perto do fogo, absorvendo o calor em seu plo
preto. Voltando  sela, Will procurou um cobertor velho no cavalo e o levou para
arrumar uma cama macia para a cadela. Quando ele colocou-o para ela, ela
levantou-se penosamente e mancando a poucos passos de deitar sobre ele,
estabelecendo-se com um suspiro agradecido. Pegou uma bacia de gua da
bomba que tinha sido construda na bancada da cozinha  no havia necessidade
de tirar gua por fora, ele percebeu  e deixou-a ao seu lado. A cauda espessa
bateu suavemente no cho uma ou duas vezes em reconhecimento ao seu
cuidado.
   Satisfeito, Will voltou para os cavalos. Ele afrouxou as fivelas da sela de
Puxo. No havia nenhum ponto para descarregar mas como ele ainda precisava
receber o seu chamado oficial do castelo, ento ele comeou a descarregar a
pequena pilha de pertences pessoais que tinha trazido com ele.
   Feito isso, ele descarregou a sela e levou-o para o estbulo, onde ele esfregou-
a e colocou-a em uma das duas baias. Ele notou que a manjedoura na outra baia
estava cheia de feno fresco e que o balde de gua estava cheia tambm. Ele
inspecionou a gua. Nenhum sinal de poeira na superfcie. Nenhum vestgio de
verde no balde. Ele levou o balde para a outra baia e levou Puxo para fora,
permitindo que o cavalo bebesse a gua. Puxo sacudiu a juba em gratido.
        Will comeou a organizar seus pertences na cabana. L estavam
pendurados pinos ao lado da porta para seu arco e aljava. Ele ps o seu saco de
dormir na cama maior dos dois quartos e pendurou suas roupas de reserva no
cortinado do armrio. Sua mandola e uma pequena mochila de livros foram
colocadas sobre um aparador na sala de estar.
        Will olhou ao redor. Na verdade, ele trouxe muito pouco com ele, mas
pelo menos agora a cabana tinha um trao de personalidade dele, como se
pertencesse a algum. Seus pensamentos foram interrompidos por um relinchar
de aviso de Puxo, de fora. Simultaneamente, a cadela perto do fogo levantou a
cabea, voltando-se dolorosamente a olhar para a porta. Will calmamente falou
com ela. O chamado de Puxo no tinha sido um alerta de perigo, apenas uma
notificao de que algum estava se aproximando. Um segundo mais tarde, Will
ouviu passos na varanda e a figura de uma mulher apareceu no vo da porta
aberta. Ela hesitou e bateu na porta.
        "Entre", disse Will, e ela entrou no quarto, sorrindo hesitante, como se
querendo ter certeza de ser bem vinda. Como ela se afastou da luz de fundo, ele
pode v-la mais claramente. Ela tinha cerca de quarenta anos, obviamente uma
das mulheres da aldeia por seu vestido  um simples vestido de l, sem o tipo de
embelezamento favorecido pelos habitantes mais ricos que iam viver no castelo,
e sobreposto por um avental branco. Ela era alta e bem feita, com um
arredondado maternal. O cabelo escuro estava cortado curto e comeando a
mostrar traos de cinza. Seu sorriso era quente e genuno. Havia alguma coisa
sobre ela que estava familiarizado, pensava Will, mas ele no sabia o que era.
        "Posso ajudar?" ele perguntou.
        Ela fez uma reverncia superficial. "Meu nome  Edwina, senhor.
Trouxe-lhe isso."
        "Isso era um pequeno vaso coberto, e quando ela removeu a tampa Will
estava consciente de um delicioso aroma enchendo a sala, um ensopado de carne
e legumes. Sua boca encheu de gua. No entanto, ciente das advertncias de
Halt, ele investiu para manter o rosto severo e desinteressado.
        "Eu vejo", disse ele sem compromisso. Edwina colocou o pote em cima
da mesa e estendeu a mo para seu avental para pegar um envelope, que ela
estendeu a ele.
        "Esse ensopado vai aquecer voc muito bem mais tarde para seu jantar,
senhor", disse ela. "Embora eu suponha que voc vai precisar ver o Baro Ergell
primeiro?"
        "Possivelmente", respondeu Will, no tinha certeza se ele devia discutir
seus movimentos planejados com esta mulher. Ele percebeu que ela estava
segurando o envelope para ele e ele teve que peg-lo dela. Ele ficou surpreso ao
ver que o selo era uma folha de carvalho, acompanhado de figuras do sistema de
cdigo de numerao que eram o equivalente a Bartell nmero 26 no Corpo,
lembrou.
        "Arqueiro Bartell deixou para quem seria enviado para substitu-lo", disse
ela, apontando para ele abrir a carta. "Eu conservava a casa e cozinhava para ele
enquanto esteve aqui."
        Will repentinamente percebeu que era para ele e que abriu a carta. No
momento da escrita, Bartell no tinha idia de quem seria substitu-lo, por isso
era simplesmente intitulado "Arqueiro". Brevemente, ele examinou a mensagem.

   Edwina Temple  uma mulher completamente confivel e competente que tem
trabalhado para mim nos ltimos oito anos. Eu posso recomend-la muito a
quem me substitui. Ela  discreta, sbria e uma excelente cozinheira e
governanta. Edwina e seu marido, Clive, mantm a Taverna do Povoado em
Seacliff. Voc faria um favor a mim e a si ao manter os seus servios quando
voc assumir. Bartell, Arqueiro 26.
   Will olhou por cima da carta e sorriu para a mulher. A perspectiva de ter a
comida e a limpeza feita por ela foi bem-vinda, percebeu. Ento, ele hesitou.
Havia a questo do pagamento, e ele no tinha idia de quanto isso possa ser.
        "Bem, Edwina", comeou ele, "Bartell fala muito bem de voc."
        A mulher fez uma reverncia novamente. "Ns nos demos bem, senhor.
Arqueiro Bartell foi um verdadeiro cavalheiro. Eu o servi por oito anos."
        "Sim... Bem...
        A mulher, vendo que era jovem e bvio sups que esta era a sua primeira
misso, acrescentou com cuidado "Quanto ao pagamento, senhor, no h
nenhuma necessidade para voc se preocupar.O pagamento vem do castelo".
   Will franziu a testa. Ele no tinha certeza de que devia permitir que o castelo
pagasse a sua manuteno. Ele tinha sua prpria bolsa do Corpo de Guarda.
Edwina percebeu a razo de sua incerteza e continuou rapidamente.
        Est tudo bem, senhor. O arqueiro Bartell disse-me que o castelo tem a
responsabilidade de assegurar o alojamento e as disposies para o Arqueiro de
planto. Meus servios so abrangidos por esse regime.
        Era verdade, ele percebeu. O castelo em um feudo possua os servios
dos Arqueiros como uma das suas despesas e os custos foram deduzidos a partir
da avaliao fiscal feita pela coroa de cada ano. Ele sorriu, finalmente, chegar a
uma                                                                           deciso.
"Nesse caso, eu vou ser feliz de aproveitar os seus servios, Edwina", disse ele.
"Eu suponho que voc  a nica que mantinha a casa limpa e acendeu o fogo
antes?"
        Ela concordou. "Ns estivemos esperando por voc na semana passada,
senhor", disse ela. "Eu vim a cada dia para manter as coisas arrumadas e fogo
para impedir as coisas de ficarem midas nesta poca do ano.
        Will assentiu sua apreciao. "Bem, eu sou grato. Meu nome  Will, em
todo                                                                            caso."
"Bem vindo  Seacliff, Arqueiro", disse ela, sorrindo para ele. "Minha filha Delia
viu voc andar pela cidade. Voc olhou de forma muito sria, disse ela. Srio
como um Arqueiro."
        Will fez a ligao naquele momento. Ele sentiu que a mulher estava de
alguma forma familiar. Agora ele viu os olhos verdes como sua filha, e o sorriso,
to amplo e acolhedor. "Acho que a vi", disse ele.
        Edwina, a questo de continuar no seu emprego fixo, estava olhando com
interesse em seus poucos pertences. Seus olhos fixos no mandola no aparador.
"Voc toca o alade, ento, no ?" perguntou ela. Will balanou a cabea.
        Um alade tem dez cordas", explicou. "Este  um mandola, uma espcie
de bandolim grande com oito cordas, afinadas em pares." Ele viu o olhar vazio
que superou a maioria das pessoas quando ele tentou explicar a diferena entre
um alade e a mandola e desistiu. "Eu toco um pouco", completou.
        O co, ainda dormindo, escolheu esse momento para deixar sair um
suspiro longo.
        Edwina percebeu-a pela primeira vez e mudou-se por um olhar mais
atento. "E voc tem um cachorro, eu vejo, tambm."
        "Ela est ferida", Will disse a ela. "Eu encontrei-a na estrada."
        Edwina abaixou e colocou uma mo suave na cabea do co. O cachorro
abriu os olhos e olhou para ela. A cauda agitava ligeiramente.
        "Bons ces, estes pastores de fronteira", disse ela, e Will assentiu.
        "Alguns dizem que so os mais inteligentes dos ces," disse ele.
        "Voc vai precisar de um bom nome para um co muito bom como ela",
disse a mulher, e Will franziu a testa, pensativo.
        "O comandante da balsa me disse que ela poderia ter pertencido a um
homem chamado Buttle. Voc o conhece?"
        O rosto da mulher escureceu imediatamente no nome. "No conheo ele",
disse ela. "A maioria das pessoas conhece-o por aqui e mais um pouco no. Ele 
um homem mau para ter o nome de John Buttle. Se este co for dele eu estaria
com pressa de entreg-la de volta."
        Will sorriu para ela. "Eu no estou", disse ele. "Mas eu estou comeando
a achar que eu devo conhecer este homem."Antes que ela pudesse ajudar a si
mesma, Edwina respondeu: "Seria melhor voc ficar longe dele, senhor." Ento,
ela cobriu a boca em consternao. Foi a juventude do rapaz que a levou a diz-
lo, despertando seu instinto maternal. Mas ela percebeu que estava falando com
um Arqueiro e eles eram uma raa que no precisava de conselhos de donas de
casa sobre do que ficar longe. Will, compreendendo o raciocnio, sorriu para ela.
        "Eu vou ter cuidado", disse ela.Mas parece que  hora de algum falar
srio a essa pessoa. Agora.,disse ele, fechando o assunto de Buttle,h pessoas
que eu deveria estar falando primeiro, Baro Ergell e o chefe esto entre eles.
        Ele conduziu Edwina para fora, olhando uma vez no cachorro para ter
certeza que ela ficaria bem na sua ausncia. Depois de tomar o seu arco e aljava
de suas estacas, ele fechou a porta suavemente. Edwina assisti-lo como ele
apertou a cintura antes de montar a sela em Puxo. Mas acostumada a estar em
torno de Arqueiros do que a maioria das pessoas, ela gostou do que viu naquele
presente. Ento, como ele colocou o casaco cinza e verde em torno de seus
ombros e puxou o capuz sobre sua cabea, ela o viu mudar de um alegre e jovem
homem em uma figura sinistra e annima. Ela observou que o arco macio era
sustentado facilmente em sua mo esquerda, ele subiu na sela, viu as pontas de
suas flechas de penas salientes na aljava. Um Arqueiro leva a vida de duas
dezenas de homens com ele, o velho ditado foi dito. Edwina pensou ento que
Joo Buttle precisasse vigiar o seu andar.

4

       O mordomo do Baro Ergell apresentou Will no escritrio do Baro, com
um gesto de que estava entre uma reverncia e um floreio. O novo Arqueiro,
meu senhor", ele anunciou, como se ele tivesse feito pessoalmente para o prazer
do Baro, "Will Treaty".
       Ergell levantou-se de trs da mesa macio que era a parte dominante dos
mveis na sala. Ele era um homem excepcionalmente alto e magro e por um
momento, vendo o cabelo longo, plido e roupas pretas, Will teve a sensao
chocante que ele estava olhando para uma reencarnao do malvado Lord
Morgarath, que ameaou a paz do reino durante a juventude de Will. Ento ele
percebeu que o cabelo era cinzento, no branco morto como Morgarath tinha
sido, e Ergell, apesar de alto, estava longe de altura Morgarath. O momento
passou e Will percebeu que ele estava olhando para o Baro, que ficou esperando
com a mo estendida para cumpriment-lo. Rapidamente, foi em frente.
       Boa tarde, meu senhor, disse ele. Ergell moveu sua mo ansiosamente.
Ele estava em torno de sessenta anos, mas ainda movia-se facilmente. Will lhe
entregou o pergaminho contendo suas ordens oficiais de nomeao. Por direito, o
guarda na ponte deveria ter tomado e s entregado a Ergell depois de inspecion-
lo, antes de permitir que Will tivesse acesso ao palcio. Mas o sargento
responsvel tinha simplesmente olhado para a capa de Arqueiro e o arco e
acenou-lhe para dentro. Descuidado, Will pensou. Decididamente descuidado.
    Bem vindo  Seacliff, Arqueiro Treaty", disse o Baro. " um privilgio ter
algum distinto em nosso servio."
       Will franziu o cenho ligeiramente. Arqueiros que no serviam os Bares
eram atados ao rei e Ergell devia sab-lo. Talvez, pensou ele, o Baro estava
tentando assumir o poder pelo simples perodo como deu a entender.

    Todos ns servimos ao rei, senhor", respondeu de maneira uniforme, e a
sombra ligeira que cintilou no rosto Ergell disse-lhe sua suspeita estava correta.
Ergell, vendo um Arqueiro to jovem, pode muito bem ter sido tentado a julg-
lo,              como                 Halt               teria               dito.

   "Claro, claro, o Baro respondeu rapidamente, ento indicou o corpulento
homem de p ao lado de sua mesa.
  "Arqueiro Treaty, este  o Mestre de Guerra de Seacliff, Sir Norris de Rook".

    Will achou que a idade de Norris era cerca de quarenta anos, que foi
exatamente a mdia de Mestres de Batalha. Muito jovem o homem no tem a
experincia necessria para liderar uma tropa de cavalaria do feudo e infantaria
para a batalha. Mas muitos anos mais velho, ele est comeando a perder a fora
fsica            necessria              para             a             tarefa.

   "Sir Norris", disse ele em uma breve saudao. O aperto de mo do cavaleiro
era firme, e quase no veio como uma surpresa. Homens que passaram a maior
parte de suas vidas empunhando espada ou machados de batalha geralmente
acabavam com musculatura poderosa nas mos e braos. Ele sentiu o Mestre de
Batalha estudando como eles apertaram as mos, viu o exame rpido que teve
em sua juventude e de construo leve.
   Havia algo mais, Will imaginava  uma pitada de satisfao com o que o
cavaleiro viu. Talvez, depois de anos lidando com Bartell conhecedor e
experiente, Norris devia prever um tempo um pouco mais fcil com este novo,
Arqueiro recentemente encarregado. Will sentiu uma ligeira pontada de
decepo com o pensamento. Halt e Crowley, o comandante do Corpo, tinha
avisado a ele que alguns feudos viam a sua relao com os Arqueiros como
antagnicas.

   Muitos deles vem-nos como "ns e eles" situao, Crowley havia dito com
poucas palavras quando mandou Will para a misso. Afinal, ela  parte de nossa
tarefa de manter abas sobre eles, para avaliar a sua prontido de combate e seu
nvel de habilidade e treinamento. Alguns Bares e Mestres de Guerra no
gostam disso. Eles gostam de acreditar que eles esto executando sua prpria
raa e eles no se importam de ter Arqueiros observando sobre seus ombros.
   Isso nunca tinha sido a maneira no Castelo Redmont, Will sabia. Mas naquela
poca Halt e Arald tinham um excelente relacionamento e um nvel profundo de
respeito mtuo. Ele registrou com o pensamento longe durante a pequena
conversa educada em resposta as perguntas de Norris e Ergell quanto  viagem.
   Ergell, ele percebeu, estava convidando-o para jantar com eles no castelo.
Will sorriu educadamente quando ofereceu as suas desculpas. "Talvez no fim da
semana, meu senhor. No  justo eu perturbar a casa de sua famlia. Afinal, voc
no tinha como de saber que eu iria chegar hoje e eu tenho certeza que voc j
tinha        finalizado       os      planos         para       a        noite."

   "Claro, claro. No final da semana, quando voc estiver se estabelecido," o
baro concordou. Ele era uma pessoa bastante simptica, Will sentia, apesar de
sua tentativa de minar sutilmente a autoridade de Will. Seu sorriso era acolhedor
e hospitaleiro. "Talvez possamos enviar algo de nossas cozinhas para voc mais
tarde?"
   "No h necessidade para isso, meu senhor. A mulher Edwina j me deixou
um ensopado de carne com um timo mrito. Desde o aroma dele, eu vou estar
mais         do         que         satisfeito     para          a         noite.

   Ergell sorriu em resposta. "Ela  uma cozinheira muito boa, essa  a verdade",
disse ele. "Eu tentei a convenc-la a trabalhar para ns aqui no castelo, mas sem
sucesso,               eu              estou             com               medo".

  Norris tomou um assento em um dos bancos de tempo que ladeado na mesa.
"Voc    se   mudou     para   casa    de    campo    Bartell,   ento?"

  Will assentiu. "Sim, Mestre de Guerra. Parece confortvel o suficiente."
  Ergell deu uma pequena casca de riso "Com Edwina cozinhando para voc, eu
deveria pensar assim", ele concordou. Mas Norris foi sacudindo a cabea.

  "Muito mais eficiente para voc morar aqui no castelo", disse ele. "O Baro
pode deixar voc ter sua prpria sute de quartos, muito mais confortvel do que
uma cabana raqutica na floresta. E voc estaria mais  mo, se precisassem de
voc.

   Will sorriu, reconhecendo o estratagema por trs da sugesto inocente.
Movendo-se para o castelo, ele estaria dando o primeiro passo em direo a uma
sutil mudana no controle. Poderia no acontecer imediatamente, mas renunciar
a sua independncia seria a extremidade fina da cunha. Alm disso, a afirmao
de que ele estaria mais  mo se eles precisassem dele no dito implicava que ele
devia estar no castelo e cham-lo. Ele estava consciente de que Ergell estava
observando-o de perto,  espera de sua resposta.
   "A cabana est tima, obrigado, Mestre de Guerra," ele disse. "E  tradicional
para os Arqueiros ter seus quartos separados do castelo."
   "Bem, sim, tradicional, Norris disse desdenhoso. "s vezes eu penso que ns
damos importncia demais para coisas que so 'tradicionais. '
   Ergell riu novamente, interrompendo ligeiramente o silncio embaraoso que
se seguiu aps as palavras de Norris. "Vamos l, Norris, ns todos sabemos que
os Arqueiros valorizam a tradio.  justo lembrar," ele adicionou para Will, "de
oferecer para permanecer no castelo. Se aquela cabana tornar-se muito fria e
muito vento seco do inverno entrar, voc sempre tem um quarto disponvel aqui
para voc."
    Sua rpida olhada no Mestre de Guerra disse que o assunto no era para ser
prosseguido. Para seu crdito, Norris deu de ombros e respeitou. Will realmente
no podia culp-los por tentar influenci-lo. Ele podia imaginar como poderia ser
irritante ter algum silenciosamente de p, dia aps dia, cuidando de seu ombro
enquanto voc realizava o seu trabalho, apresentando relatrios ao rei de suas
habilidades e atividades. Especialmente quando esse algum era to inexperiente
como ele era. Pelo menos, pareceu, havia conseguido recusar seus avanos, sem
causar                                                                   ofensa.

   "Bem, ento, Arqueiro Treaty..." Ergell comeou, e Will levantou a mo.

   "Por favor, meu senhor," ele disse, "Eu ficaria feliz se voc simplesmente me
chamar de Will."
   Foi um gesto gracioso, nomeadamente no que ao diz-lo, Will deixou claro
que iria continuar a usar o ttulo de baro como seu mtodo de endereo. Ergell
sorriu, com mais calor do que Will tinha visto at agora. O gesto no passou
despercebido.

    Will ento, Como eu estava prestes a dizer, talvez pudssemos fazer uma
plano para um jantar de boas-vindas daqui a duas noites de hoje? Vai dar tempo
de meu mestre de cozinha planejar algo adequado.
   "E todos ns sabemos Chefes de Cozinha quo difcil pode tornar a vida se
no lhes dar esse tempo", disse Norris, sorrindo tristemente. Will sorriu de volta.
Parecia que Chefes de Cozinha eram os mesmos em todo o mundo, ele pensou.
A atmosfera na sala iluminada consideravelmente.
   "Se no h mais nada, ento, meu senhor, eu vou me despedir", disse Will.
Ergell assentiu, levantando-se e Norris o seguiu.

   "Claro, Will", disse o Baro. "Se houver alguma coisa que voc precisa na
cabana, deixe Gordon saber." Gordon era o mordomo que tinha mostrado
vontade em escritrio.
   Will hesitou, depois disse baixinho: "Voc tem a minha comisso, senhor"
Ele indicou o rolo de pergaminho sobre a mesa. Ergell assentiu com a cabea
vrias                                                                vezes.

    Sim, sim. Tenha certeza eu vou olhar com ele em breve". Ele sorriu.
"Embora eu tenha certeza que voc no  um impostor." Estritamente falando,
Ergell deve ter quebrado o selo e leu a Comisso, em primeiro lugar quando
entregou a ele. As coisas pareciam um pouco mais descontradas no feudo de
Seacliff, ele pensou. Mas talvez ele estivesse apenas a ser um defensor de
detalhes.
   "Muito bem, meu senhor." Ele olhou para Norris. "Chefe de Guerra", disse
ele, e o cavaleiro apertou as mos dele mais uma vez.
     bom telo conosco arqueiro disse ele.
    "Will", Will recordou-lhe, e o            Chefe    de    Guerra    assentiu.

   " bom t-lo conosco, Will", ele se corrigiu. Will deu uma ligeira curvatura
rgida para o Baro, virou-se e saiu da sala.
   De volta  cabana, ele encontrou o cachorro deitado onde ele havia deixado.
Ela estava acordada agora e bateu a cauda no cho duas ou trs vezes quando ele
entrou. Havia outra tigela em cima da mesa e viu que continha um caldo de
carne. Embaixo da taa era um pequeno pedao de pergaminho tendo um
desenho de um co. Edwina, pensou. O caldo ainda estava quente para tomar ele
colocou a taa no cho para o co. Ela ficou mancando com cuidado alguns
passos para alcan-lo. Sua lngua comeou a volta lap-lap-lap, enquanto ela
comia. Ele acariciou seus ouvidos, verificando a ferida do seu lado. Os pontos
ainda                              estavam                           segurando.

   Sorte que ela deixou o desenho, menina", disse ele. "Ou eu poderia ter
comido                  o                   seu                  jantar."

   O co continuou a volta no caldo saboroso. O cheiro era delicioso, ele
percebeu, e seu estmago vazio gemeu. Edwina tambm havia deixado um naco
de po com seu guisado. Cortou uma fatia e mastigou-a avidamente, enquanto
esperava o calor do guisado em seu fogo dissipar-se.

5

        Os dias seguintes passaram voando enquanto Will se familiarizava com a
vizinhana. O jantar de boas-vindas que Ergell ofereceu em sua homenagem foi
uma ocasio um tanto quanto agradvel. Como foi uma ocasio oficial, Mestres
de Ofcios como o Armeiro, Mestre da Cavalaria, e o Escriba compareceram,
bem como os Cavaleiros e suas esposas. Os rostos e nomes se confundiam, mas
Will sabia que com o passar da semana iria conhec-los e lembrar, cada um com
suas caractersticas e trejeitos pessoais. Por outro lado, todos os convidados
estavam ansiosos para conhecer o novo Arqueiro, e Will era realista o suficiente
para reconhecer que sua reputao o precedia.
        Por ser o antigo aprendiz de Halt, um dos melhores e mais famosos
Arqueiros da Corporao dos Arqueiros, Will sempre gozou de certa
popularidade. Entretanto, ele tambm foi o responsvel pela descoberta dos
planos secretos de Morgarath, o maligno Senhor da Chuva e da Noite, bem como
o responsvel pela frustrao dos mesmos, quando ele, Morgarath atacou o reino
h pouco mais de cinco anos atrs. Depois ele virou o protetor da Princesa
Cassandra, quando ela virou refm dos Escandinavos. Esse episdio, ainda por
cima veio recheado com a maior batalha contra os Temujai, a fora de cavalaria
das Estepes do Leste, e finalmente veio o acordo de no-agresso mutua com os
Escandinavos  acordo esse que ainda valia nos dias atuais.
        De fato, foi sua participao no Tratado de Hallasholm (*Hallasholm
Treaty) que deu a Will o nome pelo qual agora era reconhecido  Will Treaty.
Criado no Castelo Redmount como rfo, ele no tinha sobrenome.
        Ento era natural que as pessoas ao conhec-lo estranhassem sua
juventude, ou ainda, em alguns casos, achassem que haviam se enganado,
confundindo-o, e esperavam algum obviamente mais velho e muito maior. Nos
anos que passou com Halt, Will estava acostumado com a descrena de algumas
pessoas ao conhecerem pela primeira vez o pequeno, grisalho, e com cabelo mal-
cortado, como se ele mesmo o tivesse cortado com a sua faca. As pessoas sempre
romantizam a figura de seus heris. De fato, a maioria dos Arqueiros so
pequenos, magros, geis e rpidos, apesar da idia contraria da populao.
        Ento Will encarou olhares de confuso e desapontamento enquanto
conhecia seus novos vizinhos  especialmente das senhoras da corte. Seacliff era
um feudo afastado, e a chegada de uma celebridade  uma que havia sido
pessoalmente homenageada pelo Rei Duncan por ter protegido sua filha  era
esperada com grande expectativa. E se a realidade no fazia jus  expectativa,
simplesmente no era seu problema, pensava Will.
        De sua parte, quanto mais ele conhecia Seacliff, mais ficava desapontado.
Era um feudo um tanto quanto agradvel, localizado em uma bonita parte do
reino. Mas os anos de paz e segurana trouxeram juntos um sentimento de
negligencia e descuido a guarnio do castelo. E a culpa por essa negligencia se
devia somente ao Baro e ao seu Mestre de Guerra. E isso colocou Will numa
posio um tanto quanto estranha, pois ele no s gostava como respeitava os
dois. Mas no tinha como negar que o treinamento dos Cavaleiros e Soldados
estava aqum dos nveis aceitveis.
        Por dias Will ficou imaginando como levaria o assunto ao Baro sem
causar nenhuma ofensa. Como ele imaginou, as coisas pareciam... Confortveis
demais. Entretanto tanto Ergell quanto Norris riram dos comentrios, e pareciam
lev-los em considerao apenas como se comprimentos ao confortvel estilo de
vida de Seacliff.
        Todos os Bares do reino eram obrigados a manter uma fora de
cavaleiros e soldados para assegurarem ao Rei a paz no Feudo. E, quando em
pocas de guerra, cada castelo enviava seus homens para se juntarem s tropas
do Rei, sob o comando do prprio rei e seus conselheiros. Um Feudo grande
como Redmount mantinha centenas de cavaleiros e soldados. Seacliff, sendo um
dos menores feudos, eram exigidos apenas doze cavaleiros, dez aprendizes na
Escola de Guerra, e uma infantaria de 25 soldados. E uma fora de cinquenta
arqueiros compostas pelos prprios fazendeiros tambm estava disponvel se
fosse necessrio.
        Varias semanas passaram e Will ainda no tinha visto nenhum treino
oficial dos cavaleiros ou soldados. Havia alguns treinos com armas, que eram
realizados ocasionalmente numa espcie de arena. Mas nenhum programa real de
treinamento e prtica  o tipo de treino constante que seria necessrio para
manter o nvel dos guerreiros. E ainda por cima, os aprendizes da Escola de
Guerra, sob a orientao de Sir Norris e seus dois auxiliares, eram desleixados
em seu treinamento, e at mesmo para o olhar no treinado de Will, os nveis
deles estavam bem abaixo se comparados com os contemporneos de outras
escolas.
        A nica rea em que Seacliff se destacava era na cozinha. O Mestre de
Cozinha Rolo era realmente excepcional, e suas habilidades certamente
rivalizavam com as de Mestre Chubb, em Redmont. Que era de longe o melhor
cozinheiro de todo o reino. Talvez a estivesse o problema, pensava Will. A vida
em Seacliff era simplesmente confortvel demais, estvel demais.
        De modo geral, sem intercorrncias.
        Ao mesmo tempo Will ia ao interior vrias vezes e visitando as pequenas
vilas e vilarejos que se encontravam a apenas um dia de viagem. Nessas
ocasies, se despia dos smbolos que o identificavam como Arqueiro, como a
capa verde e cinza multicolor, o arco longo, e o estojo de suas duas facas, e
assumia o disfarce de um campons viajante. Ele sabia que as pessoas falavam
mais livremente e viajantes desconhecidos que aos misteriosos arqueiros. E Will
descobriu que nem tudo eram flores no Feudo de Seacliff, se a vida no castelo
era boa demais, a vida no interior estava longe de ser to tranqila.
        Havia rumores de bandidos assaltando viajantes solitrios. Estranhos
sendo agredidos e em algumas ocasies, at mesmo desaparecendo. Eram
rumores apenas, e Will sabia que as pessoas do interior, com suas vidinhas mais
ou menos tendiam a exagerar qualquer coisa que fugisse do padro, at o evento
tomar propores gigantescas. Mas ele ouviu certos rumores com certa
freqncia pelo menos para assumir que neles havia algum fundo de verdade.
Muitas vezes ele ouviu o nome Buttle, e na maioria das vezes com um tom de
medo embutido.
        E pelo lado positivo, a cadela se fortalecia a cada dia, e j estava
praticamente recuperada do ferimento que lhe fora impingido. Agora que ela
conseguia se mover livremente, Will notou que era jovem, muito jovem. E
apesar disso, a reputao que acompanhava os pastores de lealdade e inteligncia
no era exagero. A cadela se tornou companhia constante para ele e Puxo,
sendo capaz de correr o dia inteiro lado a lado, acompanhando o pequeno cavalo
sem nenhum esforo.
        Entretanto no era sem esforo sua tentativa de conseguir um nome 
pequena cadela. O comentrio de Edwina sobre um cachorro to bom, merece
um nome melhor ainda estava preso em sua mente. Ele queria algo realmente
especial para ela, mas at agora tudo que vinha a sua mente era na sua opinio
vulgar. Por isso, se referia a ela apenas como cachorra ou simplesmente
garota.
        No comeo, Puxo achava a presena da cadela meramente divertida,
mas com o tempo passou realmente a apreciar a recm chegada preto-e-
branco, assim como ela ajudou a manter a vigia durante a noite enquanto Will
explorava seu novo domnio. Puxo estava acostumado a atuar como sentinela
para Will, todos os cavalos de Arqueiros eram treinados para isso. A cadela
assumiu um papel complementar nessa tarefa e de certa forma seu olfato era
mais apurado ainda que o de Puxo. E os dois animais, unidos pela lealdade ao
jovem mestre, desenvolveram rapidamente um elo e cumplicidade no trabalho,
cada um respeitando a melhor habilidade do outro.
        Foram trs semanas aps a chegada de Will  Seacliff que os eventos
comearam a dar uma guinada. Pelo menos no que se diz respeito ao treinamento
das foras de defesa do Baro. Will estava apoiado em seu arco, observado o
treinamento dos aprendizes da Escola de Guerra, em uma tarde. Envolto em sua
capa e capuz, ele permanecia nas sombras que pequenas rvores faziam atrs do
campo de treinamento, imvel como estava, era praticamente invisvel. A cadela,
que j havia entendida a importncia da necessidade de permanecer quieta e sem
se movimentar, permanecia deitada logo aos seus ps, com o focinho entre as
patas. Seus nicos movimentos eram ocasionais balanos nas orelhas ou
movimento dos olhos que fazia para checar se Will no tinha um ordem no-
verbal para ela.
        Ele ficava cada vez mais carrancudo ao observar os aprendizes e seus
mestres. Os movimentos realizados estavam tecnicamente corretos. Entretanto,
parecia a ele que havia uma falta de urgncia, uma falta de interesse. O
movimento era um movimento, nada mais que isso. Eles no conseguiam ver
alm, ver o real significado. Seu velho amigo Horace, agora um Cavaleiro na
corte do rei, em Araluen, havia feito esses mesmo movimentos incontveis vezes
durante as sesses de treinamento enquanto era apenas um aprendiz. Mas ele os
realizara com paixo, e entendia que realizar esses movimentos suavemente, sem
pensar, ou se esforar, podia ser a diferena entre viver ou morrer durante uma
batalha. E esse instinto de Horace salvou a vida de Will pelo menos uma vez,
durante a batalha de Hallasholm.
        A carranca de Will ficou ainda maior quando ele se deu conta de que em
menos de uma semana teria que enviar seu primeiro relatrio sobre as atividades
ao Quartel dos Arqueiros, e ele seria certamente negativo.
        Ele ouviu a voz, muito antes que a pessoa entrasse em seu campo de
viso. E em poucos segundos ele viu uma pessoa corpulenta atravessando as
rvores que estavam logo atrs do castelo, correndo, gritando, e agitando as
mos para chamar a ateno. Apesar de no conseguir entender ainda o que era
dito, o tom de alarme era visvel, tanto no tom de voz, como na linguagem
corporal do homem.
        A cadela sentiu tambm, e um longo rosnado nasceu em sua garganta e
ela levantou-se, imediatamente pondo-se em alerta.
        Quieta, Will a advertiu, e ela imediatamente se imobilizou. O som das
armas de chocando no treinamento foi morrendo aos poucos quando as pessoas
comearam a notar a pessoa que corria e gritava.
        E nesse momento Will foi capaz de distinguir as palavras.
        Lobos do Mar! Lobos do Mar
        Essas eram palavras capazes de gelar o sangue de qualquer Araluense
desde os sculos passados. Lobos do Mar eram os corsrios escandinavos, que
velejam desde suas terras geladas e cobertas por neve e florestas de pinheiros do
norte para assaltar a agradvel e pacfica costa de Araluen, Gallica e tantos
outros pases. Terrveis em seus enormes capacetes com chifres, e produzindo
destruio com seus enormes machados de batalha os Escandinavos e seus
navios eram os produtores de pesadelos.
        Entretanto no aqui, ou pelo menos no pelos ltimos cinco anos, desde
que Erak Starfollower, recm eleito Oberjal dos Escandinavos firmou um acordo
com os Araluens. Estritamente falando, o acordo punha fim somente aos ataques
em massa organizados e tentativas de invases. Entretanto quando posto em
prtica, tambm acabou com os assaltos individuais  costa Araluense. Apesar de
Erak no poder formalmente proibir o corso por parte de seus capites, era de
conhecimento geral que ele desaprovava, guiado por um sentimento de honra ao
pequeno grupo de Araluense que os salvou da invaso dos cavaleiros Temujais.
E quando Erak no aprovava alguma coisa, isso geralmente era o suficiente para
que no ocorresse.
        O homem que estava gritando estava praticamente no campo de treino
agora, cansado e sem flego. Estava vestido como um fazendeiro.
        Escandinavos, ele ofegou. Lobos... do mar... em Bitteroot Creek...
escandinavos...
        Exausto, ele vergou contra a cerca do campo, seus ombros pesados,
cansados pelo esforo. Sir Norris vinha atravessando rapidamente o campo para
se encontrar com ele.
   O que voc disse? Escandinavos aqui?
   Havia uma note de descrena preocupada. Apesar do desleixo no treinamento
de seus homens, Will sabia que Sir Norris era profissional. Ele poderia ter
deixado as coisas correrem frouxas e sem cuidados nos anos de paz que se
passaram, mas agora, frente a uma ameaa real. Ele tinha experincia suficiente
para saber que estavam com srios problemas. Seus homens no eram o
suficiente para enfrentar nenhum inimigo real.
   O fazendeiro apontava o caminho pelo qual tinha vindo, balanando
furiosamente a cabea para assegurar a veracidade do que estava afirmando.
   Escandinavos, eu os vi em Bitteroot Creek, navegando pelo mar. Centenas
deles ele acrescentou, e nesse ponto houve grande comoo entre os aprendizes
e cavaleiros que vieram ver o que acontecia.
   Silencio Sir Norris gritou. Will que se aproximou sem ter sido visto
perguntou diretamente ao fazendeiro.
   Quantos navios? Voc os viu?
   O fazendeiro virou-se para ele, e um olhar desconfiado apareceu quando se
deu conta que falava diretamente com um Arqueiro.
   Um, ele disse Enorme, e com uma grande cabea de lobo entalhada na
proa
   E de novo houve comoo, um misto de medo e especulao naqueles que os
rodeavam. Sir Norris se virou violentamente e o barulho cessou. Will e o Mestre
de Guerra de olharam.
   Um navio, haver pelo menos quarenta homens ele disse.
   Norris concordou Perto de trinta se eles deixarem vigias a bordo, ele disse
   No que isso melhorasse a situao. Afinal, trinta escandinavos
desembarcando na ilha de Seacliff seriam virtualmente uma fora quase
imbatvel. Os mal treinados soldados e cavaleiros fora de forma seriam de pouca
ajuda e certamente ofereceriam pouca resistncia aos selvagens piratas, Norris
sabia disso, e o Mestre de Guerra culpava ningum menos que ele prprio. E era
sua responsabilidade fazer alguma coisa, e tambm era sua responsabilidade a
vida dos homens sob seu comando. E lev-los a combater um bem treinado
bando de escandinavos, certamente seria o mesmo que lev-los a morte.
   E ainda sim, era sua responsabilidade.
   Vocs esto em minoria Will disse. A fora de soldados disponveis era de
vinte e cinco, mas Norris sabia que seria sorte se conseguisse contar com pelo
menos vinte  mais trs ou quatro cavaleiros, no mximo. Quanto aos
aprendizes, Will estremeceu s de pensar no oposto que era mos escandinavos e
seus machados com sua fora de vontade, contra os desleixados aprendizes que
vinha observando.
   Norris hesitou, como todo nobre, ele teve uma vida cheia de privilgios. Mas
os privilgios existiam para que, fossem cobrados e pagos, em tempos como
esse. E agora, quando ele era necessrio, ele se encontrava despreparado, incapaz
de proteger queles que dependiam dele.
   No h sentido em guiar seus homens para a morte Will disse bem baixo,
de modo que s o mestre de guerras pudesse ouvi-lo. A mo de Norris balanava
na bainha de sua espada, ora agarrando o punho da mesma, ora soltando.
   Bom, preciso fazer alguma coisa... ele disse meio sem jeito.
   Will interrompeu gentilmente o mestre de guerra. E iremos..., virou-se para
o homem mais velho. Mande os aldees entrarem no castelo, com o mximo de
pertences que puderem carregar. Leve os animais aos campos, e solte-os, mas os
assustem de modo que se os escandinavos os quiserem, vo ter que ca-los.
Ponha seus homens em prontido e armados. E claro, pergunte ao mestre Rollo
se ele pode preparar algo rpido, um banquete.
   Norris no tinha certeza se tinha escutando direito Um banquete?!
perguntou confuso.
   Will confirmou Um banquete, no precisa ser nada especial, tenho certeza
que ele pode pensar em alguma coisa para ns. Nesse meio tempo, irei ter uma
palavrinha com os Escandinavos...
   O mestre de guerra arregalou os olhos enquanto mirava o jovem calmo que
encontrava diante de si.
   Ter uma palavrinha com eles?! Repetiu um pouco mais alto do que
esperava. Como voc espera impedir um ataque apenas tendo uma palavrinha
com eles?
   Will respondeu Pensei em apenas pedir para eles apenas no atacarem, e
depois, bom, convid-los para jantar...

6.
   Bitteroot Creek ficava na costa leste da ilha. Era um local abrigado por muitas
arvores de crescimento direto para a beira da gua o que criava um esconderijo
at mesmo para um navio grande como um Wolfship. A gua era profunda
fazendo um lugar ideal para os invasores aportarem. Will foi galopando em
Puxo pela floresta sinuosa em direo ao riacho, quando ouviu o som de cascos
galopando atrs dele.
   Ele virou-se na sela verificando, e reconheceu Sir Norris em seu cavalo de
batalha. O cavalo de batalha estava totalmente armado e blindado deixando uma
nuvem de fumaa por trs deles. A cachorra que estava correndo ao lado da
pista, mantendo o ritmo com Puxo, caiu de bruos enquanto observava o cavalo
do arqueiro chegar a um impasse, e assistiu com curiosidade enquanto cavalo e
cavaleiro se aproximavam.
   Sir Norris freou bem ao lado de Will. O cavalo de batalho era pelo menos
quatro palmos maior que Puxo. Cavalo e cavaleiro elevaram-se ao lado deles.
Will inclinou a cabea em comprimento.
   Sir Norris, disse Will. O que trs voc aqui?
   Sir Norris hesitou. Will tinha alguma idia do que ele estava para dizer. Aps
alguns segundos de hesitao Sir Norris respondeu.
   No posso deixar voc fazer isso sozinho meu arqueiro. Ele disse, e era
evidente a amargura e a auto-recriminao em sua voz.  minha culpa de
estarmos despreparados para a situao. Eu deixei as coisas moles, eu sei disso.
Agora eu no posso deixar voc fazer isso por mim. Irei ficar com voc.
   Will assentiu pensativo. Ele havia tomado coragem para dizer aquilo, e havia
tido muita coragem para tomar a deciso de acompanh-lo at os escandinavos.
Ele sentiu uma nova onde de respeito pelo mestre de batalha. Talvez se ele
fizesse tudo certo, poderia ser uma beno. A chegada de um Wolfship havia
certamente dado ao feudo de Seacliff  lio que eles precisavam. E deu essa
lio melhor do que qualquer crtica.
   Eu aprecio a sua oferta Will disse ao cavaleiro Mas talvez seja melhor eu
fazer isso sozinho
   Ele viu a rpida mudana de cor no rosto do cavaleiro e levantou a mo para
acalm-lo. "No  que eu duvide de sua coragem ou de sua capacidade",
acrescentou. "Muito pelo contrrio, na verdade. Mas acho que tenho uma chance
melhor de resolver isso sozinho."
   Tem certeza que pode fazer um plano para combat-los sozinho? Perguntou
Sir Norris.
   Will balanou a cabea com um pequeno sorriso nos lbios Eu no pretendo
combater todos eles, disse. Mas sua presena montado em um cavalo
completamente armado, poderia no me dar escolha pense nisso. Ele continuou
de modo que Sir Norris no pudesse interromper A primeira vista voc est
obviamente pronto para batalha, os escandinavos atacariam sem pensar duas
vezes..
   Sir Norris mordeu o lbio inferior. O que Will dizia fazia sentido. Em seguida
o jovem arqueiro continuou.
   Por outro lado se eles me verem sozinho, eles poderiam ficar dispostos a
falar. Ns arqueiros tendemos a ter um efeito perturbador sobre as pessoas. Eles
nunca tm certeza do que podemos fazer at fazermos. Acrescentou com um
sorriso. Sir Norris teve que admitir que aquilo era verdade. Entretanto estava
relutante em deixar o garoto enfrentar as probabilidades de trinta para um, com
apenas um arco. Will percebeu a hesitao e continuou com a voz mais ntida ao
perceber que o tempo era curto.
   Alem disso se algo der errado eu posso fugir em Puxo e levar alguns deles
durante a minha fuga. Por favor, Sir Norris  a melhor maneira Ele olhou pista
abaixo procurando pelos primeiros sinais dos escandinavos. Sabendo que
estariam vindo para c, j que no havia outro caminho a partir da praia.
Abruptamente Sir Norris tomou sua deciso. Em seu ponto de vista, no gil
cavalo, o arqueiro poderia se abrigar na floresta se preciso, ou simplesmente
fugir de volta para o castelo. Os lobos do mar raramente usavam arcos ou outros
projteis.
   Muito bem disse ele virando a sua montaria. Acenou com gratido, bateu
com as esporas no cavalo e passou a galope para trs da maneira que ele tinha
vindo.
   Assim que Norris se afastou, Will tomou conhecimento do terreno ao seu
redor. Neste ponto, o caminho era limpo, as rvores haviam ficado para trs e o
terreno era aberto e plano. Isso fazia do terreno um bom lugar para falar com os
escandinavos, pois poderia manter distncia para alguma manobra se necessrio.
   Ele recuou uma dzia de passos e parou no meio do terreno. A cachorra, que
estava deitada na grama, voltou para o lado dele e sentou-se. Will olhou para o
sol. Estava atrs dele e ficaria bem nos olhos dos escandinavos. As condies
eram favorveis, pensou Will. Ele cobriu o rosto com o capuz sentindo o arco
confortvel atrs da curva da sela, preparado, mas sem parecer ameaador ao
inimigo.
   As orelhas de puxo contrariam por uma frao de segundo, logo depois a
cachorra soltou um rosnado de advertncia. Will podia ver o movimento por trs
das sombras das rvores.
   Tudo bem, ele disse para os seus dois animais. Calmo ele sentou e se
ajeitou na sela para esperar os escandinavos.
   Gundar Harrdstriker, Capito do navio, saiu das sombras das rvores para a
luz da tarde. Atrs dele vinte e sete guerreiros escandinavos o seguiam em fila
dupla. Com os olhos semi-cerrados por ter acabo de sair da escurido da floresta
Gundar se surpreendeu ao ver  figura solitria a frente deles.
   No era um cavaleiro, um guerreiro ou nada do gnero, ele percebeu. Era uma
figura franzida montada em um cavalo pequeno e peludo. Havia um arco
apoiado de forma quase que ocasional em suas coxas, mas nenhum sinal de
outras armas. Sem machado, sem espada, sem maa. Seus homens curiosos pela
parada repentina moviam-se procurando o que estava causando o atraso.
   Arqueiro disse Ulf Oakbender, e Gundar percebeu que ele estava certo. O
sol estava deslumbrante, praticamente atrs da figura que estava os esperando,
com um manto camuflado que era o smbolo dos arqueiros. Agora com os olhos
acostumados a claridade, ele podia ver o estranho.
   Boa tarde, disse uma voz clara. O que posso fazer por vocs?
   A voz do arqueiro era surpreendentemente jovem, bem como o fato de ele ter
usado uma saudao escandinava causou hesitao em Gundar. Atrs dele, ele
ouviu seus homens resmungando, to confusos quanto ele com essa apario.
Eles haviam esperado alguma resistncia ou fuga das pessoas que encontrassem
e no um inqurito educado.
   Percebendo que tinha perdido a primeira iniciativa, Gundar gritou com raiva
Caia fora! Caia fora, corra ou lute! Ns no nos importamos com o que voc
escolher!.
   Ele comeou a andar para frente, a figura se ajeitou na sela Nem mais um
passo Gundar sentiu uma ponta de autoridade. Ele hesitou, atrs dele ele ouviu
a voz baixa de Ulf.
   Cuidado Gundar. Esses arqueiros podem atirar como demnios.
   Como se tivesse ouvido o que Ulf disse, o arqueiro continuou Continue a
andar e voc vai morrer antes de dar dois passos.
   Consciente do olhar de seus homens, Gundar bufou e comeou com desdm
para o arqueiro. Ele fez um breve borro de movimento. Relembrando do
incidente um pouco mais tarde, ele no tinha clara conscincia de que
movimento tinha feito. O estranho, ofuscado pela luz, em sua capa camuflada e o
arco se movendo na velocidade da luz e um silvo selvagem. Uma flecha estava
com a cabea enterrada e tremendo bem a frente de seus ps. Ele se afastou
rapidamente.
   Essa flecha poderia ter sido bem no meio dos seus olhos disse a voz calma,
e Gundar percebeu que era verdade. Ele abaixou o machado de batalha que
estava descansando em seus ombros. Inclinou-se com a cabea e tocou o cho.
O que voc quer? Ele perguntou.
Apenas palavras entre amigos. Eu no estava ciente de que o tratado de
Hallasholm havia sido rescindido.
   O tratado no probe assaltos individuais. Gundar respondeu. Ele pensou ter
visto o arqueiro assentindo, apesar de ter sido difcil dizer por causa do capuz.
   No em tantas palavras, talvez ele disse Mas Oberjarl Erak diz que
desaprova fortemente em especial quando se trata dos seus amigos e seus bens..
   Gundar riu com desdm Amigos? O Oberjarl no v os Aurelenses como
amigos. ele disse, apesar do tom de duvidas aparecer em sua voz durante a sua
fala. Houve uma pausa. O arqueiro no respondeu a pergunta diretamente. Em
vez disso, ele olhou para o baixou sol de outono.
    o final da temporada de invaso Will disse finalmente. Eu suponho que
voc estava invadindo a Glia e a costa Ibrica. Essa foi uma suposio fcil,
no havia tido nenhuma invaso na costa sul Aurelense. Ele olhou para os
homens atrs dele, ele pensou que sabia por que eles desembarcaram aqui.
    Vai ser um longo e difcil caminho atravessar Stormwhite nesta poca do
ano disse Will, mantendo o tom calmo e amigvel. Os ventos do outono vo
comear em breve Voc vai passar o inverno em Skorghijl, eu suponho?"
    Ele viu a onda de surpresa atravessar os escandinavos. O lder olhou para os
seus homens para silenci-los.
    Skorghijl? O que voc sabe sobre Skorghijl?
    Eu sei que  uma rocha negra a centenas de quilmetros de qualquer lugar. 
mido frio e desprovido de qualquer conforto, e no tem uma nica lmina de
grama. Will lhe disse. mas ainda  melhor, do que cruzar Stormwhite em ms
condies meteorolgicas Ele fez uma pausa para sua fala fazer efeito. Ou
pelo menos foi quando eu estava l no Wolfwind.
    Agora isso teve efeito, pensou Will. Wolfwind tinha sido o barco de Erak
antes de ele ter sido eleito o Oberjarl. No entanto, haveria poucos Aurelenses que
saberiam disso. Navios escandinavos no tinham seus nomes pintados neles. Ele
ouviu o grupo resmungando em voz baixa, ele viu a incerteza do lder que
percebeu que a nica maneira do arqueiro saber do nome do navio de Erak seria
ter conhecido o mesmo.
    Isso foi precisamente o pensamento que estava passando na mente de Gundar.
No entanto, ele no tinha feito  ligao bvia. Ulf fez. Ulf agarrou o brao do
seu lder.
     ele!, Ele disse urgentemente. A pessoa que nos ajudou a derrotar os
cavaleiros do leste!
    Gundar olhou para a figura no cavalo. Ele tinha ouvido falar do jovem
aprendiz de arqueiro que tinha lutado lado a lado com os escandinavos cinco
anos atrs, mas Gundar no tinha visto ele. Ele estava no interior e no
participou da breve e sangrenta guerra contra os Temujai. Mas Ulf havia
participado. Ele havia tomando seu lugar protegendo os muros no combate final.
Neste momento Will havia jogado o capuz para trs, e foi possvel ver o choque
no rosto de Ulf. Ele o reconheceu.
     ele Gundar! Falou ao Capito, e depois adicionou com uma risada
sinistra. Voc fez bem em parar. Eu vi ele esvaziar cinco selas Temujai em
apenas alguns segundos de guerra.
    Isso no foi tudo. Se aquele era o lendrio aprendiz que ele estava pensando,
ento ele era um amigo prximo do Oberjarl Erak  e incurses em seu territrio
talvez no fossem o melhor movimento para um skirl fazer. Erak era conhecido
pela lealdade a seus amigos e pavio curto a quem o ofendeu.
    Gundar no era o mais rpido dos pensadores. Chegou  mesma concluso
que seu auxiliar aps alguns segundos. Ele hesitou sem saber o que dizer ou
fazer em seguida. Ele e seus homens tinham uma urgente necessidade que
influenciou sua invaso a Seafcliff. Eles precisavam de provises para os longos
meses que iriam passar em Skorghijl. A ilha deserta gerava um porto seguro para
os wolfships, mas havia poucas maneiras de se conseguir comida por l e o
Wolfcloud foi tudo menos bem-sucedido quando veio capturar suprimentos.
Caso eles viajem at a Skorghijl muito provavelmente morreriam de fome.
Gundar e seus homens precisavam fazer um assalto. Eles precisavam de carne,
farinha e gros para passar o inverno. E de bebida se pudesse obt-la, pensou ele,
inconscientemente, sua lngua lambia os lbios secos. Amigo ou no, o Oberjarl
no podia culp-lo por cuidar do bem estar da sua tripulao.
   Saia daqui Arqueiro, falou ele tomando sua deciso. Prefiro no levar
armas contra um amigo da Escandinvia. Por isso vou lhe dar essa ultima
chance.
   Ele ergueu o machado enquanto falava. Ele ficou meio desconcertado ao ver o
sorriso no rosto do jovem.
   Quo amveis vocs so, disse Will agradavelmente, E se eu realmente for
embora, o que vocs pretendem fazer?.
   Gundar apontou para a direo do castelo e das vilas que de alguma forma ele
sabia que estavam alm daquelas rvores.
   O que viemos fazer., declarou ele. Vamos pegar o que queremos e ir
embora.
   Voc no vai ficar com mais de dez homens disse Will em um tom
razovel. Gundar bufou irritado.
   Dez? Eu tenho vinte e sete homens atrs de mim. Houve um grito furioso
dos homens atrs dele em aprovao, apesar de Ulf no ter participado. Gundar
percebeu isso.
   Desta vez quando o arqueiro falou no teve nada de agradvel em seu tom,
era frio e rgido.
        Voc ainda no chegou ao castelo, disse Will. Eu tenho vinte e trs
flechas em minha aljava, e mais uma dezena na minha albarda. E voc tem
vrios quilmetros a percorrer dentro do alcance de minhas flechas. Ruim de tiro
como eu sou, devo ser capaz de levar mais da metade de seus homens. Ento
voc estar enfrentando a guarnio com apenas dez homens.
        Involuntariamente olhando para a linha das arvores Gundar percebeu que
isso era verdade. O arqueiro poderia desaparecer no meio das rvores e manter
fogo constante contra eles.
        Tente vir depois de mim e voc s tornar isso mais fcil. Adicionou
Will e a respirao de Gundar explodiu. Montado como estava, e com sua
habilidade de arqueiro para no ser detectado no meio das rvores, Will
escaparia da tropa com facilidade. O Skirl sentiu a raiva estourar dentro dele. Ele
havia sido preso aqui, sem opes de sada para ele. Se ele no invadisse a vila,
ele e seus homens morreriam de fome. Por outro lado se eles tentassem invadir,
certamente muito deles morreriam. Will assistia cuidadosamente, esperando o
momento certo, pouco antes da raiva transbordar em uma ao frustrada.
        Uma alternativa., Will disse calmamente. Ns poderamos ser capazes
de chegar a um acordo.

7
        Eles esto chegando! O clamor do vigia ecoou pela torre mais alta do
Castelo de Seacliff. O Baro Ergell recuou, o olhar perdido, at que finalmente
eles seguiram a direo que o vigia apontava com o brao.
        Um grupo de guerreiros escandinavos emergiam por entre as rvores na
clareira ao redor do Castelo. Uma figura montada  cavalo acompanhava o
homem que os lideravam. E havia tambm, pelo que ele podia notar, um
cachorro preto-e-branco que os acompanhava lado-a-lado.
        Ele conversou com eles, no foi? Ergell perguntou e Norris afirmou,
ele permanecia em p nas ameias, ao lado de seu lder. Quando ele deixara Will
pelo caminho, ele no se distanciara mais que um atalho. Ele vira Will se
encontrar com os escandinavos, pronto a ir a seu socorro se fosse necessrio.
        Sim. Ele simplesmente ficou no caminho deles e conversou. Eu o vi
atirar uma nica flecha, como aviso. Na verdade eu no vi, ela simplesmente
apareceu l. Eles so estranhos e misteriosos, esses arqueiros.
        E ele disse algo relacionado a um banquete?
        Desta vez Norris apenas deu os ombros. Ele j havia passado as
instrues para Rollo, mesmo estando intrigado tambm com o fato. Um
banquete, milord. Embora eu no possa lhe informar o que se passa na cabea
dele.
        Enquanto conversava, Ergell contava a fora escandinava que se
aproximava do castelo. Aproximadamente trinta, pelo que contou. Muito mais do
que poderiam lidar numa batalha. Ele tinha que enfrentar o fato de que a vila
poderia ter sido saqueada e queimada at sua destruio. Os aldees ficariam
seguros dentro dos muros do castelo e o gado havia sido solto e espantado
conforme Will tinha ordenado. Entretanto o povo, que dependia dele, perderiam
suas casas e seus pertences. E isso era sua culpa.
        Os escandinavos estavam parando agora, a cerca de duzentos metros do
castelo. Ele viu o Arqueiro desmontar de seu cavalo e se dirigir ao lder
escandinavo, um homem gigantesco usando um capacete com chifres e
carregando um enorme machado de lmina dupla de batalha. Um espcie de
acordo parecia estar sendo feito entre os dois homens e Will montou novamente
seu cavalo e veio em direo ao castelo num rpido galope. O cachorro acelerou
de modo que somente um pastor seria capaz de fazer, para permanecer a frente
deles.
        Talvez ns devssemos ir at l embaixo e ver o que ele tem em mente!
Disse o baro. Ele e seu mestre de guerra desceram as escadas em direo ao
ptio.
        Eles chegaram ao mesmo em tempo que os guardas abriam uma pequena
entrada pelo porto para permitir a entrada de Will. Ele cumprimentou o Baro e
Sir Norris ao se aproximar.
        Ns temos um acordo com os escandinavos, milord ele disse. O baro
percebeu que ele estava falando em alto tom e que usara de propsito a palavra
ns, de modo que os mexeriqueiros que estavam de ouvido atento pensassem que
ele tinha agido de acordo com as instrues do baro. Teria sido muito fcil para
o arqueiro mostrar sua autoridade diante do povo, entretanto ele escolhera no o
fazer.
        Deu para perceber. Ele respondera rispidamente, para que as pessoas
no percebessem que ele no tinha a mnima idia do que Will estava falando. O
jovem arqueiro se aproximou e falou em voz baixa, de modo que apenas Ergell e
Norris poderiam ouvir.
        Eles esto precisando de provises para o inverno ele falou
calmamente, por isso vieram at aqui. Eu os garanti que daramos cinco bois,
dez carneiros e mais uma quantia considervel de farinha
        Cinco bois!!! Ergell comeou a se indignar, mas o olhar gelado de
poucos amigos que o arqueiro lanou a ele cortou seu protesto pela metade.
        Eles iam pegar de qualquer maneira, ele disse, e ainda por cima, iriam
queimar a cidade.  um preo pequeno a se pagar, milorde.
        Ele no desviou o olhar do Baro. No precisava falar em voz alta o que
estava pensando, que o baro se encontrava naquela posio por culpa de sua
prpria negligncia, dele e a de Norris. Pensando nisso, o preo que estava
pagando era pequeno. Ele viu Norris concordar com Will.
        Os boi sairo do meu prprio rebanho, milorde, ele disse. Ergell sabia
que o seu mestre de guerra estava tomando sua parcela de culpa no ocorrido e
concordou.
         claro. E as ovelhas sairo do meu. D a ordem, Norris ele disse.
        Will soltou um pequeno suspiro de alivio em seu pensamento. Ele
esperava que os dois homens entendessem que aquela era a melhor soluo. Will
poderia ter tentado de outra maneira com Gundar, entretanto no queria abater
homens indefesos. Alm disso, at mesmo dez escandinavos poderiam fazer um
grande estrago, como ele sabia por experincia prpria. E francamente, como
tudo isso era culpa de Ergell e Norris, seria bem feito para eles arcarem com o
preo que a situao exigia.
        Enquanto isso, senhor, convidei Gundar e seus homens para se juntarem
a ns e banquetearmos. Creio que pedi para Norris conversar com o cozinheiro a
respeito
        Ergell foi pego de surpreso Banquetear conosco?! ele disse,
Escandinavos? Voc quer que eu os deixe entrar aqui?
        Ele olhou rapidamente para as grossas paredes do muro e para o macio
porto de madeira. Will assentiu.
        Gundar jurou pelo seu capacete que no haver problemas, milorde. E
um escandinavo nunca quebra sua palavra.
        Mas... Ergell ainda estava hesitante. A idia de deixar esses selvagens
escandinavos adentrarem em sua fortaleza era por demais extravagante. Norris
estava voltando, tinha ido mandar juntar os animais. Ergell se dirigiu a ele
indefeso.
        Aparentemente ns vamos deixar esses piratas entrarem  e ainda
faremos um banquete ele disse. Por um momento ele viu Norris reagir da
mesma maneira que ele. Mas ento o cavaleiro lembrou-se da pequena figura
solitria do arqueiro esperando na estrada para se encontrar com os escandinavos
e ento deu os ombros.
        Por que no? disse ele em um tom resignado. Eu nunca encontrei um
escandinavo em um evento social antes. Isso pode ser bem interessante.
         Will olhou para os dois. Isso pode ser barulhento, disse ele e ento
acrescentou num tom de alerta. Mas no tente competir com eles para ver quem
bebe mais. Vocs nunca ganharo.




8


"Ancio Halt  um homem lutador.
Eu ouvi falar de conversas
que o Ancio Halt corta o cabelo
Com um garfo e uma faca de trinchar.
Adeus a ti, Ancio Halt,
adeus a ti eu digo.
Adeus a ti, Ancio Halt,
Amanh  um novo dia."

       Will bateu o ltimo acorde na mandola assim que ele terminou as ltimas
palavras, deixando que as notas ecoassem. Delia aplaudiu e riu, deliciada.

Voc  muito bom ela disse, com uma nota de surpresa em sua voz. Voc
devia vir na taberna e cantar alguma vez

        Will balanou sua cabea. Eu acho que no, ele disse. Sua me no
iria gostar de ver o seu bar esvaziar comigo cantando e tocando.

        Para dizer a verdade, ele estava certo de que a idia de cantar e tocar
divertidas canes na taberna no condiz com a dignidade ou com o ar de
mistrio dos Arqueiros. Ele no estava totalmente certo de que ele deveria ter
tocado para Delia, quando pensou sobre o assunto. Mas ela era linda e amigvel
e ele era jovem e um pouco solitrio e ele decidiu que poderia dar a ele mesmo
uma margem para manobra sobre o assunto.

       Eles estavam sentados na varanda da cabana. Era final da tarde e o sol de
outono estava baixo no oeste, e a luz, manchada pelos galhos meio nus das
rvores. Na semana passada, desde o banquete com os Escandinavos, Delia
comeou a tomar o lugar da me na entrega de seu jantar. Nessa noite, quando
ela chegou, ele estava sentado praticando a parte instrumental de Ancio Halt,
uma complexa sequencia de dezesseis notas, tocadas num ritmo de conduo.
Ela pediu para ele tocar novamente e cantar tambm. A msica era uma
tradicional, originalmente intitulada Velho Joe Fuma, e era sobre um pastor
descabelado que dormia com suas cabras para se manter aquecido. Quando Will
comeou a aprender a mandola, ele brincou intitulando isso de Ancio Halt,
como um comentrio ao cabelo e barba despenteados de seu mentor.

       Mas o Arqueiro Halt se ope a voc ficar fazendo piada dele assim?
Delia perguntou, com os olhos um pouco arregalados. A reputao sinistra de
Halt era conhecida em todo o reino. A idia de satirizar ele pareceu perigosa para
ela. Will deu de ombros.

       Ah, Halt no  to srio quanto voc pensa. Ele realmente tem um
grande senso de humor, ele disse.

       Ele certamente estava rindo na hora que ele fez voc passar toda a noite
em cima de uma rvore por cantar essa cano, veio uma voz atrs deles. Era
uma voz familiar. Baixa, feminina e com uma cadncia nica que lembrou Will
de uma corrente que flui sobre pedras lisas. Ele a reconheceu de primeira e
pulou, virando-se para o locutor, enquanto ela se aproximava no fim da pequena
varanda.

        Alyss! Ele disse, um sorriso encantado se espalhando por todo seu
rosto. Ele saiu a seu encontro, suas mos saindo em saudao. Ela as tomou para
si prpria quando entrou na varanda.

        Ela era alta e muito elegante, vestida em um lindo vestido branco. Era o
uniforme oficial do Servio Diplomtico e suas linhas simples desmentiam sua
elegncia ao mesmo tempo em que mostravam suas pernas longas figurando para
a perfeio. Seus cabelos loiros eram retos e batiam nos ombros, caindo de cada
lado de seu rosto alimentando suas feies. Olhos cinza brilhavam quietamente
em uma brincadeira entre ela e Will. O quadro foi completado por um nariz reto,
queixo firme e uma boca cheia que ecoava a dica de diverso e prazer genuno
em seus olhos.

        Eles ficaram sem palavras por um momento, deliciados de verem um o
outro outra vez, Alyss era uma das amigas mais antigas de Will, sendo uma das
protegidas do Castelo Redmont. Na verdade, quando Will retornou para
Redmont, com o corao partido de sua despedida da Princesa Cassandra, eles
tinham progressivamente aumentado para algo mais do que amigos. A graciosa
diplomata aprendiz tinha percebido a sua necessidade de carinho, companhia
feminina e afeio e tinha ficou mais do que feliz em fornecer os trs. No havia
progredido muito aps algumas tentativas de abraos e beijos no luar, e talvez
por isso, havia uma sensao de trabalho inacabado entre eles.
        Delia, vendo o prazer evidente na companhia de um do outro, percebeu a
relao e com relutncia se rendeu. Ela era realista o suficiente para saber que
ela era bonita e animada e provavelmente a garota mais atraente da sua idade na
ilha. Mas essa loira elegante no vestido branco macio era mais do que bonita. Ela
era elegante, graciosa e, em uma palavra, linda. No havia competio, ela
pensou, resignada em como as coisas foram comeando a derreter com aquele
homem interessante e bonito jovem.

       O que voc est fazendo aqui? Will finalmente encontrou sua voz e
levou Alyss para onde ele e Delia estavam sentados. A menina da vila notou que
ele manteve segurando uma das mos de Alyss e ela no fez nenhum movimento
para quebrar o contato.

        Ah, apenas um malote diplomtico rotineiro do tribunal, ela disse,
balanando a cabea para significar que sua misso era pouco importante Eles
esto indo para metade dos feudos. Nada de tremer a terra. Eu soube que voc
estava em Seacliff, ento eu troquei atribuies com outro correio para poder vir
ver voc.

       Ela olhou significativamente por cima do ombro, levantando uma
sobrancelha requintada para lembr-lo de suas maneiras. Will percebeu que ele
havia se esquecido de Delia, e agora ele se apressou, batendo sobre onde ele
inclinou-se contra sua cadeira. Houve um momento de confuso quando ele a
recolheu. Ao menos, pensou Delia, isso significava que ele precisaria largar a
mo de Alyss.

       Desculpe-me! Ele disse correndo. Alyss, essa  Delia, uma amiga
minha daqui. Delia, essa  a Mensageira Alyss, uma de minhas mais antigas e
queridas companheiras.

        Delia estremeceu interiormente no mais queridas, mas sorriu
bravamente quando apertou a mo de Alyss. Foi suave e quente,  claro, com um
aperto surpreendentemente forte.

       Prazer em conhec-la ela disse. Alyss sorriu, sabendo que Delia estava
nada satisfeita.

       Como vai voc? Disse ela. Will olhou para elas, indeciso, sem saber o
que fazer. Ento o prazer em ver Alyss novamente o assumiu.

       Ento, voc vai ficar quanto tempo? Voc vai ter tempo para eu te
mostrar a ilha? Ele disse, e Alyss balanou a cabea com pesar.

      Apenas hoje e amanh ela disse. H um banquete formal amanh, mas
eu estou livre hoje  noite e eu pensei...? Ela deixou a frase pendurar e Will
aproveitou a oportunidade ansiosamente.

       Bem, ento jante comigo essa noite! Ele fez um gesto em direo a
cabine atrs deles. Vou perguntar a Edwina se ela pode servir para outra
pessoa.

       Edwina? Alyss repetiu, levantando uma sobrancelha. Ela olhou para a
cabine, querendo saber se Will mantinha uma tribo de mulheres com ele. Delia
respondeu antes que Will pudesse explicar.

        Minha me, disse ela. Ns somos donos da Taberna da cidade Ela
sorriu com excesso para Will. Eu posso dizer para ela se voc quiser. No vai
ser problema para ela, e estava na hora de eu voltar de qualquer maneira

       Will hesitou, sem saber como lidar com essa sucesso de eventos. Ah ...
bem ... bem. Ento, deixando apenas uma pausa longa, ele acrescentou: Por
que no juntar a ns? Podemos jantar todos juntos?.

        Delia sentiu um pequeno triunfo quando o sorriso de Alyss desapareceu
ligeiramente, e por um momento ela ficou tentada a aceitar. Mas ela percebeu
quase de imediato que este pequeno triunfo era provavelmente o nico que ela
teria naquela noite.

      No. Eu tenho certeza que vocs tm muito para conversar. Vocs no
me querem junto.

       Alyss, ela notou, no fez nenhum movimento para contradiz-la. Will,
um pouco sem jeito, disse: Bem, se voc tem certeza, ento... Ele sentiu a
tenso no ar mas no tinha idia do que fazer sobre isso. Delia j estava
recolhendo a pequena tigela de barro que ela havia trazido para seu jantar.

       Vou levar isso de volta ela disse.  apenas ensopado, e tenho certeza
de que minha me vai querer fazer algo especial para a querida amiga de um
Arqueiro

       Isso  timo Will respondeu automaticamente, sem perceber o a ironia
no tom dela. Seus olhos ainda estavam presos em Alyss.

        Delia esperou um segundo ou dois, ento perguntou: Que horas vocs
gostariam de jantar?.
        Alyss respondeu por ele: Eu tenho um encontro com o baro primeiro
ela disse. E eu gostaria de resolver minha hospedagem e tomar um banho antes
do jantar. Talvez em duas horas?.

        Daqui a duas horas ento Delia respondeu. Ento ela adicionou para o
Will, E eu vi Mame fazendo uma torta de frutas especial antes. Talvez voc
gostaria dela para sobremesa?.
        Will assentiu com alegria, gostando da idia.

       Isso seria timo. Obrigado, Delia ele disse. Ela forou um sorriso,
acenou em despedida para Alyss e se afastou, caminhando rapidamente em
direo  vila.

       Por que voc ofereceu torta para eles? Ela se perguntou baixinho
enquanto caminhava. Era quase como se ela estivesse tentando fazer as coisas
piorarem para ela, acrescentando amargamente: Talvez voc poderia voltar e
montar um jantar romntico a luz de algumas velas para eles tambm?

       Ela olhou para trs assim que ela contornou a borda do bosque, mas Will
e Alyss no estavam prestando nenhuma ateno nela. Amargamente, ela notou
que eles estavam de mos dadas novamente.

       Voc est ficando cada vez mais famoso, Alyss disse, sorrindo para
Will no outro lado da mesa de jantar.

       Estou apenas me virando.Ele disse.  tudo um pouco opressivo, na
verdade

        O olhar firme de Alyss disse-lhe o que ela viu atravs de sua pretenso de
distorcer as coisas.

        Convidando a tripulao do Wolfship para um banquete? Disse ela.
Prevenindo uma batalha no feudo, entregando poucos animais e um ou dois
barris de vinho? Eu diria que voc resolveu as coisas muito bem.

        Ah, Escandinavos no so to difceis de tratar uma vez que voc os
conhece, Will respondeu. Ento sorriu para ela. Ele realmente estava muito
orgulhoso da maneira como ele lidou com aquela situao potencialmente
perigosa. Alm disso acrescentou ele, valeu a pena para ver todos os
cavaleiros folgados e suas damas sentados para jantar com uma tripulao de
piratas sanguinrios
       Alyss franziu as sobrancelhas ligeiramente, enquanto ela corria o dedo 
volta do topo do copo de vidro. No era um pouco arriscado? perguntou ela.
Afinal, poderia acontecer qualquer coisa com essa mistura de pessoas.

       Will balanou a cabea com firmeza. No depois de Gundar me dar a
sua palavra como um jarl. Nenhum escandinavo jamais quebra esse juramento. E
eu sabia que Norris manteria seu povo sobre controle, que era o mnimo que ele
poderia fazer, acrescentou significativamente. Alyss pegou a mensagem ttica e
ergueu as sobrancelhas em uma pergunta. Will hesitou um instante, no
querendo jogar no ar a roupa suja de Seacliff em pblico. Ento ele percebeu que
Alyss era um membro do servio diplomtico, e acostumada a ouvir segredos
muito mais importantes do que este.

        Norris e o Baro tinham deixado as coisas muito frouxas por aqui. Eles
no teriam nenhuma chance em uma batalha. Seus homens estavam mal
treinados, mal armados e fora de condio fsica. Pelo menos Norris percebeu o
fato e apoiou a idia do banquete.

        E foi de fato uma boa idia Alyss disse calmamente. Will franziu seus
lbios, pensativo.

        Suponho que o fato de eu ter feito a travessia do Stormwhite ajudou
nisso.Ele disse. Eu percebi que eles estavam com falta de provises e que no
durariam o inverno sem elas. Ao fazer as coisas  minha maneira, eles no teriam
que lutar pelas provises, e eles acabaram indo para um banquete tambm. Ele
sorriu com a lembrana mais uma vez.

       Ento, eles esto em segurana em todo o caminho de volta? Alyss
perguntou casualmente. Will balanou a cabea.

        Eles ainda esto amassando a carne para durar durante o inverno.Ele
disse, Vo estar em Bitteroot Creek por mais dois ou trs dias, ento eles
estaro no seu caminho de volta.

       Isso significa que eles ainda so um perigo para o feudo? Perguntou
ela, mas Will se apressou a tranqiliz-la a esse respeito.

       O juramento de Gundar se mantm disse ele. Eu confio nele
totalmente. Ele sorriu ao acrescentar, especialmente porque ele sabe que eu
sou um amigo pessoal do Oberjarl Escandinavo.

       Voc vai informar a negligncia de Norris de seu dever, no vai?,
Alyss perguntou. Como Arqueiro, a fidelidade principal dos mensageiros era
para o Rei. Will assentiu.
       Terei que faz-lo disse ele, Mas pelo menos posso afirmar que ele
aprendeu sua lio. Seus homens esto treinando sem parar desde a manh
depois do banquete, e foi um momento impopular eu poderia dizer. Em qualquer
outro ms ou algo assim, ele vai ter que chicote-los para manterem a forma.

        Ento as coisas esto em ordem aqui? Alyss disse, casualmente, em
seguida acrescentou: No haveria nenhum problema se voc tivesse que deixar
a vila por um tempo?.

        Will estava pegando o jarro de gua quando ela disse as ltimas palavras.
Sua mo congelou no ar e olhou nos olhos dela. Eles estavam srios agora, sem
nenhuma sugesto de humor e do calor que tinha sido to evidente no incio.
Isso, ele percebeu, eram negcios.

       Deixar? Disse ele, e ela concordou.

       No  por acaso que estou aqui Will, Ah... havia alguns documentos de
rotina para entregar, mas Halt e Crowley especificamente me pediram para
assumir essa tarefa e dar-lhe uma mensagem. Voc est sendo transferido.

       Will sentiu uma pontada sbita de dvida com essas palavras. Talvez sua
atuao na situao dos Escandinavos no tenha sido to inteligente quanto ele
pensava. Alyss viu a preocupao escrita em seu rosto e se apressou a
tranqiliz-lo.

       No  nenhuma punio, Will. Eles estavam muito satisfeitos com a
maneira como voc lidou com as coisas, Halt, em particular. Eles tm uma
misso temporria e precisam de voc para ela.

       Ele sentiu o peso de levantar dvidas de suas palavras. Que tipo de
tarefa?.

        Alyss deu de ombros. Eu no sei os detalhes ainda.  altamente
confidencial ela disse. Como eu disse, eles queriam que eu entregasse a
mensagem porque eu era uma antiga amiga. Dessa forma, as pessoas no vo
comear a se perguntar por que voc desapareceria de repente, aps a visita de
um Mensageiro. Elas s vo relevar, ser visto como o gosto dos Arqueiros por
sigilo. Espero que eles pensem que a minha visita era puramente social,
particularmente com a sua namorada Delia para atiar o fogo da fofoca.

        Will corou ligeiramente. Ela  apenas uma amiga! ele protestou
desajeitadamente.
       Mas Alyss no respondeu. Ela estava apontando para a cadela, que estava
deitada, satisfeita nas pedras quentes ao lado do fogo. Agora ela estava acordada,
orelhas achatadas contra a lateral de sua cabea, os dentes arreganhados. Um
rosnado baixo surgiu em seu peito. Seu olhar era fixo na porta da cabine.

H algum l fora, Will disse suavemente.




 9

   Ele sinalizou para Alyss permanecer onde estava, Will foi silenciosamente
para a porta. O trinco estava se movendo uma frao de cada vez, a pessoa fora
de casa estava testando se o trinco estava trancado. Como a lngua de madeira
subiu do encaixe que a estava segurando no lugar, Will se jogou em uma
posio ao lado do trinco da porta, encostado na parece.
   Ele acenou para Alyss, e a garota, perspicaz como sempre, comeou a falar
sobre Halt e Crowley e como eles tinham mandado saudaes para ele. Ela
comeou a descrever a refeio que tinha desfrutado com eles, enquanto entrava
em detalhes sobre as habilidades do Mestre Chubb de Redmont.
    A porta parou de se mover, a conversao deles tinha parado, Ento Alyss
comeou a falar mais uma vez, ela comeou avanar muito lentamente nas
dobradias bem lubrificadas sem fazer nenhum barulho, Will fez uma nota
mental para parar de lubrificar as dobradias. Halt sempre permitia um pouco de
ferrugem nas dobradias da porta da frente. Ningum pode pega-lo de surpresa,
ele era aficionado em repetir.
        Will deu de ombros. A nica pessoa a ser surpreendida era o intruso no
lado de fora. Por um momento, ele desejou saber se no seria Delia no lado de
fora que voltara pra escutar a conversa entre ele e Alyss. Porem ele abandonou a
Idia. O Cadela nunca iria se comportar daquele jeito se fosse o caso. A porta
estava aberta 15 centmetros agora j se podia ver a mo no trinco exterior. Era a
mo esquerda de um homem, que ele reconheceu. E ele sabia que na mo direita
provavelmente estaria segurando algum tipo de arma. Alyss deixou cair uma
Gargalhada forte, com objetivo de convencer o intruso de que eles estavam
realmente preocupados com a conversa. A idia pareceu funcionar a porta abriu
mais um pouco, agora era possvel ver o brao do intruso.
        Will se moveu rapidamente, agarrando o homem pelo pulso direito o
torcendo para que o homem entrasse na sala, ao mesmo tempo, ele fez um
movimento de piv passando a perna esquerda dele pela entrada como uma
barreira, assim o estranho foi empurrado adiante e tropeou em cima da perna
estendida. Com um grito de surpresa, o homem tropeou no quarto, impelido
pelo puxo totalmente inesperado no brao, e caiu em cima da perna de Will,
batendo numa cadeira que voou em direo ao canto da sala enquanto ele caia.
Mais ele se recuperou rolando rapidamente, e saltou para encarar o arqueiro.
Ento como Will esperava, ele tinha uma arma na mo direita  uma lana de
guerra em um cabo cinza ele a apontou para Will a segurando com as duas mo,
a cabea era sensivelmente afiada como se hipnotizasse o inimigo.
        Will no se moveu. Ele estava, apoiado nos calcanhares, pronto para a
ao e estava desarmado. Ele olhou com interese para Alyss, tinha caido aos seus
ps, ela possuia uma longa e poderosa adaga em sua mao,Se perguntando se ela
sabia como usar aquilo.
        A cadela, excitado pelo confuso sbita , estava latindo furiosamente.
Sem levar os olhos do intruso, Will a pediu para ficar quieta. Nitidamente Ela
baixou, enquanto rosnava ameaadoramente, enquanto ele avaliava o homem da
lana. Ele era grande e gordo, com cabelo preto desleixado e uma barba preta.
Os olhos eram pretos e queimavam com raiva em baixo das grosas
sombrancelhas e naris largo que havia quebrando em algum momento e colocado
de volta de mal geito o deixando com um ar de criminoso. Ele usava uma veste
escura, calas compridas lanosas e um capote marom. Will nunca o tinha visto
antes mais ele sabia quem era ele.
        - John Buttle,- ele disse calmamente. -Oque voc quer aqui?
        Um sorriso desagradvel tocou a boca do homem ento ele respondeu. A
voz estava funda e gutural, sua pronuncia e maneira de fala o marcava como um
cidado.
        -`Voc me conhece? Eu no tive esse prazer.``
        -Eu conheo de voc  Will respondeu com o mesmo tom -Voc tem uma
reputaao ao redor desse feudo.
        Buttle zombou.  Reputao! Nada foi provado contra min e nada sera.!
        - Talvez seja porque nunca nenhuma testemunha sai viva quando voc
faz seu trabalho sujo.`` Ento Will somou rapidamente. Agora pega essa! O que
voc esta fasendo invadindo minha casa no meio da noite?
        Por um momento, um olhar confundido sacudiu pela face de Buttle. O
tom autoritario de Will o surpreendeu afinal de contas era qule que tava armado.
O pequeno arqueiro que agora olhando ainda era um menino, que estava sem
armas. Oh, Ele tinha oque parecia uma faca em seu quadril,mas buttle poderia
espetalo antes que ele a conseguise tirala. E a menina loira, sua adaga no o
botava medo.
        - Eu vim pela minha cadela,- Ele disse lentamente. Ouvi que voc a
tinha roubado e eu a quero devolta.
        Ele olhou para o cadela e falou fasendo o cadela encostar a barriga no
chao e intensificar o rosnado.
        -Cala boca  Ele ordenou para ela, mas a cadela s rosnou mais enquanto
descobria seus dentes.
        -Certamente voc sabe lidar com ela- Will dise. Ele fez um gesto de mo
rapido e ela enquietou por uns intantes.
        -Muito inteligente! Buttle zombou, Agora completamente nervoso.- Eu
vou lhe ensinala boas maneiras, Igual da ultima vez. Essa vadizaninha tentou me
morder assim e eu dei uma lio a ela.
        -Com essa grande lana, eu suponho? - Alyss Perguntou  Como
inacreditavelmente valente voc . Ela se apoiou desinteresadamente contra a
parte de traz da cadeira na qual ela estava sentado avaliando calmamente o
homem barbudo. Will rio quietamente para si mesmo pela postura dela.
        -No brinque comigo garota!``- Ele gritou  No voc com esta pequena
faca e suas coisas secretas de Diplomata- Ele moderou a voz e continuou 
Temos uma mensagem secreta para voc Arqueiro no termos? Eu aposto que
tem gente que vai pagar caro para descobrir oque .
        O Will e Alyss trocaram relances rpidos. Buttle viu a troca e continuou,
com confiana cresendo.
        `Oh sim, Eu ouvi voc e suas intrigas. Arqueiros e Diplomatas, sempre
rastejando alredor desses seus secredos no? Aprendam a controlar suas vozes
quanto Jhon buttle Estiver por perto.
        Ele estava agora em controle da situao e contente por ver que tinha
quebrado o ar deles de despreocupao. Ele percebeu agora que ele tinha
escutado algo importante quando ele estava no lado de fora da porta e o seu
crebro criminoso estava trabalhando para ver como ele poderia ganhar por isto.
Sua Experincia longa lhe Ensinara que quando havia algo que algum queria
manter segredo, havia outro algum que pagaria para saber sobre isto.
        `Oh Querido`` Alyss Dise para Will. `Ele parece ter escutado nossa
conversa.
        Buttle Riu dela  E escutei tudo certo. E no a nada que voc possa fazer
sobre isto.
        Ela parecia considerae as palavras deles por um momento.refletindo
sobre lesas. Ento de um modo muito verdadeiro ela respondeu, `Parece que
no, se voc morrer logo.``
        Entao assim que ela dise essas palavras, ela sacudio a adaga
longa,acertando um ponto na lana e logo voltando para seu brao. Buttle
balanou instantaniamente para ela caindo em uma possio defensiva, pronto
para dar um empurao... e ouviu um estranho assobiar-clunk! seguido por uma
sensao de batida em ambas as mos como a faca de Saxnica de Will parecia
saltar de sua bainha tosquiar-forrada. Sem pausa, balanou em um arco de
mudana para golpear a lana dele atrs da cabea de ao. Pesado como um
machado, afiado como uma navalha, a lmina especialmente suave do Saxnica
cortou pela madeira de cinza dura como se fosse queijo. A cabea pesada caiu no
cho da cabana com um baque tocando e Buttle encarou em assombro a lana,
repentinamente acfalo e aparentemente leve nas mos dele. Ele teve meio
segundo para registrar o fato ocorido antes de Will avanar contra ele e banter a
parte chata da lamina sobre sua tempora.
         Nesse ponto John Buttle perdeu a consiencia caiu ao cho como um saco
de batatas.
         "Muito Bom", Alyss disse, impressionado apesar dela pela velocidade
de reaes. Ela inverteu o punhal novamente e o guardou escondido por uma
dobra especialmente cortada no vestido dela.
        Eles sorriram a um ao outro. A Cadela, confundiu, choramingou
ligeiramente para ateno e Alyss se inclinou para a segurar, enquanto ela
arrepiava a pele ao redor as orelhas dela.
        Eu no sabia que eles trainavam para arremessar esses punhais!. Will
dise e encolheu os ombros.
  "E eles no treinaram. Estas laminas so muito finas para serem lanadas da
forma que vocis arqueiros fazem. Eu h pouco quis distrair nosso amigo aqui
assim voc poderia lidar com ele.Will cruzou  cmoda contra a parede da
cabana e procuro em uma das gavetas. Ele retirou vrios pedaos de couro cru,
ento os moveu no cho na frente figura supina, rolando Buttle sobre o estmago
dele e colocando as mos dele atrs da parte de trs dele. Will deu laada dois
circulos pequeno de couro em cima dos dedos polegares do homem, ento os
livrou apertado por um bloco de madeira sobre eles.
        E ento usando de uma verso maior da amarrao com os polegares, fez
o mesmo com os tornozelos.
        Muito esperto Alyss disse, Will olhou para o trabalho que havia feito e
concordou.
        Um dos Arqueiros que criou esse trabalho. Os laos mantm os
polegares e tornozelos e os blocos de madeira apertados, sem que voc se
incomode em fazer ns
        Alyss pegou o seu copo e sentou-se em sua cadeira, olhando para Buttle
cado inconsciente no cho.  claro, que continuamos com o problema. O que
faremos com ele agora?
        Will ia comear a responder, mas parou quando percebeu que Alyss
estava pensando.
        Minha misso ele disse ele sabe sobre a minha misso. E agora
teremos esse babaca gritando para todos e em detalhes
        Will ainda olhava atentamente para Buttler, que ainda no havia se
mexido. Eu posso pedir para o Baro prende-lo,  claro, ele ameaou voc, e
ameaar um diplomata  ofensa sria. Mas Alyss balanou sua cabea
negativamente.
        Ainda no  o suficiente. Ainda h a chance de ele estar em contato com
os outros presos, e at com os carcereiros, e ns no podemos arriscar que
nenhuma palavra sobre isso saia da boca dele. Maldito seja! Talvez tenhamos
que mat-lo, Will
        Ela disse isso relutantemente, porm de forma to calma que Will ficou
surpreso. Ele olhou para ela com nova perspectiva, e percebeu que sua antiga
companheira de infncia tinha passado por um treinamento to bruto quanto o
dele. E um pensamento veio at ele, como memria do que haviam conversado
mais cedo.
        No acredito que isso seja necessrio. Eu tenho uma idia. Ajude-me
selando meu cavalo e eu te contarei ele disse.
        Guntar Hardstriker se inclinou na fogueira e cortou um pedao da carne
que assava sobre as brasas. Ele soprou cuidadosamente o naco de carne quente, e
ento deu uma mordida, parabenizando-se enquanto aprovava o sabor. Era um
bom pedao de carne, macio e entremeado com gordura, e com um sabor
defumado devido  fumaa que se sobrepunha ao sabor da carne. Ele olhou para
a clareira prxima onde estava atracado o Wolfcloud. Sua tripulao estava
ocupada cortando e defumando o resto da carne. O carneiro j havia sido cortado
e salgado. E mais algumas horas, ele calculava, e eles j estariam prontos. E mais
algumas horas para poder descansar at que a mar cheia viesse e os ajudassem a
prosseguir viagem atravs de Stormwhite.
        As chamas e fumaa de meia dzia de fogueiras iluminavam a cena e
lanavam uma sombra bruxuleante e esquisita s rvores que os rodeavam. A
escultura da proa de Wolfcloud parecia flutuar na fumaa, e as luzes da fogueira
davam um brilho estranho aos dentes da cabea de lobo de madeira.
        Gundar! Era Jon Tarkson, um dos veleiros que gritava do outro lado
da clareira. A cabea do capito girou curiosamente, e ele percebeu uma figura
indistinta que emergia da escurido. Ele ficou carrancudo ao perceber que na
verdade era o Arqueiro. Ele vinha montado como era de costume, mas atrs dele
vinha um segundo cavalo carregando em sua sela algo que parecia ser um
enorme embrulho.
        Gundar levantou as mos em cumprimento e foi se aproximando da
figura. Ele estava comeando a gostar do Arqueiro. Ele respeitava a maneira
ingenua do jovem de achar solues para os problemas iminentes e ainda por
cima admirava a coragem dele.
        Bem vindo, ele disse e Will assentiu em resposta, desmontando.
Gundar foi se aproximando, achando o caminho por entre o fogo e as montanhas
de carne sendo defumadas, ele percebeu ento que o embrulho que visualizara
antes era na verdade uma pessoa inconsciente e com os ps e mos amarrados.
Ele apontou para a ele.
        Algum andou se metendo em problemas, Arqueiro?, ele respondeu.
        Will sorriu em resposta. Voc poderia dizer isso. Ele tem sido um
transtorno por aqui. E me ocorreu que talvez ele pudesse ser til a voc.
        Gundar franziu a testa e limpou a gordura da carne de seu queixo. til?
ele respondeu Eu j tenho toda a tripulao que preciso, alm disso no preciso
de um sulista destreinado a bordo do Wolfcloud ele hesitou e ento acrescentou
Sem ofensas, claro.
        Will balanou sua cabea, No ofendeu. Na verdade eu no o estava
oferecendo como tripulao.Eu pensei que na verdade voc poderia lev-lo como
escravo.Vocs ainda tm escravos na Escandinvia, no tm?
        Sim, ns ainda temos escravos. Ele disse, e se aproximou do cavalo,
dando uma boa olhada no homem que ainda estava inconsciente. Ele pegou um
tufo de cabelo e ergueu o rosto do desconhecido para dar uma olhadela. Idade
aproximada dos trinta. Grande e forte.
        Ele  saudvel? Perguntou, e Will concordou com a cabea.
        Tirando a concusso que provavelmente teve, ele  saudvel como um
cavalo. Disse Will. E ento se lembrou do ferimento na cadela e tambm dos
assassinatos que cometeu, e completou Ele seria bom para o trabalho nas ps
dos moinhos.
        Trabalhar nas ps dos moinhos era um castigo para os escravos
escandinavos. Elas eram gigantescas ps de madeiras mantidas suspensas por
sobre as guas, os escravos eram obrigados a ficarem levantando e abaixando
elas, para que a gua no congelasse rapidamente no inverno. E nesse processo,
era inevitvel que a gua espirrasse e congelasse sobre a pele da pessoa. No seu
tempo de escravo, Will fora designado para as ps, e isso quase o matou, at que
Erak teve pena dele e o ajudou a escapar.
        Gundar estava balanando negativamente a cabea. O Oberjal proibiu
esse tipo de trabalho, e alm do que um escravo saudvel como ele, seria um
desperdcio. Ele olhou Buttler mais uma vez antes de tomar a deciso. Tudo
bem, ele disse, quanto voc quer por ele?
        Will desfez o n que mantinha Buttle preso no cavalo, Nada, considere
ele como presente. Puxou o bandido pelo colarinho, at que o mesmo
escorregasse do cavalo e casse no cho. Buttle grunhiu suavemente e depois
ficou em silencio. Gundar arregalou os olhos de surpresa.
        Um presente?
        Esse homem est causando muitos problemas por aqui ultimamente, e
ando sem tempo para resolver o que fazer com ele. Por isso pode lev-lo, e se
quiser pode ficar me devendo um favor
        O Capito escandinavo respondeu, Voc  cheio de surpresas,
Arqueiro. E ento chamou dois de seus homens que estavam por perto
escutando a conversa, Levem a carga a bordo, e o coloquem no convs.
        Eles carregaro o homem, ainda inconsciente para dentro do barco.
Gundar ergueu sua mo e Will apertou-a firmemente.
        Bem, voc est certo, Arqueiro, ficarei lhe devendo este favor. No s
voc alimentou minha tripulao, como tambm nos deu um pequeno lucro para
dividirmos.
        Will respondeu, Vocs esto me fazendo um favor ao lev-lo, ficarei
feliz em saber que ele est longe de Araluen. Bons ventos e fortes remadores,
Gundar Hardstriker ele adicionou a tradicional despedida escandinava.
        E uma boa jornada para voc. Respondeu Gundar.
        Will montou Puxo novamente, e enquanto seguia seu caminho, olhava
para a figura do novo escravo de Gundar. Apesar de no haver mais as ps, sua
nova vida no serie nada fcil.




10

      Will segurou Puxo e olhou ao redor do quase deserto Acampamento da
Reunio. Era estranho v-lo assim, to vazio. Aquilo trazia um sentimento de
melancolia  ele.
        Normalmente, o campo levemente arborizado seria preenchido com as
tendas pequenas e verdes dos cinquenta membros ativos do Corpo de Arqueiros
j que vieram juntos para a sua reunio anual. Haveria fogos cozinhando, o
barulho de armas escondidas pela prtica, o zumbido de uma dzia ou mais de
conversas e repentinas exploses de riso como velhos amigos, chamado de
saudaes aos recm-chegados a cavalo.
        Hoje, as reas de acampamento entre as rvores estavam vazios. Havia
apenas duas tendas, no outro extremo do campo, onde a grande tenda de
comando era normalmente colocada. Halt e Crowley j estavam aqui, percebeu.
        Mais de uma semana se passou desde a visita de Alyss para o feudo de
Seacliff. O Correio elegante lhe deu suas instrues finais, dizendo-lhe para
esperar dois dias aps a sua partida, depois era para ele sair silenciosamente, sem
deixar que ningum soubesse para onde ele estava indo, e para fazer seu caminho
para o local da Reunio, onde Halt e Crowley explicariam sua misso. Como ela
estava indo embora, ela colocou as mos sobre os ombros e olhou
profundamente em seus olhos. Ela era mais alta que Will mais ou menos meia
cabea e ela sempre gostou do fato de que este no se incomodava, na verdade, a
maioria das pessoas eram mais altos do que Will, de modo que no era um
problema para ele. Por sua vez, admirava a forma como Alyss nunca tentou
inclinar-se ou esconder a sua altura. Ela ficara ereta com orgulho, com uma torre,
em uma linha reta enquanto se movia, hbito este que deu graa a todos os seus
movimentos.
        Tal como os seus olhares se encontraram, ele viu a luz de tristeza em seus
olhos. Ento ela se inclinou e tocou-lhe os lbios, como asas de uma borboleta
feita de luz e surpreendentemente suave ao toque. Ficaram assim por vrios
segundos e, em seguida Alyss finalmente recuou. Ela sorriu tristemente para ele,
arrependida de estar saindo logo depois de v-lo novamente.
        "Tome cuidado, Will", disse ela. Ele balanou a cabea. Houve uma
rouquido na garganta e ele no confiava em si mesmo a falar imediatamente.
Eventualmente, ele conseguiu resposta.
        "E voc tambm".
        Ele tinha visto seu passeio enquanto ela se afastava com seus dois
acompanhantes homens at que as rvores esconderam-na de vista. E ele havia
permanecido observando algum tempo depois.
        Agora, l estava ele, pronto para descobrir mais sobre essa misso,
ansioso, inseguro e um pouco triste com o pensamento de seus ltimos
momentos com Alyss e  vista do vazio Acampamento da Reunio. Ento, a
incerteza se dissipou e a melancolia levantou quando viu uma figura familiar
encorpado movimento perto de uma das tendas.
        "Halt!" gritou com alegria, e fez uma ligeira presso com os joelhos em
Puxo, que galopou atravs do Acampamento deserto. O co pego de surpresa,
latiu uma vez, depois saiu em perseguio como a flecha de um arco.
        O sombrio Arqueiro endireitou-se na direo do fogo ao som da voz de
seu ex-aluno. Ele ficou de p, mos nos quadris e uma carranca no rosto para
Will e Puxo que corriam na direo dele. Mas, por dentro, havia um raio de seu
corao que ele nunca deixou de sentir quando em companhia de Will. No pela
primeira vez, Halt percebeu que Will j no era um simples menino. Ningum
usava a Folha de Carvalho de Prata se no tivesse provado ser digno. Apesar de
si mesmo, ele sentiu uma onda de orgulho.
        Puxo, pernas apoiados com firmeza, recostando-se sobre as patas
traseiras, caiu para uma parada ao lado do Arqueiro, dirigindo uma espessa
nuvem de poeira no ar. Ento Halt sentiu-se preso em um abrao de urso quando
Will atirou-se da sela e abraou-o alegremente.
        "Halt! Como vai voc? O que voc tem feito? Onde est Abelard? Onde
est Crowley? O que  isto tudo?"
        "Estou contente de ver voc classificaria o meu cavalo mais importante
do que o nosso Comandante do Corpo," Halt disse, levantando uma sobrancelha
na expresso que Will conhecia to bem. No incio de seu relacionamento, ele
pensou que era uma expresso de desagrado. Ele tinha aprendido anos atrs, que
era, para Halt, equivalente a um sorriso.
        Will finalmente libertou o seu mentor de seu abrao e recuou para estud-
lo. Tinha sido apenas alguns meses desde que ele tinha visto Halt, mas ficou
surpreso ao ver que o cinza na barba e no cabelo do arqueiro estava mais
presente do que ele se lembrava.
        Graas a Deus ns fomos todos resolver os problemas de manter este
encontro secreto para que voc possa montar aqui gritando a plenos pulmes,
Halt disse. Will sorriu para ele, totalmente ousado.
        "No h ningum por perto para ouvir", disse ele. "Eu circulei o campo
antes de entrar. Se h algum dentro de cinco quilmetros, eu vou comer a minha
aljava".
        Halt considerou ele, sobrancelhas arqueadas, mais uma vez. "Como ?"
        "Qualquer um, exceto Crowley", Will emendou, fazendo um gesto de
desdm. "Eu o vi me olhando de um lugar escondido que ele sempre usa, cerca
de dois quilmetros para fora do permetro. Presumi que ele estaria de volta
agora."
        Halt pigarreou alto. "Ah, voc viu, no ?", disse ele. "Eu imagino que
ele vai ficar muito feliz em ouvir isso." Secretamente, ele estava satisfeito com
seu ex-aluno. Apesar da sua curiosidade e excitao bvias, ele no tinha
esquecido de tomar as precaues que haviam sido ensinadas  ele. Que bom
augrio para o que estava por vir, Halt pensou, uma sbita indeciso fez-se
perceber sobre seu jeito de ser.
        Will no percebeu a mudana momentnea de humor. Ele estava
afrouxando a sela de Puxo. Enquanto ele falava, sua voz foi abafada contra o
flanco do cavalo. "Ele est se tornando uma criatura de muitos hbitos", disse
ele. "Ele tem usado esse lugar para se esconder durante os ltimos trs
acampamentos.  hora de ele tentar algo novo. Todos devem saber sobre ele
agora."
Arqueiros constantemente competiam entre si para ver antes de ser visto e cada
ano o Encontro era um momento de aumento da competio. Halt assentiu,
pensativo. Crowley tinha construdo esse hbito de observao virtualmente
invisvel cerca de quatro anos antes. Sozinho entre os mais jovens Arqueiros,
Will tinha entrado depois de um ano. Halt nunca tinha mencionado a ele que ele
era o nico que sabia de Crowley se esconder. O fato foi escondido pelo orgulho
e alegria do Comandante Arqueiro.
        "Bem, talvez nem todos", disse ele. Will surgiu por trs de seu cavalo,
sorrindo para o pensamento do chefe do Corpo Arqueiro pensando que ele tinha
permanecido escondido da vista, enquanto observava a abordagem de Will.
"Todos mesmo, talvez ele esteja ficando um pouco velho para ser capaz de
esconder nos arbustos, voc no acha?" ele disse alegremente. Halt analisou a
questo por um momento.
        "Velho? Bem, isso  uma opinio. Mas ateno, suas habilidades de
movimento silencioso ainda so to boas como sempre", disse ele de forma
significativa.
        O sorriso no rosto de Will lentamente desapareceu. Ele resistiu  tentao
de olhar por cima do ombro.
        "Ele est de p atrs de mim, no ?" ele perguntou  Halt. O Arqueiro
mais velho acenou com a cabea.
        "Ele esteve l por um tempo, no ?" Will continuou e Halt acenou mais
uma vez.
        Ele estava... perto o suficiente para ter ouvido o que eu disse?" Will
finalmente conseguiu perguntar, temendo o pior. Desta vez, Halt no tinham a
resposta.
        "Oh, bom fracasso, no", veio uma voz familiar atrs dele. "Eu sou to
velho e decrpito estes dias que estou to surdo como um poste".
        Os ombros de Will cederam e ele se virou para ver o Comandante de
cabelos cor de areia em p a poucos metros de distncia.
        Os olhos do homem mais jovem caram.
        "Ol, Crowley", disse ele, em seguida, resmungou: "Ahhh... Eu sinto
muito sobre isso."
        Crowley encarou o Arqueiro jovem mais alguns segundos, ento ele no
poder evitar de romper o sorriso no rosto.
        "Nenhum dano causado", disse ele, acrescentando com uma pequena nota
de triunfo: "No  sempre que esses dias eu consegui ter o melhor de um de
vocs jovens".
        Secretamente, ele ficou impressionado com a notcia de que Will avistou
seu esconderijo. Apenas os olhos mais afiados poderiam ter encontrado ele.
Crowley tinha sido o melhor no negcio de ver sem ser visto por trinta anos ou
mais, e apesar do que Will acreditava, ele ainda era absolutamente rpido em
camuflagem e movimento invisvel. Ele observou outro movimento agora - um
movimento de abanar - e ele ajoelhou de um joelho para considerar o co.
        "Ol," disse suavemente, "quem  este?"
        Ele estendeu uma mo, dedos levemente flexionados e os dedos
apontando para baixo, e o co rastejou avanando alguns passos, farejando a
mo, ento abanou o rabo mais uma vez, suas orelhas subindo em uma posio
de alerta. Crowley amava ces e eles sentiam que, parecia simples como um
amigo no momento do primeiro contacto.
        "Qual  o seu nome, menina?" o comandante pediu.
        "Eu no tenho o nome dela ainda. Encontrei-a quando estava a caminho
de Seacliff," Will explicou. "Ela havia sido ferida e estava quase morta. Seu
proprietrio anterior havia tentado mat-la."
        O rosto de Crowley escureceu. A idia de crueldade contra os animais era
abominvel para ele. "Eu confio que voc tenha trocado algumas palavras com
este homem?", disse ele.
        Will mexeu seus ps incerto. Ele no estava completamente certo como
seus superiores poderiam ver o seu tratamento com John Buttle.
        "Bem, de certa forma eu falei, sim", disse ele. Ele percebeu sobrancelhas
levantadas de Halt. Seu antigo professor pode sempre dizer quando Will no
tinha lhe dito todos os fatos de uma histria. Crowley, com a mo eriando a
pele atrs das orelhas do co, olhou curiosamente tambm.
        "De certa forma?"
        Will pigarreou nervosamente. "Eu tive que lidar com ele, mas no por
causa do co. Bem, no diretamente. Quero dizer, era por causa do co que ele
apareceu na minha cabana naquela noite e ouviu o que estavam dizendo, e
depois... Bem , eu sabia que teria que fazer algo sobre ele, porque ele tinha
ouvido demais. E ento Alyss disse que talvez ns teramos que... Voc sabe...
Mas eu pensei que poderia ser um pouco drstico. Ento, no final, foi a melhor
soluo que eu poderia imaginar ".
        Ele fez uma pausa, consciente de que os dois homens estavam olhando
para ele, a incompreenso se mostrava total em ambas as suas faces.
        "O que eu quero dizer ," ele repetiu, "o co no participou, no
diretamente, mas sim indiretamente sem alterar o resultado, entenderam?"
        Houve uma pausa muito longa, ento Halt disse lentamente: "No, na
verdade, eu no."
        Crowley olhou para seu velho amigo e disse: "Voc teve este jovem com
voc... Pelo que, seis anos?"
        Halt encolheu os ombros. "Mais ou menos," ele respondeu.
        "E voc nunca entendeu uma palavra do que ele estava dizendo?"
        "Por muitas vezes no", disse Halt.
        Crowley sacudiu a cabea na maravilha. "Ser melhor que ele no v para
o servio diplomtico. Estaramos em guerra com meia dzia de pases agora se
ele estivesse  solta." Ele olhou para trs para Will. "Diga-nos, em palavras
simples e, se possvel, completar cada frase que voc comea, o que o co,esta
pessoa e Alyss tem a ver um com o outro."
        Will respirou fundo para comear a falar. Ele percebeu que os dois
homens deram um passo involuntrio para trs e ele decidiu que seria melhor
tentar contar o relato da forma mais simples possvel.
        Quando ele terminou de relatar o conto, Crowley e Halt sentaram,
olhando para Will com alguma preocupao.
        "Voc o vendeu como escravo?" Crowley perguntou, eventualmente. Mas
Will balanou a cabea.
        "Eu no o vendi. Eu... o entreguei  escravido. Era dar-lhe aos
Escandinavos ou mat-lo. E eu no acho que ele merecia morrer."
        "Mas voc acha que ele merecia ser dado... Para a escravido?" Crowley
pediu. Will endureceu a mandbula para parecer um pouco mais firme antes de
responder.
        "Sim, eu acho, Crowley. O homem tem um longo histrico de crimes de
violncia. Ele provavelmente foi responsvel por mais de um assassinato, nos
quais no h qualquer prova que o culpasse em um tribunal", acrescentou.
Halt coou a barba, olhar pensativo. "Afinal", ele colocou no mnimo, "nossa
ao abrange casos em que no h provas suficientes para uma condenao do
culpado." Crowley olhou-o fortemente.
        "Isso no  formalmente reconhecido, como voc bem sabe", disse ele.
Halt assentiu com a cabea, tendo o ponto, em seguida, continuou no mesmo tom
suave.
        "Assim, o caso de Arndor de Crewse no pode de alguma forma,
estabelecer um precedente? ele perguntou, e Crowley mudou seus ps
incomodado. Will olhou para os dois, intrigado com a virada na conversa.
        "Arndor de Crewse?" ele perguntou. "Quem era ele?"
        Halt sorriu para ele. "Ele era um gigante de mais de dois metros de altura.
E um bandido. Ele aterrorizou a cidade de Crewse por vrios meses at que um
Arqueiro jovem fez um trato com ele... De uma forma relativamente no-
convencional".
        Vendo o interesse de Will, e desconforto de Crowley, Halt continuou,
com a sugesto de um sorriso. "Ele acorrentou-o a uma roda de moinho na
cidade e deixou o povo de Crewse us-lo como um pnei de fbrica por um
perodo de cinco anos. Aparentemente, teve um efeito corretivo em sua alma e
trouxe um pouco de prosperidade para a cidade. A farinha de Crewse tornou-se
conhecido pela finura da moagem".
        Crowley finalmente interrompeu este conto. "Olha, foi uma situao
diferente e eu..." Ele se corrigiu um pouco tarde demais. "O Arqueiro... No
conseguia pensar em outra maneira de lidar com ele. Mas pelo menos ele estava
reparando o mal que havia feito para as pessoas da cidade. Ele no foi apenas
vendido como escravo a uma potncia estrangeira".
        "Bem", disse Halt "e Arndor tambm no era tal de Buttle. E realmente,
como Will apontou, ele no foi vendido. Ele foi dado. Um bom advogado
poderia provavelmente mostrar que sem dinheiro mudando de mos, nada foi
feito contra as leis do pas".
        Crowley bufou. "Um bom advogado?" disse ele. "No h tal coisa. Tudo
bem, jovem Will, acho que voc agiu para o melhor e, como seu advogado aqui
aponta, tecnicamente falando, no h crime em questo. Talvez seja melhor
armar a sua tenda. Falaremos depois da ceia".
        Will assentiu, encenando um sorriso para Halt, que levantou a
sobrancelha de novo. Como ele se afastou para armar a sua tenda verde e
pequena, Crowley pisou um pouco mais perto de seu velho amigo, falando em
um tom reduzido, para que Will no conseguisse ouvir.
        "Voc sabe, no  uma m maneira de lidar com casos difceis", disse ele
suavemente. "Talvez voc devesse contatar o seu amigo Erak e ver se podemos
fazer isso em um intervalo mais regular."
        Halt olhou para ele por um longo momento em silncio.
        "Claro. Afinal de contas, este pas no tem muitos moinhos de farinha,
no  mesmo?"

11

        Os trs Arqueiros sentaram confortavelmente em torno do fogo que Will
havia feito. A refeio da noite tinha sido boa. Crowley tinha trazido bifes de
veado com ele e eles cozinharam os bifes em pedras lisas aquecidas nas brasas
do fogo, completando a carne com batatas cozidas, acrescidas de manteiga e
pimenta, e verduras que haviam sido escaldadas rapidamente em uma panela de
gua fervente. Agora, bebendo as canecas de caf que Halt havia feito, sentaram-
se num silncio socivel.
        Will estava ansioso para saber os detalhes de sua misso, mas ele sabia
que no havia sentido em apressar as coisas. Crowley e Halt diriam a ele quando
acharem conveniente, e nada que ele dissesse os faria dizer antes do que
planejavam. Alguns anos antes, ele teria sido uma febre de ansiedade,
remexendo-se e incapaz de relaxar. Mas, juntamente com outras habilidades de
um Arqueiro ele aprendeu a ter pacincia. Assim, ele sentou e esperou seus
superiores abordarem o assunto, ele sentiu o olhar aprovador de Halt nele de
tempos em tempos a ponto de seu antigo mestre avaliar essa nova qualidade.
Will olhou para cima uma vez, chamou a ateno de Halt na dele e permitiu que
um sorriso tocasse suas feies. Ele ficou satisfeito que ele foi capaz de
demonstrar sua pacincia.
        Finalmente, Halt mudou a sua posio no cho duro e disse em um tom
exasperado: Ah, tudo bem, Crowley! Vamos continuar com isso, pelo amor d
Deus!
        O comandante do Corpo de Arqueiros sorriu deliciado com o seu amigo.
Eu pensei que estvamos testando a pacincia de Will aqui, no de voc, ele
disse. Halt fez um gesto irritado.
        Bem, considere sua pacincia testada.
        O sorriso de Crowley lentamente desapareceu enquanto reunia seus
pensamentos. Will inclinou-se para frente para ouvir sua nova misso. Ele
passou os ltimos dias fazendo seu melhor para reprimir sua curiosidade e agora
que o momento estava aqui, ele no podia esperar mais um segundo. Ele estava
submetendo seu crebro perguntando o que envolveria a misso e havia pensado
em vrias possibilidades, a maioria delas baseadas em suas experincias na
Escandinava. As primeiras palavras de Crowley, entretanto, de imediato,
dissiparam todas elas.
        Aparentemente temos um problemas com feitiaria no norte do pas.
Disse ele.
        Will recostou-se em surpresa. Feitiaria? ele perguntou, sua voz aguda
um pouco maior do que ele queria. Crowley concordou.
        Aparentemente disse ele, enfatizando a palavra. Will olhou para Halt.
O rosto do antigo mestre no mostrou nada.
        Ns acreditamos em feitiaria? Ele perguntou a Halt. O homem mais
velho deu um pouco de ombros.
        Noventa e cinco por cento dos casos que eu vi foi nada alm de
artimanhas e truques, disse ele. Nada que no pudesse ser resolvido por uma
seta bem colocada. Ento h, talvez, mais trs por cento que envolvem
dominao de esprito e manipulao de uma mente mais fraca por uma mais
forte, o tipo de controle que Morgarath exercia sobre os Wargals.
        Will assentiu lentamente. Morgarath, um ex-baro que se rebelou contra
o Rei, liderou um exrcito de guerreiros Wargals que eram totalmente vinculados
 sua vontade.
        Um por cento inclui ainda o tipo de alucinao em massa que algumas
pessoas so capazes de criar Crowley acrescentou  um caso semelhante de
controle da mente, mas que leva as pessoas a ver` ou ouvir` coisas que no
estavam realmente l."
        Houve um momento de pausa. Mais uma vez, Will olho de um para o
outro. Finalmente ele disse: Isso deixa um por cento. Os dois homens mais
velhos assentiram.
Eu vejo que sua capacidade de clculo melhorou. Halt respondeu, mas falou
antes que Will pudesse comentar. Sim, como voc diz, falta um por cento dos
casos.
E voc est dizendo que eles so exemplos de feitiaria? Will perguntou, mas
Halt balanou a cabea obstinadamente.
        Eu estou dizendo que no conseguimos encontrar uma explicao lgica
para eles, ele disse, Will se mexeu na cadeira, impaciente, olhando para seu
antigo mestre estabelecendo de uma forma ou de outra.
        Halt, disse ele, segurando o olhar do Arqueiro barbudo constantemente
com o seu prprio, Voc acredita em feitiaria?
        Halt hesitou antes de responder. Ele era um homem que tinha trabalhado
com fatos toda sua vida. A sua vida foi dedicada  coleta de fatos e informaes.
A incerteza era um antema para ele. No entanto, neste caso...
        Eu no acredito nisso, disse ele, ao escolher suas palavras
cuidadosamente mas no me nego cegamente. Nesses casos em que parece
haver nenhuma causa ou explicao lgica, eu estou preparado para manter
minha mente aberta sobre o assunto.
        E eu penso que  provavelmente a melhor posio que podemos tomar,
Crowley interrompeu. Quero dizer, h obviamente uma fora do mal que
influencia o nosso mundo. Ns todos vimos muitos exemplos de comportamento
criminoso para duvidar. Quem vai dizer que no  uma pessoa ocasional com
habilidade de invocar tal fora ou canalizar para uso prprio?
        No entanto Halt disse: Lembre-se que estamos falando de um caso em
cem, e mesmo assim, estamos dizendo que pode ou no ser uma coisa real. Se a
coisa real sequer existe.
        Will balanou a cabea lentamente, em seguida, tomou um gole profundo
de seu caf. Eu estou ficando confuso aqui, ele disse. Halt assentiu.
        S mantenha uma coisa em mente. Existe uma chance melhor que
noventa por cento que o caso que ns estamos tratando aqui no  feitiaria, ele
apenas aparenta ser. Segure-se a esse pensamento e mantenha a mente aberta
para todo o resto. Tudo bem?
        Will assentiu, deixando para fora uma respirao profunda. Tudo bem,
disse ele. Ento, quais so os detalhes deste caso? O que voc quer que eu
faa?
        Crowley apontou para Halt ir em frente com as instrues. O elo entre
mestre e aluno ainda era forte, ele sabia, e facilitaria instrues concisas com
menos possibilidade de mal-entendidos ou confuso. Esses dois conheciam a
mente de um e outro.
        Muito bem, comeou Halt em primeiro lugar, estamos falando do
feudo de Norgate
        Norgate? Will interrompeu, a surpresa evidente em sua voz. No
temos um Arqueiro atribudo a esse feudo?
        Sim ns temos. Halt concordou. Mas ele  conhecido na rea. Ele 
reconhecido. As pessoas esto com medo e confusas e a ltima pessoa com quem
vo falar, nessa poca,  um Arqueiro. Metade deles acreditam que ns que
somos os feiticeiros, acrescentou ele sombriamente. Will assentiu. Ele sabia que
era verdade.
        Mas no vo desconfiar de mim se eu aparecer l? ele perguntou.
Afinal, eles podem no me conhecer, mas eu sou um Arqueiro.
        Voc no est indo como um Arqueiro Halt disse a ele.
        Esse pedao de informao conseguiu parar a enxurrada de perguntas que
Will estava prestes a desencadear. Para dizer a verdade, ele estava um pouco
abalado com a notcia.
        As pessoas ficavam nervosas com os Arqueiros, era verdade. Mas havia
um inegvel prestgio que acompanhava o Corpo, bem como as portas que se
abririam para os Arqueiros. Suas opinies eram procuradas e respeitadas pelos
cavaleiros e bares do reino, at mesmo, em ocasies, pelo prprio Rei. Sua
habilidade com as armas escolhidas era lendria. Ele no tinha certeza se queria
colocar tudo isso de lado. Ele no tinha certeza de que sem a aura de ser um
Arqueiro para reforar sua confiana poderia realmente realizar uma misso
difcil e perigosa, e to logo, essa misso soou como se tivesse a caminho de
serem ambas as coisas.
        Estamos pensando muito a frente Crowley disse. Vamos pegar o
assunto principal primeiro antes de comearmos a entrar nos detalhes.
         Boa idia Halt disse. Ele deu um olhar significativo em Will e o jovem
assentiu. Ele sabia que agora era  hora de ouvir sem interrupes.
         Ok, o feudo de Norgate  bastante nico no reino, na medida em que,
alm do Castelo Norgate, no centro do feudo, h um castelo adicional em um
certo condado no norte
         Enquanto Halt estava falando, Crowley desenrolou um mapa da rea no
terreno entre eles e Will ficou de joelhos para estud-lo. Ele tocou no mapa onde
um castelo foi indicado, praticamente na fronteira norte do reino.
         Castelo Macindaw, ele murmurou, e Halt assentiu.
          mais uma fortaleza do que um castelo, ele disse.  um pouco mais
baixo em luxos e com melhor posio estratgia. Como voc pode ver... Ele
retirou uma de suas flechas pretas da aljava ao lado dele e usou-a para apontar
para as montanhas escarpadas que dividem Araluen do seu vizinho do norte,
Picta.  colocado de forma que ele domina e controla a Passagem Macindaw
pelas montanhas.
         Ele fez uma pausa, assistindo o jovem homem entender a situao, seus
olhos no mapa. Finalmente, Will assentiu e Halt continuou.
         Sem o Castelo Macindaw, teramos constantes invases dos Escoceses,
a tribo selvagem que controla as provncias do sul do Picta. Eles so invasores,
ladres e lutadores. Na verdade, sem Macindaw, ns seramos duramente
pressionados a manter eles fora do feudo Norgate inteiramente.  um longo
caminho e no  fcil viajar com um exrcito no inverno, principalmente quando
a maior parte das nossas tropas est nos feudos do sul e no so acostumados aos
climas extremos que voc vai encontrar l em cima.
         Assentindo, Will recuou do grfico. A imagem estava gravada em sua
memria agora. Ele passou a olhar Halt quando o homem mais velho continuou.
         Assim voc pode entender porque ficamos um pouco ansiosos quando
qualquer coisa parece perturbar o equilbrio natural das coisas no Feudo
Norgate. Disse ele.
         Will assentiu.
         Quando o Lord Syron, o comandante no Macindaw, foi atingindo por
uma doena misteriosa, ficamos compreensivelmente preocupados. Essa
preocupao cresceu quando comeamos a ouvir rumores de feitiaria.
Aparentemente, um dos antepassados de Syron, a algumas centenas de anos
atrs, teve um desentendimento com um feiticeiro local. Halt sentiu a pergunta
na boca de Will e ergueu a mo para impedir que ele comeasse a perguntar.
         Ns no sabemos. Poderia ter sido controle de mente. Poderia ter sido
um charlato. Ou talvez ele fosse realmente um feiticeiro. Tudo aconteceu a mais
de uma centena de anos atrs, como eu digo, por isso h poucas evidncias
concretas e um monte de histria anedtica envolvida. No que importa, ele foi
um verdadeiro feiticeiro que brigou com a famlia de Syron por centenas de
anos. A apario mais recente foi o fim de uma longa srie de confrontos. Tenha
em mente que estamos lidando com mitos e lendas aqui, ento no espere que
faam muito sentido.
        O que aconteceu com o feiticeiro? Will perguntou, e Halt deu de
ombros.
        Ningum sabe. Parece que ele enviou uma srie de doenas misteriosas
para o ancestral de Syron. Naturalmente, os curandeiros no conseguiram
identificar ou tratar qualquer um deles. Eles nunca conseguem quando pensam
que a feitiaria est envolvida., disse ele, com uma nota depreciativa em sua
voz. Mas, ento, um jovem cavaleiro da casa tomou para si mesmo a tarefa de
livrar a provncia do feiticeiro. De acordo com as convenes dos tais mitos, ele
era puro de corao e sua nobreza de carter fez ele superar o feiticeiro e
expuls-lo.
        Ele no matou o feiticeiro? Will perguntou, e Halt balanou a cabea.
        No. Infelizmente eles nunca o fazem. Deixam lendas como essa para
subir novamente ao topo ao longo dos anos, tal como este tem feito. A situao
atual  que, Syron, cerca de seis semanas atrs, estava andando quando de
repente foi derrubado de seu cavalo. Quando os seus homens chegaram, ele
estava com o rosto azul, espuma na boca e gritando em agonia.
        Seus homens o levaram para casa e os curandeiros no conseguiram
fazer nada alm de sed-lo a aliviar a dor. Ele no melhorou desde ento e est 
beira da morte. Se eles o acordarem para alimentar ou der gua, a dor bate
novamente e ele comea a gritar e espumar. Contudo, se deix-lo sedado, ele fica
mais fraco com o passar do tempo.
        Deixe-me adivinhar. Will disse quando Halt pausou. Esses sintomas
eram idnticos aos que seu ancestral sofreu na lenda?
Halt apontou um dedo para o jovem. Pegou rapidamente, disse ele:  claro
que isso deu origem aos boatos que Malkallam estava de volta.
        Malkallam? Will perguntou.
        O feiticeiro original, Crowley acrescentou Ningum sabe quando os
boatos comearam, mas j houve outras...manifestaes tambm. Luzes na
floresta que desaparecem quando algum se aproxima, figuras estranhas vistas
na estrada  noite, as vozes ouvidas no castelo e assim por diante. O tipo perfeito
de coisas calculadas para assustar as pessoas do feudo. O Arqueiro local,
Meralon, vem tentando conseguir mais informaes, mas as pessoas esto
confusas. Ele ouviu algum boato sobre um feiticeiro que vive no interior da
floresta, e o nome Malkallam foi usado. Mas exatamente onde ele estaria
vivendo, ele no conseguiu descobrir.
        Quem est comandando o castelo enquanto Syron est fora de ao?
Will perguntou. Halt assentiu, valorizando a capacidade de Will de chegar ao
corao do problema.
        O filho de Syron, Orman, foi nomeado ao comando, mas ele no 
realmente um soldado. De acordo com o relatrio de Meralon, ele  um
estudioso e mais interessado em estudar a histria do que controlar as fronteiras
do reino. Felizmente, o sobrinho de Syron, Keren tambm est l e ele assumiu o
comando prtico da guarnio. Ele foi criado como um guerreiro e
aparentemente  popular nesse lugar.
       Ele pode lidar com as coisas de momento, disse Crowley Mas se
Syron morrer, ento tem o problema da sucesso, e Orman, um lder fraco,
incapaz, vai herdar a posio. Isso poderia desestabilizar toda a situao e nos
deixar vulnerveis a um ataque vindo do norte. Isso  algo que temos que evitar a
todo custo. Macindaw  muito importante estrategicamente para ns corrermos
riscos.
       Will puxou pensativamente o queixo por alguns segundos.
       Entendo, disse ele finalmente. Ento o que voc quer que eu faa?
       V l em cima, respondeu Crowley. Converse com o povo, procure
saber de tudo. Veja o que voc pode reunir sobre esse personagem Malkallam.
Veja se ele realmente existe ou se as pessoas esto apenas imaginando coisas.
Ganhe a confiana deles, os faa falarem.
       Will franziu a testa. Crowley fez tudo parecer to fcil, ele pensou. "
mais fcil dizer do que fazer", ele murmurou, mas Halt respondeu com apenas o
fantasma de um sorriso.
       "Ser mais fcil para voc do que para a maioria", disse ele. "As pessoas
gostam de falar com voc. Voc  jovem. Tem um olhar inocente que desarma
eles.  por isso que o escolhi. Eles nunca vo suspeitar que voc seja um
Arqueiro."
       "Ento o que eles pensam que eu sou?" Will perguntou, e agora
finalmente quebrou o sorriso no rosto do Halt.
       "Eles vo pensar que voc  um bardo", disse ele.

12

        Eu? ele repetiu. Um Bardo?!
        Halt olhou para ele sob suas sobrancelhas escuras. Voc. Um Bardo.,
ele disse. Will fez um gesto desajeitado com as mos e por um momento perdeu
as palavras.
         um disfarce perfeito para voc, Crowley disse. Bardos esto
constantemente viajando. So bem vindos em todos lugares, desde castelos at as
tavernas. E em um lugar esquecido por Deus como Norgate, voc seria
duplamente bem vindo. E o melhor de tudo, o povo fala com bardos. E falam na
frente deles. Ele acrescentou, significativamente.
        Will finalmente achou as palavras que estava procurando. No estamos
esquecendo um pequenino detalhe?`` ele disse. Eu no sou um bardo. Eu no
sei contar piadas. No sei fazer truques de mgicas, e nem sei fazer
malabarismos. Provavelmente quebraria o pescoo se tentasse.
        Halt concordou, reconhecendo o ponto. Voc no est esquecendo que
h diferentes tipos de bardos? ele disse. Alguns so apenas menestris
        E segundo Halt, voc toca aquele seu alade bem. Crowley
acrescentou. Will olhou para ele, cada vez mais confuso.
         uma mandola, ele disse. Ele tem oito cordas, colocadas em pares.
Um alade tem dez cordas...
        Ele hesitou. E depois sentiu uma pequena onda de prazer ao registrar o
que Crowley tinha dito.
        Voc realmente acha que toco bem? perguntou a Halt. O arqueiro mais
velho sempre assumia uma expresso de sofrimento sempre que Will ia tocar sua
mandola. Will no podia evitar um imenso sentimento de satisfao ao perceber
que na verdade Halt admirava seu trabalho. Esse sentimento de satisfao
entretanto durou pouco.
        E o que entendo disso? Halt replicou. O som de um gato afiando as
unhas se parece demais com o som que esse instrumento emite para que eu possa
discernir entre os dois.
        Oh, disse Will, um pouco desapontado, Bom, talvez as outras pessoas
tambm no gostem. No podemos achar um outro disfarce para mim?
        Como o que?
        Will demorou um tempo vasculhando na memria por algum outro
disfarce.
        Um Bobo da Corte ele sugeriu. Afinal, nas histrias e lendas que
Murdal, o trovador oficial do Baro Arald, costuma recitar no Castelo
Redmount, os heris sempre se disfaram de bobo da corte.
        Halt bufou desdenhosamente.
        Um bobo da corte? Crowley perguntou.
        Sim, Will respondeu, Eles viajam de lugares a lugares. As pessoas
conversam com eles e...
        E eles tem a fama de serem ladres, Crowley completou para ele.
Voc acha que seria uma boa idia assumir um disfarce em que as pessoas ao te
conhecerem, imediatamente passem a desconfiar de voc. Iriam vigiar voc
como falces, a espera que roube as carteiras delas.
        Ladres? Will perguntou, Eles so mesmos?
        So famosos por isso Halt disse, Eu nunca entendi porque aquele
idiota do Murdar costumava usar esse disfarce para seus personagens, no
consigo pensar em uma idia pior
        Oh, disse Will, que no possua nenhuma outra idia. Ele hesitou, e
ento perguntou de novo. Voc realmente acha que eu toco bem o suficiente
para levar isso adiante?
        H um jeito para descobrir isso Crowley disse. Voc trouxe seu
alade, vamos ouvir uma nota, ou duas
Ele no  um... Will comeou, e ento desistindo, pegou sua mandola, que
estava na sela.
Esquece... ele murmurou.
        Ele tirou o instrumento de dentro da caixa e pegou a palheta de casca de
tartaruga, que estava entre as duas cordas superiores. Ele dedilhou,
experimentando o som. Como era o esperado, a combinao de ficar sacolejando
em uma sela e o ar frio da noite afetou a afinao. Ele fez o ajuste nas cordas e
ento tentou novamente, e assentiu satisfeito. Ele tentou um acorde novamente, e
percebeu que a corda superior estava um pouco tensa e afrouxou um pouco.
Melhor agora, ele pensou.
        Quando estiver pronto disse Crowley, fazendo um gesto de
encorajamento. Will tocou um acorde A, e hesitou. Tudo ficou em branco. Ele
no conseguia pensar em uma nica pea para tocar. Ele tentou um acorde B,
depois um E menor e um B sustenido, esperando que os sons dessem a ele algum
tipo de inspirao.
        H alguma letra nessa balada? Halt perguntou, um tanto quanto polido.
Will se dirigiu a ele.
        Eu no consigo pensar em uma msica. Minha mente ficou um vazio.
        Seria embaraoso se isso ocorre em uma taverna lotada Halt lembrou.
Will tentou desesperadamente se recordar de alguma cano, qualquer uma.
        E que tal Old Joe Smoke? Crowley sugeriu alegremente, e Halt olhou
para ele com certa suspeita.
        Old Joe Smoke? Will perguntou. Essa era a msica que Will tinha feito
uma pardia sobre Halt, e Will estava se perguntado se Crowley sabia disso.
Entretanto, a face do arqueiro mais velho era uma mscara de inocncia. Ele
assentiu e deu um sorriso de encorajamento, ignorando o olhar penetrante de seu
velho amigo.
        Sempre foi um sucesso, Crowley respondeu. Eu costumava danar
uma animada quadrilha com essa msica quando jovem. Ele fez o mesmo gesto
de continue. Will, incapaz de pensar em alguma outra alternativa, comeou a
fazer a introduo com a mandola. A velocidade e a fluncia gradualmente
aumentando de acordo com a confiana que ia adquirindo. Tudo que tinha que
fazer, dizia a si mesmo, era se lembrar da letra original, no da pardia. Jogando
a precauo pelos ares, comeou a cantar:

Old Joe Smoke  um amigo meu
Ele vive em Bleaker`s Hill,
Old Joe Smoke nunca tomou um banho
E dizem que nunca ir.
At mais Old Joe Smoke,
At mais  o que eu digo.
At mais Old Joe Smoke,
Te vejo em seu caminho 

        Crowley estava batendo com as mos no joelho, segundo o ritmo,
balanando a cabea entusiasmado.
        O garoto  bom disse a Halt, e Will continuou, empolgado com o
elogio. Ele tocou a intrincada composio de dezesseis notas que faziam parte do
coro e cantou o prximo verso.

Old Joe Smoke perdeu a aposta.
E perdeu seu casaco de inverno
Quando o inverno chegou Old Joe Smoke se aqueceu
Dormindo entre as cabras.
At mais Old Joe Smoke,
At mais  o que eu digo.
At mais Old Joe Smoke,
Te vejo em seu caminho
        Ele estava imerso na msica agora, e tocou novamente o coro, dessa vez
tentando uma combinao de notas mais ambiciosa ainda. Ele se atrapalhou um
pouco na terceira nota, mas conseguiu disfarar o erro rapidamente e iniciou o
terceiro verso.

Barba-grisalha Halt, ele vive com as cabras
 o que fiquei sabendo.
No troca as meias h anos,
Mas as cabras no se importam se est fedendo.
At mais Barba-grisalha Halt,
At mais  o que eu ...

        E parou subitamente, ao se dar conta do que tinha cantado.
        E devido a fora do hbito distrado pela sua prpria performance na
mandola, ele comeou a cantar a verso parodiada. Crowley ergueu a cabea, e
com um debochado interesse falou.
        Uma letra fascinante, no tenho certeza de j ter ouvido essa verso
antes
        Ele cobriu a boca com as mos e seus ombros comearam a sacudir.
        Muito engraado, Crowley Halt replicou num tom de voz to
exasperado que o Comandante dos Arqueiros comeou a fazer estranhos sons de
engasgo por detrs de suas mos. Sua cabea abaixando e seus ombros tremendo
mais ainda. Will olhava para Halt com absoluto terror.
        Halt... me perdoe...eu no tinha a inteno...
        Crowley finalmente conseguiu controlar os tremores e a exploso de
risada incontrolvel. Will fez um gesto desajeitado para Halt. O arqueiro deu os
ombros resignado enquanto encarava Crowley. Ele se inclinou e cutucou
dolorosamente as costelas do comandante com seu arco.
        No  to engraado assim. Crowley massageou suas costelas doloridas
e replicou.
         sim,  sim. Voc devia ter visto a sua cara, e virando-se para Will
perguntou, Vamos, H mais versos desses?
        Will hesitou. Halt estava encarando Crowley, e Will  apesar de ser um
Arqueiro formado, um portador da insgnia da Folha de Carvalho Prata, e
tecnicamente, um igual ao Halt  sabia que seria tolice continuar. Muita tolice.
        Acho que escutamos o suficiente para formular o julgamento, Halt
falou. Ele se virou para as trs pequenas tendas que haviam montado mais cedo,
e falou em voz alta: O que voc acha, Berrigan?
        Ouve um discreto movimento por detrs das tendas onde uma figura alta
levantou-se vagarosamente e veio coxeando at a fogueira. Antes mesmo de
perceber a guitarra de seis cordas que o homem segurava em uma das mos, Will
reconheceu o andar coxeante. Ele j havia visto Berrigan vrias vezes antes
durante o Encontro anual, quando ele entretia a assemblia dos arqueiros. Um
arqueiro formado, portador da insgnia de Prata, Berrigan teve que se aposentar
quando perdeu uma perna, em uma luta contra guerreiros escandinavos. Desde
ento, vinha ganhando a vida como cantor e msico. E Will tambm suspeitava
que, de tempos em tempos, era usado para conseguir alguma informao para os
arqueiros.
        E Will percebeu que o arqueiro estivera o escutando com o propsito de
julg-lo. Berringan sorriu para Will enquanto se sentava vagarosamente ao lado
da fogueira, a perna artificial fazendo um movimento um pouco desajeitado.
        Boa noite, Will, ele disse. Ele notou a mandola, que agora estava cado
ao lado do jovem. Nada mal, nada mal mesmo.
        Ele tinha um rosto magro, com mas do rosto grandes e um nariz
grande e curvo, parecido com um falco. Mas o que chamava a ateno mesmo,
eram os olhos azuis, e o grande e aberto sorriso. Ele tinha um cabelo longo,
castanho, como requeria a profisso, e suas roupas eram tpicas de bardo  um
padro aleatrio de cores que brilhavam a medida que ele se movia. Apesar de
que, ele notou, o padro das cores de suas roupas era bem parecido com as das
capas dos arqueiros, s que com cores bem mais alegres e vivas.
        Berrigan, bom te ver ele disse. E ento um pensamento cruzou sua
mente, e virando-se para Crowley disse Crowley, no faria mais sentido mandar
Berrigan nesta misso? Afinal ele  um bardo profissional e  de conhecimento
geral que ele ainda trabalha para os arqueiros de tempos em tempos.
        Os trs trocaram olhares entre si, Oh, todos ns sabemos disso, no ?,
Crawley perguntou.
        Bom, ns no sabemos disso exatamente, mas ele trabalha, no
trabalha?
        Um silncio pesado e esquisito pairou no ar por alguns segundos, e ento
Berrigan quebrou o silencio falando num tom despreocupado, Voc est certo,
Will. Eu fao um ou outro servio para os arqueiros quando necessrio, mas para
esse trabalho, eu sou pequeno demais, me falta algo.
        Mas voc  maior que eu... Will comeou a responder, e ento
percebeu que Berrigan estava olhando significativamente para a perna de
madeira. Ele parou embaraado Oh, voc se referia a... E ele no conseguiu
continuar e dizer as palavras, mas Berrigan sorriu mais abertamente ainda.
        Minha perna de madeira, Will, pode falar, sem problemas. Eu j estou
acostumado com isso. E pelo que Crowley me falou sobre este trabalho, ele
requer algum que seja gil e rpido, e receio que isto no se refira a mim, no
mais
        Crowley pigarreou um pouco, feliz que aquela atmosfera estranha j
houvesse passado. Bom, o que voc pode fazer Berrigan,  nos dizer se Will se
passa como um bardo. Qual a sua opinio?
        Berrigan pensou por um momento e ento falou, Ele  bom o suficiente.
Tem uma voz agradvel, e toca bem. Ou pelo menos bem o suficiente para as
terras longnquas e hospedarias remotas na qual ir se apresentar. Entretanto no
sei se est pronto para tocar na corte de Araluen E sorriu para Will, para que ele
no se melindrasse com o comentrio. Will assentiu de volta. Ele estava feliz
com o elogio. Berrigan continuou a falar.
        O nico obstculo  o despreparo dele, e isso normalmente  o que
desmascara os amadores
        Crowley perguntou Como assim? Voc acabou de dizer que ele canta e
toca bem?
        Berrigan no respondeu diretamente, mas virou-se para Will.
        Vamos ouvir outra msica, Will. Qualquer uma que voc goste. Vamos,
rpido Will pegou novamente a mandola, e, de novo deu um branco.
         isso, o amador sempre arreia quando  solicitado a tocar alguma coisa
de surpresa disse Berringan, e virando-se novamente para Will. Voc conhece
Lowland Jenny? Spinner`s Reel? Cobbington Mill? By The Southland Streams?
        Ele falou os ttulos da msica rapidamente e Will assentiu que conhecia
cada uma das msicas. Berringan sorriu e assentiu.
        Qualquer uma delas teria servido, ento. O truque no  apenas conhecer
as canes. E sim lembrar que as conhece. Mas ns poderemos trabalhar nisso.
        Will olhou para Halt, e o seu antigo professor acrescentou.
        Berrigan ir acompanh-lo durante parte do trajeto, para poder trein-
lo. Will sorriu para o arqueiro alto, e se comeou a sentir confortvel com a
idia  era melhor do que entrar de cabea em guas profundas, sem saber como
nadar primeiro.
        E vocs podem comear agora, Crowley disse, enchendo novamente a
caneca de caf e se recostando confortavelmente em um tronco. Vamos ouvir
uma cano de vocs dois.
        Berringan olhou interrogativamente para Will.
        The Woods Of Far Way, disse Will sem nenhuma hesitao.
        Berrigan assentiu e sorrindo acrescentou, Ele aprende rpido. E os dois
comearam a tocar a doce cano sobre o regresso ao lar. Berrigan parou e olhou
para a mandola de Will.
        Seu acorde A  um pouco montono
        Eu j sabia disso, Halt acrescentou em um tom superior  Crowley.

13

       Na manh seguinte, Will iniciou sua transformao de Arqueiro para
Bardo. Sua capa de matizes marrom, cinza e verde foi substituda por uma mais
adequada  sua nova identidade na rea do entretenimento. Ele estava feliz por
Halt e Crowley no terem optado por algo de cores mais chamativas, mas
escolheram ao invs, uma capa preto e branco para ele. Ele colocou a capa sobre
seus ombros. Havia algo estranhamente familiar nela, pensava Will. At que veio
o estalo. A matiz irregular preto e branco que compunha a capa tinha o mesmo
propsito da matiz em sua antiga capa de arqueiro. Ela quebrava a forma de
quem a usasse, fazendo com que seu contorno ficasse indistinto e indistinguvel
a quem estivesse observando o ambiente. Halt observou seu interesse na capa e
assentiu.
        Sim,  uma capa de camuflagem, certamente no  a mesma que os
arqueiros usam, mas se levarmos em conta o lugar para onde voc est indo,
essas cores sero muito mais teis Halt disse.
        E Will compreendeu. O Feudo de Norgate no inverno era coberto por
uma densa camada de neve, e as cores certamente estariam mais apagadas na
paisagem. Uma inspeo mais atenta mostrou a ele que o preto da capa, na
verdade, no era um preto de verdade, e sim variante que iam do preto at
diversas tonalidades de cinza. Seria necessrio, portanto, pouco esforo para uma
pessoa treinada na arte de se mover sem ser visto, se misturar em campo aberto
no inverno. Em ambientes fechado,  claro, a capa aparentaria ser nada mais que
uma capa com cores aberrantes e seria a apresentao teatral necessria para seu
papel como bardo.
        Muito esperto, ele disse, sorrindo abertamente para Halt e Crowley. Os
dois Arqueiros mais experientes assentiram em resposta. Em seguida, Crowley
deu a ele uma algibeira feita de um couro fino e cinza.
        Voc no pode usar a bainha dupla, ele disse, olhando diretamente para
o recipiente que Will usava para guardar suas duas facas.  muito chamativo,
uma vez que  um instrumento que apenas os Arqueiros utilizam
        Oh Disse Will, um pouco inseguro. Ele no se sentia confortvel com o
pensamento de que estaria sem a sua grande faca saxnica e sua faca de atirar,
um pouco menor.
         Faca Saxnica (eram facas utilizadas pelos homens no sculo 11 para
5, na regio delimitada por cerca de Irlanda, Escandinvia e Norte da Itlia)

        Voc pode carregar a faca maior Crowley disse tentando tranqiliz-lo,
Vrias pessoas carregam facas parecidas com ela. E este gibo tem um
compartimento do tamanho certo para a faca de atirar
        Ele indicou um compartimento oculto dentro do gibo, logo abaixo do
colarinho da bolsa. Will sacou sua pequena faca de atirar e colocou-a dentro do
compartimento secreto. Servia perfeitamente. Entretanto as prximas palavras de
Halt o deprimiram mais uma vez.
        Temo, entretanto, que o arco longo dever ficar para trs. Um bardo
simplesmente no o carregaria ele disse. Ele tirou o pesado arco do lado de
Will. E em seu lugar colocou um pequeno arco de caa, com uma aljava cheia de
flechas. Will estudou o pequeno e fraco instrumento. Ele duvidava que seu peso
chegasse a vinte ou trinta libras.
        Acho que prefiro no ter isso ele disse Dificilmente conseguiria atirar
uma flecha que ultrapassasse meus ombros com isso, e alm do que essas flechas
so muito pesadas para este tipo de arco. Ele estava definitivamente
desconfortvel com a reviravolta dos eventos, o arco tinha sido sua principal
arma desde muitos anos atrs, quando ainda era um aprendiz de Halt. Ele se
sentiria nu e vulnervel sem um arco ao seu lado.
        Halt e Crowley sorriram. O arco no  para atirar,  simplesmente uma
desculpa plausvel para que voc possa carregar flechas. Venha comigo
Crowley disse, fazendo um gesto para que Will o seguisse.
        Na clareira onde os cavalos pastavam, ele indicou a albarda para Will.
Sua nova albarda ele disse, com um tom de expectativa na voz.
        No h na da de errado com a minha disse Will, inseguro com o andar
da carruagem. Ele estudou a sela. Parecia perfeitamente normal, apesar do
arranjo pouco usual dos compartimentos. Onde, na antiga sela de Will, havia
duas peas de madeira em forma de V, que poderia ser usado como ponto de
apoio para amarrar objetos na sela, nessa havia duas peas de metal recurvo, que
serviam para basicamente o mesmo objetivo. Elas se curvavam para dentro, e
depois se separavam. Era uma outra forma, ele pensava, porm no mais prtica
que um simples V de madeira.
        Estamos muito orgulhosos por isso, Crowley disse. E ento pegou uma
das peas horizontais e puxou para fora da sela. Will percebeu que ela estava
sendo mantida no lugar por um pequeno e apertado compartimento que fazia
parte da sela. E a pea de metal, agora ele via mais claramente, era um pedao de
mais ou menos meio metro em forma de S, com a curva debaixo duas vezes
maior que a curva superior. E no final da curva, havia um pequeno talho no
metal. E como ocorreu com a capa, Will sentiu que havia algo vagamente
familiar. Crowley sinalizou para ele, e foi at a ala existente na parte traseira da
sela. Ele a torceu e ela tambm se destacou da sela. Ele aparentava ser plano,
apenas uma tira de couro, mas havia dois ganchos de metal no final de cada
extremidade.
        Will assistiu fascinado quando Crowley deslizou a extremidade entalhada
da arma de metal na fenda estreita da pea de couro e rapidamente engatou no
gancho de metal, e Will passou a ver a parte superior de um arco recurvo.
        Meu Deus, disse Will, agora ele compreendia. E percebeu porque a
pea em forma de S era familiar a ele. Quando ele se juntou no comeo a Halt,
como aprendiz, ele era muito pequeno para segurar um arco longo, ento o
arqueiro mais velho entregara a ele um pequeno e recurvo arco, onde cada
extremidade estava alocada naquela forma de S. As curvas duplas acrescentavam
fora e velocidade a flecha, compensando o pouco peso da arma. E quando
Crowley engatava o segundo gancho de metal  outra extremidade, Will
percebeu que estava olhando agora para um arco recurvo  um que poderia ser
desmontado em trs partes separadas.
        Os armeiros que fizeram para ns Halt disse. Temos trabalhado no
projeto j a algum tempo, as partes de metal so incrveis, voc ter que por
tenso no arco em mais ou menos sessenta libras, no  tanto quanto um arco
longo, mas ainda assim  uma quantia considervel.
        Crowley jogou a arma para Will. Ele a avaliou, sentindo o peso e o
balano em suas mos. Os ferreiros que fizeram as armas dos arqueiros eram
excelentes artesos  muitas espadas foram quebradas e lascadas em embates
contra as lminas dos arqueiros, sem que estas sofressem um s arranho. E era
bvio que eles se superaram ao criar este arco de metal. Crowley pediu que Will
colocasse a corda no local e armasse o arco.
        Ele deslizou a corda na parte inferior do arco para colocar no entalhe, ele
colocou o p direito dentro do arco e o puxou, dobrando o arco sobe o joelho da
outra perna, e recurvando-o para que pudesse engatar a corda no entalhe. Ele
grunhiu em resposta ao esforo que fora necessrio. Ele recurvou o arco para
test-lo e assentiu contente a Halt.
         quase parecido ele disse, Halt pegou uma das flechas de dentro da
aljava e deu para ele.
        Experimente, ele disse, e indicou uma casca de rvore um pouco mais
clara em uma rvore a quarenta metros de distancia. Will engatou a fecha na
corda, e testou-a num movimento de vai e vem, e com os olhos fixos no alvo,
ergueu o arco, armou e atirou, em um movimento suave.
        A flecha atingiu o tronco da rvore, h quase dez centmetros abaixo de
onde tinha mirado. Para um arqueiro do cacife dele, foi um tiro desapontante.
        No fique surpreso. Esse arco atira com menos potncia que seu arco
longo, a flecha ir perder a fora e a altura rapidamente aps quarenta ou
cinqenta metros. Por isso voc tem que atirar mais alto
        Will assentiu pensativamente. A flecha havia atingido o tronco com uma
respeitvel fora.
        Bom para uns cem metros? Perguntou a seu antigo mestre, e ele
concordou.
        Talvez um pouco mais. No  seu arco longo, mas pelo menos voc no
estar totalmente sem armas. E voc ainda tem seus strikers,  claro
        Os strikers eram outra das armas dos arqueiros. Pequenos cilindros de
bronze, eles serviam na palma de um punho fechado, deixando uma pequena
protruso na ponta. Um golpe na mandbula ou no crnio com um striker era o
suficiente para incapacitar o mais forte dos oponentes. Alm do mais, eles eram
balanceados e aptos para serem lanados. E nas mos de um atirador de facas
experiente - em outras palavras, qualquer arqueiro  um striker poderia
desorientar um homem que estivesse a at seis metros de distncia.

       Muito bom, Crowley disse, esfregando uma mo na outra, como se
fosse um homem de negcio. Isso  tudo que temos para voc no momento. E
mais uma coisa: quando voc estiver no Castelo de Macindaw, ns lhe
enviaremos um agente para contato, em caso de voc querer nos enviar alguma
mensagem
       Will escutou essa novidade, E quem poderia ser esse agente?,
perguntou
        Crowley disse, Ns no decidimos ainda, mas com certeza ser algum
que voc reconheceria como agente
        Halt colocou as mos sobre os ombros de seu antigo aprendiz. Se voc
precisar de alguma ajuda enquanto estiver l, voc sempre poder contar com
Meralon, claro. Embora no seja o ideal que vocs dois sejam vistos juntos. 
necessrio que voc mantenha sua real identidade em segredo. E na verdade, ele
ser instrudo a dar espao para voc trabalhar. Se ele for visto com frequncia
no distrito, as pessoas podero se fechar completamente, e no falar.
        Ser uma tarefa extremamente solitria, Will pensou.

14

        Os clientes da taverna de Jarra Rachada olharam para a porta aberta e
uma corrente gelada rodou para a sala cheia de fumaa, trazendo com ela uma
enxurrada de neve.
        "Feche a porta", rosnou um carroceiro de corpo forte do balco, sem
sequer se virar e ver quem tinha entrado. Os outros clientes, entretanto, todos se
interessaram quando viram que o recm chegado era um estranho. Os viajantes
eram poucos, uma vez que as garras do inverno alcanavam o feudo de Norgate.
Os campos e as estradas estavam cobertos de neve profunda geralmente e a
temperatura, impulsionada pelo frio do vento constante, muitas vezes, caia
abaixo de zero.
        A porta fechou-se, cortando a corrente gelada vinda de fora, e as velas e o
fogo se estabeleceram depois da turbulncia que o vento tinha provocado. O
recm-chegado jogou para trs o capuz de seu manto estampado de preto e
branco e balanou uma espessura de flocos de neve dos seus ombros. Ele era um
homem jovem, com um leve crescimento de plos no rosto. Ele era um pouco
menor do que a mdia e um corpo de construo leve  uma borda preta e branca
tinha deslizado silenciosamente no lugar com ele, os olhos fixos em seu rosto,
esperando por um comando. Ele apontou para uma mesa vazia, perto da frente da
sala e o co acomodou-se silenciosamente para ele, deslizando suas patas
dianteiras na frente dele at que ele ficou deitado com a barriga para cima. Seus
olhos continuaram a percorrer o lugar, no entanto, desmentiam sua aparncia
relaxada. O estranho jovem soltou seu manto e espalhou-o sobre as costas da
cadeira, para secar ao calor do fogo.
        Houve ainda um sopro de interesse quando os presentes viram o que o
rapaz estava carregando em sua capa. Ele colocou sobre a mesa a caixa de um
instrumento difcil de ser identificado. Se os viajantes eram raros no inverno to
ao norte, esse era de entretenimento, e os presentes viram a perspectiva de uma
noite mais interessante do que tinham antecipado. Mesmo enfrentando o
carroceiro anteriormente ranzinza com um sorriso.
        "Voc  msico?" ele perguntou com expectativa, e Will assentiu,
sorrindo de volta.
        "Um menestrel honesto, meu amigo, fazendo o seu caminho atravs do
frio cortante dessa bela paisagem." Era o tipo de resposta fcil, brincou Berrigan
que tinha treinado ela em mais de duas semanas que eles haviam viajado juntos,
parando no caminho em mais de uma dzia de pousadas e tavernas como esta.
Alguns dos outros clientes moveram-se um pouco mais para perto.
        "Portanto, vamos ter uma melodia em seguida", sugeriu o carroceiro.
Houve um murmrio de assentimento do resto da sala.
        Will considerou o pedido, em seguida, levantou a cabea para um lado
por um momento. Ento, ele levantou as mos aos lbios e soprou sobre eles.
Sorrindo, ele respondeu: " uma noite amarga l fora, meu amigo. Minhas mos
esto perto de congelar."
        "Voc pode aquec-las", outra voz lhe disse. Ele olhou e viu que o
taberneiro tinha sado de trs do bar para colocar uma caneca fumegante de cidra
quente temperada em cima da mesa na frente dele. Will envolveu as mos em
torno do recipiente quente e acenou com apreo quando ele sentiu o aroma da
bebida.
        "Sim. Isto certamente ira funcionar, respondeu ele. O taberneiro piscou
para ele.
        "Em casa,  claro", disse ele. Will assentiu. No era mais do que o
devido. A presena de um menestrel seria garantir que o negcio fosse excelente
na pousada naquela noite. Os clientes ficariam e beberiam mais. Will tomou um
gole longo da sidra, estalou os lbios apreciativamente, em seguida, comeou a
desatar as correias de fixao da caixa mandola. A madeira do instrumento era
fria ao seu toque quando ele a tirou de seu lugar de descanso e afinou o
instrumento por alguns minutos. A mudana repentina do ambiente gelado para o
calor da taverna tinha feito as cordas irremediavelmente fora de sintonia.
        Satisfeito, ele dedilhava um acorde, fez outro pequeno ajuste e olhou ao
redor da sala, atendendo aos olhares dos seus ocupantes cheios de expectativa
com um sorriso.
        "Talvez algumas msicas antes de minha ceia", ele disse para ningum
em particular, em seguida, acrescentou: "Eu suponho que  o jantar?"
        "Sim, de fato, meu amigo", o taverneiro respondeu rapidamente. "A
caarola de cordeiro que minha esposa fez, com po fresco e batatas cozidas
salpicadas".
        Will assentiu. Um acordo havia sido alcanado. "Assim so algumas
msicas, ento a minha ceia e ento mais canes. Qual msica?, ele perguntou.
Houve um coro de aprovao na sala. Antes ele houvesse morrido de distncia,
ele lanou a introduo para Senhorita Pr-do-Sol.
"Senhorita Pr-do-Sol,
Cor da luz do sol em seu cabelo.
A felicidade  a toga que veste.
Eu segui-a em qualquer lugar,
Minha senhora Pr-do-Sol".
        Ele olhou para cima, inclinando-se incentivado para a pequena multido
na taverna como eles se juntaram no coro da cano de amor mais popular do
pas, tocando suas canecas de vinho nas mesas e cantando em voz spera:
 "Espalhe um pouco de luz ao redor,
Senhorita sol.
No  verdade?
Eu amo voc, la da daa da.
Espalhe um pouco de amor ao redor,
Senhorita sol.
Voc  a nica
Que ilumina o sol ".
         Ento, como ele chegou ao segundo verso, fez-se em silncio, deixando-o
a cantar at o refro novamente, quando a sua voz se juntou com a sua mais uma
vez. Desenvolto, saltando a msica um pouco como um novato ideal, como
Berrigan descreveu.
         "No vai ser a melhor cano em seu repertrio," ele disse, "mas 
brilhante e alegre e bem conhecida, e  boa para quebrar o gelo em uma.
Lembre-se, nunca se deve tocar a melhor cano primeiro. Deixe-a para depois."
         Agora, como ia chegando o refro final do quarto verso e os clientes se
juntaram  ele mais uma vez, ele sentiu uma onda de prazer. Ela cresceu dentro
dele enquanto ele soava o acorde final e um clamor de aplausos dos fregueses
invadiu a pousada. Ele teve que se lembrar, e no a primeira vez que este era um
papel, que ele estava brincando  que ele no era realmente um menestrel e seu
objetivo na vida no era realmente os aplausos que soavam to livremente.
Embora s vezes, em momentos como este, era difcil de lembrar.
         Ele fez mais quatro canes para eles. Colheita de Domingo, Jessie na
Montanha, Lembre do Tempo e O Fugitivo Mare, uma cano de estrada com
um ritmo galopante, que fez os punhos e ps baterem por toda a sala. Quando ele
terminou a ltima, ele olhou para o co, deitado com os olhos colados a ele, e a
boca formou a palavra "Drago" para ela.
         No mesmo instante, o co veio para as ancas, jogou a cabea para trs e
latia muito e alto, assim como ele ensinou a fazer na semana que tinha passado
na estrada. Drago era sua palavra de alarme, o sinal para que ela latisse at que
ele lhe disse para parar. Ele a chamou agora.
         "O que  isso, Harley?", perguntou ele. Harley foi outra palavra-chave.
Ele disse que ela tinha feito bem e agora ela podia interromper seu ladrar.
Instantaneamente, ela calou-se, o rabo batendo as tbuas do cho duas vezes no
reconhecimento de que ela tinha jogado O Jogo corretamente. Will olhou para a
multido cheia de expectativa e estendeu as mos em pedido de desculpas,
sorrindo para eles.
         "Desculpe meus amigos. Meu gerente aqui diz que  hora de comer.
Tivemos um longo dia no frio e ela recebe um dcimo do meu salrio e meu
jantar".
         Uma rajada de risos tocou ao redor da sala. Eles eram camponeses e
sabiam reconhecer um co bem treinado, quando viam um. Eles tambm
apreciaram maneira suave de Will de lembrar o taberneiro que a ele era devido
um jantar.
        No demorou muito a chegar. Uma das meninas serviu um prato
fumegante apressada da caarola de cordeiro para a sua mesa. Sem a meno
auxiliar, ela tambm serviu um prato de pedaos de carne, ossos e molho no
cho. Will sorriu seu agradecimento a ela e acenou para o homem por trs do
bar. O taberneiro, ocupado em recarregar canecas para as pessoas cuja garganta
estava seca de cantar, sorriu largamente para ele.
        "Ser que seu cavalo precisa de cuidados, rapaz?" ele chamou, e Will
respondeu, atravs de um bocado de cozido.
        Eu tomei a liberdade de colocar os meus cavalos em seu celeiro,
taberneiro.  uma noite muito amarga para que eles sejam deixados de fora. O
taberneiro acenou com o acordo e Will comeu mais. A caarola de cordeiro
estava deliciosa.
        O carroceiro que parecia to mal-humorado quando ele chegou pela
primeira vez j fez o seu caminho at a mesa onde estava sentado comendo. Will
observou com interesse que ele no se atreveria a sentar-se e penetrar no seu
espao pessoal. Ele j aprendera que em tabernas como esta, as pessoas
ofereciam certo respeito aos Menestris. O carroceiro grande deixou cair uma
moeda de prata na frente de Will.
        "A boa msica, rapaz", disse ele. "Isso  para voc."
        Will, a boca cheia de novo, acenou com agradecimentos. Vrios dos
outros clientes que agora se aproximavam, cada um deixando cair algumas
moedas para o caso mandola aberta sobre a mesa. Ele percebeu que havia muito
poucas moedas de prata entre os cobres e sentiu uma onda de satisfao mais
uma vez.
        "Voc tem uma mo hbil em que alade, meu rapaz", disse um deles.
        " um mandola," Will respondeu automaticamente. "Tem oito cordas,
enquanto um alade..." Ele parou de si mesmo. "Obrigado", disse ele, e sorriu
para ele.
        Quando ele terminou de comer, ele sub-repticiamente sinalizou o co
novamente, definindo seu ladrar.
        "Harley? O que voc disse?" disse ele, e imediatamente o co calou mais
uma vez. " tempo para entreter esta gente?" Ele olhou para os rostos sorridentes
em volta dele, deu de ombros e sorriu para eles. "Ela  um tirano cruel", declarou
ele, pegando a mandola.
        Tocou por outra hora. Canes de amor, canes animadas. Canes
ridculas. E uma em especial que sempre foi a sua favorita, Os Olhos Verdes do
Amor. Foi um assombro, uma balada triste e cantava muito bem, embora a sua
contrariedade, tropeou ligeiramente na linha instrumental no meio oito vezes.
Quando ele terminou, ele notou uma ou duas pessoas limpando seus olhos e
novamente sentiu o prazer que s  conhecido por aqueles que tocam quando
chegam aos coraes de sua platia. Como ele tinha tocado, as moedas tinham
continuado a encontrar seu caminho para a caixa do mandola. Com alguma
surpresa, ele percebeu que no teria necessidade de aprofundar o dinheiro
ambulante que Crowley tinha dado ele. Era mais do que pagar o seu prprio
caminho.
       O taberneiro, que tinha deixado a bancada para uma de suas meninas e
veio para sentar perto de Will, olhou para o relgio de gua que escorria
lentamente em um manto.
       "Talvez um pouco mais", disse ele, e Will assentiu com a cabea
facilmente. Dentro, ele sentiu um aperto no peito. Este foi o momento em que ele
havia construdo ao longo da noite, uma oportunidade para que os moradores
falassem sobre os estranhos acontecimentos no feudo de Norgate. Era uma das
vantagens de ter a aparncia de um menestrel. Berrigan como lhe tinha dito: "As
pessoas do campo suspeitam de estranhos. Mas cantar para eles por uma hora ou
mais e eles pensam que te conhecem todas as suas vidas".
   Agora ele dedilhou uma seqncia de acordes menores e comeou a cantar
uma cano disparate bem conhecido:
"Por um fosso lamacento uma bruxa bbada
em uma voz que era mais grosseiro e grosseira
cantava como um corvo para que as pessoas soubessem
de seu amor para o feiticeiro de olhos cruzados."

       Ele sentiu a mudana na sala no momento em que comeou a cantar. As
pessoas trocaram olhares temerosos. Os olhos estavam abatidos e muitos
realmente se afastaram dele. Ele comeou o coro:

"Oh, o feiticeiro de olhos cruzados foi chamado Wollygelly,
ele tinha flego como uma cabra e uma barriga grande e gorda
e um nariz que... "

        Ele deixou a cauda cano longe, como se percebendo o desconforto
entre os seus ouvintes, pela primeira vez.

       "Sinto muito", disse ele, sorrindo para a taverna. "H algo de errado?"

        Novamente, olhares foram trocados e as pessoas que apenas alguns
momentos atrs estavam rindo e aplaudindo-o agora estavam dispostos a evitar o
seu olhar. O carroceiro grande, obviamente incomodado, disse em um tom
apologtico, "No  o lugar ou tempo para estar tirando sarro dos feiticeiros,
rapaz."
        "Voc no deve saber,  claro," o dono da taverna colocou, e havia um
coro de parecer favorvel. Will permitiu o sorriso se alargar, mantendo sua
expresso o mais inocente possvel.
        "Eu no devo saber o que?", disse ele. Houve uma pausa, ento o
carroceiro tomou a deixa.
        "H coisas estranhas acontecendo neste feudo estes dias,  tudo."
        "E estas noites", acrescentou a mulher, e novamente um coro de acordo
soou. Atrs de sua expresso inocente, inquirindo, Will maravilhou-se com a
viso de Berrigan.
        "Voc quer dizer... algo a ver com os feiticeiros? ele perguntou em voz
baixa. A sala ficou em silncio por um momento, as pessoas olhando com medo
sobre seus ombros e na direo da porta, como se estivesse  espera de ver uma
exploso provocada por um feiticeiro a qualquer momento. Em seguida, o
taverneiro respondeu.
        "No  para ns dizermos o que . Mas h estranhos acontecimentos em
locais estranhos."
        "Particularmente na Floresta Grimsdell", disse um agricultor alto e, mais
uma vez, os outros concordaram. "Estranhas vises, e sons  sons que so
sobrenaturais. Eles gelavam o sangue. Eu ouvi uma vez e isso  suficiente para
mim."
        Parecia que uma vez que sua relutncia inicial fora superada, as pessoas
queriam discutir o assunto, como se provocasse um fascnio que eles queriam
compartilhar.
        "Que tipo de coisas que voc v?" Will perguntou.
        "Luzes, pequenas bolas de luzes colorida movimentando-se atravs das
rvores. E formas no escuro. Figuras que se movem apenas fora do alcance de
sua viso."
        Um pedao de lenha caiu no fogo e Will sentiu os cabelos em seu
pescoo formigar. Essa conversa de sons e formas estava comeando a afet-lo,
pensou. Duzentos quilmetros ao sul, ele poderia contar piadas sobre isso para
Halt e Crowley. Mas aqui, em uma noite escura na terra fria, a neve vinda do
norte, com essas pessoas, parecia muito real e muito crvel.
        "E os guerreiros da Noite", disse o carroceiro. Desta vez, o silncio, caiu
sobre a sala. Vrias pessoas fizeram o sinal para afastar o mal  o carroceiro
considerou todos eles, o rosto vermelho.
        "Oh, acredite em mim, eu o vi bem. S por um momento. Mas ele estava
l."
        "O que exatamente estava?" Will perguntou.
        "Exatamente? Ningum sabe. Mas eu j vi. Ele  enorme. Um guerreiro
de armadura, to alto quanto duas casas. E voc pode ver atravs dele. Ele est l
e depois ele vai embora antes que voc esteja certo que voc realmente tenha
visto ele. Mas eu sei. Eu o vi, muito bem." Seu olhar varreu a sala novamente,
desafiando os outros para dizer que ele estava errado.
        "Isso  o suficiente para falar agora, Barney", disse o taberneiro. "As
pessoas tm um caminho a percorrer para chegar a suas casas esta noite, 
melhor no falar sobre essas questes."
        Desde o murmrio de acordo, Will percebeu que no haveria mais
discusso esta noite. Ele bateu uma corda no mandola.
        "Bem, eu concordo, no  hora de cantar sobre feiticeiros. Talvez
devssemos terminar com uma cerca de um rei bbado e um drago de
escalonamento?
        Logo em seguida, o co latiu outra vez e o humor negro na sala recuou
imediatamente.
        "O que  isso, Harley? Voc concorda? Pois ento,  melhor comear." E
lanou imediatamente:
"Oh, o rei embriagado de Angledart
poderia soprar as velas com um peido.
Mas nunca o mundo conheceu
a coragem em seu corao
at que ele matou o drago Staggering...
Oh, o Drago Staggering tinha quatro patas
e ele voltava cambaleando e derrubando rvores
e ele queimou as por trs de cada vez que ele espirrou
com as chamas do seu hlito de drago!"

       Risos incharam a sala e o humor negro foi dissipado quando Will
estabeleceu o conto do drago batedor de joelhos escalonado e o rei, com graves
problemas digestivos. Ele estava acompanhado pelo co latindo entusiasmado
toda vez que ele cantava a palavra "drago", e que somava-se aos risos.
       Ele nunca o faria no Castelo Araluen, ele pensou, mas certamente fez o
truque aqui na Jarra Rachada.

15

        O vento cessou pouco antes da alvorada, como se soubesse que tinha
feito seu trabalho de limpar as nuvens do cu, e que era hora de seguir adiante. O
dia seguinte amanheceu frio e brilhante e quando Will se agitou do pequeno
cmodo o taberneiro o cumprimentou. O sol da manh adentrando brilhante
atravs da janela da taberna.
        Will agradeceu ao taberneiro pelo bule de caf. A cozinheira serviu um
caf da manh composto de torradas e fatias de presunto frio, mas, como sempre,
era o bule de caf quente que ele mais ansiava. E aparentemente o taberneiro
tinha o mesmo gosto. Ele se serviu com uma caneca e sentou-se de frente a Will,
dando pequenos goles e suspirando apreciativamente.
        Foi uma boa noite a noite passada, ele disse, com uma questo
implcita nas suas palavras. Will assentiu.
        Por falar nisso, Cullum Gelderris  meu nome, uma vez que no
chegamos a fazer as apresentaes na noite passada.
        Will balanou a mo Will Barton, ele disse. O taverneiro concordou
com a cabea vrias vezes como se o nome significasse alguma coisa para ele.
        Sim, foi uma boa noite, ele repetiu. Will bebericava o caf, sem falar
nada. At que finalmente Gelderris chegou ao assunto que estava pensando.
        Hoje a noite dever ser melhor ainda. No fim de semana geralmente
temos uma platia maior. E ser maior ainda se circular a novidade que temos
um bardo na vila. E olhando para Will por sobre sua caneca perguntou, Planeja
ficar aqui mais uma noite?
        Will estava esperando por essa pergunta. Apesar de estar ansioso para
chegar ao Castelo Macindaw, ele sabia que seria melhor permanecer pelo menos
por mais uma noite. Os lucros eram bons em uma vila, como ele pudera perceber
na noite anterior. Se Gelderris estivesse correto, e no havia nenhuma razo para
crer o contrrio, hoje a noite ele poderia ganhar mais. Poderia parecer suspeito se
ele perdesse essa chance de ganhar um dinheiro, ele percebeu. Mas ainda assim,
certa barganha era esperada.
        Eu ainda no decidi, ele disse, Suponho que eu possa seguir adiante.
        E pretende ir para onde? Gelderris perguntou rapidamente. Will deu de
ombros, como se fosse algo que no houvesse grande importncia.
        Talvez para o Castelo Macindaw. Eu ouvi falar que o Lord Syron recebe
muito bem os bardos. Eu suponho que l haja poucas coisas para entreter as
pessoas depois que a neve chegar. Ele acrescentou. Mas Gelderris logo
respondeu.
        Voc no conseguir um bem-vindo de Syron. Ele no falou uma nica
palavra h dois meses ou mais.
        Will franziu levemente, fingindo que no havia entendido. Por que no?
Ele se converteu a uma religio e fez um voto de silencio?, e ele sorriu para que
Gelderris percebesse que estava brincando. Mas no houve nenhum sorriso em
resposta da parte do taberneiro.
        H pouco de religio envolvido ele respondeu, Na verdade h o
oposto de religio.
        No me diga que h magia negra? Will perguntou casualmente, usando
o termo campons para feitiaria. Dessa vez Gelderris olhou em volta antes de
responder.
         o que dizem, ele disse, em voz baixa. Nocauteado, ele foi. Saudvel
como ns dois, num minuto. E de repente, ele estava agonizante, mal
conseguindo respirar, olhos abertos, mas sem ver nada, sem falar nada.
        E os curandeiros, o que eles dizem? Will perguntou. Gelderris
respondeu com escrnio.
        E o que eles sabem? Eles no conseguem explicar a condio dele. Nem
conseguem fazer nada para melhor-la. Ocasionalmente, ele desperta o suficiente
para comer um pouco, mas mesmo assim ele est pouco consciente. E logo a
seguir ele volta de novo ao seu estado anterior de transe.
        Will abaixou sua caneca vazia, pensando em repetir a dose, ento
relutantemente abandonou a idia. Desde que passara a morar sozinho, ele
comeou a se tornar um viciado em cafena, e era hora de moderar o seu
comportamento.
        E isso tem alguma coisa a ver com o que disseram ontem a noite? ele
perguntou. aquele negcio de guerreiro misterioso e tal?
        E de novo, Gelderris hesitou antes de responder. Mas parecia mais fcil
discutir esses assuntos na luz brilhante do dia. Se me perguntarem, eu digo que
sim. Ele disse. As pessoas andam falando que Malkallam retornou  Floresta
Grimsdell
        Malkallam? perguntou Will
        Um Mago Negro. Um feiticeiro. Da pior espcie, aparentemente. Ele
teve uma intensa rivalidade com o ancestral de Syron, h cem anos...
        Cem anos? Will retrucou, com evidente descrena em sua voz, Quanto
tempo um feiticeiro vive, a propsito?
        Gelderris levantou um dedo em advertncia, No seja to rpido em
desacreditar, Ele disse, Ningum sabe quanto tempo um feiticeiro pode viver.
Eu diria que cem anos  muito tempo mesmo. Mas essas coisas acontecendo em
Grimsdell no tm nenhuma outra explicao. Nem a estranha doena de Lord
Syron tem, e o povo comenta que o mesmo ocorreu com o ancestral dele aps ele
ter lutado com Malkallam
        Ento, se esse Malkallam est na Floresta Grimsdell, porque ningum de
Macindaw junta um punhado de soldados e o expulsa? Will perguntou Deve
ter algum no comando depois que Syron ficou incapacitado, no?
        Voc no simplesmente marcha para a Floresta Grimsdell, Will Barton.
 uma mata serrada e uma vegetao rasteira, com trilhas que se torcem e
contorcem entre espinheiros to densos que voc s consegue ver o sol se ele
estiver em pleno meio dia. H tambm o pntano, pise um passo no lugar errado
e voc afundar e nunca mais ser visto.
        Will refletiu sobre o que escutara por um momento. No fim, o taberneiro
estava sendo uma mina de informaes.
        Ento no tem ningum no comando de Macindaw? Ele disse, e ento
acrescentou logo em seguida. Isso no  bom, eu estava esperando passar o
inverno l, ou pelo menos algumas semanas.
        Gelderris franziu os lbios, Oh, voc ir encontrar algum por l. O filho
de Syron tomou conta das coisas. Sujeito estranho  o que ele . Ele acrescentou
sombriamente. Will olhou para ele.
        Estranho, voc diz? Ele falou. E Gelderris assentiu enfaticamente.
        H os que dizem que ele est por trs da doena do pai. Ele  muito
esquivo, muito misterioso. Usa um robe preto, como se fosse monge, entretanto
no  nenhum religioso. Um estudioso, ele se proclama. Mas o que ele estuda, 
o que eu queria saber.
        Voc acha que ele pode ser esse... Will hesitou, como se procurasse se
lembrar do nome, embora ele soubesse muito bem qual era. Malkallam? ele
concluiu. Gelderris ficou um pouco desconfortvel, agora que fora perguntado
diretamente para dizer sua opinio. Ele se mexeu no seu banco.
        Olha, eu no estou dizendo isso. Ele disse finalmente. O que estou
falando  que eu no ficaria surpreso, se fosse isso. O que se fala  que Orman
passa seus dias na sua torre, estudando livros e velhos pergaminhos. Ele pode at
ser o senhor de Macindaw, mas ele no  nenhum lder--guerreiro. Graas a
Deus, Sir Karen est l para cuidar dessas outras coisas.
        Ele ergueu uma sobrancelha a meno desse novo nome. Gelderris no
precisou esperar que ele fizesse a pergunta.
        O sobrinho de Syron--primo de Orman. Ele  um bom guerreiro--
alguns anos mais novo que Orman, mas um lder natural e muito popular entre os
soldados. Eu penso que Syron iria preferir que seu herdeiro fosse Karen, ao invs
de Orman.
        To perto da fronteira com Picta,  necessrio a existncia de um bom
guerreiro no castelo. Will filosofou, e o taberneiro concordou.
        Isso  um fato. Tem mais que um de ns contentes pelo fato de que
Karen est por aqui. Se os Escoceses sonharem que temos um lder to fraco no
comando como Orman, estaramos todos usando saias escocesas e comendo
haggis antes do ms acabar.
         Haggis  um prato tradicional escocs, e consiste em bucho de carneiro
recheado com as vsceras
        Will enrubesceu e replicou Ah, bom, isso  tudo poltica, e est muito
acima do que um homem simples como eu posso entender. E se eu puder
encontrar uma cama e teto no castelo de Orman, e puder ganhar um dinheirinho,
para poder seguir meu caminho, eu fico satisfeito. Mas essa noite,  claro,
passarei no seu castelo.
        Cullum pareceu contente com as novidades. Ele apontou para a chaleira
aquecendo no fogo.
        Por mim pode ser. Aceita mais um caf enquanto est fresco?
        As boas intenes voaram pela janela. Will refletiu que esse servio de
inteligncia dava uma sede danada. Ele pegou sua caneca.
        Por que no? ele disse.

16

         Will saiu atrasado na manh seguinte, sua bolsa um pouco mais pesada
do que quando ele chegou. O taberneiro tinha razo. Depois que a notcia se
espalhou de que havia um bardo na aldeia, as pessoas tinham se reuniram em
torno do campo. A taberna tinha feito um grande sucesso e Will foi mantido
cantando at depois de meia-noite, altura em que havia esgotado seu repertrio, e
foi ter de recorrer  pretenso de que as pessoas lhe pediram para repetir msicas
que ele j tinha feito, era outro truque que Berrigan o havia ensinado.
         Gelderris permaneceu enquanto Will apertou os cintures de Puxo e seu
cavalo de carga. "Uma boa noite", disse ele. "Nos visite novamente quando voc
estiver passando para o sul, Will Barton." Ele no se ressentiu do Will ir embora.
Ele era suficientemente realista para saber que o povo simples do campo no
podia pagar mais de uma noite de gastanas na taberna.
        "Eu vou fazer isso", disse Will, balanando com facilidade para a sela.
Ele estendeu a mo e apertou a mo de Gelderris. "Obrigado, Cullum. Vejo voc
    depois." O taberneiro cheirou o ar mido e olhou incerto para as nuvens no norte
do pas.
        "Voc vai fazer bem para manter um olho no tempo. H neve nas nuvens.
Se comear uma tempestade, se abrigue nas rvores at que ela tranqilize. Um
homem pode perder o seu caminho com muita facilidade em uma Tempestade de
Neve".
        "Eu vou manter isso em mente", disse Will. Ele olhou para as nuvens.
"Veja bem,  provvel que chegue em Macindaw antes que neve." Ele tocou com
o calcanhar do Puxo e o pnei comeou a se mover, o animal de carga seguindo
impassvel atrs. O co passou  frente, de cabea e barriga para baixo, olhando
para trs continuamente para ter certeza de que Will estava seguindo.
        "Talvez", disse Gelderris, mais para si mesmo do que para dar forma de
retirada de Will. Mas ele no parecia convencido. Ele estava certo. Will estava
apenas em um tero do caminho de sua jornada quando os grandes flocos
comearam cair do cu. Ele sentiu a temperatura cair, ento teve um momento
inexplicvel que a temperatura subiu um pouco, sinalizando o incio da neve.
Depois foi caindo, sem qualquer outro aviso. Ele puxou o capuz para cima e
amontoou dentro do calor de sua capa. Ela se intrigava como a neve caindo
parecia amortecer todos os sons, embora talvez isso fosse uma iluso, ele
pensou. Parece lgico esperar que tais objetos grandes fizessem bastante rudo
quando cassem na terra, afinal, voc podia ouvir a chuva quando ela caia.
Talvez tenha sido esta falta de qualquer som de queda que criou a iluso de
silncio total. Claro que, quando a neve no cho cresceu mais profundamente,
abafou o som de cascos dos seus cavalos. Havia apenas o som leve ranger de
folhas secas, os cristais em p a serem comprimidos a cada passo.
        Percebendo que a neve estava se acumulando rapidamente, ele assobiou
baixinho para o co e apontou para o cavalo de carga. O co, de orelhas em p ao
ouvir o som, esperou at que o cavalo estivesse perto, em seguida, levantou-se
para ninho criado para ela no centro da albarda. Foi uma jogada que o cavalo de
carga estava familiarizado agora, e ela aceitou sem nenhum sinal de alarme ou
ressentimento.
        Will cavalgou. A neve estava pesada, mas nem perto de ser uma
tempestade de neve e ele estava confiante de que ele poderia encontrar o seu
caminho com bastante facilidade. A superfcie da estrada poderia ser coberta,
mas o caminho ainda ficaria claramente visvel, cortado entre as rvores como
era.
        De tempos em tempos, houve uma corrida contra galhos que ficavam
muito pesados de tanta neve e caam no cho. Depois, houve uma rachadura
quando uma rvore cedeu, enfraquecida pelo frio intenso e do peso da neve at
que ele cedeu contra seus vizinhos. A cabea preto-e-branco em cima da sela de
carga rosnou ao rudo, orelhas em p, tremendo o nariz.
        "Fcil", Will disse, sorrindo ironicamente. Sua voz parecia estranhamente
alta em seus ouvidos. Ela deu uma pequena fungada e afundou a cabea para trs
em suas patas, fechando os olhos. Ento eles abriram novamente, ela balanou a
cabea naquela maneira dos ces, limpando a neve sua pele. Contente, ela se
tranqilizou novamente.
        O rosto de Will estava gelado, mas o resto dele estava relativamente
quente. No havia vento para cortar atravs do seu vesturio de proteo e a
temperatura abaixo de zero significava que a neve ficou seca, se reunindo em
seus ombros e no capuz, no derretendo e imergindo na capa. De vez em quando
ele jogava o p fora, sorrindo enquanto ele se lembrava do cachorro balanando
a pelagem clara.
        Duas horas depois, ele atravessou um cume e ali, diante dele, estava
Castelo Macindaw. Era uma construo feia e indistinta. A pedra escura de suas
paredes parecia preta contra o branco puro que o cercava. Como era costume, foi
construda sobre uma pequena colina e as rvores da floresta tinham sido
cortadas para trs em todos os quatro lados, impedindo os invasores de se
aproximarem invisveis. Pode ser feio, ele pensou, mas parecia suficientemente
eficaz no projeto. As paredes eram slidas, feitas de pedra e com pelo menos
cinco metros de altura. Torres em cada um dos quatro cantos acrescentaram
poucos metros da altura total, e havia a costumeira torre dominante no centro,
subindo acima das demais. O lado sul guardava o porto principal, com uma
ponte levadia sobre um fosso seco. O fosso, ele notou, no continuava longe
demais ao redor das paredes laterais. Ele assumiu que ele estava ali apenas para
tornar o acesso  entrada principal mais difcil.
        Halt e Crowley haviam lhe havia dito que a guarnio normal consistia
de trinta soldados e meia dzia de cavaleiros montados. Isso seria mais do que
suficiente para segurar as paredes contra qualquer grupo de ataque Escocs,
pensou.
        Ele empurrou para trs o capuz e colocou o chapu de abas estreitas que
Berrigan havia lhe dado. Enfeitado com penas de cisne verdes, o chapu o
marcava como um bardo e deveria garantir a entrada fcil para o ptio do
castelo. Ele apertou firme o chapu e cavalgou em direo ao porto.

17

       Os cascos de Puxo rangeram na tbua pesada da ponte-levadia
enquanto Will andava sob a ponte. O som oco mudou para um rudo agudo
conforme os cavalos pisavam no ptio pavimentado. A rea estava cheia de
pessoas que se deslocando de um lugar para outro, indo sobre suas tarefas de dia-
a-dia. Apenas alguns deles olharam para ele, desviando o olhar quase que
imediatamente.
       Alguma coisa estava faltando, ele pensou. Ento ele percebeu: no havia
nenhum dos barulhos habituais de conversa, nenhuma repentina exploso de riso
ou vozes levantadas de pessoas saudando companheiros, compartilhando uma
piada ou uma histria. O povo de Norgate estava quieto, movendo-se com os
seus olhos baixos, aparentemente desinteressados no que estava acontecendo ao
seu redor. Foi uma experincia estranha para ele. Como um Arqueiro, ele estava
acostumado a chamar a ateno, embora cautelosamente quando ele chegava em
um lugar novo. E nas ultimas semanas como um Bardo ele tinha experimentado
a mesma onda de interesse, embora por um motivo diferente.
        Em um local remoto e isolado como Macindaw, ele esperava ser saudado
com entusiasmo, se no calorosamente. Ele olhou em volta curiosamente, mas
no conseguiu encontrar ningum disposto a encontrar ou segurar o seu olhar.
        Era medo, ele percebeu. As pessoas em Norgate viviam perto de uma
fronteira perigosa. Seu senhor tinha sido atingido por uma doena misteriosa e
havia uma crena distinta entre eles que fora obra de um feiticeiro. No admira
que eles no mostrem interesse ou cumprimentem um estranho chegando a seu
meio. Ele hesitou incerto se ele deveria ou no desmontar. Ento, a pergunta foi
respondida por ele quando um homem rotundo, com uma colar de senescal e
chaves e um olhar de preocupao permanente, surgiu a partir da torre de vigia.
O senescal, basicamente a pessoa que gere o dia-a-dia dos assuntos internos do
castelo para o seu senhor, o viu e moveu-se para ele.
( Um Senescal era um oficial nas casas de nobres importantes durante a Idade
Mdia. No sistema administrativo francs medieval, o Senescal era tambm um
oficial real, encarregado da aplicao da justia e do controle da administrao
nas provncias do sul. )

        "Bardo  voc?" ele perguntou. Foi uma saudao bastante abrupta Will
pensou. Mas pelo menos era uma saudao. Ele sorriu.
        "Est certo, senescal. Will Barton, de lugares no sul, trazendo a minha
pequena medida de prazer para os castelos do norte". Era o tipo de discurso
florido que ele havia sido ensinado a entregar. O senescal assentiu
distraidamente. Will adivinhou que ele tinha muita coisa para distra-lo.
        "Ns podemos usar algum. Tem tido muito pouco para sorrir aqui, posso
lhe dizer."
        "Srio?" Will perguntou. O senescal olhou para ele o avaliando.
        "Voc no ouviu nada dos eventos daqui?" ele perguntou. Will percebeu
que seria tolice tentar fingir ignorncia completa dos eventos. Um artista que
viaja atravs do pas teria ouvido as fofocas locais, como, alis, ele tinha. Ele deu
de ombros.
        "Os rumores, obviamente. O campo  sempre vivo com eles onde quer
que v. Mas eu estou acostumado a descontar os boatos."
        O homem rotundo suspirou pesadamente. "Neste caso, provavelmente
voc pode acreditar na maioria deles", disse ele. "E adicione-as tambm. Voc
dificilmente poderia exagerar a situao aqui."
        "Ento o senhor do castelo est realmente..." Will hesitou quando o outro
homem olhou para cima em advertncia.
        "Se voc j ouviu os boatos, voc sabe a situao", disse ele rapidamente.
"Isso  um assunto que no  melhor discutir muito".
        "Claro", respondeu Will. Ele mexeu-se na sela. Ele estava cansado e
sentia que, incomodado ou no, era a vez do senescal mostrar-lhe um pouco da
normal cortesia. O outro homem viu o movimento e fez um gesto para Will
desmontar.
        "Eu sinto muito. Voc vai entender que eu sou um pouco distrado. Voc
pode colocar seus cavalos no estbulo. Eu presumo que o co est com voc?"
        O pastor da fronteira estava deitado na calada assistindo a conversa.
Will assentiu, sorrindo, conforme ele desmontava da sela, esticando as pernas e
msculos das costas.
        "Ela me ajuda em meu ato", disse ele.
        O senescal assentiu. "Mantenha-a com voc, ento. Voc tem sorte, no
estamos muito lotados, no momento, no que isso seja uma surpresa. Ento voc
pode ter um quarto s para si mesmo."
        Esse foi um desenvolvimento aceitvel. Will estava esperando ser
arranjado em uma das tendas que alinhavam no anexo aos maiores sales do
castelo. Especialmente no inverno, quando voc esperaria normalmente que um
castelo estivesse lotado.
        Sem muitos visitantes, ento? perguntou ele, e o senescal balanou a
cabea.
        "Como eu disse. No que seja uma surpresa. Ns esperamos uma
Senhorita Gwendolyn de Amarle que ficar por aqui uma semana ou duas, ela
est viajando para encontrar seu noivo no feudo seguinte, e solicitou alojamento
at que diminua a neve nas passagens. Mas, alm dela, h apenas o povo normal
do castelo. E h menos deles do que o normal" ele acrescentou sombriamente.
        Will optou por no prosseguir o assunto. Ele comeou a trabalhar para
afrouxar as correias dos dois cavalos. O senescal olhou, em torno dele.
        "Perdoe-me se eu deixar voc fazer isso", disse ele. "A lenha nunca vai
estar empilhada se eu no ver por mim mesmo. Estbulos so mais excessivos
assim". Ele apontou para a direita do ptio. "Uma vez que tenha guardado seus
cavalos, pergunte no castelo pela Senhora Barry, ela  a governanta. Diga-lhe
que eu te disse que voc iria usar uma das salas da torre no nvel trs. Agramond
 meu nome, a propsito."
        Will assentiu em agradecimento. "Senhora Barry", repetiu ele. O senescal
j estava se afastando, gritando para dois trabalhadores do castelo que estavam
lentamente empilhando as lenhas cortadas em uma esquina.
        "Venha Puxo", disse Will. "Vamos encontrar uma cama para voc."
        As orelhas do cavalo de Arqueiro levantaram ao som do seu nome. O
cavalo de carga, plcido e sem imaginao, seguiu Puxo docilmente conforme
Will abria o caminho pelos estbulos.
        Uma vez que os cavalos estavam estabelecidos, Will encontrou a
governanta. Como a maioria das mulheres de sua profisso, ela era uma mulher
robustamente construda e capaz. Ela era educada o suficiente, ele pensou, mas
tinha o mesmo ar de distrao que ele tinha observado em Agramond. Ela
mostrou-lhe o seu quarto de alojamento, bastante normal para um castelo deste
tamanho. Os pisos e paredes eram de pedra, madeira no teto. Havia uma estreita
janela, equipada com uma estrutura coberta translcida escondida para filtrar
metade da luz. Um obturador de madeira estava disponvel para frio severo. Uma
pequena lareira aquecia o quarto e havia uma cama em uma cortina em um canto
da parede. Alguns bancos de madeira e um tapete de assoalho pequeno
completaram os confortos do lar. A pia estava em uma pequena mesa de madeira
contra a parede curva. Will no tinha gastado muito tempo nas salas de torre, e
ele percebeu agora, olhando ao redor, que poderia ser uma tarefa fcil encontrar
mobilirio para atender a uma sala onde a maior parte do muro fosse
semicircular.
         A senhora Barry olhou para a mandola conforme ele a guardava.
         "Voc toca o alade?" perguntou ela.
         " uma mandola, na verdade," ele respondeu. "Um alade tem dez str-"
         "Tanto faz. Imagino que voc estar tocando hoje  noite?"
         "Por que no?" ele disse expansivamente. " uma bela noite para msica
e risos, depois de tudo."
         "Preciosos pequenos risos voc ir encontrar aqui", disse ela
severamente. "Embora eu ouse dizer que poderamos usar alguma msica."
         E com essa nota alegre, ela moveu-se para a porta. "Se voc precisar de
alguma coisa, pea a uma das serventes. E mantenha suas mos para si mesmo.
Eu sei como os bardos so", acrescentou ela sombriamente.
         Voc deve ter uma memria longa ento, Will pensou consigo mesmo
quando ela saiu do quarto. Ele imaginou que muitos anos devem ter passado
desde que um bardo tinha escolhido beliscar aquele amplo traseiro. Ele fez uma
careta para o cachorro, deitado no cho perto da lareira e o observando
atentamente.
         "Um lugar amigvel, hein, menina?" ele disse. Ela bateu a cauda ao som
da sua voz.
         A refeio da noite no salo de jantar do castelo foi um caso sombrio,
presidida pelo filho do Lord Syron, Orman.
         Ele era um homem de estatura mdia, talvez trinta anos de idade, Will
pensou, embora seus traos finos fossem difceis de julgar. Ele estava vestido
com uma tnica cinza escura escolar e seu humor parecia combinar com a cor de
sua roupa. Seu rosto estava plido, e parecia ter passado a maior parte do seu
tempo em ambientes fechados. Juntando tudo no era o tipo de homem para
inspirar confiana em uma comunidade que vive  sombra do medo, como era
Macindaw.
         Ele tomou conhecimento da presena de Will quando ele tomou o seu
lugar na mesa principal no refeitrio. Como era o costume, as mesas estavam
dispostas em forma de T, com Lord Orman e seus companheiros, incluindo
Agramond, na sanefa. Will notou que havia vrios lugares vazios na mesa
principal.
         O resto das pessoas jantando estavam sentados na mesa que compunham
a haste do T, em ordem decrescente de importncia. Will foi colocado um pouco
mais de metade do tronco. Como um Arqueiro, ele, normalmente estaria em um
lugar na cabea da mesa, ele teve de resistir ao impulso automtico para mover-
se em direo a ela. A Senhora Barry, supervisionando a entrega da refeio,
indicou o seu lugar  mesa e ele se viu sentado com alguns arteses e suas
esposas. Ningum falou com ele. Mas ento, percebeu que eles no falavam nem
um com o outro, com exceo dos pedidos murmurou para condimentos e pratos
para ser aprovada.
        Como de costume, Will silenciosamente amaldioou a roupa
extravagante de Bardo que ele usava com suas grandes e fludas mangas. Mais
de uma vez ele conseguiu prend-las no molho passando pratos.
        O padro da comida servida combinava com a atmosfera geral, um
guisado de carneiro simples, com um assado de carne de veado e borracha e
travessas de legumes cozidos, que parecia ter vindo de um longo armazenamento
nos pores.
        A refeio, sem conversa ou desvio de qualquer espcie, logo foi
concluda. Ento Agramond deixou sua cadeira e falou baixinho no ouvido de
Orman. O senhor temporrio do castelo ouviu, fazendo um pouco de careta,
ento olhou pela mesa at que ele encontrou o Will.
        "Acredito que temos o privilgio de ter um artista com a gente", disse ele.
        Se ele se sentia privilegiado, o tom de sua voz certamente no mostrava.
Houve uma aceitao bastante cansada do inevitvel e um inconfundvel ar de
desinteresse em suas palavras. Will, no entanto, optou por ignorar o insulto na
introduo. Ele se levantou e moveu-se ligeiramente afastado da mesa para se
curvar profundamente e acompanhado de muito floreio. Ento ele sorriu
largamente para Orman.
        "Se isso agrada o meu senhor", disse ele, "Eu sou um humilde Bardo com
canes de amor, risos e aventura para compartilhar com voc."
        Orman suspirou profundamente. "Duvido muito que isso v me agradar
de alguma forma", disse ele. Sua voz era nasal e estridente. No total, ele era a
espcime mais inexpressivo, Will pensou, sem uma graa salvadora evidente.
        "Eu suponho que voc tem o repertrio habitual de gabarito do pas,
canes folclricas e burlescas para colocar diante de ns?" continuou ele. Will
pensou que a melhor resposta era se curvar mais uma vez.
        "Meu senhor," disse ele, rangendo os dentes enquanto ele mantinha os
olhos para baixo, e querendo ir at a mesa principal e estrangular o homem de
rosto plido.
        "Sem chance de voc possa saber algum clssico? Alguns das melhores
msicas?" Orman perguntou, seu tom de voz tornando-se bvio que ele sabia a
resposta seria negativa. Will sorriu novamente, desejando que ele tivesse a
habilidade de repente invadir o primeiro movimento do Festival de Saprival de
Interpretaes.
        "Eu lamento, meu senhor, que eu no sou treinado em clssicos", disse
ele, com um sorriso. Orman acenou uma mo desconsiderando.
        "Como pensei", ele disse pesadamente. "Bem, ento, acho que temos de
suportar o inevitvel. Talvez o meu povo v encontrar alguma alegria em seu
desempenho."
        Provavelmente no aps essa introduo, Will pensou conforme passava
a ala do mandola sobre sua cabea. Ele hesitou, olhando ao redor da sala, vendo
a expresso impassvel de todos os presentes. Acho que estou prestes a aprender
o que  morrer no palco, ele pensou, quando ele puxou a cano de abertura Katy
Venha e Me encontre, um carretel animado de Hibernia. Era uma cano segura
para ele, uma das primeiras que ele tinha aprendido, e a abertura de passagem
instrumental era simples, mas agitada.
        E, claro, ainda fervendo de raiva da atitude de Orman, ele conseguiu
estrag-la totalmente, tocando de mo fechada de maneira que teve de abandonar
a linha da melodia e dedilhar os acordes em seu lugar. Seus ouvidos queimaram
com vergonha quando ele arou obstinadamente atravs da cano, erro atrs de
erro, perdendo notas seguidas. Ele terminou com uma nota frustrada na cadeia do
baixo que resumiu a inpcia do desempenho total.
        Um silncio insensvel cumprimentou-o por aquilo que parecia minutos.
Ento, a partir do fundo do salo veio o som do toque de aplausos.

18

        Will se virou para olhar. Um grupo de cinco homens, vestidos com
roupas de caa, tinha entrado na sala enquanto ele cantava. Agora, eles
aplaudiram, encorajados por aquele que era, obviamente, o seu lder.
        Corpulento e musculoso tinha um rosto bonito e um largo sorriso. Ele
mudou-se para o corredor agora em direo a Will, continuando a bater palmas
quando ele se aproximou. Ento ele estendeu a mo em saudao.
        "Bem feito, bardo, particularmente tendo em vista a recepo fria que foi
dada a voc!"
        Will tomou a mo que lhe foi oferecida. O aperto de mo era firme, e
sentiu a mo dura e calejada. Will sabia o que sentia. Era a mo de um guerreiro.
        "Qual  o seu nome, bardo?" disse o homem. Ele era mais alto do que
vontade e parecia estar na casa dos trinta. Ele estava bem barbeado, com o
escuro, cabelos encaracolados e olhos castanhos animada. Seus quatro
companheiros se ligeiramente atrs dele. Guerreiros, bem como, Will observara.
        "Este  Will Barton, meu senhor." A qualidade da roupa do homem que o
deixou em dvida se era este o homem correto. O ttulo foi recebido com risos,
no entanto.
        "No h necessidade de cerimnia aqui, para o nome de Will Barton. Sir
Keren talvez em ocasies formais, mas bom, Keren talvez tenha tempo suficiente
com qualquer outro". Ele virou-se para cima da mesa, erguendo a voz, se
dirigindo a Orman.
        "As desculpas para a nossa chegada tardia, o primo. Confio que h ainda
alguns restos de comida que deixou para ns?"
        Will pensava em Keren, recordando o nome. Ele era sobrinho de Syron e,
todos os relatrios diziam que, eles foram a uma explorao do castelo juntos na
ausncia do Senhor. Ele disse que era um guerreiro capaz e um bom lder. E, se
as primeiras impresses foram qualquer coisa menos isso, ele era um caldeiro
com peixes totalmente diferentes de seu primo.
        Orman estava falando agora, o desgosto em sua voz era bvio. "O salo 
usado para suas mal-educadas chegadas tardias, at agora, primo", disse ele.
Keren olhou para trs  vontade e deu-lhe um sorriso cmplice, acompanhado
por um aumento vil das sobrancelhas.
        "Se voc tomar o seu lugar, eu vou mandar os servos trazerem comida",
Orman continuou.
        Obviamente, os lugares vazios na mesa principal foram destinados Keren
e seus companheiros. Mas Keren acenou a sugesto de lado.
        "Vamos ter lugares definidos aqui", disse ele, indicando o fim da tabela
por Will. "Ns gostamos de comer enquanto toca algumas msicas Will Barton.
Faz tempo desde que um pouco de diverso soprou atravs destas paredes
velhas", acrescentou, com um brilho nos olhos. "Vamos ouvir algo animado,
Will voc conhece Old Joe por acaso?
        "Na verdade sim", respondeu Will. Ele estava feliz que ele tinha passado
a semana anterior, praticando as palavras corretas para a cano. Ele estava
confiante, agora que ele no iria cometer o erro de mencionar "Halt Graybeard".
Porque, afinal, era um nome famoso em todo o reino e isso no faria bem para
sugerir que ele tinha qualquer ligao com o lendrio Arqueiro.
        Foi incrvel a diferena que um pequeno grupo de ouvintes interessados
podem fazer. Quando ele comeou a melodia ondulante, seus dedos estavam
seguros e confiantes. Keren e seus amigos e aplaudiram, juntando-se ao coro e,
gradualmente, assim fizeram os outros na sala.
        No Orman,  claro. Como o aplauso para Old Joe, Orman desapareceu,
Will ouviu o barulho de uma cadeira raspando de volta  mesa alta. Ele olhou em
volta para ver o senhor do castelo sair por uma porta lateral, com o rosto definido
em uma carranca.
        "Bem, isso aliviou o clima!" Keren disse alegremente. Will que no tinha
certeza se ele estava se referindo  cano ou sada do seu primo. "Vamos ouvir
uma outra, o que todos dizem?"
        Ele olhou ao redor da mesa de seus companheiros. Por um momento
houve pouca resposta de nenhum deles. Keren inclinou para frente. Seu sorriso
aumentou e ele falou um pouco mais alto.
        "Eu disse, vamos ter outra. O que todos dizem?"
        Houve um aumento sbito de entusiasmo  medida que coro o seu
acordo. Keren parecia ser extremamente popular entre seus seguidores. Tudo o
que ele queria, eles pareciam felizes para ir junto com ele. Mas certamente no
estava reclamando. Aps comentrios desdenhosos, Orman, iria fazer uma
mudana agradvel para ter uma platia entusiasmada.
        Ele sorriu em torno de si e os dedos flexionados experimentalmente. A
noite ia ser melhor do que ele esperava, ele pensou. Muito melhor.
        A noite continuou por mais uma hora e meia. Ento as pessoas
comearam a ir para suas camas. Will, satisfeito com o seu trabalho  noite, as
pessoas lotaram a mandola e estava pronto para segui-los quando Keren deteve.
O sorriso alegre tinha desaparecido e seu rosto era srio quando ele apertou o
antebrao Will.
        "Estou contente de ver voc aqui, Will Barton," disse em um tom baixou.
"As pessoas aqui precisam de algum desvio de seus problemas. Deixe-me saber
se h alguma coisa que voc precisa enquanto estiver conosco."
        "Obrigado, senhor Keren," Will comeou, mas a mo apertou seu brao
um pouco mais duro e ele lhe foi dada a indicao, "Keren, ento. Eu vou fazer
tudo que posso para levantar o nimo do povo." Keren deu outro sorriso e
iluminou-se novamente.
        "Tenho certeza que voc vai. Lembre-se, se voc precisar de alguma
coisa, basta perguntar."
        E com isso, ele levou seus companheiros a distncia.
        De repente, cansado com a decepo que todos os artistas se sentem
depois de uma noite de sem muito sucesso, Will marchou lentamente at as
escadas para o quarto. O co o cumprimentou com um olhar interrogativo e
batendo de costume sua cauda.
        "No  uma noite ruim", disse ele. "No  mau de todo. Voc pode
trabalhar comigo amanh."
        Ela deixou cair o nariz para as patas e os olhos fixos no dele. Aqueles
olhos constantes realizaram uma mensagem inequvoca para ele.
        "No, no ?" disse esperanoso. "Certamente voc poderia esperar at
de manh?"
        Os olhos eram inabalveis e suspirou suavemente. Ele empenhou a sua
faca de saque e puxou o casaco preto-e-branco em torno de seus ombros.
        "Tudo bem", disse ao co. Vamos L
        Ela estava agachada obedientemente atrs dele para fazer o seu caminho
e descer as escadas para o ptio do castelo. Era uma noite fria e clara, com uma
pitada definitiva de geada no ar. Acima dele, as estrelas brilharam para baixo,
enquanto um quarto de lua estava baixa no leste.
        Revivido pelo ar frio, ele respirou profundamente, olhou ao redor do
ptio. Havia bastante luz das estrelas e da lua para lanar sombras definitivas em
todo o quintal e ocorreu-lhe que esse tempo pode ser to bom quanto qualquer
um olhar ao redor da vizinhana.
        A pulverizao fina de neve fresca sobre as pedras rangia sob as botas
quando ele fez o seu caminho para o porto traseiro ao lado da ponte levadia
macia. Uma das sentinelas estava parada enquanto ele fazia o seu caminho para
o posto ao lado do porto.
        "Por que est aqui fora, Bardo?" ele perguntou. Sua maneira no era nem
amigvel, nem hostil.
        Will que deu de ombros. "No consigo dormir", disse ele. Ento,
apontando para o cachorro, E ela est sempre pronta para uma caminhada."
        A sentinela levantou uma sobrancelha para ele. "Este no  um bom lugar
para ir caminhar  noite", disse ele. "Mas se voc quer ir, seria melhor ficar
longe da Floresta Grimsdell".
        "Floresta Grimsdell?" Will disse, assumindo um tom ligeiramente
divertido, ctico. "No  que, quando os Vampiros e fantasmas se renem?" Ele
sorriu alegremente para o sentinela para que ele saiba que tais supersties pouco
significavam para ele. A sentinela balanou a cabea.
        Ria se quiser. Mas um homem sbio lhe daria um grande conselho.
        "Bem, ento talvez eu v", disse Will, soa totalmente falso. "Onde  que
est exatamente, para que eu possa me certificar de que ficar longe dela?"
        Houve uma longa pausa, enquanto o soldado olhou para ele,
reconhecendo a sua descrena e refrear um pouco no ridculo subjacente
palavras, o menestrel. Bardos, ele pensou, so sempre to inteligentes to rpidos
com as piadas sobre as coisas. Finalmente, ele apontou para a esquerda.
        " nesta direo", disse ele, segurando sua raiva. "Cerca de um
quilmetro. E voc vai saber quando voc v-lo, acredite. Vou deixar as
sentinelas na parede, sei que voc saiu", ele acrescentou, "no caso de voc
conseguir voltar."
        E, sentindo que ele teve a ltima palavra, ele abriu o porto pequeno ao
lado da ponte levadia, permitindo Will e o cachorro passar. O porto bateu e
fechou atrs de si, e Will ouviu os parafusos se trancarem, quase que
imediatamente. Num pas como este, no se deixava as portas abertas por mais
tempo do que o necessrio quando o sol estava baixo.
        Pela mesma razo, a ponte levadia macia foi para cima. No seria
baixada novamente at depois do nascer do sol. Mas havia um caminho por uma
ponte de acesso sobre o fosso que protegia deste lado do castelo. Will o cruzou
facilmente, o co um pouco menos. Ele havia notado antes que ela no gostava
da sensao de incerteza debaixo de seu p.
        Ele olhou para o castelo, uma massa preta acima dele. Ele podia ver uma
ou duas formas escuras movendo-se sobre as ameias e achou que estes seriam os
guardas noturnos.
        Resistindo  tentao de onda, ele bateu para fora na direo que a
sentinela tinha indicado. O co seguiu-o em seguida. Quando ele estalou os
dedos e disse que a palavra "Livre", ela seguiu a frente, andando em um amplo
arco de cerca de vinte metros  frente de Will, para parar e cheirar novos
aromas, arrumar uma orelha para novos sons, mas continuamente verificava de
volta para certificar-se que Will que estava seguindo.
        Havia uma beleza selvagem ao campo sob a sua cobertura de neve. A
estrada tinha apenas a fina camada que havia cado naquela noite. Mas nos
campos e rvores  beira da estrada, a neve ainda estava grossa e pesada das
quedas anteriores. Will sempre amou a viso de uma nevasca  noite e ele andou
sobre ela contente, pensando sobre os acontecimentos da noite em foco total nos
personagens do Senhor Orman e seu primo.
        Gradualmente, o campo aberto e os campos limpos comearam a dar
lugar a rvores e arbustos que invadiam mais perto da estrada. Era escuro aqui,
sem os campos e sua cobertura de neve que refletem a luz ambiente, e Will
sentiu uma sensao de algum o pressionando. Seguindo-o. Observando-o. Ele
soltou a faca Saxnica em sua bainha e tocou o cabo da faca jogando por trs do
pescoo. Ele disse a si mesmo que este no era nada a ver com superstio. Era
apenas o bom senso em um pedao potencialmente perigosos do pas. Ele notou
que o co questionador havia cado em um arco mais estreito do que antes. Ela,
obviamente, preferiu limpar o cho tambm. Mas ele argumentou que ela teria
sentido qualquer emboscada  frente deles para dar-lhe aviso, assim ele
continuou.
       E encontrou-se na borda da Floresta Grimsdell.

19

        Grimsdell Wood apareceu, no havia outra palavra para isso. As rvores
aqui eram mais altas, mais escuras e mais compactadas. As sombras sob elas
eram densas e impenetrveis. A madeira era escura e parecia determinada a
esconder seus segredos de estranhos.
        A sentinela estava certa, ele pensou. Ele sabia disso quando a viu. Ele
caminhou lentamente ao longo da borda das rvores, estalando os dedos uma vez
para trazer o co de volta ao lado dele. Suas orelhas eram picadas, ele percebeu,
e seus olhos varreram dele para a madeira e de volta, quando ela percebeu que
sua ateno foi concentrada.
        Ento os nimos se exaltaram e ela resmungou baixinho, o seu olhar
rebitado para um lado. Will olhou naquela direo, mas no momento no viu
nada atravs do emaranhado de rvores e da vegetao rasteira. Ento, ele caiu
em um agachamento e por um momento vi um tnue brilho vermelho que se
deslocava entre as sombras. S por um momento. Em seguida, ele foi embora.
Ele sentiu os cabelos arrepiarem na parte de trs do seu pescoo como ele fosse
se erguer mais uma vez. Ele balanou a cabea e riu baixinho.
        " uma luz", disse a si mesmo. "Nada mais".
        Ela rosnou novamente, e desta vez viu o movimento com canto do olho.
Um brilho azul esse tempo que parecia incendiar brevemente as copas das
rvores e depois desapareceu. Ele no tinha certeza se ele tinha visto, mas o
comportamento do co confirmou que ele tinha.
        Em seguida, a luz vermelha estava de volta, veio mais uma vez e foi
novamente antes que ele pudesse focar-lo claramente. Desta vez foi em uma
parte da madeira de vrias centenas de metros de onde tinha aparecido. Will
sentiu seu corao bater mais rpido, e suas mos deixaram cair a faca Saxnica
mais uma vez.
        "Venha, menina", disse ele. "Deve haver um caminho por essa madeira
em algum lugar."
        Ele encontrou uma cerca trinta metros mais adiante. Era estreita e
tortuosa, com espao suficiente apenas para um homem. Talvez fosse uma pista
de jogo. Ou talvez tivesse sido feita pelo homem. De qualquer maneira, ele
avanou na madeira, o co se movia um ou dois passos  frente dele, de cabea
baixa, o nariz para o cho.
        Depois de vinte passos, Will olhou para trs e j no podia ver o caminho
para sair da madeira. O caminho torcido tanto de vegetao rasteira e trepadeira
e rvores to intimamente entrelaadas que o seu mundo tornou-se confinado a
um espao de poucos metros. Ele continuou com a mo ainda no cabo da faca
Saxnica. Os anos de formao de Arqueiro significavam que ele movia-se com
praticamente nenhum som e agora ele comeou instintivamente a usar os padres
de sombra como cobertura para seu movimento. No havia nenhum outro sinal
de luzes entre as rvores. Talvez, pensou ele, os portadores de luz tinham se
assustado quando entrou para a madeira. O pensamento foi um pouco mais
relaxado. Talvez ele no fosse o nico nesta madeira se sentindo nervoso. Ele
sorriu para o pensamento e segui em frente. Ento comeou a sussurrar.
        Foi mesmo no limite da audio, de modo que no primeiro ele no estava
totalmente certo de que ele poderia realmente ouvir algo. Ento, ele pensou que
talvez fosse o vento atravs das folhas, exceto que no havia vento. Foi um
sussurro quase imperceptvel, que parecia vir de toda parte e em lugar nenhum.
Ele olhou para o co. Ela tinha parado uma pata levantada, cabea inclinada para
um lado, escutando. Ento, o som estava l. Mas foi impossvel determinar de
onde veio, e que tornou impossvel distinguir se era vozes ou apenas um som.
Ele subia e descia bem na borda de seus sentidos, por vezes, abafados pelo som
acelerado de seu prprio corao, s vezes se tornando quase clara, quase
compreensvel. E ento, no meio da resmungando indeterminado, comeou a
fazer as palavras individuais.
        Desagradavelmente palavras evocativas. Certa vez, ele pensou que ouviu
claramente uma voz dizer: a dor. E ento o murmurar morreu at que ouviu, ou
pensou ter ouvido a palavra morte. E do sofrimento, da escurido e do terror.
Ento mais sentido sussurrando, sem palavras.
        Ele olhou para o co novamente. Ela manteve-se alerta, mas as prprias
palavras,  claro, no tinha qualquer significado para ela. Ela estava apenas
reagindo ao som. Sua mente voltou ao terror que sentira anos antes, quando ele e
Detiver e Jean estava caando as feras Kalkara atravs da plancie solitria.
Ento, como agora, o terror de sons desconhecidos tinham o apreendido e
ameaavam esmag-lo. Mas ento, ele contou com a presena tranquilizadora de
Halt para dominar os seus medos. Agora, ele s tinha a si mesmo.
        Ele tomou uma respirao profunda. A faca Saxnica fez um assobio
suave como ele caiu da bainha lubrificada e ele disse, de forma clara e firme,
para as sombras em torno dele: "Ao".
        O sussurro parado. O co olhou para ele. Abanou o rabo uma nica vez.
Sua tremedeira abaixou e ele se sentiu melhor. Enfrente seus medos, Halt sempre
havia lhe ensinado, e mais frequentemente do que no vai desaparecer como
nvoa ao sol. Sussurrar e as palavras eram uma coisa, pensou. Tem a afiada, faca
pesada Saxnica era outra completamente diferente. Mais prtico. Mais real.
Mais atraente. E bem mais perigoso.
        "Chumbo sobre, co. Vamos encontrar esses murmuradores". Ele
apontou para o animal para continuar. Ele seguiu alguns passos atrs dela;
confiante em sua capacidade de perceber o perigo.
        Foi assim que ele deixou sua liderana. Caso contrrio, ele poderia ter
caminhado em linha reta as guas negras do simples fato de repente apareceu
como uma curva.
        O caminho contornou a sua vantagem para a direita. Conjunto entre as
rvores era uma extenso de gua preta trinta metros de dimetro. Na sua borda,
a rvore trepadeira arrastou para a gua e inclinou-se para reunir-se mutuamente,
alguns to alto que quase tocava as mos com seus vizinhos em frente, para que
no houvesse cu claro apenas acima do centro do lago. Vapor subiu de
superfcie da gua, torcendo em coroas de nvoa fina, que se dissipou como eles
subiram para as rvores. Bolhas se romperam na superfcie onde estava
apodrecendo a vegetao abaixo. Ou quando alguma criatura grande respirou,
pensou. Do outro lado da gua, em frente onde ele estava o nevoeiro parecia
estar mais grossa, formando o que era mais uma cortina. Ele parou de estudar o
fenmeno, querendo saber por que a neblina deve ser mais grossa nesse ponto
um. O co caiu para a barriga, observando-o atentamente, pronto para passar ao
largo, quando ele comeou a andar novamente.
        Ento, em um momento de parar o corao do terror absoluto, uma figura
gigantesca apareceu saindo da nvoa, alto eleva-se acima do simples, parecendo
a subir a partir da gua negra em si. Aconteceu to depressa quanto isso. Um
momento no havia nada, ento, num piscar de olhos, o valor era de l,
totalmente formada. Enorme e ameaador, negros contra a nvoa, uma sombra
de um guerreiro gigante de armadura antiga, cravada, com um capacete alado
macio em sua cabea. Devem ter sido doze metros de altura, pensou que ele
estava enraizado ao ponto de horror. O capacete era um desenho de rosto inteiro,
mas onde os buracos para os olhos estavam trespassado, no havia espao vazio.
        A figura parecia tremer um pouco e por um momento medonho ele
pensou que estava se movendo em direo a ele. Ento ele percebeu que era
simplesmente o movimento da cortina de nevoeiro. Corao de Will dava
marteladas dentro de suas costelas, e sua boca estava seca, com medo. Esta no
era uma figura mortal, que ele conhecia. Isso era algo do outro lado, do mundo
escuro da feitiaria e magias. Instintivamente, ele sabia que nenhuma de suas
armas poderia prejudic-lo. Foi profundo e parecia ecoar ao redor do lago negro,
como se ele fosse ouvir isso de alguma caverna vasta do que a floresta aberta.
        "Cuidado, mortal!" ele cresceu. "No desperte a sombra do Guerreiro da
Noite. Saiam daqui agora, enquanto vocs ainda so capazes!" O co saltou para
os ps dela ao som da voz macia. Um rosnado ressoou na garganta e Will a
acalmou em uma voz que era longe de estvel.
        Fique, menina!, Ele grunhia, e parou de rosnar. Mas ele podia ver que o
rufo no pescoo havia levantado em uma reao primitiva de raiva ou medo. Ele
podia sentir os plos em seu prprio pescoo de p em p, na mesma maneira.
Do outro lado do lago, a neblina parecia engrossar era figura aterrorizante
parecia crescer mais e mais substancial, como se estivesse puxando energia da
neblina. Desta vez, quando ele falou, a voz era ainda mais alto do que antes. "V
agora enquanto eu conceder-lhe a chance! Saia!"
        A ltima palavra ecoou em todo o simples e vai encontrar-se
involuntariamente se movendo para trs a maneira que ele tinha vindo, se afastar
do Lago Negro e o guerreiro infernal. Ele tropeou em uma raiz de rvore, olhou
para baixo para se recuperar e, em seguida, como ele olhou para cima, a
Guerreiro da Noite tinha desaparecido.
        Em um instante, como uma vela apagada. Ele olhou com medo em torno
do simples, perguntando se o guerreiro podia reaparecer em algum lugar mais
perto. Ento a voz veio novamente. Foi baixa neste momento, nem perto do
volume do original, e desta vez no havia palavras. Apenas uma risada,
profundamente ameaadora. Will perdeu sua ltima reserva de coragem. "Venha,
menina!" ele chamou e, voltando-se, correu cegamente para fora do Grimsdell
Wood, o co deslizava por ele para liderar o caminho para onde se podia ver o
cu claro e a sobrecarga de estrelas brilhantes. S ento Will interrompeu a
corrida. A respirao saa em nuvens de vapor irregular no frio, enquanto seu
corao batia em tempo duplo. Ele esperou alguns minutos, at que sua
respirao voltasse a um ritmo mais constante e natural.
        Quando chegaram  vista, a massa negra do Castelo Macindaw parecia
acolhedor e confortvel para ele. A queima da tocha pelo porto traseiro era um
farol de segurana e correu em direo a ele, ansioso para estar dentro das
paredes.

20

        Will dormiu mal todo o resto da noite, como era de se esperar. Seu sono
era irregular e desigual, povoado por sonhos do gigante Guerreiro Noturno. Foi
somente em direo a madrugada que ele conseguiu cair em um sono profundo e,
inevitavelmente, pouco depois que ele tinha, ele foi acordado pelos sons da
manh subindo no castelo.
        Ele ficou deitado por um momento na cama, pensando se ele realmente
tinha visto e ouvido a figura terrvel na noite anterior. Por um minuto ou dois, o
seu crebro confuso pelo sono, pensou que poderia ter sido um pesadelo.
Levantou-se, esticando os membros rgidos e os msculos, percebendo que todo
o seu corpo tinha ficado tenso enquanto ele dormia. O co, com o queixo nas
patas e barriga para baixo sobre as lajes quentes por brasas de fogo, inclinou seus
ouvidos para ele e bateu sua cauda duas vezes em saudao.
        Est tudo certo para voc disse ele melancolicamente. Voc no tem
idia de como aterrador foi ontem  noite." Abriu as venezianas e olhou para o
novo dia. O dia estava brilhante e ensolarado, a luz da manh cintilando fora do
campo coberto de neve envolvente de Macindaw. O treinamento e a disciplina
exigiam que ele devesse ter tempo para analisar os acontecimentos da noite
anterior, enquanto eles estavam frescos em sua mente, tentando encontrar
alguma explicao lgica para eles. Aps a anlise de dez minutos, ele chegou 
relutncia concluso de que ele tinha visto a figura. Ele tinha ouvido a sua voz. E
ele tinha sido aterrorizado como nunca antes. A luz do dia no trouxe nenhuma
explicao lgica, nenhuma soluo fsica. Havia algo terrvel na Floresta
Grimsdell. Ele soltou um longo suspiro. Pensou novamente nas instrues de
Halt, e sua opinio de que, em noventa e nove casos em cada cem, no havia
uma explicao para tais fenmenos.
        "Acho que vou ter que voltar l e descobrir o que " Will disse
calmamente.
        No surpreendentemente, ele tinha pouco apetite quando ele foi para o
caf da manh no refeitrio. Mas ele conseguiu empinar a um par de rolos
quentes, recheando-os com uma conserva feita de framboesas, e pelo tempo que
ele estava no meio do seu segundo copo de caf seus nervos abalados foram
quase de volta no lugar. No procurando companhia, ele se sentou sozinho em
uma das longas mesas no salo, ficando longe dos pequenos grupos que
agrupavam juntos, conversando calmamente sobre o caf da manh. Foi l que o
menino de recado o encontrou.
         "Bardo?" ele disse friamente. Ele era velho para um menino de recado.
Ele deve ter sido em seus quarenta anos, o que significava que tinha encontrado
nenhum favor a todos nos olhos de seus superiores. A maioria dos rapazes
empregados como meninos de recado em um castelo moviam-se para posies
como escudeiros ou assistentes para os mestres. Aqueles que no eram
geralmente preguiosos, truculentos ou estpidos. Ou todos os trs. Sua prxima
instruo decidiu Will que a quarta opo era a correta. Quando ele olhou para
cima de sua xcara de caf, o menino de recado continuou.
        "Veja o Senhor Orman s 10 horas em ponto."
        Ele se virou e se afastou. Por um momento, Will estava tentado a chamar
o menino de recado novamente e dar-lhe um sarrafo pela sua falta de boas
maneiras. Como um Arqueiro, ele estava acostumado a ser tratado com respeito.
        Ento ele percebeu que no era um Arqueiro no momento. Ele era um
bardo. Tristemente, ele decidiu que o desprezo indisfarvel de Orman para
menestris deve ter passado para alguns de seus funcionrios.
        Havia um relgio de gua na sala de jantar e ele viu que ele tinha mais
uma hora antes de sua entrevista com Orman. Perguntou-se brevemente por que
o senhor do castelo queria v-lo. Seu pensamento imediato foi que tinha algo a
ver com os acontecimentos na Floresta Grimsdell, mas depois percebeu que isso
era provavelmente a sua imaginao trabalhando todo o tempo, ento Grimsdell
era sempre o primeiro pensamento em sua mente.
        Mais provavelmente, ele pensou, Orman queria v-lo sobre a cena mais
cedo com seu primo Keren. Quanto mais ele considerava isso, mais ele sentia
que era o caso. Orman foi constrangido na frente de toda a assemblia. Chances
eram que ele estaria pronto para descontar a sua raiva em Will, e ele enfrentava a
perspectiva filosoficamente. No havia nada que pudesse fazer sobre isso, ento
no valia a pena se preocupar com isso. Mas ele percebeu que teria de trilhar um
caminho de cuidado no futuro. No havia nenhum ponto em alienar o senhor do
castelo, no importando o quo desagradvel ele pode ser.
        Ele passou o tempo em uma pequena biblioteca do castelo, situada em
uma das torres dos cantos, caando atravs das prateleiras empoeiradas de livros
e pergaminhos para ver se havia qualquer referncia nas histrias locais sobre o
Guerreiro Noturno, e olhando de forma aleatria para os volumes de feitiaria e
feitios. Em ambos os casos, ele ficou de mos vazias. Havia apenas um pequeno
volume de feitiaria, apesar de ter notado vrios espaos vazios nas prateleiras
ao lado dele. E os poucos relatos fragmentados de histria local que ele
encontrou no mencionava nenhum Guerreiro Noturno. Frustrado e distrado
com a memria de sua reao no bosque na noite anterior, ele fez o seu caminho
para a sute do Senhor Orman, no quarto andar da torre de vigia.
        O secretrio de Orman, um homem pequeno com uma cabea careca
exceto por tufos de cabelos brancos acima de ambos os ouvidos, olhou para cima
quando ele entrou na ante-sala. Ele lembrava Will de um esquilo careca, a
cabea se movendo rapidamente de um lado para outro, como se fosse para ver
melhor.
        "O Senhor Orman queria me ver", disse ele brevemente. Ele no viu
nenhuma razo para se apresentar ao secretrio.
        "Aaah sim, sim, o bardo, no ? Por aqui ento. Senhor Orman esta livre
no momento."
        Ele levantou-se atrs de uma mesa que estava carregada de papelada,
pergaminhos meio-enrolados e livros grossos, e bateu na porta macia que
levava a cmara de Orman. De outro lado, Will ouviu a fina resposta de voz
nasal.
        "Venha".
        Gesticulando para Will seguir, o secretrio abriu a porta e entrou. Orman
estava perto da janela, olhando a vista do jardim do castelo abaixo. Era uma sala
grande, mesmo de dia iluminada por velas e lanternas de leo colocadas em
pontos estratgicos. Uma lareira em um canto da sala aquecida a sala que era
forrada com estantes de livros e pesados armrios de madeira. Um deles estava
aberto e que viu uma exposio de pergaminhos dentro. Orman tinha uma
reputao de estudioso, ele pensou. Seu quarto certamente parecia refletir isso.
        "O bardo, meu senhor", disse o secretrio, indicando Will. Orman
afastou-se da janela e estudou Will por vrios segundos sem falar.
        "Isso  tudo, Xander", disse ele, e o secretrio inclinou-se e saiu
calmamente, fechando a porta atrs dele. Orman, ainda estava estudando Will
com os olhos arregalados, sentado em uma mesa ao lado da janela. Havia duas
outras cadeiras da mesa, mas ele no fez nenhum sinal para Will pegar uma,
ento ele ficou de p. Ele podia sentir a cor montando em seu pescoo em
resposta ao tratamento arrogante do senhor do castelo. Esforando-se para olhar
casual, Will desviou o olhar de Orman, permitindo que o seu olhar vagasse pela
sala, vendo as pilhas de livros abertos e papis sobre a mesa enorme contra uma
parede interna.
        "Meu primo Keren  uma influncia perturbadora", Orman disse
finalmente. "Voc faria bem em lembrar isso no futuro."
        Will disse nada, mas curvou-se em aquiescncia. Portanto, sua previso
estava certa. Orman pareciam esperar qualquer resposta e prosseguiu.
        " fcil ser popular` quando voc no tem responsabilidades,  claro. E
h aqueles neste castelo que gostariam de ver Keren no comando..." Ele hesitou
e Will teve a estranha sensao de que o outro homem quase esperava que ele
comentasse. Ainda assim, ele calou-se.
        "Mas ele no est", continuou Orman. "Eu sou a autoridade aqui.
Ningum mais. Entendido?"
        As ltimas palavras foram quase cuspidas, com uma intensidade que
surpreendeu Will. Um pouco surpreso, ele conheceu o olhar quente com raiva do
outro homem e se inclinou.
        "Claro, meu senhor", respondeu ele. Orman assentiu com a cabea uma
ou duas vezes, em seguida, se levantou da cadeira e comeou a andar pela sala.
        "Ento, pense suas maneiras no futuro, bardo. Vou ser tratado com o
respeito que exige a minha posio. Eu posso ser s o senhor temporrio deste
castelo, mas eu no serei prejudicado por voc ou por Keren. Entendido?"
        "Sim, Senhor Orman," Will disse uniformemente. Ele estava intrigado.
Ele tinha a estranha sensao de que, apesar da sua ira, Orman parecia ser quase
implorando respeito e reconhecimento.
        Orman deu pausa no seu ritmo e tomou uma respirao profunda.
        "Muito bem. Dito isso, eu percebo que no  sua culpa que voc falhou
em viver de acordo com as normas que eu considero serem as normas para um
bardo. As canes antigas e canes populares esto todos muito bem, mas elas
no so substitutas para os clssicos. O tipo de simplista de interior voc canta
apenas neutraliza a mente do povo comum. Eu acredito que  papel de um
intrprete exaltar as pessoas. Elevar as suas percepes. Exp-los a uma
grandeza alm de seus prprios horizontes limitados.
        Ele parou, olhou para Will e balanou a cabea ligeiramente. Will no
tinha dvidas de que Orman encontrou o seu potencial para a elevao faltando.
Ele inclinou-se novamente.
        "Eu lamento que eu seja um artista simples, meu senhor", disse ele.
Orman assentiu com amargura.
        "Com a nfase no simples, infelizmente", disse ele.
        Com a cabea baixa, Will sentiu suas bochechas comeando a ficar
vermelhas. Ignore isso, disse a si mesmo. Se voc pretende ser um bardo, voc
tem que desenvolver uma pele grossa para a crtica. Ele respirou profundamente
algumas vezes, recuperando o controle de si mesmo. Orman o observava com
curiosidade. A farpa tinha sido intencional, Will percebeu. O senhor do castelo
queria ver como ele poderia responder.
        "E ainda", disse Orman, em reconhecimento em uma quase m vontade,
"o instrumento que voc toca  bem incomum. No  um Gilperon, por acaso,
?"
        " uma mandola" Will comeou sua resposta habitual. "Tem oito cordas,
em sintonia..." Ele no continuou.
        "Eu sei que  um Bandolim, por piedade!" Orman interrompeu. "Eu
estava perguntando se foi feito por Axel Gilperon, provavelmente o luthier mais
famoso do reino. Eu teria pensado que qualquer msico profissional teria ouvido
falar dele. Mesmo voc".
        Foi um deslize ruim, Will percebeu. Ele tentou encobrir o melhor que
pde.
        "Minhas desculpas, meu senhor. Eu o entendi mal. Meu instrumento foi
feito para mim por um arteso local, no sul, mas ele  bem conhecido por copiar
o estilo do mestre. Naturalmente, um msico pobre como eu nunca poderia pagar
um real Gilperon.
        Ele riu de uma forma auto-depreciativa, mas Orman continuou a olhar
para ele, a suspeita evidente em seu olhar. Houve um silncio constrangedor,
finalmente quebrado por uma batida na porta.
        "O qu?" Orman exigia furiosamente, e a porta se abriu apenas o
suficiente para o seu secretrio olhar nervosamente para a sala.
        "Seu perdo, Senhor Orman", disse ele, "mas a Senhorita Gwendolyn de
Amarle chegou e insiste em ver voc."
        Orman se irritou. "Voc no v que estou ocupado?"
        Xander abriu a porta uma frao maior, fazendo gestos para a ante-sala
secreta por trs dele. "Ela est aqui, meu senhor", disse ele, mantendo a sua voz
to baixo quanto possvel. Orman fez um gesto mal-humorado, ao perceber que a
nobre visita j estava em sua ante-sala.
        "Muito bem, pea para ela entrar", disse ele. Ele olhou para Will, que
havia se movido para a porta. "Voc espera. Eu no terminei com voc ainda."
        Xander assentiu com gratido e retirou-se. Poucos segundos depois, ele
abriu a porta e entrou, parou em um lado enquanto ele convocava a nova
chegada.
        "Senhor Orman, gostaria de apresentar Senhorita Gwendolyn de Amarle".
Ele curvou-se quando a senhorita entrou na sala. Loira, alta e bonita, ela estava
vestida com um requintado vestido de seda verde e movia-se com a dignidade
inconsciente e graa de uma nobre nascida. Will suprimiu uma exclamao de
surpresa.
        A Senhorita Gwendolyn de Amarle era Alyss.

21

       Alyss arrastava seu vestido-cinza pelo castelo do senhor, ignorando Will.
"Lord Orman", disse ela, " to bom voc abrigar-me para essas prximas
semanas!" Ela estendeu a mo, palma para baixo, para Orman, deixando-o em
dvida quanto a quem ela considerava ser mais alto na classificao.
       Orman a contragosto dobrou sobre a mo e tocou os lbios nela.
"Semanas, minha senhorita?" disse ele. "Eu pensei que era uma questo de
poucos dias? Uma semana no mximo?"
       "Mas certamente no!" Alyss recuou um pouco em sua grosseria. "As
estradas para o castelo de meu noivo esto espessas com neve e ouvi dizer que
h lobos e ursos neste campo! No posso avanar at as estradas estarem limpas,
ansiosa como estou para estar com meu amado Lord Farrell. Certamente, Senhor
Orman, voc no me negaria  hospitalidade prometida por seu pobre querido
pai.
       Orman estava preso. Foi interessante, Will pensou como a hierarquia
nobre funcionava. Azedo e mal-educado como ele poderia ser, e um assassino
em potencial tambm, Orman foi esmagado pela presuno da classificao
superior de Alyss.
        "Claro que no, Lady Gwendolyn! Disse ele. Foi um mero inqurito,
nada mais."
        Mas Gwendolyn j tinha deixado de lado e estava olhando para Will,
como se fosse algum tipo de inseto inferior.
        "E quem  que temos aqui?" , ela perguntou, arqueando uma sobrancelha.
        "Um bardo, minha senhorita, chegou apenas um dia atrs."
        "Esse bardo tem um nome?" ela respondeu seu olhar fixado em Will. Ele
hesitou. Era para Orman apresent-lo. Algum de posio comum no poderia
iniciar uma conversa com uma mulher nobre como Gwendolyn. Enquanto
observava a mmica entre os dois, Will estava extremamente impressionado com
a capacidade dela de desempenhar o papel que havia tomado.
        "Will Barton, minha senhorita", disse Orman. Por ele ter apresentado
Will a ela, ela reforou sua posio superior, mais uma vez. Will inclinou-se
profundamente.
        "Ao seu servio, minha senhorita", disse ele. Alyss o estudou
cuidadosamente, um cotovelo em concha na mo, enquanto seus dedos longos e
elegantes acariciavam sua bochecha.
        "Voc  um artista hbil, Will Barton?"
        Will olhou de soslaio para Orman. "Eu sou um artista simples, minha
senhorita", disse ele.
        Orman balanou a cabea em desprezo. Msicas populares e cantigas do
reino so os seus limites, tenho medo, minha senhorita. Dificilmente o que vocs
chamariam de uma classificao mais elevada".
        "Msicas populares?" Alyss disse, e quebrou em uma estridente risada.
"Que divertido! Muito bem, bardo, voc pode comparecer em minha sute em
uma hora. Talvez suas cantigas possam me ajudar a esquecer a dor da separao
do meu amado." Ela olhou para Orman. "Eu confio que voc no tenha nenhuma
objeo, Orman?"
        Orman encolheu os ombros. "Nenhuma minha senhorita", disse ele. "Por
favor, se beneficie de todas as nossas instalaes".
        A sobrancelha de Will disparou. Ento, Will era uma "instalao" para
ele? Felizmente, ele teve a sua expresso sob controle novamente antes que
Orman notasse. A ateno do senhor do castelo estava totalmente ocupada por
Alyss, conforme ela forjava sua impresso com a soberba de um nobre arrogante.
        "Ento talvez voc possa fazer sua cozinha entregar uma refeio leve 
minha casa tambm, Orman?" disse ela. "Estou cansada e com fome depois das
minhas viagens atravs deste seu campo sombrio. Voc pode apresentar o seu
agregado familiar para mim amanh, mas para o resto do dia eu prefiro
descansar."
        Orman inclinou-se. "Claro, minha senhorita." Realmente, pensava Will,
havia pouco mais que ele pudesse dizer. Ele percebeu que Alyss estava olhando
para ele mais uma vez.
        "Mas antes de eu me retirar, h uma ou duas coisas que poderamos
discutir Orman..." ela disse de forma significativa, e Orman pegou sua sugesto.
        Ele fez um gesto secreto a Will. "Muito bem, Barton, voc pode ir. Ns
vamos continuar a nossa discusso outra hora."
        Will inclinou-se profundamente. "Lady Gwendolyn, meu senhor", disse
ele, e moveu-se em direo  porta. Eles o ignoraram como fosse s uma
montagem, enquanto Orman levava Alyss a uma cadeira.
        "Lembre-se, bardo", ela chamou imperiosamente quando Will chegou 
porta, "meus quartos em uma hora. Eu posso no estar pronta para voc, ento,
voc pode ter que esperar, mas esteja l de qualquer maneira."
        Will inclinou-se novamente. "Claro, minha senhorita", disse ele.
        Quando ele saiu, ouviu-a dizer, sem flego para Orman: "Agora, Orman,
voc tem que me dizer o que aflige o seu pobre querido pai! Existe alguma coisa
que eu posso fazer para ajudar?"
        Xander facilitou a pesada porta para que se fechasse atrs de Will, antes
que pudesse ouvir a resposta de Orman.
        Como convinha  sua classificao assumida, Alyss estava viajando com
uma comitiva de peso. Um camareiro, duas empregadas e uma meia dzia de
soldados formavam o grupo. Os soldados estavam acomodados no dormitrio do
castelo enquanto Alyss e os outros ocupavam um conjunto grande na torre de
vigia. Will se apresentou em sua ante-sala no tempo determinado. Ele no estava
certo do que esperar, sem saber quantos do grupo de Alyss estavam consciente
de sua verdadeira identidade. O camareiro cumprimentou-o friamente e acenou-
lhe um assento.
        "A Senhorita Gwendolyn disse que voc vai esperar", disse
arrogantemente. Olhou para o instrumento que Will estava abaixando. "Trouxe
seu alade, voc tem um?"
        Will respirou, preparando para falar, ento decidiu desistir. Se toda a
populao do mundo quis assumir que ele tocava um alade, quem seria ele para
desmentir? O camareiro tinha perdido o interesse nele, e desapareceu em um
quarto interior, deixando-o sozinho.
        Vrios funcionrios do castelo vieram e foram embora Alyss o manteve
esperar pelo menos meia hora. Ele percebeu que o atraso foi totalmente de
acordo com a personagem que ela estava atuando, lordes e senhoritas raramente
davam qualquer pensamento para seres inferiores quem eles possam continuar
esperando, mas ele sentia que ela estava exagerando um pouco. Finalmente, o
camareiro reapareceu e chamou-o entrar
        "A Senhorita Gwendolyn est pronta para voc agora", disse ele. Will
murmurou sob sua respirao. Um ouvinte interessado poderia ter ouvido as
palavras "Antes tarde do que nunca", mas o camareiro parecia no ouvir nada.
        Ele seguiu o outro homem para o grande salo. Alyss estava parada perto
da janela, seu rosto era uma mscara at que o camareiro fechasse a pesada porta
atrs deles. Em seguida, ampliou a sua boca em um sorriso sincero e ela veio
para frente para apertar as mos dele, roando os lbios macios contra a sua face.
        "Will", ela disse suavemente, "como  maravilhoso ver voc de novo!"
        Seu aborrecimento evaporou instantaneamente e ele voltou  presso em
suas mos.
        "Eu no poderia estar mais de acordo", disse ele. "Mas o que na Terra a
traz aqui?"
        Alyss olhou surpreso. "Eu sou o seu contato", disse ela. "Halt no te
disse?"
        Ele deu um passo para trs, confuso. "Ele disse que seria algum que eu
reconheceria. Eu no tinha idia que seria voc. Eu no tinha idia de que
voc..." Ele hesitou, sem saber como proceder. Alyss riu baixinho. Era seu riso
natural, no o relincho estridente de auto-diverso que ela assumiu como Lady
Gwendolyn.
        "Voc no tinha idia que eu me envolveria neste tipo de negcios de
capa-e-facas?" disse ela. Quando ele acenou, ela sorriu e continuou. "Bem, voc
viu meu punhal. Voc pensa que as Mensageiras simplesmente levam mensagem
ao redor do reino?"
        Ele sorriu de volta. "Bem... sim, como uma questo de fato. Mas ento,
esta  a minha primeira misso como essa."
        Ela soltou suas as mos e se tornou metdica de repente. "Estamos
perdendo tempo. Explicarei mais tarde. Mas, primeiro, precisamos ouvi-lo
tocar."
        Isso assustou. "Ouvir-me jogar? disse ele, e ela balanou a cabea
rapidamente, apontando para a caixa do instrumento.
        "Seu mandola.  uma mandola, no ?" acrescentou ela, e ele concordou.
De alguma forma, ele no estava surpreso que Alyss poderia nome-la
corretamente. Ele soltou os grampos, ainda perplexo. Ele percebeu que o
mordomo tinha movido um pouco mais e estava observando cuidadosamente
conforme Will ajustava a afinao. Ele desafinou uma corda.
        "Apenas o instrumento. No se incomode em cantar", disse Alyss.
        Franzindo, Will comeou a introduo de Montanha Wallerton. O
camareiro aproximou, com a cabea para um lado, ouvindo atentamente. Os
olhos de Alyss estavam fixos no homem. Aps dezesseis barras ou assim da
velha cano popular, ele olhou para ela e acenou brevemente com a cabea e ela
fez um gesto para Will parar. Ainda confuso, ele tocou as ultimas notas e franziu
uma pergunta. Em voz baixa, ela apontou para o camareiro.
        "D a mandola para Max", disse ela. "Ele vai tocar enquanto falamos."
        O entendimento amanhecia conforme Will passava o instrumento para o
homem mais velho. Max pegou e, sem nenhum dos habituais retoques ou ajustes
que a maioria dos msicos faziam quando pegavam emprestado instrumento de
outros, ele comeou a jogar imediatamente. Will percebeu que o homem estava
copiando o seu prprio estilo exatamente. Havia a nota ocasional frustrado na
faixa inferior, e a ligeira hesitao enquanto ele mudava at o pescoo para
arpejos agudos falhos que Will estava sempre tinha o cuidado de corrigir.
        Alyss arrastava-o para um lado, mais perto da janela, mas no to perto
que se podia ser vista de fora.
        "Agora ns podemos conversar", disse ela, "enquanto quaisquer
bisbilhoteiros vo ouvir a serenata barda para alegrar aquela Lady Gwendolyn".
        "Quem inventou Lady Gwendolyn, a propsito?" ele a perguntou. Alyss
balanou a cabea.
        "Ah, ela  bastante real. Um pouco de uma intelectual leve, mas
terrivelmente leal. Quando descobrimos que ela tinha arranjado para viajar aqui
este ms, ela concordou em permitir-me para tomar seu lugar. Era a situao
ideal, na verdade. Ela havia sido convidada para o inverno aqui pelo Lord Syron
antes de todo este negcio comear. Orman dificilmente poderia ir contra a
oferta de hospitalidade do pai. Passei dias praticando o meio-riso perspicaz, voc
sabia acrescentou.
        Will sorriu. "Tudo isto  realmente necessrio?" disse ele, indicando
Max, agora tropeando um pouco mais para a introduo do Corao de
Wildwood. Alyss encolheu os ombros.
        "Talvez no. Mas no podemos ter certeza de que poderiam estar ouvindo
ou vendo e  melhor supor que algum est.  por isso que eu senti que eu
deveria deixar voc esperando, Desculpe-me sobre isso".
        Ele deu de ombros pela desculpa. O que ela disse fazia sentido. Lembrou-
se dos servos do castelo que tinha visto ele na antecmara. Qualquer um deles
poderia ser tutelado por Orman agora. Ele olhou para Max.
        "Ele  muito bom", disse ele, em seguida emendou a afirmao: "Quero
dizer, ele  muito bom em ser ruim." Ele sorriu. "Eu realmente so to mal como
isso?"
        Alyss tocou-lhe a mo. "Ah, vamos l. Voc no  to ruim. Mas ns no
poderamos t-lo tocando como um virtuoso e esperar que as pessoas
acreditassem que era voc. Agora me diga o que descobriu at agora?"
        Will balanou a cabea. "No muito do que ns j sabemos. O campo
inteiro est apavorado. Ningum vai falar. Eu no vi Syron, mas Orman parece
ser uma m pea para trabalhar em conjunto."
        Alyss assentiu. "Eu concordo. Reparou os livros em sua mesa?" disse ela.
Will balanou a cabea e ela continuou. "Feitios e encantamentos era um deles.
Magia e Arte Negra eram outro. Havia mais, mas eles eram os nicos dois ttulos
que eu poderia ver a capa."
        Will assentiu, compreendendo. "Isso explica os buracos nas prateleiras da
biblioteca", disse ele.
        Alyss sentou-se num sof de dos lugares, dobrando seus ps para cima
sob ela, Will achou um movimento particularmente atraente. "E o primo?
Keren?" ela perguntou. "Voc o encontrou?"
        "Apenas uma vez. Ele parece ser um bom homem para se ter ao redor.
Simples. Sem loucuras. E no h amor entre ele e Orman. Orman praticamente
me avisava para ficar longe dele pouco antes de voc chegar", acrescentou ele. O
rosto de Alyss assumiu uma expresso pensativa.
        "Portanto, pode ser difcil para voc fazer mais contato com ele?" disse
ela. Will assentiu com a cabea e ela continuou. "Talvez eu pudesse faz-lo.
Suponho que seria do carter de Lady Gwendolyn flertar com ele, especialmente
porque ele est abaixo dela na hierarquia. Dessa forma, ela poderia ter certeza
que nada viria dele."
        Will estava um pouco surpreso ao descobrir que ele no gostava muito da
idia. Keren era bonito, simptico, e ele assumiu, seria atraente para as mulheres
com seus modos abertos e descontrados. Ele percebeu que Alyss estava sorrindo
para ele, como se ela pudesse ler seus pensamentos.
        "S seria a Lady Gwendolyn fazendo o flerte, Will" disse ela. "E ela esta
para se casar, por isso equivaleria a nada, como eu disse."
        Ela pode estar noiva, mas voc no est, Will pensou. Ento ele jogou o
pensamento azedo longe. Alyss estava apenas fazendo seu trabalho, ele
percebeu.
        Alyss continuou. "Eu deixei um homem fora da vila para voc ir atrs
dele em caso de precisarmos entrar em contato com Halt e Crowley. Ele est
acampado na mata ali com uma meia dzia de pombos mensagem se tivermos
algo a reportar."
        Will pigarreou nervosamente. "Realmente, h algo que eu acho que
devemos deix-los saber", disse ele. Alyss pausou e o olhou com curiosidade.
Ele hesitou, sabendo que o que ele iria dizer soaria ridculo, em seguida,
continuou de qualquer maneira.
        "Na noite passada, eu vi o Guerreiro Noturno na Floresta Grimsdell".

22

        Alyss ouviu atentamente quando Will recontou os acontecimentos da
noite anterior. Max estava obviamente prestando ateno tambm, ele pensou.
Quando ele chegou no momento em que a figura gigante surgiu da neblina, ele
percebeu que o msico perdeu diversas batidas. Ele sorriu com tristeza. Ele no
culpou o msico. Ele tinha uma memria distinta que seu corao havia feito a
mesma coisa e tivesse continuado a faz-lo, quando ele esteve na floresta escura
e ameaadora.
        Conforme ele relatou sua histria, Alyss havia anotado algumas notas
ocasionais em um pequeno jornal de couro. Ela os estudou agora, franzindo
ligeiramente o queixo na mo. Finalmente, ela olhou para ele.
        "Deve ter sido terrvel", disse ela.
        "Foi". Will no hesitou em admitir seu medo para ela. Eles se conheciam
h muito tempo para fingir o contrrio. Alm disso, sua formao e sua natureza
de honestidade o obrigaram a dar uma explicao verdadeira e exata dos eventos,
incluindo suas reaes a elas. Ela bateu os dedos sobre a mesa por alguns
segundos, estudando suas notas mais uma vez. Ento, ela tocou a pena em um
dos pontos anotados.
        "Seu co..." ela comeou. "Qual  o nome dela, a propsito?"
        Will hesitou. Ele estava ficando cansado dessa pergunta. Ele quebrava a
cabea para um nome mas a inspirao o abandonava. "Eu estava pensando em
cham-la de Blackie..." disse ele.
        "Blackie?" O tom de Alyss mostrava de que ela no gostou muito da sua
escolha.
        "Mas eu tenho algumas outras idias." Will acrescentado s pressas. Ela
acenou a questo de lado. No era importante.
        "Seja qual for. Voc disse que ela resmungou quando viu pela primeira
vez as luzes em movimento?"
        Ele pensou de volta  cena no bosque, tentando reconstruir exatamente o
que tinha acontecido. "Sim", disse ele finalmente. "Ela cabea inclinou a cabea,
a forma como os ces fazem quando ouvem um som estranho."
        "Ento..." Ela fez uma pausa e voltou para as notas. "Voc viu o
Guerreiro Noturno e ento voc j ouviu ele falar, certo?
        Ele assentiu.
        "Quanto tempo se passou entre o momento em que voc viu a figura e
ouviu ele falar? Houve uma pausa?"
        Ele pensou cuidadosamente. Ele sabia o quo importante os pequenos
detalhes poderiam ser e ele queria ter certeza absoluta que eles estavam corretos.
"Houve uma pausa definitivamente", disse ele. "Talvez vinte segundos. Nada
menos que isso.  difcil ser preciso, eu estava um pouco distrado pelo que
estava acontecendo", acrescentou ele, e ela acenou com a simpatia.
        "Eu no culpo voc. Eu estaria correndo, gritando o caminho todo, muito
antes de voc chegar nesse ponto", disse ela. Ento, ela tocou no detalhe que
estava a incomodando.
        "Voc disse que quando a figura falou, o co pulou e rosnou?"
        "Isso  certo." E de repente percebi uma luz em sua mente, uma frao de
segundo antes Alyss afirmou ele.
        "Ento ela no foi incomodado pela apario?"
        Will que balanou a cabea. "No. Ela veio para os ps dela e rosnou
quando ouvimos a voz. Ento, quando a figura surgiu, ela deve ter deitado...
relaxado".
        Alyss acenou para ele. "Ento ela reagiu aos sons, e as luzes, o que voc
esperaria de um co fizesse se fossem reais, mas quando chegou a doze metros
de alta figura do guerreiro...?"
        Ela deixou a frase pendurar e Will completou o pensamento.
        "Ela no o viu. Ou, se ela fez, isso no incomodou ou ameaou ela."
        Alyss recostou-se na sua cadeira. "Voc sabe, Will, eu no sou
especialista no paranormal, mas eu sempre ouvi que os animais sentem a
presena de manifestaes muito antes de os seres humanos. No entanto, o co
simplesmente ali, sem fazer nada, enquanto voc estava vendo um guerreiro
gigante na nvoa.
        "Esse  o ponto. Eu vi isso, isso estava l". Will franziu a testa enquanto
tentava juntar as peas do quebra-cabea.
        "Eu sei que voc viu. Sei que voc no  do tipo histrico. Mas eu estou
dizendo que no era um esprito. Foi algum tipo de truque. E o co ignorou-o
porqu o co percebeu que no era real. Os sons, as vozes, as luzes eram todos
reais, eventos fsicos. Mas a figura era algum tipo de truque, uma iluso de
algum tipo.
        Houve um longo silncio, enquanto eles se entreolharam. Will sabia que
ambos estavam com o mesmo pensamento.
        "Eu vou ter que voltar l e descobrir, certo?" disse ele, durante um tempo.
        "Ns vamos ter que ir l e descobrir", Alyss corrigiu. Ele era grato a idia
de companhia e com o pensamento de que sua mente analtica seria aplicada para
a tarefa. Mas mesmo assim...
        "Desta vez, vou  luz do dia", disse ele, e Alyss sorriu para ele.
        "Depois do que voc me disse, cavalos selvagens no poderiam me levar
para que a floresta depois de escurecer", disse ela.
        Will tocou na sala de jantar novamente naquela noite. Alyss, como ela
tinha dito a Orman, permaneceu em sua sute, presumivelmente se recuperando
de sua jornada, e no fez nenhuma apario pblica. Houve um grande interesse
nela, sobretudo entre as senhoras do castelo. Uma nobre do sul, provavelmente
usaria as ltimas tendncias da moda e as damas locais no podiam esperar para
v-la. Elas foram ligeiramente desapontadas com a sua ausncia e, como
resultado, foi uma noite discreta. Orman deixou a sala de jantar logo aps a
refeio acabar e, antes de Will tocar. No havia nenhum sinal de Keren e sua
comitiva, e Will se perguntava se o guerreiro simptico jovem tinha sido alertado
por seu primo tambm.
        O desempenho de Will foi adequado, ele pensou. Ele estava se tornando
suficientemente em casa como um intrprete para ser capaz de medir o nvel de
seu prprio trabalho. A platia se divertiu sem se tornar excessivamente
entusiasta, o que adequava os seus planos admiravelmente. Ele e Alyss haviam
combinado de se encontrar na manh seguinte e ele no queria uma noite longa
na atmosfera esfumaada da sala.
        Assim, uma hora aps o nascer do sol, ele montou no mbito da ponte
levadia. A porta pesada era levantada ao amanhecer de cada dia, to logo ficou
evidente que no havia nenhum sinal de inimigos nas imediaes. O guarda
olhou para ele quando ele passou.
        "Caar, bardo?" ele perguntou, notando o pequeno arco de caa que Will
havia amarrado sobre os ombros, e a aljava de flechas pendurada na sela.
        "Nada como um par de gatos ou um excelente galo para animar uma
refeio", Will disse-lhe, e o homem levantou uma sobrancelha quando ele
indicou o arco.
        "Voc vai precisar chegar perto com esse arco", disse ele. "Em minha
opinio, h muito pouco para se caar no momento."
        Will sorriu facilmente. "Ah, bem, eles dizem que a caa  apenas uma
maneira de arruinar um passeio agradvel", disse ele, e o sentinela sorriu a velha
piada.
        "Boa sorte, em qualquer caso. E tome cuidado. H rumores de que um
urso foi avistado por aqui."
        "Eu nunca como urso", disse Will, completamente srio. Por um instante,
o guarda no sabia que ele estava brincando. Ento ele riu quando ele pegou.
        Will tomou a estrada a noroeste de distncia do castelo, refletindo sobre
como suas reaes s pessoas tinha mudado desde que ele assumiu um papel de
anfitrio. Como um Arqueiro, ele estava acostumado com o silncio em torno de
pessoas, e nunca fazer uma observao desnecessria, certamente nunca uma
piada. Era parte da mstica dos Arqueiros, que ele havia aprendido. Houve um
lado prtico para ele assim: as pessoas que no estavam falando acharam mais
fcil ouvir o que os outros estavam dizendo, e informao era um instrumento
para os Arqueiros. Como bardo, no entanto, era totalmente do personagem ele
fazer brincadeiras com a menor oportunidade. Mesmo as ruins. Especialmente as
ruins, ele corrigiu.
        Ele passou por vrios quilmetros a noroeste. O co silenciosamente na
liderana, como de costume, olhando para trs de vez em quando para se
certificar de que ele e Puxo estavam seguindo. O pequeno pnei assistia a sua
nova companheira, com uma agradvel tolerncia.
        Eles haviam planejado o encontro nas dependncias de Alyss na noite
anterior, debruado sobre um mapa da rea que ela havia produzido. "Vou sair
na primeira luz do dia e ir para o leste", ela disse. "Voc vai para noroeste uma
hora mais tarde. Ento cavalgue ao redor por esta faixa aqui e me encontre na
borda da Floresta Grimsdell".
        Ele encontrou a via estreita que ela indicou e virou Puxo nele. Era um
dia nublado, com um lamento do vento atravs das rvores nuas, mas ainda
haviam lampejos fracos do sol. Avistou-o agora e decidiu que ele estava um
pouco atrasado Uma leve presso com os joelhos e Puxo quebrou de um trote
em um trote lento. O co, ouvindo a mudana de marcha, acelerou seu ritmo
prprio de acordo. Will olhou para ela com interesse. Ela mostrou uma grande
economia de movimento, nunca indo mais rpido do que o necessrio. Ele sups
que, como um cavalo de Arqueiro, ela poderia manter esse ritmo constante
durante todo o dia, se solicitada.
        Foi o co que registrou primeiro a presena Alyss quando eles se
aproximaram da borda da Floresta de Grimsdell. A ponta branca da cauda
comeou a varrer para frente e para trs em saudao e ela correu at a garota,
meio escondida nas sombras sob um bosque de rvores. Puxo agitado, como se
quisesse dizer eu a vi tambm, e Will acariciou o pescoo do pnei.
        "Eu sei", disse ele.
        No dia anterior, Alyss tinha se vestido como uma nobre, em um fino
vestido da moda. No havia nenhum sinal daquela criatura elegante agora. Hoje,
ela usava uma tnica curta, cala cinza e botas altas de montaria. A capa
comprida estava nos ombros e seu cabelo loiro brilhando foi mantido no lugar
por um bon de caa de penas. A meia-cala cinza exibiu suas longas e
modeladas pernas com grande vantagem e Will pensou que ele preferiu essa
Alyss a perfeitamente penteada, elegante Lady Gwendolyn. Sua adaga longa, em
uma bainha de couro maravilhosamente trabalhado, pendurados de um cinto de
couro largo uniu a tnica em torno de sua cintura. Ela sorriu para ele quando ele
se aproximou.
        "Voc est atrasado", disse ela, segurando sua mo. Ele pegou-a pelos
pulsos e soltou quando ela surgiu por trs dele. Ela acomodou-se na sela de
Puxo e colocou seus os braos em volta de sua cintura.
        "Onde est seu cavalo? Will perguntou, ele no havia pensado em
cavalgar com ela e no havia imaginado seus braos em volta de sua cintura
tambm.
        "Est cavalgando com a minha escolta", disse ela. "E com uma excelente
boneca de Lady Gwendolyn amarrado na sela, coberta com o manto da
equitao."
        Will virou-se para olhar para ela. "Isso era absolutamente necessrio?"
ele perguntou. Alyss encolheu os ombros.
        "Talvez no. Mas, logo depois que eles saram cavalgando, uma dupla de
homens armados do castelo passou atrs deles. Pode ter sido coincidncia, mas
quem sabe? Isso  Grimsdell?" Ela apontou para a linha sombria escurido das
rvores a uma curta distncia. Will assentiu.
        " ela mesma", disse ele, sentindo um aperto no estmago.
        Eles viajaram para o sul ao longo da borda da floresta at que
encontraram o carvalho divido que marcou o ponto onde tinha entrado Will em
Grimsdell duas noites antes. Na luz do dia, ele no sentia necessidade de
desmontar. Viajaram entre as rvores, ocasionalmente, inclinando-se para evitar
galhos e cips que apareceram em toda a trilha estreita, o co se movendo
silenciosamente pela frente.
        O treinamento de Will se reafirmou. Apesar de sua crescente nervosismo
de entrar nesse lugar hostil novamente, ele foi capaz de refazer o caminho que
ele havia tomado.
        "Onde voc viu as luzes?" Alyss perguntou, e ele hesitou, pensando por
um segundo, antes de apontar.
        "Elas estavam se movendo nesta direo", disse ele. "Difcil dizer o quo
longe elas estavam."
        Alyss olhou criticamente para o emaranhado de rvores e trepadeiras em
torno deles. "No poderia ter sido muito longe ou voc nunca teria os visto com
tudo isso em volta. Venha", acrescentou ela, e deslizou para baixo da sela. Will
desmontou e ela apontou na direo que ele havia indicado.
        "Vamos dar uma olhada nessa direo", disse ela. Will sinalizou para
Puxo permanecer na pista. Ele estalou os dedos e apontou, gesticulando para
que o co ir na frente deles, e ela deslizou facilmente que a vegetao rasteira e
embaixo dos ramos mais baixos. O caminho foi mais difcil para Will e Alyss, no
entanto, e em pouco tempo ele achou necessrio sacar sua faca e cortar um
caminho atravs do emaranhado. Alyss sorriu com ironia ao modo como a
pesada lmina cortou trepadeiras resistentes, vinhas com bastante espessura e at
mudas de pequeno porte.
        "Isso  uma arma til para se ter", disse ela, e Will assentiu, grunhindo
enquanto cortava um galho grosso e jogou-o de lado.
       " uma arma e uma ferramenta", disse ele. Ento, inesperadamente, o
caminho a seguir estava claro.
       "Bem, o que voc sabe?" Alyss disse, balanando a cabea em satisfao.
       O co esperou por eles, sentado em uma estreita, mas inegavelmente feita
por homem, trilha atravs das madeiras, paralela  pista principal que vinha
seguindo.

23

        Alyss olhou para os lados da via estreita que tinha sido cortada por entre
as rvores. "Para qual lado as luzes estavam se movendo, voc se lembra?,
perguntou ela. Will j estava balanando em antecipao a questo.
        "Eu no posso estar totalmente certo", disse ele, "mas eu diria que eles
estavam se movendo ao longo deste caminho."
        Alyss apontou para o cho. "Eu no sou uma perseguidora", disse ela,
"mas eles dizem que os Arqueiros so. Qualquer sinal de algum se movendo
por esse caminho?"
        Will ficou de joelhos e estudou no cho. Ele franziu a testa depois de um
momento ou dois. "Pode ser", disse ele. "Difcil dizer, realmente. Existem
marcas fracas aqui. Mas voc esperaria isso num caminho como este, no ?"
        "Mas no o tipo de coisa que voc esperaria se algum estivesse correndo
l e para c carregando uma lanterna?" ela perguntou, um leve tom de
desapontamento em sua voz. Will balanou a cabea. Ento, lembrando-se uma
das primeiras lies de Halt, ele olhou para a cobertura da floresta, acima deles.
Lembre-se sempre de olhar para cima, seu mentor havia lhe dito.  a direo em
que a maioria das pessoas nunca pensa em checar.
        Agora seus olhos se estreitaram quando ele viu alguma coisa nas rvores,
algo fora do lugar. Alyss, vendo a mudana de expresso em seu rosto, olhou
para cima tambm.
        "O que  isso?, perguntou ela, quando Will moveu em direo a uma das
rvores maiores, seus olhos caando e procurando locais para mo e ps que ele
iria precisar.
        "Vinhas", disse ele, durante um tempo. "Eu os vi crescer para baixo nas
partes mais altas das rvores. Mas eu raramente os vi crescendo
perpendicularmente a eles."
        Ele era um alpinista natural e subiu a rvore em questo de segundos,
parecendo para Alyss que ele deslizou at o tronco, aparentemente liso. A quatro
metros do solo ele parou, e ela viu que ele estava estudando uma trepadeira
verde que cresceu ao longo de um dos ramos de maior dimenso, em seguida,
levado para fora da rvore vizinha, cedendo em um lao entre os dois.
        " corda", ele ligou para ela. "Tinta verde para parecer uma videira, mas
 uma corda com certeza." Ele traou a linha da corda que levou de uma rvore
para outra, correndo ao longo acima da pista que havia descoberto. Ele acenou
com a cabea para si mesmo, satisfeito, ento deslizou suavemente at o cho ao
seu lado novamente.
        "No h necessidade de algum para correr para cima e para baixo com a
luz", disse ele. "Eles poderiam juntar a corda em uma roldana e transportar para
trs e para frente com uma linha clara."
        Alyss agradou a cabea do co carinhosamente. "E esta jovem senhora
percebeu as pessoas fazendo isso, talvez cheirou ou ouviu eles.  por isso que ela
rosnou", disse ela. "Minha aposta  se olhssemos iramos encontrar outros
caminhos como este e outras vinhas crescendo horizontalmente."
        "Ele no explica o Guerreiro Noturno," Will salientou, e Alyss sorriu
para ele.
        "Talvez no. Mas se ele fosse real, por que se preocupar com as luzes de
truque?" disse ela. "As probabilidades so de que ele era um truque, ainda menos
importantes do que as luzes, a julgar pela reao do co. Agora me mostre
exatamente onde voc estava quando voc viu isso."
        Ela abriu o caminho de volta para onde Puxo esperava na pista principal.
O pnei olhava interrogativamente, como se perguntando o que ele tinha
perdido. Will foi at o saco de dormir atrs da sela e desamarrou-o. Alyss
observou curiosamente quando ele retirou os elementos que compem o arco
recurvo. Ele os encaixou e travou em uma srie de movimentos hbeis. Em
seguida, ele testou a presso e encontrou o seu olhar com um olhar de satisfao
feroz.
        "Gosto mais desse", disse ele, que uma flecha na corda. "Se formos
procurar para este maldito Guerreiro Noturno, eu prefiro fazer isso com um arco
em minhas mos."
        Ele liderou o caminho  frente at chegarem  beira do pntano. Mesmo 
luz do dia, era um lugar sinistro, com cortinas de nvoa subindo do lado oposto.
A gua em si era como mrmore preto, liso e impenetrvel aos olhos. Bolhas
subiam para a superfcie mais longe, sugerindo a presena de criaturas  espreita
nas profundezas.
        "Aqui", disse Will. "Pelo que me lembro. E a figura estava ali fora ... no
outro lado do pntano".
        Alyss olhou com astcia na direo que ele indicou, ento olhou ao longo
da borda do pntano, onde o caminho  frente deles seguiu a beirada. Em um
ponto, era cortado dentro de um pequeno promontrio, coberto de rvores e
arbustos.
        "Vamos dar uma olhada l", disse ela.
        Will a seguiu, sua curiosidade aumentando. "O que voc tem em mente?"
ele perguntou. Ficou claro para ele que Alyss tinha formado uma teoria de algum
tipo. Mas ela levantou a mo para evitar suas perguntas.
        " apenas uma idia", ela disse vagamente. Seus olhos estavam
procurando o cho  frente deles e para os lados do caminho. "Voc  melhor
nisso do que eu sou", disse ela. "Verifique o terreno em qualquer mancha clara."
        Will obedeceu, seu olho perseguidor treinado estava correndo sobre a
terra. Havia uma evidncia fraca de que algum tinha estado l antes deles,
talvez, muito recentemente, duas noites atrs, ele pensou.
        "Estou procurando alguma coisa em particular?" ele perguntou, seus
olhos grudados no cho.
        Marcas de queimadura, disse Alyss, e assim que ele ouviu as palavras, ele
viu uma grande mancha de terra nua, onde a neve tinha derretido e a grama
estava seca e chamuscada.
        "Aqui", disse ele. Alyss se juntou a ele, ficou de joelhos correndo os
dedos sobre a grama seca e quebradia. Ela soltou um pequeno grunhido de
satisfao.
        "Tudo bem", Will disse ela. "Descobri que sua grama queimada. Agora, o
que isso significa?"
        "Voc j viu um show de lanternas mgicas?" disse ela. Como sendo
crianas protegidas do Castelo Redmont, tinham visto diversas vezes um show
de um viajante entretendo com mgicas usando lanternas, onde as sombras das
figuras-estrelas, meia luas, bruxas e seus gatos, eram projetadas na parede de um
quarto de luz de uma vela.
        "Eu estou adivinhando", disse ela, "que o seu Guerreiro Noturno  a
mesma coisa, em princpio."
        "Mas ele era enorme!" Will protestou. "E ele deve ter sido h trinta ou
quarenta metros daqui. Voc precisaria de uma luz terrivelmente poderosa para
administrar isso".
        Alyss assentiu. "Exatamente. E uma luz poderosa significaria uma
enorme quantidade de calor, portanto, o cho chamuscado aqui."
        "Mas a distncia..." Will comeou. Afinal, os shows que eles haviam
visto enquanto eram crianas tinham sido encenados dentro de quartos, com as
sombras apenas a poucos metros da fonte de luz.
        "H muitas maneiras de focalizar a luz, tornando-se um feixe, Will. 
possvel, acredite em mim.  muito caro e h apenas alguns artesos que podem
moldar o equipamento para isso. Mas isso pode ser feito. Uma luz poderosa, uma
dispositivo para focalizar e uma figura de recorte, e voil, seu guerreiro gigante
aparece a trinta metros de distncia."
        Will ainda estava perplexo. "Aonde? ele perguntou. "No h nenhuma
parede l para projetar sobre".
        "Sobre a neblina", disse Alyss. " como uma cortina que  to grossa, e
olha como ela nasce a partir do pntano em uma linha. Isso daria a oscilao, o
efeito pulsante que voc notou tambm, assim como quando a neblina turbilhoou
e se moveu."
        Fazia sentido, ele viu. Ele estava disposto a aceitar a palavra de Alyss de
que era tecnicamente possvel. E se assim fosse, ele estava pronto para se vingar
do terror que ele tinha experimentado na floresta duas noites atrs.
        "Algum est criando um monte de problemas para manter os visitantes
longe", disse Alyss pensativa. "Eu me pergunto por qu?"
        A raiva estava crescendo em Will agora, junto com uma sensao de
alvio, alvio de que pode haver uma explicao lgica para tudo isso, e uma
pessoa viva para se responsvel por tudo. Naquele momento, queria nada mais
do que trazer essa pessoa para prestar contas.
        "Vamos encontr-lo e perguntar a ele", disse ele, sombrio. Mas Alyss
estava olhando para o sol e balanando a cabea.
        "Ns estamos fora do tempo", disse ela. "Minha escolta estar de volta
em alguns minutos para me pegar. E j que eles esto sendo seguidos, eles
dificilmente podem andar por a em crculos sem rumo, enquanto eu me divirto
na floresta."
        "Tudo bem", disse Will. "Voc volta. Eu vou continuar procurando por
isso...quem quer que seja."
        Alyss colocou a mo em seu brao, e manteve-o ali at que se encontrou
com seu olhar. Ela balanou a cabea um pouco, vendo a raiva, vendo a
determinao em seus olhos.
        "Agora no, Will", disse ela. "Deixe-o por enquanto, ns vamos voltar
mais tarde, juntos".
        Ele no disse nada e ela continuou. "Vamos fazer um pouco mais de
pesquisa, descobrir um pouco mais sobre tudo isso. Quanto mais ns sabemos
quando ns procuramos, melhor. Voc sabe disso."
        Relutante, ele concordou. Sua formao lhe ensinou que quando estava a
entrar em territrio inimigo, o melhor era descobrir tudo o que podia de antemo.
Alyss viu a raiva sair de seus olhos e tirou a mo dela de seu brao. Ela sorriu
para ele.
        "Agora me de uma carona de volta para a borda da floresta."
        "Voc est certa", disse ele virando-se para montar Puxo, ento se
inclinou para baixo para ajud-la a montar atrs dele. " s o que eu queria
algum para pagar a maneira que eu senti naquela noite."
        Alyss, seus braos em volta de sua cintura, apertou-lhe suavemente. "Eu
no te culpo", disse ela. "E voc vai ter sua chance, acredite em mim". Ela ficou
em silncio por alguns instantes, enquanto eles andavam de volta atravs da
floresta, inclinando sobre a garganta de Puxo de tempos em tempos para evitar
cips baixos e galhos que obstruam a pista. Ento ela falou novamente.
        "Voc sabe, talvez seja uma boa idia se ns envissemos um relatrio ao
Halt e Crowley, para que eles saibam o que ns encontramos at agora. Eles
podem ter algumas idias sobre tudo isso. Ns vamos enviar isso por pombos
mensageiros".
        Pombos mensageiros, Will sabia, eram treinados pelo Servio
Diplomtico para regressar ao seu ltimo local de descanso. Uma vez que o
pombo voou de volta para sua base de origem, ele estaria pronto para voltar ao
ponto de onde tinha sido lanado. Ningum sabia como os pssaros conseguiam
fixar as posies em suas mentes, mas eles eram inestimveis para a
comunicao nos feudos. Alyss continuou.
        Eu estou sendo vigiada, assim que eu tenho que voltar para o castelo.
Mas voc poderia andar para trs, fazer contato com o manipulador de pombo, e
enviar um relatrio?"
        Will concordou. Houve certamente muito a dizer a seus superiores,
mesmo que, at agora, no havia concluses a tirar.
        "Como vou saber o seu homem?" ele perguntou.
        "Ele vai saber que  voc. Quando ele o ver, ele vai fazer contato."
        Eles estavam de volta na borda da floresta e estava ficando mais claro.
Will tocou Puxo com os calcanhares do pnei e ele quebrou em um pequeno
galope. Ao chegarem ao pequeno bosque de rvores onde ele encontrou Alyss,
ela escorregou rapidamente da sela, olhando ansiosamente ao longo da estrada
at o ponto em que sua escolta deveria aparecer. At agora, no havia nenhum
sinal deles, e isso significava que no havia nenhum sinal dos homens que os
seguiam tambm.
        " melhor voc fazer-se imperceptvel", disse ela, e Will assentiu,
pedindo Puxo nas sombras sob as rvores. O co seguiu, de bruos na grama
longa.
        De sua posio, Will podia ver a curva da estrada um par de cem metros
de distncia. Agora ele viu o primeiro piloto de escolta de Alyss fazendo a curva.
        "Eles esto aqui", disse ele baixinho, e Alyss correu rapidamente para
uma moita de mato grosso na ponta das rvores, soltando o manto curto e
puxando a tnica sobre a cabea dela. Ela estava vestindo apenas uma roupa
mnima por debaixo da tnica e Will virou-se apressadamente quando ele teve
um vislumbre de ombros nus e braos. Ele ouviu um farfalhar rpida dos
arbustos, ento Alyss o chamou.
        "Voc pode abrir os olhos agora." Ela parecia vagamente divertida com
seu embarao.
        Ela vestiu um longo vestido de montagem branco sobre suas calas justas
e botas de montaria. O manto, tnica e cinto de faca foram agrupados em seus
ps. Will olhou ao longo da estrada. A escolta de quatro homens, agrupados em
torno do manequim amarrado ao cavalo Alyss, foi quase at eles. Do refgio dos
arbustos Alyss sinalizou para eles. Ela virou-se e acenou ao Will, um sorriso
cmplice no rosto.
        "Te vejo de volta no castelo", disse ela. Ento, no que era obviamente
uma pea cuidadosamente ensaiada de confuso, a escolta foi ao lado dela. Os
cavalos moveram para frente e para trs, confundindo a cena, e um dos homens
lanou um n corredio, permitindo que o manequim para deslizar para fora do
cavalo. Antes de bater no cho, Alyss tinha se colocado em cima da sela. Outro
membro da escolta rapidamente se curvou para recuperar o manequim e em
questo de segundos, o grupo foi montado, o manequim j meio dobrado e fora
da vista.
        Enquanto eles se afastavam, Will esperou imvel, nas rvores. Eles ainda
estavam  vista, quando ouvidos Puxo tremeram e o co soltou um baixo
estrondo.
        "Fica" Will disse a ambos. Certo o bastante, dois homens armados
estavam atravessando a curva, olhando com cautela ao longo da trilha para se
certificar que no tinham chegado perto demais do grupo que estavam seguindo.
Will sentado, imvel, enquanto eles passaram montados. Ele lhes deu vrios
minutos, ento ele montou para fora, rumo ao sul para encontrar manipulador de
pombo de Alyss.

24

        Will deu um show no quartel dos soldados naquela noite. Era uma prtica
normal para um bardo espalhar-se ao redor. Afinal, se ele viesse a se apresentar
no salo principal, todas as noites, o pblico no iria crescer, mas rapidamente se
entediar com seu repertrio. E os soldados, em um castelo remoto como
Macindaw podem freqentemente provarem ser mais generosos. Eles tinham
pouca coisa para gastar o seu dinheiro em uma comarca pequena e remota como
aquela. Como resultado, ele poderia esperar fazer sua bolsa ficar
consideravelmente mais pesada se eles gostarem do seu trabalho.
        Alm disso, como um artista visitante ele poderia esperar um pequeno
bnus em dinheiro do senhor do castelo no final de sua passagem, seu principal
pagamento veio na forma de abrigo, comida e alojamento. Um artista  procura
de bastante dinheiro normalmente iria ser encontrado entre os soldados, ou na
taberna local, se houvesse uma.
        Alm de todas essas excelentes razes, Will tinha outro motivo para estar
no quartel naquela noite. Ele queria que os homens falassem, ouvir as fofocas
locais e rumores sobre a proibio da Floresta Grimsdell e do pntano negro. E
nada afrouxava as lnguas dos homens como uma noite de msica e vinho,
pensou ironicamente.
        At agora, ele se tornou uma parte aceita da vida de Macindaw e as
pessoas estavam mais propensas a se abrir para ele. Alm disso, os soldados se
sentiriam mais seguros que os camponeses que iam para casa depois de cada
noite na jarra Rachada s suas isoladas e desprotegidas casas e fazendas. Os
homens aqui estavam bem armados e relativamente seguros atrs das paredes
slidas de um castelo. Isso, se nada mais, ajudaria a tornar a lngua um pouco
mais solta.
        Ele foi saudado com alegria quando ele chegou, tanto mais quando ele
produziu um grande garrafo de aguardente de ma para ajudar toda a noite.
Seu repertrio padro de msicas country, peas e bobinas era exatamente o que
esse pblico queria. E acrescentou alguns dos nmeros que haviam sido
ensinados por Berrigan, bem como: A filha da velha Scully e uma pardia
grosseira de Os Cavaleiros de Fama das Trevas intitulada Os Cavaleiros Cujas
Calas Caram, entre outros. A noite foi um sucesso e as moedas apareciam em
sua mandola com o passar das horas.
        Finalmente, ele e meia dzia do grupo ficaram rindo ao redor do fogo
moribundo, com canecas de aguardente em suas mos. Ele havia colocado a
mandola ao lado. O canto estava acabado por essa noite e os homens estavam
satisfeitos com isso. Ele teve uma boa relao com eles e agora ele novamente
experimentou o estranho fenmeno que, tendo se apresentado para um pblico
por uma hora ou assim, ele foi aceito em seu meio, como se eles o tivessem
conhecido por toda a vida.
        A Conferncia era  conversa habitual dos soldados entediados. No que
dizia respeito  falta de fmeas disponveis na rea e o tdio da vida de um
castelo remoto, cercado pelas neves de inverno. Era um tdio tingido com medo,
no entanto. No havia como dizer quando as tribos Escocesas poderiam lanar
um ataque atravs da fronteira e, claro, havia o mistrio inquietante que cercava
a doena do Lord Syron. Como os homens falavam mais livremente, Will
sondava sutilmente e descobriu que eles tinham pouco respeito por seu filho,
Orman.
        "Ele no  um guerreiro", disse um deles em tom desgostoso. "Duvido
que ele possa segurar uma espada, e muito menos balanar ela."
        Houve um burburinho de concordncia dos demais. "Keren  o cara para
ns", disse outro. "Ele  um homem real, no como Orman, um devorador de
livros com o nariz sempre preso em um pergaminho."
        "Isso  quando ele no est olhando para isso como ns", um terceiro
colocou, e novamente houve um rosnado furioso de parecer favorvel. "Mas,
como ele  herdeiro de Syron, estamos presos a ele," o homem acrescentou.
        "Que tipo de homem  Syron?" Will se aventurou a perguntar. Seus olhos
se voltaram para ele e eles esperaram o mais alto entre eles, o sargento, para
responder.
        "Um homem bom. Um bom Lord e um combatente corajoso. Um lder
justo tambm. Mas ele esta em sua cama agora e h poucas chances de que ele
v se recuperar, se voc me perguntar."
        "E ns precisamos dele agora mais do que nunca, com Malkallam  solta
novamente", disse um dos soldados. Will olhou para ele e reconheceu o sentinela
que tinha falado com ele quando tinha deixado o castelo vrias noites antes.
        "Malkallam?" disse ele. "Ele  o feiticeiro que voc falou, no ?"
        Houve um momento de silncio e vrios dos homens deram uma olhada
sobre seus ombros nas sombras alm da luz bruxuleante do fogo. Ento o
sentinela respondeu.
        "Ay. Ele colocou uma maldio sobre nosso Lord Syron. Ele se esconde
em sua floresta, rodeado por suas criaturas..." Ele hesitou, no tendo certeza se
houvera falado demais.
        "Passei por l na noite passada," Will admitiu. "Voc me deixou curioso
com seus avisos. Digo-te, o que eu vi e ouvi l foi o suficiente para me manter
fora da Floresta Grimsdell no futuro."
        "Pensei que voc iria", disse o sentinela. "Vocs jovens acham que sabem
sempre mais do que aqueles que tentam aconselh-los. Voc  sortudo, pois
conseguiu escapar. Outros no so", acrescentou ele sombriamente.
        "Mas de onde esse Malkallam veio?" Will perguntou. Desta vez, outro
homem entrou na conversa, um soldado cuja barba e cabelo grisalhos
anunciavam o seu longo tempo de servio no castelo.
        "Ele estava entre ns h anos", disse ele. "Ns todos pensvamos que ele
era inofensivo, apenas um herbolrio simples e curandeiro. Mas ele estava
aguardando seu tempo, deixando-nos tornar despreocupados. Ento coisas
estranhas comearam a acontecer. Houve uma criana que morreu, quando todos
sabiam que ele estava dentro do poder de Malkallam para cur-lo. Malkallam o
deixou morrer, eles disseram. E outros dizem que ele usou o esprito para seus
propsitos malignos. Havia aqueles que queriam faz-lo pagar por seus pecados,
mas antes que pudssemos fazer algo sobre isso, ele fugiu para a floresta".
        "E esse foi o fim dele?" Will perguntou.
        O soldado balanou a cabea. "Havia histrias de contos-escuros que ele
cercou-se de monstros. Disformes, seres feios, eles eram. Criaturas com o mau-
olhado e com a marca do diabo sobre eles. Ocasionalmente, eles so vistos na
margem da floresta. Sabamos que ele estava fazendo o trabalho do diabo e
quando o Senhor Syron caiu sob um feitio, sabamos quem tinha lanado."
        "No h coincidncias", disse o sentinela. Os outros acenaram favorveis.
        "E o que Orman faz?" continuou o velho soldado. "Ele l seus
pergaminhos estranhos at tarde da noite, enquanto as pessoas decentes esto em
suas camas. Entretanto o que ns precisamos  liderana e algum com coragem
para enfrentar Malkallam, e lev-lo para fora de Grimsdell de uma vez por
todas."
        "Precisamos de mais homens se estamos indo fazer isso", disse o sargento
"Ns no poderamos enfrentar seus monstros com apenas uma dzia de ns.
Orman deve estar recrutando. Pelo menos Keren vem fazendo algo sobre isso..
        O homem mais velho balanou a cabea. "No tenho certeza se eu gosto
do que ele esteja fazendo l", disse ele. "Alguns desses homens que ele est
recrutando, eles so pouco mais que bandidos, se voc me perguntar."
        "Quando voc precisa de homens de combate, Aldous Almsley, voc
pega o que voc pode conseguir", disse o sargento. "Eu vou lhe garantir que eles
no so nenhum grupo de coristas, mas eu acho que Keren pode control-los
bem".
        Will apurou os ouvidos para as palavras. Isso era algo novo, ele pensou.
No entanto, ele teve o cuidado de manter a sua expresso desinteressada. Ele
ainda conseguiu um bocejo antes de perguntar, to casualmente quanto ele
conseguisse, "os homens que Keren recrutou?.
        O sargento balanou a cabea. "Como diz Aldous, voc no iria querer
olhar muito de perto em seus passados. Mas eu digo que vir o tempo que
precisaremos de homens duros e no vamos discutir muito sobre eles, ento."
        Will olhou ao redor do quartel. "Eles no esto aquartelados aqui?" ele
perguntou.
        Desta vez foi Aldous que respondeu. "Ele esta os mantendo separados.
Eles tm quartos na torre de vigia. Ele disse que era um arranjo melhor para
evitar qualquer possibilidade de atrito."
        Era evidente que os membros da guarnio normal tinham aceitado este
raciocnio, sem qualquer questo. Will estalou a caneca contra os dentes,
pensativo. Talvez ele fizesse sentido, ele pensou. Colocar dois grupos separados
de homens juntos na luta contra as condies bsicas no quartel poderia muito
bem ser uma receita para problema. Ainda assim, havia algo sobre o arranjo que
estava um pouco inquietante.
        "Talvez", disse o sargento, "quando se considera a situao entre Sir
Keren e Lord Orman, Sir Keren pensa que  sbio ter um grupo de homens leais
a ele, no que ele teria algum problema de ns, pense..
        "Embora", disse Aldous, "estamos sob juramento de obedecer s ordens
do senhor legtimo do castelo. E com o Senhor Syron fora de ao, esse 
Orman, quer queiramos ou no..
        "Juramento ou no", lascou em um terceiro soldado, duvido que ele
fosse encontrar qualquer um de ns disposto a agir contra Keren..
        Os outros todos favorveis murmuraram. Mas foi um resmungo baixo e
um ou dois olhares de relance sobre os seus ombros, mais uma vez, consciente
da natureza perigosa dos sentimentos que estavam expressando. Um silncio
caiu sobre o grupo e Will achou melhor seguir em frente. Ele no queria que
ningum registrasse o fato de que ele estava bombeando-os para obter
informaes.
        "Ah, bem," disse ele, "uma coisa  certa. Com os homens de Sir Keren na
torre, h menos para partilhar o resto do conhaque. E h poucos preciosos
restantes..
        "Ouam, ouam!" os soldados concordaram. E enquanto a jarra era
passada ao redor, a mente de Will estava correndo. A noite tinha-lhe dado muito
que pensar e ele comeou a desejar que ele tivesse esperado mais um dia antes
de enviar um relatrio para Halt e Crowley.
         Mais ao sul, dois seniores arqueiros estavam estudando o relatrio que o
pombo cansado tinha entregado uma meia hora antes. Houve tempestades e
ventos fortes no sul em seu caminho, mas o pequeno pssaro tinha voado
resistente no meio do tempo, chegando a o Castelo Araluen molhado e quase
esgotado. Um manipulador delicadamente destacou a mensagem de seu p e
colocou o pequeno pssaro fiel em uma gaiola quente em uma das torres
crescentes do Castelo Araluen. Agora, com as penas eriadas e a cabea debaixo
do seu brao, ele dormia, a sua tarefa havia sido concluda.
        Nem tanto para Halt e Crowley. O comandante do Corpo de Arqueiros
passeou para frente e para trs em seu quarto enquanto Halt lia as frases
truncadas de Will mais uma vez. Finalmente, o Arqueiro de barba-cinzenta olhou
para seu chefe com uma carranca.
        "Eu queria que voc parasse de passear", disse ele suavemente.
        Crowley fez um gesto de irritao.
        "Estou preocupado, caramba", disse ele, e Halt levantou uma
sobrancelha.
        "No me diga", afirmou com ironia suave. "Bem, agora que ns
estabelecemos esse fato e eu admito que sim, voc est preocupado, talvez voc
possa parar o seu passeio interminvel".
        "Se eu par-lo, ele dificilmente poder ser interminvel, poder?"
Crowley o desafiou. Halt apontou para uma cadeira no outro lado da mesa.
        "S me alegre e sente-se", disse ele. Crowley deu de ombros e fez como
lhe foi pedido. Ele sentou-se por completos cinco segundos, em seguida,
levantou e passeou novamente. Halt murmurou algo em sua respirao. Crowley
sups, corretamente, que era pouco lisonjeira, e optou por ignor-lo.
        "O problema " ele disse, "O relatrio de Will levanta mais perguntas do
que respostas..
        Halt assentiu. Ele estava prestes a vir em defesa de seu antigo aprendiz,
mas ele percebeu que Crowley no estava criticando o relatrio de Will. Ele
estava apenas afirmando um fato. Havia um monte de perguntas no respondidas
na breve mensagem: vistas e sons estranhos na Floresta, causadas aparentemente
por uma pessoa ou pessoas desconhecidas; atrito no castelo entre Orman e seu
primo; aparente incapacidade de Orman no comando, e o fato de que algum,
presumivelmente Orman, tinha arranjado para Alyss ser seguida enquanto ela
cavalgava em seu passeio matinal. Na maioria dos castelos, teria sido um
interessante conjunto de ocorrncias. Em um sitio vulnervel estrategicamente
como Macindaw, perto de uma fronteira hostil, isso era perigoso. Mas ainda...
        " cedo ainda", disse ele finalmente, e Crowley se deixou cair na cadeira
novamente, alastrando para os lados, uma perna sobre o brao armado. Ele
suspirou profundamente, sabendo que Halt estava certo.
        "Eu sei", disse ele. "Eu s quero saber se pode haver mais do que Will e
Alyss podem segurar at l." Halt considerou o ponto.
        "Eu confio em Will", disse ele, e Crowley fez um gesto de acordo.
Apesar da sua juventude, Will era altamente considerado entre os Arqueiros--
mais alto do que ele sabia. "E Pauline diz que Alyss  uma de suas melhores
agentes." Lady Pauline era um importante membro do Servio Diplomtico. Ela
tinha inicialmente recrutado Alyss e realizado a sua formao inicial. Alyss era
to protegido dela quanto Will era de Halt.
        "Sim. Eles so as escolhas certas para a tarefa, eu sei. E se ns enviarmos
muitas pessoas, corremos o risco de expor o nosso lado e fazer mais mal do que
bem.  s que eu tenho uma sensao engraada sobre isso. Como se algum
estivesse atrs de mim e eu possa senti-lo, mas no posso v-lo. Voc entende?.
        Halt assentiu. "Eu tenho o mesmo sentimento. Mas, como voc diz, se
exagerar as coisas, ns vamos estragar o jogo.".
        Houve um longo silncio entre eles. Ambos estavam de acordo. Mas
ambos tambm tiveram a mesma sensao desconfortvel.
        "Claro que podemos sempre enviar talvez mais uma pessoa para ajudar,
se precisar," Halt sugeriu.
        Crowley olhou rapidamente, ento disse: "S mais uma pessoa no seria
exagerar..
        "Algum que possa proporcionar um pouco de msculo, se precisarem,"
Halt continuou. "Para cobrir as costas, como se fosse".
        "Eu acho que me sentiria um pouco melhor sabendo que eles teriam at
um pouco mais de ajuda", disse Crowley.
        "E, claro," Halt acrescentou, "se ns enviarmos a pessoa certa, ele pode
fornecer mais do que apenas um pouco..
       Os olhos dos dois homens encontraram-se sobre a mesa. Eles eram os
antigos companheiros e amigos. Eles se conheciam h dcadas serviram juntos
em campanhas mais do que qualquer um poderia se lembrar. Cada um sabia
exatamente o que o outro estava pensando e cada um foi totalmente de acordo
com o outro.
       "Voc est pensando em Horace?" Crowley perguntou, e Halt assentiu.
       "Estou pensando em Horace", disse ele.

25

        Will no tinha idia de que seus superiores haviam decidido enviar ajuda
para ele e Alyss. O pombo que tinha carregado o seu relatrio foi o nico que
havia aprendido a rota entre o feudo de Norgate e o Castelo de Araluen. Assim
era o nico que poderia carregar uma resposta de volta para ele, e ele precisaria
de trs ou quatro dias antes que recuperasse a fora suficiente para realizar outra
viagem. Ento, naturalmente, ele iria retornar ao seu ltimo lugar- o poleiro do
conhecido de Alyss longe do castelo. At Will fazer contato com ele, ele no
seria informado de que a ajuda estaria a caminho.
        Se ele soubesse, ele poderia ter se sentido um pouco mais seguro. Horace
era apenas um homem, mas ele provou seu valor muitas vezes. Como um
aprendiz, ele havia sido um guerreiro extremamente talentoso, um natural, como
seus professores determinaram. Ele havia derrotado o rebelde Morgarath em um
desafio e mais tarde serviu com grande distino na guerra com os Escandinavos
contra os invasores Temujai. Alm disso, ele ganhou uma espantosa reputao
por sua habilidade em desafios, o nome do Guerreiro da Folha de Carvalho ainda
era falado com admirao em toda Gllica. Suas faanhas eram tantas que o Rei
Duncan no hesitou em formalmente lhe promover a cavaleiro antes que ele
houvesse completado a metade do tempo estipulado para o seu aprendizado.
        Portanto, a notcia de que o Horace estava a caminho poderia ter
contrariado o desconforto que Will sentiu nesta brilhante manh de inverno.
Ainda remoendo a conversa nas barracas, ele planejou ver Alyss assim que ele
encontrasse uma desculpa razovel, para falar sobre isso com ela. Ele j estava
meio inclinado a procurar ajuda de Sir Keren. Afinal, o jovem comandante das
tropas no era parecido com seu primo e ele tinha uma fora armada
independente sob o seu comando, o que poderia se provar valioso. Mas antes de
Will tomar uma deciso to radical, ele teria que discuti-la com Alyss.
        Ele tambm estava interessado em definir a data em que eles iriam
continuar a investigar o misterioso Malkallam--para ele era a pessoa por trs das
luzes, imagens e das tentativas de desencorajar os visitantes  Floresta
Grimsdell. Mas antes de qualquer uma das etapas acima pudessem ser efetuadas,
ele precisava inventar uma maneira de ter Alyss infiltrada para ele. Como
humilde bardo, ele mal podia entrar nos alojamentos das senhoras sem ser
convidado.
        No meio tempo, ele tinha ido aos estbulos para ter certeza de que Puxo
foi bem cuidado. E, desde que o co estava comeando a se inquietar nos
alojamentos confinados e ligeiramente abafados do castelo, ele o levara para os
estbulos para fazer companhia a Puxo. Ambos os animais pareciam satisfeitos
com o acordo quando ele os deixou juntos. Puxo tinha adotado uma atitude
divertidamente superior ao co, enquanto ela, por sua vez, pareceu aceitar o
cabeludo pnei de Arqueiro como um substituto razovel para o prprio Will. O
co no vaguearia, ele sabia, mas havia muitos novos e estranhos aromas e sons
e cantos estranhos para mant-la ocupado nos estbulos do castelo.
        Foi assim que ele a deixou l. Quando ele estava cruzando o ptio, uma
figura vagamente familiar deixou a portaria, caminhando em direo  torre
central. Ele era um homem alto, com cabelos negros e barba, e de uma distncia
Will no podia ver suas feies. Mas a maneira como ele se moveu, a maneira
como ele realizou isso, era familiar--assim como a lana de guerra pesada que
carregava em sua mo direita, erguendo-a facilmente, apesar do seu peso
considervel. Depois de hesitar alguns segundos, Will fez a conexo em sua
mente.
        John Buttle. O homem havia deixado com a tripulao Escandinava no
longnquo feudo Seacliff.
        "O que diabo ele est fazendo aqui?" Will murmurou para si mesmo.
Rapidamente, ele virou e caiu sobre um joelho, fingindo prender uma ala em
sua bota. Mas, felizmente, Buttle no estava olhando em sua direo. Ele entrou
na torre e Will esticou-se, sua mente correndo. Agora, Buttle deveria estar
seguramente abrigado em Skorghijl com a tripulao Escandinava, centenas de
quilmetros ao nordeste e bem fora do caminho. Mas seu retorno at aqui era um
verdadeiro problema. Afinal, ele tinha ouvido a conversa entre Will e Alyss e
sabia que...
        Ele parou no meio do pensamento. Alyss! Se Buttle a visse, ele poderia
facilmente reconhec-la. Claro, ele argumentou, seu penteado e roupas eram
mais elaborados agora, como convinha a uma senhora nobre. Quando Buttle a
tinha visto pela ltima vez, ela estava usando a simples, mas elegante tnica de
mensageira e seus longos cabelos tinham sido encurtados. Mas Alyss era uma
figura marcante e, dado o tempo suficiente, ele poderia se lembrar dela. Se ele o
fizesse, ele saberia que ela no era a cabea vazia Lady Gwendolyn, mas um
Mensageira do Servio Diplomtico.
        Se ele poderia reconhecer Will era um ponto discutvel. Ele no iria olhar
para v-lo nas roupas brilhantes e espalhafatosas de um bardo. Ele sabia que Will
era um Arqueiro e ele iria esperar v-lo em tediosos trajes Arqueiros simples.
Como Halt havia lhe ensinado, as pessoas tendem a olhar para o que esperam
ver. Alm disso, a luz tinha sido incerta nas sombras perto da porta onde haviam
batalhado. Mas uma vez que ele reconhecesse Alyss, seria apenas uma questo
de tempo antes que ele fizesse a conexo com o outro estranho no castelo.
        O primeiro passo de Will ficou claro. Ele tinha que avisar Alyss
imediatamente. Ela simplesmente teria que se manter fora de vista at eles terem
resolvido este inesperado novo desenvolvimento. Ele comeou a caminhar para a
porta, ento hesitou. Buttle havia passado por l e no tinha idia de onde ele
poderia estar agora. Ele pode estar l dentro, no salo principal. Ou ele pode at
estar voltando para fora de novo. Will olhou ao redor para uma entrada
alternativa para a torre. As cozinhas, ele sabia, se abriam na parte de trs do
ptio. Ele iria por esse caminho.
        Antes que ele pudesse se mover, uma mo pesada caiu sobre seu ombro.
Ele virou-se e viu-se olhando para o firme rosto do sargento. Dois outros
membros da guarnio estavam perto, suas mos nas armas. No havia nenhum
sinal de simpatia da noite anterior. Os trs homens estavam todos a trabalho.
        "S um momento, bardo", disse o sargento. "Lord Orman quer ter uma
palavra com voc."
        Will avaliou a situao. O sargento era velho e lento, embora um
guerreiro experiente. E os outros dois eram apenas mera infantaria, suas
habilidades de armas no eram susceptveis de serem muito avanada. Ele estava
confiante que conseguiria lidar com pelo menos dois deles antes que eles
pudessem tirar as suas armas. Mas ainda sobraria um para soar o alarme-- e a
portaria e a ponte levadia a trinta metros ocupado por mais trs ou quatro
homens armados.
        Ele nunca sairia do castelo, se ele tentasse lutar agora. A nica coisa que
podia fazer era tentar blefar para sair. Ele fez essa avaliao em cerca de meio
segundo.
        "Muito bem SAR...major," ele respondeu, sorrindo. "Eu vou v-lo
quando terminar o meu recado."
        A mo no se mexeu em seu ombro.
        "Agora", o sargento disse com firmeza, e Will encolheu os ombros.
        "Claro, agora  conveniente para mim tambm", disse ele. "Mostre o
caminho". Ele apontou para o soldado para ir  frente dele, mas o homem mais
velho manteve-se firme. Seus olhos estavam srios.
        "Depois de voc bardo disse ele.
        Will deu o que ele esperava que fosse um indiferente encolher de ombros
e abriu o caminho atravs do ptio. Os trs soldados entraram no local em torno
dele, o sargento atrs dele e os outros dois flanqueando. Suas botas pesadas
tocaram nas pedras quando se aproximaram da porta.
        Will fez uma prece silenciosa para que no encontrasse Buttle em seu
caminho. Um homem ser to obviamente escoltado seria obrigado a chamar a
ateno e se Buttle olhasse de perto, ele poderia muito bem reconhec-lo, em
roupas de bardo ou no.
        Felizmente, no havia nenhum sinal de seu ex-prisioneiro quando eles
entraram. O sargento empurrou-o com um objeto duro e brusco--Will percebeu
que tinha tirado a pesada clava que ele usava na cintura--e se dirigiram s
escadas para os quartos de Orman.
        Como era moda, as escadas curvavam para a direita, de modo que um
atacante lutando no caminho para cima teria de expor todo o seu corpo a usar a
espada, enquanto um defensor acima dele poderia atacar apenas com o brao
direito e lado exposto. Ele podia ouvir o sargento comear a respirar
pesadamente atrs dele enquanto eles subiam e os dois homens nos flancos
tiveram que ficar para trs na escada estreita. Ele poderia facilmente correr para
longe deles, ele percebeu. Mas a pergunta ficou, onde ele poderia ir? Mais uma
vez, ele decidiu esperar pelo momento certo, para uma oportunidade melhor.
Uma vez que ele tentasse fugir, ele sabia, qualquer chance de fingir inocncia
acabaria. Ele decidiu esperar at que suas chances de sucesso fossem melhores.
Aqui, no corao do castelo de Orman, com homens armados por trs dele e
nenhum lugar para ir alm de para cima, as chances no pareciam muito boas.
         Eles chegaram  sute de Orman no quarto andar de quartos. Will hesitou
na porta para a ante-sala, mas a clava incitou-o uma vez mais.
         "V em frente", o sargento ordenou com a voz severa e, sem escolha a
no ser obedecer, Will fez como lhe foi dito.
         Xander estava em sua mesa na sala de entrada. Ele olhou para cima
quando eles entraram sem bater. Se ele ficou surpreso ao ver o bardo sendo
escoltado por trs homens armados, ele no deu nenhum sinal. Ele levantou a
mo, apontando-lhes para parar, ento saiu de trs de sua mesa cheia de papel e
abriu a porta do escritrio interior. Will ouviu sua voz calma.
         "Os homens trouxeram o Bardo, meu senhor", disse ele. Houve um
murmrio indistinto de dentro do quarto e, ele inclinou a cabea rapidamente e
saiu, fazendo sinal para o sargento e Will para entrar quando ele abriu a porta
mais larga.
         A clava cutucou Will novamente. Esse pequeno hbito estava comeando
a irrit-lo e ele foi tentado a tomar a arma do sargento e lhe dar um pouco de seu
prprio estmulo. Verdade seja dita, ele estava curioso para saber o que Orman
queria dele, e enquanto ele no convocasse mais guardas, Will estava confiante
que podia escapar a qualquer momento que ele escolhesse.
         Orman estava atrs de sua mesa de trabalho. Will notou que os livros
sobre magia ainda estavam entre seus papis, um deles deitado aberto em uma
pgina marcada com um marcador de couro. Orman estava vestindo sua habitual
tnica escura e ele parecia estar debruado sobre a poltrona de madeira. Mudou-
se desajeitadamente quando acenou para Xander sair, quase como se ele
estivesse com dor. Sua voz, quando ele falou, confirmou a impresso. Ele
parecia estar formando as suas palavras com dificuldade e sua respirao era
pesada e difcil.
         "Muito bem, sargento. Algum problema com ele?"
         "Nenhum, senhor. Veio direto e pacificamente", anunciou o soldado.
Orman assentiu lentamente.
         "Bom. Bom, murmurou para si mesmo. Houve uma pausa enquanto ele
respirava pesadamente, em seguida, ele estalou os dedos de uma mo para o
sargento, num gesto de dispensa.
         "Muito bem, sargento. Voc pode nos deixar. Espere l fora, por favor."
         O velho soldado hesitou. "Tem certeza, meu senhor?" ele perguntou
incerto. "O prisioneiro pode tentar..." Ele parou no meio da frase. Ele no estava
certo do que Will poderia fazer. Na verdade, ele no tinha nem certeza de que ele
era um prisioneiro. Ele havia sido ordenado a levar dois homens e ir busc-lo
logo e que ele tinha assumido que tinha um problema com bebidas. Agora,
quando Orman o dispensou, ele comeou a se perguntar se isso era apenas uma
questo social e lembrou-se com alguma preocupao o estmulo que ele estava
fazendo em todo o caminho nas escadas.
        "Est tudo certo, V". A voz de Orman era um sussurro baixo, mas a nota
de aborrecimento foi claro na mesma. Ele estava definitivamente com dor, Will
pensou. Ele ouviu o soldado vir com ateno para trs dele, em seguida, suas
botas enquanto caminhava at a porta. Ele parou ali, ainda incerto da situao.
        "Eu vou esperar l fora, ento, meu senhor", disse ele, em seguida,
acrescentou: "... com os meus homens".
        "Sim. Sim. Faa o que voc escolher disse-lhe Orman. A porta fechou
quando o sargento saiu. Orman levantou desajeitadamente, favorecendo o seu
lado esquerdo. Will podia ver agora que seu brao esquerdo estava grudado a seu
lado, quase como se ele estivesse sofrendo de costelas quebradas. Ele estremeceu
quando se moveu em torno da mesa e parou diante de Will, sua respirao veio
forte, como se deslocar-se em uma curta distncia fosse um esforo enorme para
ele. Will foi em sua direo.
        "Senhor Orman, voc est bem?" ele disse, mas Orman ergueu a mo
para det-lo.
        "No. Como voc pode ver, eu no estou. Mas h pouco que voc pode
fazer sobre isso."
        "Voc est ferido?" Will perguntou. "Eu posso enviar um recado para o
seu mdico." Mas Orman foi sacudindo a cabea, e um riso duro escapou de seus
lbios.
        "Eu duvido que qualquer curandeiro neste castelo pudesse ajudar com o
que tenho", disse ele. "No. Eu preciso de ajuda de outro tipo." Ele fez uma
pausa, e seus olhos ardiam em Will, quando ele acrescentou, "Eu preciso da
ajuda de um Arqueiro."

26

       A sala ficou em silencio. Will se calou. Foi a ltima coisa que ele
esperava ouvir de Orman. Ele se recuperou, sabendo que sua reao foi tarde
demais, mas determinado a tentar blefar de qualquer maneira.
       "Um Arqueiro, Lord Orman?" disse ele. "Eu sou apenas um simples
bardo." Ele forou um sorriso auto-depreciativo e continuou: "E, como voc
apontou vrias vezes, um bastante decepcionante."
       Orman fez um gesto de repdio e afundou-se penosamente para uma das
cadeiras de encosto reto em frente  sua mesa.
       "No troque palavras comigo. Eu no tenho fora. Olhe, eu preciso de
ajuda e eu preciso disso rpido. Eles finalmente me pegaram, do mesmo modo
como pegaram meu pai. Como voc pode ver, eu estou doente, e daqui a pouco
tempo eu vou afundar em coma e depois no haver ningum para det-los.
       "Eles?" Will perguntou. "Quem so eles?"
       Orman gemeu novamente, segurando seu estmago e curvando-se
quando uma onda de dor bateu nele. Will podia ver o suor no rosto do homem--
ele estava obviamente em um mau estado. "Keren!" Orman suspirou finalmente.
Quem diabos voc pensaria? Ele est por trs da doena do meu pai. Ele esta
tentando assumir o controle do castelo!"
        "Keren?" Will repetiu. "Mas..." Fez uma pausa e Orman, mais forte agora
que a mar de dor havia diminudo um pouco, continuou irritado.
        Oh, claro. Ele te convenceu, assim como todos os outros. Acho que voc
imaginou que eu estava por trs de toda a trama para se livrar do meu pai?" Ele
olhou para Will para confirmar. Vendo os olhos do rapaz, ele acenou com a
cabea resignadamente. A maioria das pessoas faz.  to fcil pensar assim,
quando uma pessoa no  popular, no ? "
        No houve nada para Will dizer. Foi precisamente a maneira como ele
reagiu, agora que ele pensava sobre ele. Ele no gostava de Orman a antipatia
que o levou  concluso de que o Lord temporrio de Macindaw no era
confivel. Por outro lado, Sir Keren aberto, amigo da natureza levou-o para ver o
homem como um aliado em potencial. Mas mesmo assim, havia somente a
palavra Orman para levar em conta aqui. O homem de rosto plido continuava.
        "Olhe, voc pode ser muitas coisas, mas eu duvido que voc realmente 
um bardo." Ele ergueu uma mo para evitar o protesto automtico de Will.
"Voc  talentoso o suficiente, eu acho, embora a sua msica no seja do meu
agrado. Porm, voc deu uma bola fora no outro dia quando eu entrevistei voc."
        "Bola fora?" A mente de Will piscou de volta  conversa que teve com
Orman, pouco antes da chegada de Alyss.
        Eu perguntei sobre a sua Mandola, lembra? Perguntei se era um Gilperon.
"
        "Sim", Will disse lentamente. Ele se perguntou onde isso aconteceu. Ele
se lembrou de alguns momentos de confuso quando Orman perguntou a
questo, os momentos em que ele tentou encobrir o fato de que ele no tinha
ouvido falar do mestre luti, Gilperon. "Simplesmente o seu nome me escapou
na poca, Lord Orman", disse ele. Como lhe disse, um msico nunca poderia
comprar um instrumento Gilperon real, to simplesmente o nome me escapou
por alguns segundos."
        "No h Gilperon. O nome  Gilet", disse categoricamente Orman.
"Qualquer bardo de verdade saberia isso"
        Will fechou os olhos rapidamente com raiva. Foi um truque muito antigo
com Orman o pegou, mas ele havia funcionado. E agora ele no via sada para a
armadilha.
        Orman continuou. "Ento eu verifiquei o seu cavalo  muito semelhante 
raa que os Arqueiros usam. E parece ser muito bem treinado. At mesmo sua
roupa d uma dica. Ele apontou para o vistoso manto preto-e-branco que usava.
" semelhante s capas de camuflagem que os Arqueiros vestem. Claro, as cores
so diferentes, mas em um local cheio de neve, como temos aqui, preto e branco
seria o ideal. Imagino que voc poderia desaparecer no ptio no momento que
voc escolhesse fazer.
        " uma teoria fascinante, senhor," disse Will. Mas, infelizmente, 
realmente s uma srie de coincidncias. Ele viu a ira incendiar rapidamente
nos olhos Orman e depois o outro homem respondeu.
        "No desperdice meu tempo. No tenho muito sobrando. Eles
conseguiram me envenenar da mesma maneira que fizeram com meu pai. A dor
est se tornando cada vez pior e em questo de horas, eu vou estar inconsciente.
E ento eles tero tudo que eles querem. Voc tem que me tirar daqui.
        "Voc quer sair daqui?" Will disse, a surpresa evidente em sua voz. Essa
foi a ltima coisa que ele esperava.
        "Eu tenho que, voc no v?" Orman disse desesperadamente. Eu tentei
lutar contra eles nas ultimas semanas, mas eles gradualmente se infiltraram no
castelo. Keren est recrutando seus prprios homens e, gradualmente, se livrando
dos que so leais a mim. Mal tenho uma dzia de homens que eu posso confiar
atualmente, enquanto ele tem vrios homens leais a ele.
        Outro espasmo de dor bateu nele e ele se dobrou, gemendo em agonia.
Ele ficou incapaz de falar por algum tempo, ento ele continuou com uma voz
fraca.
        "Keren quer o castelo. Ele  um primo ilegtimo, assim no h como ele
colocar as mos sobre ele legalmente. Por algum tempo, eu j suspeitava que ele
havia feito um acordo com o comandante Escocs para controlar o condado--
contanto que Keren fique com o castelo. Se eu estiver certo, uma vez que a neve
abaixar, os Escoceses viro direto pelas passagens e ocuparo o condado inteiro.
Sem Macindaw para ameaar suas linhas de fornecimento, eles sero capazes de
sitiar Norgate e todo o feudo vai cair antes da Primavera comear.  isso que
voc quer?" acrescentou amargamente. Ele podia ver que Will estava hesitando e
ele seguiu em frente.
        "Se Keren tiver eu e meu pai em seu poder, ele no hesitaria em nos
matar e tomar o controle. Ah, ele no faria isso obviamente. Ele no  poderoso
o suficiente para sair facilmente com isso--ainda. Por isso que ele reacendeu a
velha lenda sobre o feiticeiro. Ele sabe que pessoas assustadas vo procurar por
uma liderana forte--que ele pode proporcionar. Ele esta envenenando meu pai.
Ele est mantendo-o inconsciente e agora ele est planejando o mesmo para
mim. Se ambos morrem por a to falada maldio do feiticeiro, ele vai ter as
mos livres para tomar o controle, e ningum vai se opor a ele. Ele vai ser o
nico parente vivo.
        Mas se eu puder fugir, ele no poder se clamar o Lord de Macindaw.
Enquanto eu estiver vivo, ele estar em um beco sem sada e ele no ganharia
nada por matar o meu pai. Ao contrrio, ele provavelmente vai mant-lo vivo
como um refm. At os Escoceses chegarem aqui, Keren deve jogar seu jogo
com cuidado. Se ele for bvio demais, o povo se levantaria contra ele. Mas
quando ele se estabelecer como Lord de Macindaw, vai ser uma histria
diferente. Ento, no tempo que os Escoceses chegarem para apoiar ele, vai ser
tarde demais."
         "Como  que ele envenenou voc?" Will perguntou, Orman e encolheu
os ombros.
        "Eu tenho que comer e beber. Quem sabe? Eu tentei ser cuidadoso e ter
minha comida preparada separadamente. Mas eles podem ter pegado um de
meus servos. Ou talvez eles colocaram seu veneno maldito dentro da gua." Ele
apontou para os livros sobre a arte negra que estava sobre a mesa de trabalho.
"Eu senti o veneno chegando por dias. Eles fazem efeito lentamente, voc v.
Estive passando por esses livros malditos tentando encontrar alguma pista,
algum antdoto, mas at agora no tive qualquer sucesso."
        Will olhou para os livros quando o outro homem apontou para eles. "Ah,
entendo", disse. Eu pensava..." Ele no terminou o pensamento. Orman sorriu
tristemente com ele.
        "Voc pensou que eu era um bruxo? Voc achou que eu estava por trs
da doena do meu pai?" disse ele. Will assentiu. No havia nenhum ponto em
neg-lo.
        "Parecia uma teoria lgica", disse ele.
        Orman assentiu com a cabea cansada. "Como j disse, quando uma
pessoa no  popular,  mais fcil pensar mal dela." Ele se levantou da cadeira
movendo-se dolorosamente. Agora minha maior esperana  que voc seja um
Arqueiro, porque eu preciso de ajuda para escapar deste castelo e tenho dvidas
se um simples bardo seria  altura da tarefa. Ele fez uma pausa e depois
acrescentou: "Eu suponho que Lady Gwendolyn  tambm mais do que ela
parece?"
        "Como voc..." Will comeou, depois parou, percebendo que ele tinha
falado demais. Orman sorriu.
        "No suponha que porque uma pessoa no  popular, ele tambm seja
estpido," disse. "Vocs dois apareceram quase que simultaneamente, em
seguida, Lady Gwendolyn convocou voc para seus aposentos. Muito
conveniente. E ento vocs simplesmente saram para cavalgar ao mesmo tempo.
Eu no sou um tolo."
        Os eventos aconteceram to rpido nos ltimos minutos que Will tinha
esquecido sobre a necessidade de alertar Alyss para ficar fora da vista. Tomando
uma deciso, ele informou Orman sobre a situao, dizendo-lhe sobre o
aparecimento surpreendente de Joo Buttle. O Lord do castelo franziu a testa
pensativo.
        "Isso  um problema," disse. Ele  um dos homens de Keren, com
certeza--um novo recruta. Keren parece encontrar todos os ladres e assassinos
disponveis que perambulam pelo Condado. Eles orbitam em torno dele. Ao
mesmo tempo, ele est se livrando dos homens que podem ser leais a mim. Vou
enviar Xander para passar a sua mensagem para ela. Melhor se voc no for
visto por Buttle, eu acho. Ento nos deixe pensar sobre como ns trs podemos
sair daqui. "
        Ele pegou um pequeno sino de prata em sua mesa e tocou-o. Houve uma
pausa, a porta se abriu e Xander entrou. Rapidamente, Orman lhe deu suas
instrues enquanto Will despachou uma nota curta para que ele levar a Alyss. O
empregado, olhando preocupado, dobrou a nota no topo de sua jaqueta e saiu da
sala. Outro pensamento incomodou Will. Ele expressou-o agora.
        "O Guerreiro Noturno--as aparies na floresta Grimsdell-- Keren por
trs delas tambm? O que ele ganha com elas?"
        "Oh, voc os viu, no?" Orman perguntou. Ento, ele deu de ombros.
"Para ser honesto, eu no sei. Talvez esse ex-curandeiro Malkallam esteja por
trs disso tudo. Ou talvez seja Keren. Talvez eles estejam mesmo trabalhando
juntos. Ento, novamente, Keren pode simplesmente ter aproveitado das
aparies de usar a velha lenda em seu prprio benefcio".
        Ele estremeceu de dor novamente. "De qualquer forma, ns precisamos
descobrir se  o Malkallam", disse. Will o olhou, uma pergunta em seus olhos e
ele elaborou.
        Ele pode ser o nico que pode me curar. Eu preciso de voc para me
levar a ele".

27

        "Voc est louco?" Will subiu a voz um tom quando ele reagiu 
declarao de Orman. "Voc acha que Malkallam ir ajud-lo? Ele  um inimigo
jurado de toda sua famlia!" Mas Orman apenas balanou a cabea, o esforo
aparentando ter custado muito a ele.
        "S se voc acredita em contos de fadas", disse ele. "Eu no acredito que
Malkallam est por trs de tudo isso. Eu no acredito que ele  um feiticeiro.
Durante anos, o homem trabalhou como curandeiro--um herbolrio --e um
muito bom. Mas ento algo saiu errado e ele desapareceu da vista .As pessoas
disseram que ele entrou na floresta e cercou-se com foras obscuras e aparies."
        "O que deu errado?" Will perguntou, e Orman encolheu os ombros. No
minuto em que ele fez isso, ele se arrependeu, dando vazo a um grunhido de dor
pouco antes de responder.
        "Quem sabe? Talvez em algum lugar ao longo do caminho, as pessoas
comearam a confundir suas habilidades com a feitiaria. Isso j aconteceu
antes, voc sabe--algum desenvolve uma habilidade que  um pouco fora do
comum, e pouco tempo depois, as pessoas comeam a acreditar que  mgica."
Ele fez uma pausa para tomar flego e olhou significativamente para Will.
"Como um Arqueiro, voc deve entender isso."
        Will foi obrigado a concordar. Era exatamente a maneira como muitas
pessoas pensavam dos Arqueiros. E, ele percebeu, ele e Alyss j tinham visto
que um monte da chamada feitiaria do Malkallam consistia em elaborar truques
mecnicos. Mas ainda...
        "Voc pode dar ao luxo de arriscar?" ele perguntou. "Voc est
assumindo um destino terrvel, afinal de contas".
        Orman deu-lhe um sorriso fino. No havia nenhuma diverso nele.
        "A questo , eu posso me dar ao luxo de no arriscar? Malkallam  a
nica pessoa em centenas de quilmetros que pode ter a habilidade para
reconhecer esta droga e encontrar um antdoto. Sem ele, eu vou afundar em um
coma e eventualmente morrer."
        Will franziu a testa, pensativo enquanto ele digeria essa afirmao. O
Lord do castelo estava certo, ele percebeu. Malkallam era uma ltima cartada.
No havia outro caminho para Orman seguir.
        A porta se abriu e Xander entrou. No momento em que o secretrio
entrou no escritrio, Will viu o olhar no seu rosto e sabia que ele tinha ms
notcias.
        "Meu senhor, eu no consegui alcan-la. Os homens de Keren esto em
toda parte", disse ele.
        Orman amaldioou quando outro ataque o atingiu. Quando Xander
moveu em direo ao seu Senhor, Will entrou para bloquear seu caminho. Ele
sentiu uma mo fria apertar em torno do corao.
        "Quer dizer que eles o pararam?" ele disse, e acrescentou, com uma nota
de condenao contundente: "Voc sequer tentou chegar a ela, no ?"
        O pequeno secretrio encontrou o seu olhar com firmeza. "Eu no tentei
uma vez que os vi, porque eu sabia que eles iriam me ver. E eu no queria
comprometer a Lady Gwendolyn", disse ele.
        Will estendeu a mo e agarrou a tnica do pequeno homem com as duas
mos, puxando-o mais perto.
        "Seu covarde!", disse ele. "O que voc quer dizer, complicar ela?"
        Xander ainda encontrava o seu olhar, sem qualquer sinal de medo. Ele
no fez nenhum esforo para se libertar das garras de Will.
        "Pense nisso, Arqueiro. Eu sou visto com pressa para entregar algum tipo
de mensagem a Lady Gwendolyn. Ento, dentro de uma hora, ns trs
escapamos do castelo. Voc acha que Keren no vai somar dois mais dois e
perceber que ela est trabalhando com voc?
        Lentamente, Will largou seu punho e o secretrio recuou, alisando o
colarinho amassado. Ele estava certo, Will pensou. Qualquer tentativa de alertar
Alyss s a colocaria em risco no momento. No entanto, se ela encontrasse com
Buttle, se Buttle a reconhecesse de alguma forma, ele iria ter uma palavrinha
com ela.
        "Eu tenho que ajud-la", disse ele.
        Orman balanou a cabea, cansado. " tarde demais para isso", disse ele.
"Se Xander fala a verdade e os homens de Keren esto por toda parte, ele pode
estar prestes a fazer seu movimento. Temos apenas alguns minutos para sair
daqui."
        A ira de Will ferveu e transbordou. "Isso  tudo que voc pode pensar?,
perguntou ele. "Sua prpria preciosa pele? Bem, para o inferno com voc! Eu
no deixar meus amigos quando eles precisam de mim."
        Orman no disse nada. Mas Will ficou surpreso quando Xander deu um
passo em direo a ele e ps a mo em seu brao.
        "Lord Orman est certo", disse ele. "Sua melhor chance  tir-lo daqui
imediatamente. Se voc for pego no castelo, no haver nada para parar Keren
de matar todos vocs, voc no v?"
        Will compreendeu que Xander tinha falado a verdade. Sua primeira
tarefa, agora que ele sabia que Orman no era um rebelde, era deix-lo em
segurana. Mas, para isso significava deixar Alyss em perigo e que ele odiava a
idia de fazer isso.
        "Ns estamos perdendo tempo", disse calmamente Orman. "Olha, sua
amiga pode ser capturada. Ou no. Mas se eles nos pegam tambm, no haver
razo para Keren mant-la viva, principalmente quando ele descobrir que ela 
uma Mensageira. Mas se ele no me tem, ele no pode reivindicar o castelo, e ele
vai precisar para cobrir suas apostas. Voc pode at mesmo oferecer-me para
trocar por Gwendolyn se voc quiser. Isso vai garantir que ele cuide dela." Ele
fez uma pausa, deixando Will pensar sobre isso. "Parto do princpio de que
Gwendolyn no  seu verdadeiro nome?", acrescentou.
        " Alyss", Will disse, distraidamente. Ele estava pensando sobre o que
Orman havia dito. Fazia sentido. Uma vez que todos eles forem presos, Keren
no teria nenhum motivo para deixar qualquer um deles vivo. Mas se ele e
Orman pudessem fugir, ele poderia usar Orman como moeda de troca. Enquanto
ele pensava, ele se perguntou se ele iria realmente trocar o Lord do castelo por
Alyss. Ele decidiu que se isso viesse a acontecer, ele o faria.
        "Tudo bem", disse ele abruptamente. "Ns vamos fazer isso." Ele fez
uma pausa, reunindo seus pensamentos, em seguida, deu ordens rapidamente.
        "Junte suas coisas", disse ele a Orman. Iremos viajar leves, ento leve
apenas o estritamente necessrio. Agasalhos, um bom casaco e botas. Iremos
dormir na rua, eu acho. Eu vou para os estbulos selar dois cavalos." Will parou,
olhou para o secretrio e alterou a declarao. "Trs cavalos. Xander, voc pode
levar Lord Orman para a entrada oriental sem atrair muita ateno?"
        A entrada oriental era a que dava para o ptio, em frente ao estbulo. O
pequeno secretrio assentiu com a cabea.
        "H uma escadaria de empregados. Usaremos isso", disse ele. Will
concordou.
        "Bom. Esteja l em dez minutos. Eu vou ter os cavalos prontos dentro do
estbulo e quando o ver, eu vou lev-los at vocs".
        "Ento o qu?" Orman perguntou.
        "Ento, ns cavalgaremos como nunca para o porto", disse Will. O rosto
do outro homem se contorceu em um sorriso sarcstico, apesar de sua dor.
        "No  exatamente um exemplo clssico de engenhosidade, no ?", disse
ele. Will deu de ombros.
        "Se voc quiser, ns vamos cavar um tnel secreto, ou poderamos usar
disfarces inteligentes. Mas enquanto fizermos isso, ns estaremos todos mortos.
Nossa melhor aposta  a de se mover rapidamente e surpreend-los. Presumo
alguns seus homens ainda esto nas muralhas?"
        Orman assentiu. "Alguns sero meus homens. Mas no muitos."
        "Tudo bem". Will olhou para Xander. "Tire-o daqui agora, e use a escada
de trs. Se Keren e seus homens vierem, eu no quero os dois presos aqui. Mas
se eles no puderem encontrar voc, pode nos ganhar um pouco de tempo. Eles
podem no perceber que estamos fugindo ainda. dez minutos", repetiu ele.
        Ambos os homens concordaram. Ele correu para a porta, abriu uma fresta
e olhou para fora. No havia ningum na sala exterior. Xander, aparentemente,
dispensou o sargento e seus homens. Will atravessou rapidamente a porta
exterior, verificou novamente e saiu. O corredor de fora estava deserto. Havia
dois guardas longe, mas alm de um olhar indiferente em sua direo, no
tomaram conhecimento dele. Forando-se a andar calmamente, dirigiu-se para a
escada e comeou a descer.
        Seus nervos gritaram para ele quando ele atravessou o salo principal e,
em seguida, o ptio exterior. Cada fibra de seu ser queria correr, para chegar ao
estbulo to rapidamente quanto podia. Mas ele se obrigou a andar casualmente,
para evitar atrair ateno para si mesmo, esperando o tempo todo por algum sinal
de que o alarme tinha sido acionado.
        Uma vez dentro do estbulo escuro, no entanto, qualquer pretenso de
descontrao desapareceu. Ele correu para o estbulo de Puxo, tirando sua sela
e rdeas do trilho ao lado. Ambos, Puxo e o co o ouviram chegando e foram
alertados por seu comportamento. Puxo permaneceu parado quando Will jogou
a xairel e sela nas costas dele e prendeu os permetros. O co estava de guarda,
percebendo que havia algo fora do comum. Quando Puxo estava selado e
pronto, Will pegou as partes de seu arco da albarda e apressadamente os
encaixou. Sua aljava de flechas estava pendurada perto e ele atirou sobre a sua
sela, em seguida, levado Puxo para fora do estbulo.
        Ele apressadamente procurou os estbulos ao lado por duas montarias
adequadas. Seu prprio cavalo de carga era um animal robusto o suficiente, mas
seria muito lento se houvesse qualquer perseguio. Havia vrios cavalos de
batalha disponveis, mas ele ignorou. Ele no acreditava que Orman ou Xander
seriam capazes de lidar com animais to grandes. Ele tinha percebido uma boa
gua mais cedo e ele a levou para fora agora, apressadamente colocando sela e a
rdea nela. Ela era calma e dcil, mas parecia que ela teria velocidade decente.
Amarrou-a ao lado de Puxo e correu a linha de estbulos,  procura de um
terceiro cavalo.
        Na extremidade final do estbulo, encontrou um velho cavalo cinza que
no estava muito nervoso. Selou-o, ento verificou a firmeza da baa e a
castrao. Ele no faria a sela escorregar quando Orman e Xander tentassem
montar. Com os cavalos prontos, moveu-se para a entrada e aliviou um lado da
porta dupla aberta, olhando para o porto atravs da estreita abertura. Ele viu um
breve movimento na porta leste e percebeu que era Xander, situando-se apenas
dentro da meia porta aberta,  sombra do interior. Uma figura escura pouco
visvel por trs dele--Orman, ele esperava, e ento percebeu que poderia ser um
dos homens de Keren. Ele deu de ombros. Havia apenas uma maneira de
descobrir.
        "timo", ele murmurou. Olhou para o co, que estava olhando com
expectativa para ele, orelhas em p e olhos questionadores. "Siga", disse ele, em
seguida, acrescentou: "silenciosa". Ele reforou o comando de palavra com o
sinal de mo que ele lhe ensinou. O co, o contente agora que ela sabia o que era
esperado dela, caiu para suas ancas, pronta para se mover.
        Apressadamente, Will prendeu uma corda ligando os outros dois cavalos,
amarrando o fim na sela de Puxo. Ento ele moveu-se rapidamente para a porta
mais uma vez, facilitando um lado aberto. Ele correu, virou-se rapidamente na
sela e tocou o cavalo pouco com os calcanhares.
        Houve um arrastar momentneo na corda quando a gua e o cavalo
castrado resistiram o puxar, ento eles ruidosamente saram no calo atrs de
Puxo, movendo-se j em um trote. O co caiu junto ao lado Puxo, uma sombra
preto-e-branco correndo de barriga para baixo no cho.
        Xander j estava ajudando Orman a descer os trs degraus para chegar ao
porto. O Lord do castelo parecia estar em ms condies, apoiado pelo brao de
seu secretrio em torno de seus ombros. Houve um momento de confuso,
quando Will arrastou a corda para trazer os cavalos a uma parada. Puxo,
percebendo o que ele tinha em mente, apoiou suas pernas robustas para parar os
outros cavalos. Eles mergulharam e puxaram por alguns segundos, ento Xander
prendeu as rdeas da gua e segurou-a firme quando Orman tentou puxar a si
mesmo para a sela. Will ouviu a sua rpida e dolorosa ingesto de ar e tambm
ouviu a voz de uma das ameias quando a sbita turbulncia do movimento
chamou a ateno dos guardas. Ele deslizou uma flecha da aljava e colocou-a na
corda do arco. Xander teria que ajudar Orman por si mesmo. Seria tarefa de Will
cuidar de toda a oposio que poderia mostrar-se.
        Enquanto ele tinha o pensamento, ele ouviu gritos abafados de dentro da
torre, e o som de ps correndo. Ele olhou para Xander, lutando com o peso de
seu mestre quando a gua pisou irrequieta afastada em um pequeno meio-crculo.
Will induziu Puxo para o lado da gua, segurou seu arco em uma mo, alcanou
com a outra mo e soltou a correia Orman, puxando-o para a sela enquanto
Xander empurrava de baixo. O Lord do castelo gemia de dor, mas ele estava
montado e agora Xander estava lutando para conseguir por o p no estribo
enquanto o cavalo castrado danava nervoso, afetado pela tenso e emoo.
        Atrs dele, ele ouviu a fechadura do porto fazer um barulho, ento a
pesada porta se abriu por algum de dentro. Torcendo na sela, mal olhando, ele
disparou, batendo uma flecha tremula na madeira do batente na altura do rosto.
Ele ouviu um grito assustado e a porta bateu novamente.
        "Vamos!" ele gritou. No havia mais tempo a perder. Ele tocou Puxo
com suas botas e o pnei cavalgou para longe, arrastando os outros para trs do
fio de corda. Ele olhou por cima do ombro, viu Xander meio dentro e meio fora
da sela, agarrando-se desesperadamente a crina do cavalo castrado. Ele no
poderia ceder ao homenzinho mais nenhum tempo ou pensamento. O porto
estava na frente deles e uma das sentinelas estava correndo incerto em direo ao
molinete gigante que operava a ponte levadia. Will enviou uma flecha
assobiando passando na orelha do homem e o viu cair no cho em busca de
cobertura.
        Havia mais gritos atrs deles agora e pelo canto do seu olho, Will viu o
movimento nas ameias  frente deles, e ouvi um dardo de besta, raspando sobre
as pedras na frente de Puxo.
        Sem pensamento consciente, aparentemente sem apontar, disparou de
novo e uma figura caiu do parapeito para o ptio, sua besta fazendo barulho nas
pedras ao lado dele.
        Ento os cascos dos cavalos estavam trovejando sobre a floresta da ponte
levadia e o arraste da corda virtualmente acabou quando o castrado e a gua,
empenhados pela excitao do momento, acompanharam o ritmo de Puxo. Eles
se atiraram na escurido sob a pesada porta da torre, ento saram para a luz do
sol de inverno. Em segundos, os cascos eram tambores no cho duro congelado
no final da ponte e eles ficaram silenciosos. Ele sentiu o assobio de dardos no ar,
mas havia apenas alguns deles. Eles tinham tomado as sentinelas de surpresa--
ou eles eram principalmente homens de Orman e recusaram-se a disparar no seu
senhor. Ele olhou para trs e vi que tinha Xander finalmente tinha se equilibrado
na sela. Ele estava andando prximo ao lado Orman, o homem mais alto
dolorosamente debruado na sela, mas segurando-a com toda a firmeza do
punho.
        Levaria alguns minutos antes de qualquer perseguio ser lanada e Will
sabia onde ele queria estar quando eles fossem atrs dele.

28

        Will parou quando eles chegaram na agora familiar entrada da Floresta
Grimsdell. Ele permitiu que os outros cavalos chegassem perto de Puxo e
estudou Orman criticamente. O senhor do castelo estava balanando na sela, com
os olhos fechados e com um olhar distante neles. A boca dele se moveu, mas
nenhum som saiu.
        Xander estava assistindo o seu Senhor ansiosamente. "Ns temos que
lev-lo a Malkallam rapidamente", disse ele. "Ele est quase inconsciente".
        Will assentiu. Ele olhou para longe de Orman para a curva da estrada
onde os seus perseguidores iriam aparecer--ele no tinha dvidas de que haveria
perseguidores.
        "Leve ele mais alm das rvores", disse ele. "Eu vou ficar aqui e
desencorajar qualquer um a seguir muito de perto." Ele indicou o caminho
estreito que ele e Alyss haviam seguido em sua explorao anterior pela floresta.
"Siga o caminho por uma centena de metros ou mais e espere por mim l. Voc
estar bem longe da vista."
        Xander hesitou. "E o que acontecer com voc?"
        Will sorriu para ele. O pequeno secretrio tinha uma coragem inesperada.
Ele agitou o capuz da sua capa por cima da sua cabea e cutucou Puxo para
entrar mais nas sombras manchadas embaixo de uma rvore de carvalho com
galhos nus.
        "Estou fora da vista agora", disse ele. E quando Xander ainda hesitava,
ele fez um gesto para ele ir. "Vai. Eles estaro aqui em qualquer minuto."
        O secretrio viu o bom senso da sugesto. Ele assentiu para Will e,
agarrando a rdea do cavalo para levar Orman, liderou o semi-consciente senhor
do castelo para a sombra escura da Floresta Grimsdell. Depois de quinze metros,
eles se perderam da viso de Will. Ele assentiu para si mesmo, com satisfao, e
sentou-se imvel. O co plano de barriga no cho ao lado de Puxo. Ela emitiu
um baixo, surdo rosnar.
        "Fica", disse ele, e sua cauda agitando obedientemente.
        Poucos segundos depois, as orelhas de Puxo agitaram nervosamente e
ele bateu no cho com um casco. At agora, Will no tinha ouvido nada. Ele
ficou maravilhado com os sentidos agudos dos seus dois animais. Ele acalmou
Puxo, e sabendo que seu mestre tinha ouvido o seu aviso, o pequeno cavalo
relaxou.
        Isso foi mais um minuto e meio antes do bando de cavaleiros
contornarem a curva na estrada. Havia oito deles, todos armados e liderados por
uma figura alta conhecida.
        "Buttle", ele respirou. O co permitiu-se outro grunhido quase inaudvel,
ento se estabeleceu novamente.
        O grupo parou a cerca de duzentos metros de onde Will estava. Um dos
homens era, obviamente, um caador de algum tipo e ele desceu da sela para
estudar os rastros da estrada, olhando para o campo coberto de neve que
separava a estrada da Floresta Grimsdell, onde o caminho tomado pelos trs
cavalos atravs da neve era muito claro. Ele apontou para a floresta e moveu-se
para remontar.
        Buttle deu o sinal para os homens para avanar, mas eles no se
mexeram. Will ouviu vozes quando Buttle virou para eles e repetiu a ordem. Ele
sorriu para si mesmo. Buttle, obviamente, no tinha ouvido falar sobre os
horrores de Grimsdell, ele percebeu. Por um momento, ele lamentou uma
oportunidade perdida. Se eles tivessem vindo para frente, ele poderia ter
esperado at que eles estivessem no meio do terreno aberto e em seguida
comearia a atirar. Ele provavelmente poderia ter reduzido a fora disponvel de
Keren em oito homens dessa maneira. Em seguida, ele rejeitou a idia. Alguns
dos homens poderiam muito bem ser soldados de Orman, forados a ir junto
contra sua vontade. E mesmo se eles no fossem, ele sabia que no poderia levar
o assassinato de oito homens a sangue frio, no importa o quanto eles podiam ser
perigosos. No foi isso que Halt o tinha ensinado durante anos at o nvel de
habilidade que ele agora possua.
        Buttle, no entanto, era um assunto completamente diferente. Sua total
falta de escrpulos e a natureza basicamente m do homem fariam dele um
agente valioso para o usurpador. Homens como Keren precisava de homens
como Buttle, Will sabia. Eles precisavam de homens que obedecessem s ordens
para matar e roubar e destruir, sem qualquer hesitao. Esses homens tornariam
mais fcil que outros seguissem o exemplo. Ele no tinha nenhuma dvida de
que Buttle j estava estabelecido como um dos retentores chave de Keren.
        E l estava ele sentado, apenas duzentos metros de Will, que tinha uma
flecha preparada na corda para estic-la j.
        Isso seria um tiro de arco longo e havia um vento leve. Will podia ver o
vento mexendo o topo dos amieiros nus que alinharam a estrada do outro lado. A
maioria dos arqueiros teria conduzido tal tiro com desconfiana, mas Will era
um Arqueiro e para um Arqueiro um tiro de duzentos metros era po com
manteiga. E ele sabia que desconfiana era o incio de um erro. Um tiro falho
devido  ansiedade muitas vezes tem como recompensa o resultado que se
pretendia evitar. Will ergueu seu arco para a posio de mira.

        A flecha parecia deslizar para trs sem esforo, puxada pelos grandes
msculos nas suas costas e ombros com uma facilidade nascida de milhares de
repeties. Ele criou a sua imagem de observao, focalizando o alvo, e no a
flecha ou o arco. Eles eram simplesmente duas partes da imagem global que
culminou na figura de Buttle sentado em seu cavalo a de duzentos metros de
distncia.
        Ele continuou levantando o arco at que ele estava convencido de que a
elevao estava correta para a distncia. Naquele momento, se algum lhe
perguntasse como ele sabia qual era a elevao correta, ele no poderia ter
respondido. Isso era algo instintivo dele agora, outro produto dos anos de prtica.
Ele aprovou o vento e manteve-se um momento. Sua mo esquerda, segurando o
arco, estava solta e relaxada, de modo que o aperto estava na brecha entre o
polegar e o indicador, apoiado, mas no muito apertado. O polegar de sua mo
direita repousava contra o canto da boca, os trs primeiros dedos refreando a
corda na posio de presso mxima, um acima e dois abaixo do ponto de
entalhe.
        Ele exalava a metade do ltimo suspiro que ele havia tomado, vagamente
consciente de sua prpria pulsao e os ritmos naturais do corpo, e permitiu a
corda libertar-se dos seus dedos, ambas as mos passivas, sem um trao de
empurro ou toro. Todo o processo, uma vez que ele tinha levantado o arco,
levou menos de quatro segundos.
        O arco cantou e a flecha pulou fora.
        Ironicamente, foram os anos de prtica que agora o traram.
        O tiro foi excelente. Em qualquer outro arqueiro, teria sido considerado
um sucesso. Mas Will estava usando o arco de trs peas, e no o arco de teixo
que ele havia praticado durante os trs ltimos anos de sua aprendizagem.
Durante os duzentos metros que viajou--embora ele realmente cobriu mais
distncia atravs do ar, movendo-se em uma curva suave--a flecha caiu mais
distante do que ele havia previsto. Em vez de bater em uma parte de cima do
corpo de Buttle, ela surgiu do nada e bateu em sua coxa, rasgando a parte
musculosa da perna e fixou-se no couro duro da sela.
        Buttle gritou com agonia com a queimadura sbita em sua coxa. Seu
cavalo se ergueu no susto, como fizeram vrios outros ao redor dele. Seus
homens, j cautelosos sobre se aventurar na direo da Floresta Grimsdell,
deram uma olhada no eixo de penas que havia paralisado o seu lder e se viraram
e cavalgaram para a segurana da curva da pista. Buttle, amaldioando a dor e os
seus homens com selvageria igual, virou o cavalo indefeso, ento, furioso, cedeu
ao inevitvel e cavalgou atrs deles, cambaleando na sela com a dor.
        "Droga", disse Will desapaixonadamente, observando-o ir. Ele lembrou
as palavras de Crowley sobre o arco. Uma trajetria plana no incio, mas ento
iria cair mais rapidamente do que ele estava acostumado. "Sem mais tiros
longos", disse ele a Puxo, cujas orelhas achataram contra a cabea de volta em
resposta. Will olhou para o co, que estava olhando para ele, sua cauda se
movendo lentamente. Parecia que ela estava muito contente de ver a flecha bater
em Buttle em qualquer lugar, ele meditou.
        Ele olhou para a estrada. No havia nenhum sinal de que os homens
estavam recomeando a perseguio, assim que ele cutucou Puxo com um
joelho para vir-lo e seguiu na pista na floresta.
         Ele apanhou os outros a uma centena de metros abaixo da trilha, onde
havia dito a Xander para esperar. Orman estava afundando mais e mais no estado
de coma que ele tinha predito, balanando na sela, quase totalmente
inconsciente, dizendo palavras sem sentido e fazendo pequenos choramingos.
        "Como ele est?" ele perguntou a Xander, embora a questo fosse
claramente desnecessria. O secretrio franziu a testa.
        "Ns no temos muito tempo", disse ele. "Voc tem alguma idia de onde
Malkallam pode ter seu quartel general?"
        Will balanou a cabea. "Eu suponho que vai ser bem no centro da
floresta", disse ele. "Mas onde  que isso pode ser  algo que ningum sabe",
        Xander olhou ansiosamente para seu mestre. "Teremos de fazer alguma
coisa", disse ele, a preocupao evidente em sua voz.
        Will olhou ao redor, impotente, esperando por uma idia. Ele sabia que, a
habilidade Arqueiro no obstante, eles podiam cometer erros por dias nessa
espessa floresta, com suas estreitas trilhas de interseco. E eles tinham horas, na
melhor das hipteses.

        Seu olhar caiu sobre o co, sentado pacientemente, cabea inclinada para
o lado, olhando para ele de soslaio. Havia uma chance, ele percebeu.
        "Venha", disse laconicamente a Xander, e cutucou Puxo, comeando o
caminho em que ele e Alyss seguiram apenas um dia atrs. Tanta coisa
aconteceu nesse curto espao de tempo, ele pensou. Eles contornaram a borda do
sinistro pntano at chegarem ao local onde Alyss tinha encontrado a grama
queimada. Will parou l agora e desmontou. Xander, aps um momento de
hesitao, o seguiu. Ele olhou para as marcas de queimaduras.
        "O que causou isso?" ele perguntou. Will disse-lhe da teoria de Alyss
sobre uma gigante lanterna mgica. As sobrancelhas de Xander subiram, mas ele
balanou a cabea, pensativo.
        "Sim, ela pode estar certa", disse ele. "Veja bem, voc precisaria de uma
lente quase perfeita para o trabalho."
        "Uma lente?" Will perguntou.
        "O dispositivo de foco que criaria um feixe de luz. Nunca vi um do
padro que voc precisaria para isso, mas eu imagino que seria possvel construir
um".
        "Voc precisa de uma infernal fonte de luz tambm", Will disse-lhe, mas
o pequeno homem encolheu essa objeo para fora.
         "Ah, h muitas maneiras que voc pode conseguir isso", disse ele.
"Pedra-branca, por exemplo."
         "Pedra-branca?" Will perguntou. O termo era desconhecido para ele.
Xander assentiu novamente.
         " uma rocha porosa que libera um gs inflamvel quando voc joga
gua dentro dela. O gs queima com uma chama branca intenso. Muito quente
tambm...assim como o que provocou essas marcas de queimaduras". Ele acenou
para si mesmo vrias vezes. "Sim, eu diria que as pedras-brancas iriam fazer o
trabalho. Mas o que voc tem em mente aqui?, acrescentou.
         Will estalou os dedos e o co aproximou-se dele, os olhos fixos nele,
enquanto ela esperava para obter instrues.
         "Eu imaginei que se havia algum tipo de lmpada aqui, deve ter tido
pessoas cuidando dela. E as pessoas deixam um odor. Talvez o co possa seguir
eles. Provavelmente se encontrarmos, ns vamos encontrar a caverna do
feiticeiro tambm".
         Ele afagou as orelhas do co e apontou para o cho ao redor deles.
         "Procure", disse ele.
         A cabea preto-e-branco desceu e comeou a aquartelar o solo pela
margem do pntano. Aps vrios minutos, ela comeou a lanar cada vez mais e
mais. Ento ela parou, levantando uma pata dianteira no ar quando seu nariz
ficou perto do cho. Ela cheirou vrias vezes, em seguida, latiu uma vez, um
urgente e afiado som.
         "Boa garota!" Will respirou. Xander parecia duvidoso.
         "Como voc sabe que ela no cheirou um cervo, ou um texugo? ele
perguntou. Will olhou para ele durante alguns segundos.
         "Se voc tem uma idia melhor, agora  a hora de mencion-la."
         Xander fez um gesto de desculpas com as mos. "No, no. Continue",
disse ele suavemente. Will virou-se para o co. Como sempre, ela estava olhando
para ele e esperando novas ordens. Moveu-se para ela, apontou para o cho onde
ela tinha encontrado o cheiro, e disse: "Siga".
         O co latiu uma vez e saltou para longe. Ela andou a poucos metros,
parou e voltou para trs, olhando para ele. Ela latiu de novo, a mensagem bvia:
Venha se voc est vindo. No temos o dia todo.

29

        A trilha ferida e torcida parecia dobrar sobre si mesmo. Havia trilhas ao
lado e bifurcaes no caminho tambm, e Will comeou a se perguntar se o co
realmente sabia o que estava fazendo ou se ela estava apenas vagando
aleatoriamente. Parecia haver tantas opes, tantos caminhos diferentes que
poderiam ir. Ento, quando ele percebeu quo focada ela estava em sua tarefa,
ele sabia que ela estava definitivamente seguindo alguma coisa. A questo ficou,
no entanto: o que ela seguia? Ele percebeu que Xander poderia estar certo. Eles
poderiam muito bem estar correndo pela floresta em busca de um texugo ou
algum outro animal.
        Hbil como ela era na floresta, no demorou muito para Will ver que
estava totalmente desorientado, e ele sabia que seria difcil refazer seu caminho
se ele tivesse que fazer. Ele percebeu que a vida de Orman estava agora bem e
verdadeiramente sob os cuidados do co e, a partir dos olhares preocupados que
Xander mantia sobre ele, ele sabia que o secretrio estava ciente do fato, bem.
Eles no falaram. No havia nenhum ponto em expressar seu temor e a natureza
ameaadora da floresta escura desanimava uma conversa ociosa. Era como se a
prpria Grimsdell fosse uma presena--um personagem. Escuro, deprimente e
ameaador, que pesava sobre eles, aliviado somente pela viso de compensao
e de oportunidade ocasional do cu por cima.
        Eles tinham viajado por mais de uma hora, Will estimou, quando
chegaram a uma bifurcao de trs caminhos na trilha. Pela primeira vez desde
que tinha comeado, o co hesitou. Ela caiu para o lado direito da bifurcao
durante alguns metros, depois parou, o nariz para baixo, pata levantada incerta.
Ento ela fungou seu caminho de volta e tentou a forquilha esquerda.
        "Oh Deus", Xander disse baixinho, ela perdeu o cheiro." Ele olhou com
medo para seu mestre, descansando na sela, de olhos fechados, cabea decada,
mantida no lugar apenas por uma corda que tinham amarrado a suas mos e
amarrado ao punho da sela. Se eles ficassem perdidos dentro da floresta, sem
qualquer senso de direo ou finalidade, Xander sabia que isso significaria o fim
de Orman.
        O co olhou para ele, como se em reprovao, em seguida, soltou um
latido curto e comeou a descer a bifurcao da esquerda, todos os traos de
incerteza haviam sumido agora. Will e o secretrio tocaram seus cavalos seguir
para frente. Eles tinham ido cinqenta metros, enrolando e curvando e, talvez,
fazendo apenas vinte metros de progresso, quando Will ouviu Xander dar um
suspiro.
        Ele olhou-o--sua ateno havia sido fixada no co, ele percebeu--e viu o
que tinha causado o grito de alarme. Havia um conjunto de crnio em um mastro
de um lado da pista  frente deles. Uma placa bruta, coberta de lquen carregando
uma mensagem indecifrvel escrita em runas antigas. As palavras podem ser
enigmticas, mas a mensagem era clara.
        " uma advertncia", Xander disse.
        Will tirou uma flecha de sua aljava e colocou-o na corda do arco.
        "Ento, considere-se advertido", disse ele secamente. "Pessoalmente, se
eu estou planejando outra emboscada, a ltima coisa que eu iria fazer era 
deix-los saber disso com antecedncia."
        Ele inclinou-se para estudar o crnio mais de perto. Estava amarelado
com a idade. E no era completamente humano. A mandbula parecia mais para
frente de que de um homem, e no havia dentes caninos de ambos os lados.
        O co estava esperando impacientemente e Will sinalizou para frente. Ela
comeou a descer a pista de novo, e de repente ela saiu correndo, correndo para
frente e indo para a prxima curva, fora da vista.
        Na deixa de Will, Puxo quebrou em um trote para seguir o co e
contornou a curva atrs dela...
        ...e se encontraram em uma clareira grande, com construo de um andar,
construda com madeira escura e coberta de palha. Ele ouviu os outros dois
cavalos vindos barulhentos atrs dele, em seguida, deslizando uma parada ao
lado dele.
        "Parece que estamos aqui", Will disse calmamente. Xander olhou ao
redor da clareira, procurando algum sinal de habitao humana.
        "Mas onde est Malkallam?", disse ele.
        Ento eles viram o movimento nas rvores do outro lado da clareira, e
como se o nome de feiticeiro tivesse chamado eles, e figuras comearam a sair
dos bosques circundantes.
        Deve ter havido mais de trinta deles. Enquanto que ele tinha esse
pensamento, Will percebeu que havia algo incomum sobre eles. Eles eram... Ele
procurou o termo certo, e hesitou. Ele no estava totalmente certo do que ele
estava vendo. Mesmo na clareira, a luz era fraca e incerta, e o povo, se fossem
pessoas, estavam perto da massa escura da floresta por trs deles, onde as
sombras eram grossas e pesadas. Ele ouviu a ingesto rpida de ar de Xander, em
seguida, o secretrio falou baixinho.
        "Olhe para eles", disse ele. "Eles so humanos?"
        Ento Will percebeu o que foi que lhe tinha feito hesitar. Eles eram
certamente humanos, pensou. Mas era como se todos fossem caricaturas
horrveis de pessoas normais. Eram terrivelmente disformes, todos eles. Alguns
eram anes, menos de 1,22m de altura, os outros eram altos e dolorosamente
finos. Um deles era enorme, ele devia ter dois metros e meio de altura e enorme
no peito e nos ombros. Sua pele era um branco plido, e com exceo de alguns
fios aleatrios de cabelo amarelado, ele era careca.
        Outros eram curvados, seus corpos torceram e cederam. Havia vrias
pessoas que eram corcundas, seus movimentos difceis e dolorosos quando se
misturaram para frente.
        A garganta de Will ficou seca quando ele viu que dentre as mais de trinta
pessoas  frente dele, no havia uma que poderia ser descrita como normalmente
em forma. Obviamente, este foi o resultado da magia negra de Malkallam, ele
pensava, e quando ele pensou nisso, ele percebeu que tinham cometido um erro
levar o inconsciente Orman aqui. Um feiticeiro que criava tais dolorosas
desfiguraes nessas pessoas dificilmente iria ajudar o senhor do castelo a
recuperar-se do veneno que estava destruindo-o.
        Aps os seus primeiros movimentos fora da sombra das rvores, as
criaturas pararam, como se em resposta a algum comando silencioso. Will olhou
para baixo quando o co afundou lentamente at as ancas em frente a ele. Ele
podia sentir o baixo e contnuo barulho de aviso do peito de Puxo. Era um
impasse, ele percebeu. No havia nenhum sinal do feiticeiro, a menos que ele
passou a ser uma das criaturas disformes que olhavam ele atravs da clareira--e
de alguma forma, ele duvidou disso.
        "Arqueiro..." a voz de Xander era baixa e afiada com medo. Will olhou
para ele e o pequeno homem moveu a cabea para o outro lado da clareira.
Seguindo o seu olhar, Will sentiu sua prpria garganta comprimir com medo.
        O gigante de pele plida comeou a avanar atravs da clareira em
direo a eles, um passo pesado de cada vez. Quando ele avanou, houve um
murmrio baixo sem palavras de encorajamento de seus companheiros. Will
lentamente levantou o arco, a flecha ainda na corda e pronta, de onde ele tinha
descansado em seu punho.
        "Isso  perto o bastante", disse ele calmamente. O gigante estava quase na
metade do caminho em direo a eles. Ele deu outro passo. Agora ele estava bem
no meio da clareira e Will percebeu que no poderia deix-lo chegar mais perto.
Aquelas mos enormes poderiam rasgar ele, Xander e Orman membro a
membro. E, provavelmente, os seus cavalos, assim, ele pensou.
        "Pare", disse ele, um pouco mais alto, com mais de uma borda em sua
voz. O gigante encontrou seu olhar. Apesar de Will estar sentado montando
Puxo, seus olhos estavam no mesmo nvel. O gigante franziu e Will viu seus
msculos tensos quando se preparava para dar outro passo. Ele deslizou a flecha
de volta a presso mxima, instintivamente mirando no peito do gigante,
exatamente onde o corao devia estar.
        "Grande como voc , essa flecha vai atravessar voc direto nessa
distancia", disse ele, deliberadamente mantendo sua voz calma.
        A criatura hesitou. Ele viu a carranca sair de seu rosto. Perplexidade?
Raiva? Medo? Frustrao? Ele no tinha certeza. As caractersticas grotescas
eram to bizarras, foi difcil de l-las com preciso. O importante era que o
gigante tinha parado de avanar sobre eles. Dos espectadores silenciosos  beira
da clareira, ouviu um suspiro coletivo. Incitando-o para frente? Aconselhando-o
a parar? Mais uma vez, Will no tinha idia.
        O que vem depois? , pensou. Vamos ficar aqui at a prxima nevasca,
nos encarando nessa clareira? Ele no tinha idia do que fazer. Por conta prpria,
ele confiava em Puxo para lev-lo fora da situao. Mas ele no podia desertar
Xander e Orman.
        "Arqueiro olhe!" Xander disse em um sussurro sem flego.
        Ele desviou o olhar do gigante, que estava, compreensivelmente,
ocupando toda a sua ateno. Xander apontava para o cachorro.
        Ela tinha subido de sua posio agachada na frente deles e estava
avanando atravs da clareira em direo ao gigante. Will pegou o flego para
cham-la, ento parou e largou a tenso sobre o arco quando ele notou alguma
coisa.
        Sua cauda pesada estava abanando lentamente de um lado para outro
enquanto ela ia.
        O gigante olhou para ela quando ela chegou at ele, parando apenas na
frente dele. Sua cabea estava abaixada e sua cauda ainda estava abanando. A
carranca desapareceu da face da criatura enorme e ele abaixou em um joelho,
uma mo enorme para afagar o co.
        Ela avanou novamente para sentar-se aos seus ps e ele acariciou seus
ouvidos e coou o queixo. Seus olhos semicerrados de prazer, ela virou a cabea
ligeiramente para lamber sua mo.
        E ento Xander chamou a ateno de Will para ainda outro detalhe
notvel em um dia totalmente notvel.
        "Ele est chorando!" ele disse suavemente. E com certeza, havia lgrimas
rolando pelo rosto plido. "Voc sabe, eu acho que ele  completamente
inofensivo. Graas a Deus voc no atirou nele."
        "Eu devo dizer que eu concordo", disse uma voz atrs deles. "Agora,
voc se importaria de me dizer o que diabos esto fazendo na minha floresta?"

30

        Will virou-se na sela, o arco levantando, flecha totalmente puxada. Ento,
pela segunda vez, ele hesitou. Ele no tinha idia do que ele esperava ser a
aparncia de Malkallam. Se pressionado, ele teria imaginado que o feiticeiro
seria maior que a vida de algum modo--talvez extremamente alto e magro, ou
enorme e grosseiramente gordo. Certamente, ele estaria vestido com uma tnica
preta volumosa, talvez marcada com obscuros smbolos msticos ou rodopiando
sis e luas.
        E  claro que ele iria usar um chapu alto que levaria sua altura total de
quase trs metros.
        O que ele no esperava era uma pessoa pequena e magra que era alguns
centmetros mais curta do que o prprio Will. Ele tinha cabelos ralos e cinzas,
penteados sobre uma coroa calva, nariz e orelhas um pouco grandes, e queixo
ligeiramente recuado. Seu manto era um hbito caseiro simples marrom, um
pouco como um monge, e ele usava sandlias nos ps, apesar do clima de
inverno.
        Mas a maior surpresa de todas foi os olhos. Os olhos de um feiticeiro
deveriam ser escuros e proibitivos, cheios de mistrio e perigo arcano. Estes
eram castanhos e havia uma luz inconfundvel de humor neles.
        Confuso, Will baixou o arco.
        "Quem  voc?" ele perguntou. O pequeno homem encolheu os ombros.
        "Eu pensei que eu que deveria fazer essa pergunta", disse ele suavemente.
"Afinal, esta  a minha casa."
        Xander, no entanto, preocupado com a rpida deteriorao do estado de
seu mestre, no estava disposto a palavras tortas.
        " voc Malkallam?" ele perguntou rudemente. O pequeno homem
inclinou a cabea para o secretrio, os lbios franzidos um pouco enquanto ele
considerava a questo.
        "Eu tenho sido chamado disso", disse ele, a luz de humor a
desaparecendo de seus olhos.
        "Ento, ns precisamos de sua ajuda", Xander disse. "Meu mestre foi
envenenado."
        As sobrancelhas espessas de Malkallam formaram uma carranca e sua
voz assumiu um tom ameaador.
        "Voc est pedindo a ajuda do feiticeiro mais temido por estas bandas?",
disse ele. "Voc entra no meu reino, ignora meus sinais de alerta, arrisca a ira do
terrvel Guerreiro Noturno que me protege, ento procura minha ajuda?"
        "Se voc realmente  Malkallam, sim", respondeu Xander, sem se
intimidar pelo tom ameaador das palavras.
        As sobrancelhas do feiticeiro retornaram  sua posio normal e ele
balanou a cabea em alguma admirao.
        "Bem, voc certamente tem alguma fibra sobre voc", disse ele, num tom
mais claro. "Talvez fosse melhor dar uma olhada no Lord Orman nesse caso."
        "Voc sabe quem  esse?" Will disse quando o pequeno homem andou na
direo de Orman, que estava balanando, inconscientemente, na sela,
murmurando poucos sons sem palavras. Malkallam riu brevemente.
        "Claro que eu sei, Arqueiro", disse ele. Will encolheu os ombros em
derrota. Tanta coisa para se disfarar com cuidado. Primeiro Orman e agora
Malkallam tinha visto atravs dele quase imediatamente.
        "Como voc...?" ele comeou, mas o feiticeiro silenciou-o com um gesto
de mo.
        "Bem, isso no  exatamente alquimia, no ?" ele disse decididamente.
"Voc estava bisbilhotando a minha floresta nos ltimos dois dias. Voc monta o
tipo de cavalo de Arqueiros. Voc carrega um arco e voc tem uma grande faca
ao seu lado--Eu vou apostar que voc tem uma faca de arremesso em algum
lugar com voc. Mais a sua capa que tem o hbito desconcertante de mistura no
fundo. O que mais voc pode ser? Um bardo?"
        Will abriu a boca para responder, mas as palavras no vieram. Xander, no
entanto, estava menos inclinado ao silncio.
        "Por Favor!", disse ele. "Meu mestre pode morrer enquanto vocs dois
tagarelam."
        Novamente, as sobrancelhas Malkallam dispararam para cima. "Um
Arqueiro e um feiticeiro", disse ele em alguma admirao, "e ele nos diz que
estamos tagarelando. Este certamente  um sujeito ousado."
        No entanto, enquanto ele falava isso, seus olhos estavam ansiosos
examinando o rosto de Orman. Ele se estendeu at tocar o senhor do castelo, mas
no conseguiu alcanar.
        "Trobar!" chamou. "Deixe o co por um momento e abaixe o Lord
Orman para mim."
        O gigante relutantemente levantou de onde ele tinha continuamente
brincando com o cachorro e foi at o cavalo de Orman. Xander deslizou para
baixo da sela e se colocou entre seu mestre e figura gigante. Will, sentindo que
os eventos estavam se movendo um pouco rpido demais para ele, desmontou
tambm. Ele trocou um olhar perplexo com Puxo. O cavalo parecia encolher de
ombros. Como posso saber? O movimento, disse. Eu sou apenas um cavalo.
        Trobar parou em frente da figura determinada que barrava seu caminho.
         "Ele no vai machuc-lo", disse Malkallam, um pouco impaciente. "Se
voc quer minha ajuda, ser mais rpido se voc deix-lo carregar o seu mestre
para dentro".
         Relutante, Xander pisou para um lado. Trobar avanou, soltou as cordas
que amarravam Orman no lugar e deixou o homem inconsciente deslizar para
fora da sela para segurar ele em seus braos. Ele lanou um olhar interrogativo
para Malkallam, que apontou para a casa.
         "Leve-o para dentro, para o meu estudo".
         Trobar partiu, levando o homem inconsciente como se ele no pesasse
mais de uma pena. Xander trotava ao lado dele, e Will e Malkallam seguiram.
         "Interessante, a forma como ele reagiu ao seu co", disse o feiticeiro
conversando. "Claro, ele tinha um pastor da fronteira quando era criana, antes
da aldeia o levar para fora. Foi o seu nico amigo. Acho que ele quebrou seu
pobre corao quando ele morreu".
         "Entendo", disse Will. Pareceu-lhe ser a resposta mais segura que poderia
vir. Malkallam olhou para o lado para ele. To jovem, pensou, e tanta
responsabilidade. Despercebido pelo Arqueiro jovem, ele sorriu para si mesmo.
Ele apontou para um banco na varanda.
         "No h nenhuma necessidade para voc entrar enquanto eu examino o
Lord Orman", disse ele. Will assentiu com a cabea e se moveu para o banco.
Xander, no entanto, chamou a si mesmo to simples quanto poderia.
         "Estou entrando", disse ele. Seu tom no tolerava nenhum argumento e
Malkallam deu de ombros.
         "Como quiser. Mas voc o trouxe aqui, afinal.  um pouco tarde para
comear a se preocupar que eu possa prejudic-lo de alguma forma."
         "No estou preocupado com isso", disse Xander duro. "Eu apenas estou
com..." Ele arrastou.
         Malkallam esperou expectante, instando-o a terminar. Quando ele no o
fez, o feiticeiro acabou para ele: "... medo de que eu possa prejudic-lo de
alguma forma."
         Xander encolheu os ombros. Foi exatamente o que ele pensou, mas ele
percebeu que no era poltico de dizer quando ele estava pedindo a ajuda do
feiticeiro.
         "Basta lembrar, Eu estarei de olho", disse ele sem jeito. Sua mo desceu
para a adaga a seu lado, mas ele era obviamente um homem que no estava
acostumado a usar armas. Malkallam sorriu para ele.
         "Tenho certeza que o seu mestre estaria orgulhoso de voc. Se eu decidir
fazer alguma coisa terrvel para ele, eu vou ter que transform-lo em um trito
antes de eu fazer isso."
         Xander o estudou desconfiado por alguns segundos, ento decidiu que ele
provavelmente estava brincando. Provavelmente. Sem outra palavra, ele seguiu
Malkallam para dentro.
         Will sentou no banco e inclinou-se de costas contra as paredes speras da
casa. O sol estava comeando a esgueirar-se sob o beiral da casa e aqueceu os
ps e as pernas quando ele esticou-se. De repente, ele estava exausto. Os eventos
do dia se moveram rpido, a fuga do castelo, a busca pelo lar de Malkallam e a
reunio posterior com o feiticeiro tinha mantido a adrenalina conservada atravs
de seu sistema. Agora que no havia mais nada a fazer no momento, sentiu-se
absolutamente esgotado.
        Os outros habitantes do domnio de Malkallam continuaram a observ-lo.
Ele tentou ignor-los, sentindo nenhuma ameaa deles s curiosidade.
        Ele olhou para cima quando ele sentiu um movimento na porta. Trobar, o
gigante, saiu da casa. Ele olhou ao redor da clareira, viu o co vigilante deitado
onde ele a deixou e moveu-se para seu lado. Ele caiu sobre um joelho ao lado
dela e acariciou a cabea suavemente. Ela fechou os olhos alegremente e
inclinou a cabea para o seu toque.
        "Co!" Will disse, um pouco brusco do que ele pretendia.
        Os olhos do co se abriram e ela ficou imediatamente alerta. Will
apontou para a varanda ao lado dele.
        "Venha aqui", disse ele.
        Ela se levantou e agitou-se, ento comeou a galopar lentamente atravs
da clareira em direo a ele. Ele olhou para Trobar e viu uma inconfundvel
tristeza no rosto desfigurado.
        "Ah, tudo bem", disse ao co. "Fique onde est."
        Ele viu o sorriso sair na cara do gigante quando o co deixou ser
acariciado mais uma vez. Fechou os olhos, cansado. Ele se perguntou o que ele
ia fazer sobre Alyss.

31

        Alyss tinha ouvido o barulho no ptio abaixo de sua janela na torre: gritos
e cascos de cavalos soando fora do calamento. Ela chegou  janela a tempo de
ver trs cavaleiros galopando a toda velocidade para a porta levadia.
        Ela reconheceu Will instantaneamente e, enquanto ela assistia, viu o tiro
do mesmo fazer um arqueiro cair das muralhas do castelo. Atrs dele montavam
outros dois homens, um deles balanando na sela, como se estivesse apenas
consciente. Com um incio de surpresa, ela reconheceu Orman.
        Que diabos ele estava fazendo? Obviamente, da forma como os guardas
tinham reagido, ele estava fugindo de seu prprio castelo. No entanto, a prpria
idia era ridcula!
        E Will estava com ele. Ela franziu a testa. No havia nenhum sinal de que
estava agindo sob qualquer coao. Ele estava liderando o caminho, na verdade.
Por um momento, ela brincou com a possibilidade de que Orman realmente era
um mago negro e tinha colocado algum tipo de feitio ou coao em Will. Ento,
ela negou o pensou. Como a maioria das pessoas educadas, ela realmente no
acreditava em feitiaria ou magia.
        Mas que outra explicao poderia haver?
        Ela permaneceu ao lado da janela e poucos minutos depois, um grupo de
homens montados saiu em perseguio. Seu primeiro instinto foi vestir-se e
correr para descobrir o que estava acontecendo. Ento ela parou e sentou-se,
batendo os dedos sobre a mesa enquanto ela pensava. Lady Gwendolyn no iria
comportar-se de tal forma. Lady Gwendolyn era uma cabea vazia, auto-
obcecada que no iria ter o menor interesse em nada que no envolvem novos
penteados, sapatos ou modas.
        Ela levantou-se e mudou-se para a porta que conduz  ante-sala de sua
sute.
        Suas duas empregadas estavam conversando calmamente enquanto
dobravam e arrumavam uma pilha de roupas lavadas. Max estava sentado em um
canto, franzindo a testa ao longo de um manuscrito. Todos os trs olharam com
surpresa a sua apario repentina.
        Ela acenou com impacincia para eles relaxarem.
        "Sente-se, sente-se", disse ela, apoiando no brao de uma cadeira. Ela
continuou: "Lord Orman e o bardo Barton acabaram de cavalgar para fora do
castelo, perseguidos por um grupo armado".
        Os trs olharam para ela com surpresa. Eles podem ser criados, mas eles
estavam a par de sua verdadeira identidade e misso. E eles sabiam a identidade
real de Will tambm.
        "Max, v at o salo principal e veja o que voc pode descobrir. No se
torne bvio demais, s ande ao redor e veja o que voc pode ouvir".
        "Muito bem, minha Senhorita." Levantou-se e moveu-se para a porta,
pegando o seu chapu de penas suaves em uma mesa ao lado enquanto ia. Ela
poderia dizer que as duas empregadas estavam se doendo para que ela pedisse
para que elas descobrissem mais. Mas ela balanou a cabea para elas e voltou
para seus aposentos para aguardar o relatrio do Max.
         O tempo passou devagar. Dolorosamente lento. Max retornou aps uma
hora mais ou menos. Suas escutas no revelaram mais do que os fatos que Alyss
j sabia. O castelo estava alvoroado com o fato de que, por alguma razo Lord
Orman, seu secretrio e o bardo Barton haviam quebrado as defesas do castelo e
fugido.
        "Todo mundo parece to perplexo como ns estamos, minha Senhorita,"
Max a disse. Alyss comeou andando para frente e para trs, no fundo do
cmodo. Max, incerto se ela queria que ele fizesse mais algo, tossiu hesitante.
        "Isso  tudo, minha Senhorita?" ele solicitou, e ela virou para ele se
desculpando.
        "Claro, Max. Obrigada. Voc pode ir."
        Ele mal tinha deixado seu quarto quando houve outra batida.
        "Entre", ela falou, e ficou surpresa quando a porta abriu-se para admitir
Sir Keren.
        "Oh, Sir Keren", disse ela, "que surpresa agradvel! Entre!" Ento,
erguendo a voz ela falou para a sala exterior, "Max, busque um pouco de vinho
para ns dois, por favor! Um bom vinho branco gauls, eu acho."
        L fora, Max correu para a mesa ao lado para buscar o vinho, enquanto
Keren entrou na sala, olhando ao redor, olhando a desorganizao dos vestidos,
chapus, maquiagem e sapatos que cercava Lady Gwendolyn. Alyss indicou uma
cadeira perto do fogo.
        "Desculpe-me por incomod-la, Lady Gwendolyn," Keren comeou,
"mas eu queria saber se voc ouviu um pouco de uma confuso que ocorreu a
mais ou menos uma hora atrs?"
        "Oh sim, realmente eu ouvi algo, uma confuso realmente!" disse ela.
"Os cavalos a galope e homens gritando. Quem eram eles? Salteadores? Ou
bandidos, talvez?
        Keren estava balanando a cabea tristemente. "Pior do que isso, minha
Senhorita. Muito pior. Tenho medo de que eles seriam traidores da coroa."
        Alyss recostou-se, a boca era um perfeito O de surpresa. Por um
momento, ela considerou revelar sua verdadeira identidade e propsito  Keren.
Afinal, ele parecia um tipo genuno e ela sabia que Will tinha estado a ponto de
lev-lo em sua confiana. Mas algum instinto a deteve.
        "Traidores, Sir Keren? Aqui em Macindaw? Como isso  aterrorizante! E
o castelo  seguro?, acrescentou a ltima pergunta com um ligeiro olhar de
alarme em seu rosto. Keren correu para tranqiliz-la.
        "Muito seguro, minha senhora. Temos tudo sob controle. Mas eu tenho
medo de que seja uma noticia sria. Lord Orman era um deles."
        "Lord Orman?" disse ela.
        Keren acenou sombriamente. "Aparentemente, ele vem planejando
entregar o castelo para um exrcito Escocs antes da primavera. E o bardo
Barton estava trabalhando de mos dadas com ele."
        "No. Ele ..." Alyss comeou antes que ela pudesse parar a si mesma.
Mas Keren a interrompeu.
        "Temo que sim. Aparentemente, ele est entregando mensagens de Lord
Orman para os Escoceses, durante as ltimas trs semanas--mesmo antes de ele
chegar aqui."
        A boca de Alyss bateu em exclamao.
        Ela podia acreditar no que ele disse sobre Orman. Era bem possvel que o
estranho comandante temporrio poderia estar fazendo acordos com os
Escoceses. Mas por que Keren mentiria sobre o papel de Will na traio? Ela
percebeu que Keren estava esperando por algum tipo de reao dela.
        "Mas ele tinha uma voz to agradvel," disse ela. Ela pensou que era o
tipo de resposta vazia que Lady Gwendolyn faria. A sobrancelha de Keren subiu
ligeiramente. Sem dvida, ele pensou assim tambm.
        "No entanto, minha senhora, ele  um espio. Eu senti que era melhor
mant-la informada, pois eu tinha certeza que voc estava intrigada com o
barulho no ptio."
        "Na verdade eu estava Sir Keren. E eu agradeo a sua considerao.
Serei..."
         Qualquer coisa que ela diria foi interrompida por algum batendo na
porta.
        "Entre," Keren respondeu ao chamado. Isso era um pouco presunoso
dele, ela pensou, e no exatamente de acordo com o cavaleiro solcito que tinha
vindo para tranqiliz-la. Ela estava comeando a ter dvidas sobre Sir Keren.
        O trinco sacudiu e a porta foi aberta violentamente. Um homem entrou,
mancando muito. Ela poderia ver sua coxa direita havia sido bruscamente
enfaixada. Ele estava obviamente procurando por Sir Keren porque, quando ele
entrou, ele relatou imediatamente.
        "Eles escaparam, malditos. Entraram na maldita floresta." Ele virou-se
para Alyss e ela no pde reprimir um movimento de surpresa.
        Ele era John Buttle.

32

        Passou-se mais de uma hora desde que Malkallam reapareceu. Will
realmente tinha cochilado no banco, quando cada vez mais a luz do sol rastejou
para baixo, aparecendo sob o beiral e banhou-o em seu calor. Ele comeou a
acordar quando o trinco da porta sacudiu e o homem franzino saiu para a varanda
ao lado dele. Malkallam sorriu quando viu a pergunta nos olhos de Will.
        "Ele vai ficar bem", disse ele. "Embora se voc esperasse por mais
tempo, eu no estou certo de que ele teria conseguido. Seu servo ainda est com
ele, cuidando dele?", acrescentou. Will assentiu. Ele iria esperar que Xander
permanecesse ao lado de seu mestre at ele se recuperasse.
        "Ele estava drogado, ento?" ele perguntou.
        Malkallam assentiu. "Envenenado, mais precisamente.  uma toxina
chamada corocore particularmente desagradvel.  muito obscura, no includa
em nenhum dos grandes textos sobre plantas e venenos. Demora cerca de uma
semana para ter efeito, por isso foi provavelmente colocada na comida ou na
bebida de Orman em algum momento nos ltimos dez dias. Uma pequena dose
faria o truque. Nada acontece por dias, mas depois, com o tempo voc nota os
sintomas, e muitas vezes  tarde demais".
        "Como  que os mdicos do castelo no sabiam isso?" Will perguntou.
        "Como eu disse,  muito obscuro. Muitos mdicos no ouviram falar
sobre ela e mesmo que tivessem, no saberiam o antdoto."
        "Mas voc sabia?" Will disse, e Malkallam sorriu.
        "Eu no sou como a maioria dos mdicos".
        "No, voc no . O que exatamente voc , se posso perguntar?"
        Malkallam o estudou por alguns segundos antes de responder. Ento ele
fez um gesto mostrando para Will ir at o banco.
        "Tem mais espao l e vamos conversar sobre isso", disse ele. Ele se
sentou ao lado de Will e olhou ao redor da clareira,ele ainda tinha o co de
Trobar, e jogava uma bola de couro para ele ir buscar. Cada vez que ele
recuperava a bola, ele iria lev-la de volta e em seguida, soltava a bola e
mantinha o nariz sobre as patas da frente, a bola entre eles, sua cauda no ar,
desafiando-o a tom-lo dele. A maioria dos habitantes da pequena composio
de Malkallam tinha se dispersado para dormir. Alguns deles estavam envolvidos
em tarefas cotidianas banais como pegar gua ou serragem e empilhar lenha.
        "Ento, vamos comear", disse Malkallam. "O que voc sabe sobre
mim?"
        "Sei?" Will repetiu. "Muito pouco. Eu ouvi os rumores,  claro: que voc
 um feiticeiro, a reencarnao do feiticeiro negro Malkallam que assassinou o
ancestral de Orman mais de cem anos atrs. Ouvi dizer que sua casa  na floresta
de Grimsdell, e que a floresta em si  o lar de estranhas aparies,vises e sons, e
eu tenho visto e ouvido alguns deles mesmo."
        "Sim", ponderou Malkallam, voc visitou minha floresta vrias noites
atrs, no ? E voc no estava assustado com o terrvel guerreiro?"
        "Eu estava apavorado, completamente fora do meu juzo," Will admitiu.
        "Mas voc voltou."
        Will se permitiu um sorriso irnico. "No  noite. Sob a luz do dia. Foi
quando vimos que as aparies foram causadas por algum tipo de show de uma
gigantesca lanterna mgica."
        Malkallam ergueu as sobrancelhas. "Muito bom", disse ele. "Como  que
voc descobriu isso?"
        "Alyss imaginou isso. Ela descobriu as manchas queimadas na grama
onde a lanterna tinha ficado".
        "Eu creio que Alyss  a moa que te acompanhou no outro dia?"
Malkallam perguntou. Ele franziu a testa. "O que aconteceu com ela?"
        "Ela ainda est no castelo", disse Will.
        Malkallam ergueu as sobrancelhas. "Voc a deixou l?"
        Will franziu a testa. "No por muito tempo", disse ele. Esse era,
obviamente, um ponto sensvel para ele, mas Malkallam fez um gesto suave com
a mo.
        "Tempo suficiente para isso. Ela parece ser uma jovem notvel."
        "Ela . Mas estvamos falando de voc," Will assinalou, decidindo que
ele tinha sido desviado por tempo suficiente.
        Malkallam sorriu para ele. "Ento, onde ns estvamos. Bem, como voc
parece ter adivinhado, eu no sou feiticeiro. Eu costumava ser um curandeiro".
Sua voz tornou-se melanclica. "E eu era muito bom nisso, de fato." Ele acenou
com a cabea uma ou duas vezes enquanto ele pensava sobre o passado. "Eu
realmente gostava daquela vida. Eu sentia que estava fazendo algo de valor."
        "O que aconteceu para mudar isso?" Will perguntou.
        Malkallam suspirou. "Algum morreu", disse ele. "Ele era um jovem de
quinze anos--um menino que promovia uma companhia muito agradvel, e que
todos gostavam. Ele tinha uma febre simples e seus pais o levaram para mim.
Era o tipo de coisa que eu tinha curado dezenas de vezes--deveria ter sido fcil.
S que ele no respondeu s ervas que lhe dei. Pior, ele reagiu mal a elas e um
dia depois ele estava morto."
        Sua voz tremia um pouco e Will olhou rapidamente para ele. Havia uma
nica lgrima rolando pelo seu rosto. Ele percebeu o golpe de vista de Will e
olhou para ele, limpando a lgrima com o punho de sua manga.
        "Isso acontece dessa forma s vezes, voc sabe. As pessoas podem
morrer por nenhuma razo aparente", disse Malkallam.
        "E os moradores culparam voc?" Will disse.
        Malkallam assentiu. "No imediatamente. Comeou com uma campanha
de boatos. Havia outro homem que queria pegar a minha posio como
curandeiro. Tenho certeza de que foi ele que comeou com os boatos. Ele disse
que eu deixei o menino morrer. Gradualmente, percebi que cada vez menos
pessoas estavam vindo para mim. Eles estavam indo para o novo homem".
        "Eu presumo que ele estava cobrando deles por seus servios?"
        Malkallam assentiu. "Claro. Eu costumava cobrar tambm. Mesmo um
curandeiro tem de comer, depois de tudo. Gradualmente, os rumores ficaram
cada vez mais selvagens, e se uma pessoa da aldeia morresse depois de ver o
outro curandeiro, ele tinha uma desculpa conveniente: ele dizia que eu tinha
amaldioado eles."
        "Isso  ridculo", disse Will. "Voc no quer me dizer que as pessoas
acreditavam nisso?"
        Malkallam encolheu os ombros. "Voc ficaria surpreso no que as pessoas
podem acreditar. Geralmente, quanto maior e mais improvvel  a mentira, mais
eles esto dispostos a acreditar. Muitas vezes  um exemplo de que se algo  to
chocante, deve ser verdadeiro. Enfim, as pessoas comearam a murmurar sempre
que eu passava por eles. Eu estava recebendo olhares nervosos de toda a gente e
eu decidi que a minha prpria sade poderia ser melhorada se eu sasse da
aldeia.E eu silenciosamente desapareci um dia e entrei na Floresta Grimsdell.
Morei em uma tenda por um ms, enquanto eu construa essa casa. Eu sabia que
os locais hesitariam em seguir-me para dentro da floresta. Afinal, era suposto
que o Malkallam original havia feito o seu covil l."
        "Por que voc tem o mesmo nome?" Will perguntou, e o rosto do
curandeiro deu uma risadinha de desprezo.
        "Eu no tenho. As pessoas que me deram ele", disse ele. "Meu nome 
Malcolm. Depois de ter desaparecido, os locais juntaram dois com dois e deu
sete. Eles decidiram que Malcolm era apenas uma forma disfarada de
Malkallam. A partir da, foi fcil fazer a prxima etapa. Eu era o feiticeiro
infame retornado dos mortos."
        "Devo dizer que me aproveitei do fato para me proteger. Eu inventei as
aparies e os truques que voc viu. Se algum tivesse a coragem de entrar em
Grimsdell, eles rapidamente a perderiam quando vissem o meu Guerreiro
Noturno, ou ouvissem a minha voz."
        "Como voc faz as vozes?" Will perguntou. "Eles pareciam vir de todos
os lados em torno de mim quando eu as ouvi."
        Malcolm sorriu. "Sim.  um efeito bastante bom, no ?  feito com uma
srie de tubos ocos colocados entre as rvores. Voc fala em uma extremidade e
a voz  transportada para o outro. H um grande sino no final que amplifica o
som. Costumamos colocar ele em uma parte oca da rvore para ocult-lo. Luka
aqui fornece a voz."
        Ele indicou um homem que estava juntando gravetos no outro lado da
clareira. Seu tronco era enorme, mas as pernas que o apoiavam eram curtas e
malformadas ento ele mancava sem jeito quando andava. Um ombro era mal
curvado e as caractersticas do seu rosto estavam torcidas para o lado. O homem
tinha uma barba grande e espessa, e possua cabelos longos, em uma tentativa
frustrada de esconder a deformidade.
        "Ele tem a voz mais maravilhosa que j ouvi", Malcolm continuou. "Esse
trax enorme permite-lhe produzir um som de uma tremenda fora e timbre. Ele
pode projetar palavras com grande clareza e volume atravs do sistema. Veja
bem, ele no  utilizado para responder as pessoas. Voc causou-lhe um
considervel de susto quando comeou a acenar a grande faca de vocs na outra
noite."
        "Ele me causou muito mais, eu posso assegur-lo", disse Will, estudando
o homem deformado. "Diga-me de onde  que essas pessoas vm? Luka, Trobar
e o resto".
        "Eu suponho que voc pensou que eu os criei?" Malcolm disse, um
sorriso levemente amargo brincando nos lbios. Will moveu-se
desconfortavelmente no banco.
        "Bem... esse pensamento me ocorreu, de fato", disse ele.
        Malcolm rosto ficou triste. "Sim. Ocasionalmente as pessoas os vem e
pensam a mesma coisa. Estes so os meus sujeitos deformados. Minhas criaturas.
Meus monstros... A verdade  que eles so rejeitados. As pessoas que no so
desejadas em suas prprias vilas, porque eles no parecem normais. Eles
parecem diferentes ou soam diferentes ou se movem de forma diferente. Alguns
nascem dessa forma, como Trobar e Luka. Outros so queimados, escaldados ou
desfigurados nos acidentes e as pessoas decidem que no querem que eles
fiquem ao seu redor."
        "Como eles vm para voc?" Will perguntou. O curandeiro deu de
ombros.
        "Eu vou procur-los. Trobar foi o primeiro. Encontrei-o por acaso,
quando ele tinha oito anos. Isso foi a dezoito anos atrs. Ele tinha sido expulso
de sua vila porque tinha crescido demais. O deixaram na floresta para morrer.
Ele tentou levar seu co com ele. Era o seu nico amigo no mundo. No se
importava que ele fosse feio e deformado. Ele o amava, porque ele o adorava.
Ces so assim. Eles so muito imparciais."
        "O que aconteceu com o cachorro?" Will perguntou. Ele achava que sabia
a resposta.
        "Ele tentou defend-lo,  claro, e um dos aldees o matou. Trobar levou-o
para dentro da floresta e eles finalmente desistiram da perseguio Ele estava
cuidando de seu corpo e chorando quando eu o encontrei. Enterramos o cachorro
juntos e eu trouxe para c. Ento, ao longo dos anos mais e mais dessas pessoas
se juntaram a ns. Ns os vamos afastados das suas aldeias e os coletamos para
traze-los para c. s vezes, eles precisavam do tipo de tratamento que eu poderia
lhes dar com ervas e poes. Outras vezes, eles precisavam de um tipo diferente
de cura".
         "Que voc tambm lhes dava?" Will perguntou, e Malcolm balanou a
cabea.
         "Eu tento. Muitas vezes  suficiente que eles saibam que pertencem a
algum lugar. Que existem outras pessoas que no os julgam pela forma como
eles olham. Veja bem, isso leva tempo.  muito mais fcil curar um corpo ferido,
do que uma alma danificada."
         Will balanou a cabea, enquanto ele considerava a histria. "Ento, h
quase vinte anos, voc est cuidando de pessoas como, este, e voc ainda 
considerado como um mago negro?"
         Malcolm deu de ombros. "Em parte por minha culpa, eu suponho. Eu
criei a iluso para manter as pessoas fora. Mas no ano passado, algum parece ter
percebido que poderia transformar a fbula de Malkallam em seu prprio
benefcio".
         "Keren?"
         "Tudo indica que sim. A pergunta : o que ele espera conseguir com isso
tudo?"
         "Assim que eu descobrir," Will disse tristemente, "eu vou ter a certeza
que voc saiba."

33

        Alyss congelou na cadeira por um segundo quando o olhar de Buttle
passou por ela. Que diabos ele estava fazendo aqui? Como ele chegou aqui?
Teria ele reconhecido-a? As questes correram pela cabea dela e levou todas as
suas habilidades de diplomata para manter a fachada exterior da cabea de vento
Lady Gwendolyn.
        "Eles escaparam, que se explodam!" Buttle disse aproximadamente.
Percebendo Alyss, ele resmungou o que passou por uma desculpa para
interromper. Ento ele voltou para Keren, apesar de um ligeiro franzir na testa
enrugada. Havia algo familiar sobre a garota. Em seguida, ele descartou a idia.
        "Eles disseram que voc estava aqui com ela." Ele fez um gesto com o
polegar em direo Alyss.
        "Lady Gwendolyn," Keren corrigiu. "A Senhorita  uma convidada neste
castelo, a noiva do Lord Farrell de Gort."
        Havia um tom de aviso subjacente em sua voz. No fale muito na frente
dela. Alyss sentiu. Ela assumiu um sorriso vazio e estendeu uma mo lnguida
para Buttle, palma para baixo.
        "Eu no acredito que ns j tenhamos sido apresentados, senhor", disse
ela. Buttle olhou para o lado, ento encolheu os ombros. Ele resmungou
novamente. Parecia ser o seu mtodo preferido de comunicao, Alyss pensou.
        "Lady Gwendolyn, este  o John Buttle, um dos meus retentores novos"
Keren disse, alisando o comportamento grosseiro de Buttle.
         Buttle encolheu os ombros e coou debaixo do sovaco. Alyss retirou-lhe
a mo.
         "Ento, o Sr. Buttle, voc estava perseguindo os traidores?Como voc 
corajoso!" Ela vibrou suas pestanas para ele.
         Buttle franziu a testa por um momento. "Traidores?" ele disse, e hesitou.
Ele olhou incerto para Keren. "Eles no eram tr-"
         "Eu estava justamente dizendo a Lady Gwendolyn," Keren interrompeu
rapidamente, que Lord Orman e o bardo estavam planejando entregar o castelo
para os Escoceses."
         A carranca Buttle se agravou. Ele parou por um momento, ento, apenas
um pouco tarde demais, a compreenso apareceu em seu rosto.
         "? Sim... Sim, est certo. Traidores com certeza. Sorte que os pegamos
no tempo, eu digo. Porque, se no tivssemos, teramos vrios ajustes para
fazer..."
         "Sim, sim, eu tenho certeza que Lady Gwendolyn no quer ouvir todos os
detalhes srdidos," Keren disse rapidamente. Ele tinha pouca f na capacidade
Buttle para improvisar uma histria sem fazer uma confuso completa. Melhor
manter tudo simples. Mais uma vez, Alyss notou a interveno precipitada e
adivinhou a razo para isso. Ela sentia uma grande sensao de alvio, por ela
no ter colocado Keren em sua lista de pessoas confiveis. Aparentemente, um
monte de coisas sobre o Castelo Macindaw no eram como pareciam.
         "Oh querido, Sr. Buttle, voc parece estar ferido!" Agora, ela disse.
"Voc est quase a ponto de pingar sangue no tapete aqui!"
         Buttle olhou para o sangue escorrendo atravs da bandagem spero em
sua coxa. Ele amaldioou, chegando a apertar a ferida com firmeza, e xingou
novamente quando o aumento da presso enviou um raio de dor atravs da
ferida.
         Alyss estava respirando um pouco mais fcil agora. Afinal, ela percebeu,
que havia passado semanas desde que ele a viu e ento ela usava o cabelo para
baixo. Hoje, ele foi arrebatado em um redemoinho apertado em volta da cabea,
e encimada por um elevado chapu pontudo com um vu em anexo. Era a ltima
moda, Alyss sabia disso, embora achar, pessoalmente, um absurdo. Mas ela tinha
sido ensinada sobre o valor de um penteado diferente quando se trata de disfarce.
Alm disso, as roupas eram muito diferentes tambm. Ela estava usando um
vestido bastante ornamentado, enfeitado com adornos e acessrios rendados de
luz ridiculamente largo, mangas arrastando e lotada de jias em qualquer espao
onde poderiam ser encontradas. Como uma Mensageira, ela havia usado um
vestido branco simples.
         Para completar o efeito, foi mantendo a sua voz naturalmente profunda
em maiores tons, imitando os tons ligeiramente rabugentos de classe alta que
viriam a ser naturais para algum como Lady Gwendolyn.
         Como resultado, Alyss comeou a se sentir cada vez mais confiante. Mas
ela podia ver uma oportunidade de reunir informaes aqui.
         "O traidor Orman lhe golpeou com sua espada?" perguntou ela, fingindo
preocupao para o homem. Ele resmungou sarcasticamente.
        " um traa covarde! Ele no conseguia levantar uma espada para salvar
sua vida miservel. No, foi o maldito bardo que fez o dano, maldito fedorento
escondido!"
        "Olhe a linguagem, Buttle," Keren disse em advertncia. Buttle olhou
para ele, sem compreender, e Keren apontou para Alyss.
        "? Ah... Sim. Enfim, o pequeno suno covarde atirou em mim. No me
encarou como um homem. Se escondeu a trs ou quatro centenas de metros e
colocou uma seta na minha perna".
        Deve ter errado de onde realmente ele estava mirando, Alyss pensou. Que
pena.
        "Trs centenas de metros?" Keren disse com um tom de descrena "Isso 
um senhor tipo de tiro."
        Buttle encolheu os ombros. Ele era o tipo de homem que sempre
exagerava.
        "Bem, talvez no trezentos. Mas por longe o suficiente. Ele no era um
bardo, marque minhas palavras. Nunca vi um bardo que poderia disparar assim."
        Alyss sentiu uma emoo pequena de alarme.
        "Ele parecia um bardo excelente para mim", disse ela, na esperana de
levar a discusso para longe do terreno perigoso. "Afinal, ele tinha uma voz mais
agradvel, no tinha, Sir Keren?"
        Keren assentiu, pensativo. No havia ocorrido com ele para duvidar da
identidade ou profisso de Barton. Do que tinha visto, o homem era um bardo
bastante adequado.
        "Ele certamente parecia bastante profissional", ele concordou. "E o co
foi definitivamente bem treinado para executar tambm."
        Oh Deus, Alyss pensou. Buttle olhou com suave interesse.
        "Co? Que co era esse?"
        Keren fez um gesto renunciando com uma mo. O assunto no era
realmente importante, ele parecia dizer.
        "Oh, ele tinha um pastor de fronteira preto-e-branco com ele. Utilizado
para participar do ato."
        Oh Deus, Alyss pensou novo. Ela teve que trabalhar para manter sua
expresso sem revelar seu pnico aumentando. As sobrancelhas de Buttle tinham
contrado em um semblante carregado de concentrao enquanto ele juntava os
fatos. Um arqueiro especialista, na verdade, muito mais do que um perito. E um
pastor preto-e-branco. De repente, ele tomou um passo em direo Alyss e tirou
a mo para fora, com o dedo apontado para ela. Ele sabia que havia algo familiar
nela!
        "Voc, levante-se!", ele mandou. Keren olhou-o em algo perto de alarme.
O homem parecia ter perdido seus sentidos.
        Alyss o olhou com um sorriso desdenhoso, como digno de uma nobre
Senhorita que foi ordenada por um plebeu.
        "Eu solicito o seu perdo, Sr. Buttle?" ela disse com grande dignidade.
Ela virou-se para Keren. "Realmente, Lord Keren, meu noivo vai ouvir da po-"
        "Levante-se, eu disse!" Buttle exigiu, gritando com ela agora. Keren se
levantou e deu um passo em direo a ele, colocando a mo em seu brao.
        "Buttle, o que em nome de Deus h de errado com voc?"
        "Eu pensei que a reconhecia. Pensei que havia alguma coisa familiar
nela!", disse ele. Alyss permaneceu sentada, muito calma, um olhar com uma
diverso leve e desdm no rosto. Ela sabia muito bem por que Buttle queria que
ela levantasse. Sua altura era a nica coisa que ela no conseguia disfarar.
        "Sir Keren, voc se importaria remover o homem dos meus aposentos?"
        A porta da ante-sala abriu e Max, alarmado com os gritos de Buttle,
olhou para dentro.
        "Minha Senhorita?" , disse ele. "Est tudo bem?"
        Sua mo estava pairando perto sua adaga. Alyss mandou-o embora. A
ltima coisa que queria era um confronto fsico. Sua melhor chance foi de blefar
para fora.
        "Deixe-nos. Sir Keren vai lidar com esse homem grosseiro", disse ela.
Max olhou ao redor da sala em dvida. Ela fez contato visual com ele e balanou
a cabea, quase imperceptvel. Ele deu de ombros e retirou-se, fechando a porta
atrs dele.
        Agora Keren pisou entre Buttle e Alyss. Ele estava furioso com seu
capanga para este confronto ridculo. Lady Gwendolyn devia partir em uma
semana ou algo assim. Mas se ele fosse obrigado a det-la, seu noivo poderia vir
procur-la, provavelmente com um grupo de homens armados. Essa era a ltima
coisa que Keren queria no momento, com o seu plano to perto do sucesso.
        "Buttle", disse ele, muito calmamente: "Eu estou avisando. Cale a boca e
saia daqui. Agora!"
        Mas o homem alto e barbudo estava sacudindo a cabea antes de Keren
terminar a sua ordem.
        "Ela no  nobre!", disse ele. "Eu a vi antes, eu sei disso. Agora, fique de
p!"
        Keren se virou desculpando para Alyss e deu de ombros.
        "Talvez se voc satisfizer o homem, Lady Gwendolyn..." ele comeou,
mas ela balanou a cabea, indignada.
        "Eu no vou fazer tal coisa!" ela disse com raiva. Keren hesitou, uma
dvida repentina nos olhos. Buttle apreendeu os olhos dele quando ele fez a
conexo final em sua mente.
        "Ela  uma Mensageira!" ele disse triunfante. "Eu a vi l no sul! E ela
estava com um Arqueiro!"
        Agora expresso Keren era de alarme. "Um Arqueiro?" ele perguntou, e
Buttle assentiu com a cabea vrias vezes.
        "A faa levantar. Voc vai ver. Ela est perto de ser to alta como eu
sou!"
        Keren virou-se para Alyss. "Voc  bastante alta", disse ele, pensativo.
"Por favor, faa o que Buttle pede. Levante-se".
        Alyss suspirou interiormente, sabendo que ela tinha perdido. Ela poderia
blefar para mais alguns minutos, mas as suspeitas haviam alertado Keren agora.
Graciosa, ela se levantou, ouvindo o rpido suspiro de triunfo de Buttle.
        " ela!", disse ele. "Eu sabia. Sabia que eu a tinha visto. Agora que ela
est de p, no h engano. E eu aposto que bardo Barton no  mais bardo do
que eu. Aposto que ele  seu amigo Arqueiro!" Ele procurou sua memria
novamente, tentando lembrar os pedaos da conversa que ele ouviu fora da
cabine. "Do que voc o chamava? Will! Aquele era ele!"
        "Will?" Keren estava definitivamente interessado nesta notcia. "E no 
que o nome do bardo tambm? Que coincidncia! Acho que voc tem uma
pequena explicao a dar, Lady Gwendolyn".
        Ele sorriu. Mas o sorriso nunca chegou a seus olhos. Eles estavam frios e
cheios de desconfiana.

34

        Orman tinha se mexido brevemente, chamando em seu sono, e Malcolm
entrou para cuidar dele. Xander, naturalmente, pairou em seus calcanhares,
olhando ansiosamente ao redor pequena moldura do curandeiro para olhar o seu
mestre.
        Quando Malcolm surgiu, ele encontrou Will apertando as cintas da fivela
da sela de Puxo. Ele tirou a sela dos outros cavalos e os colocou na pequena
granja de Malcolm. Malcolm percebeu o ar de urgncia do jovem.
        "Ele est bem agora", disse ele, acenando de volta para a sala onde
Orman estava calmamente. "Voc estava pensando em nos deixar?" acrescentou
suavemente.
        Will reforou uma ultima fivela e colocou o p no estribo.
        "Eu estou indo pegar Alyss", disse ele severamente. Malcolm ergueu as
sobrancelhas.
        "Assim?" ele perguntou.
        "Assim", Will repetiu. Malcolm olhou ao redor, olhando para a posio
do sol no cu. Havia ainda quatro ou cinco horas de luz do dia.
        "Voc est indo cavalgar para l em plena luz do dia e resgat-la,  isso?"
        Will hesitou desajeitadamente. Ele estava fora de equilbrio com o p no
estribo, ento ele saiu e ficou ao lado de Puxo. Agora que Malcolm colocou
assim, ele percebeu que no poderia ir, e irromper pelo castelo afora procurando
por Alyss. Ele nem sequer sabia onde ela poderia estar. Se a sua identidade foi
descoberta, ela estaria trancada em algum lugar e ele no tinha idia de onde.
Mas ele estava fervendo de ansiedade por ela, desesperado para tir-la longe do
perigo que a ameaava. Ele havia feito o que o dever exigia e ajudou Orman a
escapar. Agora seu dever pertencia a sua velha amiga. E no ajudava ter
Malcolm calmamente apontando que ele estava saindo com nenhuma idia sobre
o que ele ia fazer.
        "Eu provavelmente vou esperar at escurecer", admitiu. Malcolm
balanou a cabea como se esta fosse uma idia sbia.
        "Nesse caso, assim como voc pode esperar l, voc tambm pode
esperar aqui no conforto", ressaltou.
        Will mudou os ps irritado. Malcolm estava certo, claro, mas ele estava
desesperado para fazer algo. Qualquer coisa. Para se mover. Cada minuto que
passava colocava Alyss em um perigo maior, pois a probabilidade de Buttle
reconhec-la aumentava. Ele no suportava ficar aqui esperando.
        "Talvez pudssemos pensar sobre isso um pouco, ao invs de apenas sair
sem qualquer plano de ao", o curandeiro sugeriu. Relutante, Will reconheceu
que o que homenzinho falava estava fazendo sentido. Ele deu um tapinha no
pescoo de Puxo distraidamente, ento andou para a estreita varanda para
acompanhar Malcolm.
        "Sinto muito", disse ele. "A idia de saber que ela ainda est l, est me
deixando simplesmente louco. Sabendo que eu a deixei l."
        "Pelo que entendi voc no tinha outra escolha", disse Malcolm e Will
suspirou enquanto se sentava.
        "Isso no significa que seja mais fcil de suportar. Estive quebrando a
cabea tentando descobrir de onde Buttle surgiu", acrescentou.
        "Ele  aquele que voc viu no castelo--justamente antes de Orman
procurar voc?"
        Will assentiu. "Sim. Mas, se tudo estivesse correto ele deveria estar de
centenas de quilmetros daqui. Eu o dei para um barco cheio de Escandinavos
como um escravo".
        As sobrancelhas de Malcolm elevaram-se ligeiramente. "Voc o deu?"
disse ele, e Will assentiu gravemente.
        "Teria sido contra a lei vender ele", respondeu ele. Malcolm balanou a
cabea sabiamente vrias vezes.
        "Claro. Muito melhor respeitar a lei,e d-lo para a escravido, eu
suponho." Ele fez uma pausa para ver se havia alguma reao, mas no havia
nenhuma. Esse rapaz no tem muito em sua mente, ele pensou. Em seguida, ele
acrescentou: "Talvez esses Escandinavos voltaram para a terra novamente. Vou
perguntar se houve algum sinal de Escandinavos na rea. Meus amigos aqui tem
um alcance longe atravs da floresta e pouca coisa escapa  sua ateno. Eles se
tornaram muito bons, em verem sem serem vistos."
        "Estamos muito longe do mar aqui", disse Will com dvida. Malcolm
concordou.
        "Talvez a oitenta quilmetros. Mas o Rio Oosel corre para o interior da
costa e  muito perto. Nesta poca do ano, se voc estivesse a caminho da praia,
voc iria querer ficar bem longe das tempestades que atingiram a costa leste. 
claro", ele prosseguiu, mudando de assunto um pouco, "a questo no 
realmente como ele chegou aqui, mas o que ele est planejando fazer."
        "No vai ser nada de bom, seja o que for", disse Will. "O que est me
matando  a incerteza de tudo. Eu no sei se ela foi reconhecida. E se ela foi, eu
no tenho nenhuma idia de onde eles poderiam confin-la."
        Ele virou-se, ouvindo a porta ao lado deles fechar suavemente quando
Xander retornou da verificao de seu Lord.
        "Eu vejo que Lord Orman est mais confortvel?" Malcolm perguntou, e
Xander assentiu.
        "Ele est descansando confortavelmente", disse ele. Ento ele teve a
graa de olhar um pouco apologtico. "Obrigado pelo que voc fez." Malcolm
deu de ombros um pouco auto-depreciativo. Xander voltou sua ateno para
Will.
        "Se voc est planejando voltar para o castelo", disse ele, "voc pode ser
capaz de usar um pouco de informao de dentro." Will olhou-o rapidamente. O
secretrio se sentia um pouco culpado por no ter sido capaz de passar o aviso de
Will para a Alyss.
        "Estou assumindo que, se eles descobriram sua identidade, ela estar nas
masmorras", disse Will. "Existem masmorras em Macindaw, estou certo?"
        "Existem", Xander acordado. "Mas nesta poca do ano, eles esto
freqentemente inundadas. Minha aposta  que, se ela est presa, vai ser na torre
clula.  a direita do topo da torre de guarda e  muito mais difcil de alcanar do
que as masmorras. S existe uma escadaria que leva at o topo dela, por isso 
fcil de guardar. E quando voc est l em cima,  fcil mant-lo l tambm."
        Will considerou o problema. Fazia sentido, ele pensou. Havia muitas
maneiras de entrar nas masmorras de um castelo. Mas uma torre era um assunto
completamente diferente.
        "Talvez", disse Malcolm, voc poderia achar melhor abandonar seu
plano no momento e ter esperana de que sua amiga no foi reconhecida?"
        Mas Will estava balanando a cabea antes que o curandeiro tivesse
acabado metade da frase.
        "No. Eu j desperdicei tempo demais", disse ele com firmeza. "Eu estou
indo pegar ela. Hoje  noite".
        "Como?" Malcolm persistiu. "Seja razovel. Voc precisaria de uma
fora de homens armados para lutar no caminho at as escadas em uma torre
como essa."
        "Eu no estava planejando usar as escadas", Will disse a ele.

35

        Na cela da torre, Alyss estava decididamente apreensiva. Uma vez que
Buttle a reconheceu no tinha mais sentido fingir ser uma nobre lady a caminho
do seu casamento.
        Mas inesperadamente, Keren no tentou tirar nenhuma informao dela.
Somente chamou seus guardas e os mandou lev-la at essa cela. Max, armado
somente com uma adaga, mais decorativa do que perigosa, estava preparado para
defend-la, mas ela no deixou. Ela no queria ser responsvel pela morte dele.
Ele os outros dois criados foram levados e trancados em uma despensa. Ela no
tinha duvida que os seus guarda-costas iriam se juntar a eles em pouco tempo.
         Mas foi a falta de ao e de interesse de Keren que mais a preocupou.
Obviamente, ele  o centro dos acontecimentos estranhos no castelo Macindaw.
Por qu? Ela pensava. O mais lgico seria para fazer aquilo que ele havia
acusado Orman e Will de planejarem  Ceder o castelo para a invaso dos
escoceses. Afinal, tendo usurpado os direitos de Syron e Orman, ele dificilmente
poderia ganhar o ttulo de Lorde de Macindaw do Rei Duncan. Sua nica
alternativa seria procurar fora do reino por uma recompensa.
         Seja o que for que estivesse planejando, obviamente no era bom.
Pareceu muito estranho ele no tentar question-la sobre o que Will estava
planejando e o quanto ele j sabia. Francamente, ela esperava ser interrogada
rigorosamente, at mesmo torturada.
         Porm, ela foi trancada nessa cela na torre, que apesar de no ser luxuosa,
era relativamente confortvel.
         Exceto pelo calor, pensou. O fogo na lareira ardia brilhante e o quarto era
quente e abafado. Sua boca estava seca  provavelmente o efeito da adrenalina 
situao onde ela se encontrou na frente de Buttle. Ela estava desesperadamente
sedenta e no havia bebida nenhuma no quarto.
         Ela se virou, alarmada, quando a nica porta abriu e surgiu Keren.
         Ele olhou em volta da pouca moblia: uma mesa, duas cadeiras, uma
cama de madeira com um colcho de palha fino e dois cobertores gastos. Uma
nica lmpada a leo com refletor polido de metal iluminava o quarto. A janela,
com barras de metal verticais, podia ser coberta por uma pesada cortina se o
vento ficasse muito forte, No momento, no tinha vento e a cortina estava
recuada.
         "Confortvel? ele disse, sorrindo. Alyss encolheu. Podia ser pior, ela
disse, e ele assentiu sinceramente. Ah sim, claro que podia. E eu acho que voc
teria isso em mente.
         "Acredito que o meu pessoal est seguro Ela disse e Keren assentiu.
         "Esto bem e confortveis, trancados a chave. Um dos seus guarda-costas
tentou argumentar. Foi levemente ferido mais vai se recuperar.
         "Espero que voc no queira que eu lhe agradea, Ela disse. Novamente,
ele encolheu pelo pouco interesse que tinha. Ele encerrou esse assunto e apontou
para a mesa e as cadeiras.
         "Vamos sentar. Penso que est na hora de conversarmos."
         Ento vai comear, ela pensou, considerando ele. Mas no tinha sentido
em resistir e ela foi at a mesa, puxou uma cadeira e sentou-se.
         "No tem nada para beber, est muito quente aqui. Eu quero um pouco de
gua," ela disse. Ela fez isso parte para tir-lo do momento da conversa, e parte,
ela percebeu, porque estava com muita sede. Ele ficou imediatamente
preocupado com o bem-estar dela.
        "Desculpe, ele disse. Eu no tinha a inteno de te deixar
desconfortvel" Um olhar severo entrou em seu rosto enquanto ia a porta,
abrindo-a e chamando rudemente um dos guardas fora da sala.
        "Voc a! Por que no deu gua para a lady? Traga esse jarro que tem a!
Encontre outro para voc! E traga um copo... um copo LIMPO, seu idiota!
        Ele mexeu a cabea incomodado quando o guarda entrou, olhando para
baixo, com um jarro de gua e um copo. Ele os colocou na mesa e virou para
sair.
        "Encha o copo, seu imbecil! A voz de Keren estalando nele, e o guarda
se virou.
        "Desculpe, senhor," ele cambaleou, e encheu o copo at a metade de
gua, derramando um pouco na tentativa. Antes que Keren o repreendesse mais,
ele secou a mesa com a manga da camisa e saiu rapidamente da sala.
        "A esta, minha lady, ele disse.
        Alyss bebericou a gua. Ento ela percebeu quo desidratada estava e
bebeu a maior parte do copo. Seu treinamento a ensinou que, se voc  uma
prisioneira,  sempre bom fazer seus captores atenderem a pequenos pedidos.
Pequenos no inicio, ento, quando comeassem a se acostumar a atender
pedidos, comear a pedir coisas maiores.
        Keren sentou na cadeira oposta a dela e apoiou as costas e cruzou as
pernas uma sobre a outra e sorriu para ela.
        "Relaxe, disse. Eu s quero fazer algumas perguntas."
        "No so as perguntas que me incomodam," ela disse. "E sim o que voc
vai fazer quando no tiver as respostas.
        Ele franziu, olhando para ela um pouco magoado.
        "Voc com certeza no acha que eu te torturaria, Ele disse. Eu no sou
um monstro, alis, eu sou um cavaleiro.
        "Voc parece ter esquecido alguns dos seus deveres como cavaleiro, ela
respondeu, e ento bocejou. O quarto abafado estava fazendo ela ficar sonolenta.
Ela piscou varias vezes enquanto Keren continuou.
        "Bem, talvez parea que sim. Mas  fcil ter um ponto de vista sem saber
toda a situao. Por anos, eu mantenho esse castelo forte e bem defendido. Tudo
que pedi de Syron foi um pouco de considerao, um agradecimento pelos meus
esforos. Mas no. Ele deixou tudo para o seu filho. No tinha nada para mim,
nem mesmo a garantia que eu continuaria empregado quando Orman assumisse.
Eu gastei grande parte da minha vida adulta protegendo a borda do reino e eu
no ganho nada mais que um pagamento de um mercenrio. Eu mereo coisa
melhor que isso.
        "Talvez tenha. Mas no tem direito de procurar essa recompensa com os
Escoceses, ela arriscou, esperando a reao dele. No demorou a chegar, ele a
olhou intensamente.
        "Ento voc percebeu, no ? Eu fico imaginado o que mais voc sabe.
        Ela sorriu. Eu aposto que sim, Ele sorriu ao ouvir isso.
         Ele a espreitou. "Voc deve estar se sentindo cansada. Tem sido um dia
cheio.
        Ela assentiu. Ela se sentia cansada, agora que ele disse. Ela piscou os
olhos e rolou a cabea de um lado para outro para tirar a tenso nos ombros.
        "Isso. A voz de Keren era profunda e calmante. Estranhamente, ela
pensou, parecia vir de longe  no do outro lado da mesa. Feche os olhos se
quiser, ele continuou. Ns podemos falar depois se voc estiver sonolenta
agora. Voc est com sono?
        Suas plpebras estavam pesadas. Elas fecharam. Ela piscou rapidamente,
mas era demais para sustent-las. Devagar, elas se fecharam.
        "Suas plpebras parecem pesadas, Com uma voz estranha e calma.
Voc est sonolenta?"
        "Sono..." ela balbuciou em resposta. Em uma parte distante de sua mente,
ela pode sentir um fraco sinal agitado de alerta. Ela no podia estar assim
sonolenta, pensou. Mas ela desviou o pensamento porque ela estava.
Incrivelmente cansada e sonolenta. Por qu? Por que ela se sentiu assim to
repentinamente?
        A voz de Keren continuou. Era to calmante e parecia preencher seu
mundo.
        "Mas  claro que est com sono. Pode dormir, dormir  bom. Seus olhos
esto cansados...
        E estavam. Ento, novamente, aquela parte de sua mente estava tentando
dizer alguma coisa. Alguma coisa sobre a gua que bebeu. Ele colocou algo
nela? Alguma poo do sono? Ela tem sido to inteligente, fazendo ele atender
seus pedidos. Mas talvez ela se enganou sobre a vantagem que achou ter levado
sobre a gua...
        Mas que se importa? Ela estava com sono, ele dizia que ela podia dormir
e sua voz estava to calma e confivel. O pequeno sinal de aviso na sua cabea
cintilou e morreu.
        "Eu te trouxe algo. Algo que vai ajud-la a dormir. Olhe.
        Ela forou suas pesadas plpebras a abrirem e olhou para o que ele estava
segurando.
        Era uma estranha gema azul, do tamanho de um ovo, e comeou a mov-
la para frente e para trs em suas mos. Era muito bonita, pensou, e ela ficou
maravilhada com o jeito que a pedra parecia atra-la, ela sentiu que podia
mergulhar na pedra como se fosse uma piscina funda de gua azul e clara. Ela se
inclinou, olhando mais de perto, sorrindo. Era uma pedra bonita.
        "Olhe dentro do azul, ele disse gentilmente. E bonito, no?
        Verdade, ela pensou. Era perfeitamente redonda e o azul parecia crescer
mais enquanto olhava dentro dela. Ela tinha a fascinante impresso que, se ela
olhasse firme o suficiente ela poderia ver abaixo da superfcie da pedra, e as
profundidades abaixo.
        " muito bonita, no ? ele disse. Sua voz era sossegada, relaxante e
muito calmante. Muitas vezes me pergunto como pode haver tantas camadas em
um objeto to pequeno. Olhe para ele como ele se transforma..."
        Ele girou a pedra lentamente e ela viu que ele estava certo. O azul parecia
desviar da luz, em camadas cada vez mais profundas. Parecia impossvel que
tudo isso cabia em uma gema to pequena. E to bonita. To azul. Ela nunca
havia percebido antes que azul era sua cor favorita.
        "Voc nunca me disse seu verdadeiro nome. Ele disse gentilmente.
        " Alyss. Alyss Mainwaring." No parecia perigoso dizer isso a ele.
Depois de tudo, ele sabia que Lady Gwendolyn era uma identidade falsa.
Estranho, ela pensou, como que aquela pequena pedra azul parecia ficar maior a
cada segundo.
        "Voc no tem um noivo, tem?" ele disse e ela ouviu uma diverso em
sua voz. Ela riu em resposta.
        "Infelizmente no, ela admitiu. Eu acho que estou destinada a ser uma
solteirona. Era uma vergonha eles serem inimigos, ela pensou. Ele era uma
pessoa legal, de qualquer jeito. Ela olhou para cima para lhe dizer isso.
        "Continue olhado para o azul. Sua voz era muito gentil e ela assentiu
para ele.
        "Claro.
        Ele fez silncio por um tempo, a deixando estudar a pedra azul mvel.
Era muito relaxante, ela pensou.
        "E sobre seu amigo Will? ele perguntou suavemente Sem romance
nenhum nisso?
        Ela sorriu quietamente, sem responder por alguns segundos Nos ns
conhecemos desde crianas ela disse ramos muito prximos antes dele
comear seu treinamento.
        "Como um menestrel, voc quer dizer? ele disse. Ela estava a caminho
de balanar a cabea quando um instinto a parou.
        "Will  um... Ela comeou, mas o mesmo instinto a parou antes de dizer
algo mais. A luz de advertncia em sua mente estava de volta, agora queimando
ardentemente. Ela piscou, percebendo que estava a ponto de dizer Will  um
Arqueiro. Ela pulou de sua cadeira, como se jogando de um precipcio. De uma
forma, ela estava.
        Ela desviou seus olhos da pedra azul, impressionada pelo quanto de
esforo ela deve que usar para isso.
        "O que voc esta fazendo? ela exigiu, terrificada por ter quase trado
Will. Ela examinou seu crebro, tentando pensar no que ela o disse, o quanto ela
havia revelado a ele. Seu nome, pensou. Mas isso no importava tanto. Desde
que no havia dito a ele que Will era um...
        Ela parou a si mesma. Melhor nem pensar nisso, disse a si mesma.
Aquela maldita pedra azul obviamente tinha propriedades muito estranhas.
Keren estava sorrindo. Surpresamente, era um sorriso amigvel.
        "Voc  forte, Ele disse admiradamente. Uma vez que algum entra em
transe,  muito incomum eles sarem. Muito bem.
        "A gua... estava drogada, no ? ela disse. Ela sabia agora que no foi
por acaso que o quarto estava to quente. O fogo estava deliberadamente forte.
Keren sabia que ela iria querer gua. Ele sorriu.
        "S uma inocente bebida para ajudar a relaxar  ento minha pequena
pedra azul poderia fazer seu trabalho.
        "O que  essa coisa?" Ela apontou para pedra, com repugnncia. Ele a
pegou da mesa, jogou para cima, pegou e a colocou de volta no bolso interno.
        "Ah, somente uma bugiganga para me divertir com meus amigos, ele
disse, levantando e indo at a porta. Ele parou com a porta aberta, ento seu
sorriso sumiu.
        "Ns faremos isso de novo, ele disse. E da prxima vez, iremos muito
mais rpido. Sempre  depois que j entrou uma vez. Depois, fica cada vez mais
fcil. Eu virei v-la em uma hora ou menos."
        A porta se fechou atrs dele. Alyss ouviu a chave virar na trance e ela
derrubou sua cabea em seus braos sobre a mesa. Ela se sentiu totalmente
exausta.




36

        Daqui para frente sou s eu Will disse, abaixando e rastejando,
sinalizando para Xander e Malcolm fazerem igual.
        Eles deixaram os cavalos atrs de um cume e agora o vulto escuro do
Castelo Macindaw surgiu a menos de cento e cinqenta metros de distncia.
        No tenho nada contra, Xander disse. Ele rastejou at o lado de Will,
estudando o castelo e sua alta torre central. L. Consegue ver a luz no topo da
torre? Aposto que  onde esta sua amiga. Aquele  o quarto-cela da torre e est
ocupado. No tinha ningum l hoje de manh.
        Tem barras na janela, obviamente? Malcom disse e Xander assentiu, e
ento continuou. Voc pensou em como vai resolver esse problema?
        Will franziu. Eu tenho uma lima, disse, e Malcolm balanou a cabea, e
passou um pequeno frasco coberto de couro.
        Muito demorado e barulhento, Malcolm disse Isso resolver muito
mais fcil.
        Will estudou o frasco. O que ? perguntou.
         um poderoso cido. Vai corroer as barras de ferro em alguns
minutos. Ele sorriu quando Will segurou o frasco cautelosamente. Tem uma
garrafa de vidro dentro, mas e revestida de palha e tem essa cobertura de couro.
 um tanto segura. S tenha cuidado enquanto carrega ela.
        Will decidiu no argumentar que essas duas ultimas informaes
pareciam discordar uma da outra. Ele prendeu o frasco no meio do cinto, na parte
de trs. Seria seguro lev-la ali, ele pensou.
        A lua est quase sumindo Malcolm apontou. Will assentiu.
        Estou indo ento.
        Mas ele no foi imediatamente. Ele passou alguns minutos estudando a
paisagem, absorvendo o ritmo natural da noite. Ento ele simplesmente se
misturou  escurido.
        Will parou nas profundas sombras da base do muro. Ali era onde ele
deveria subir, no ngulo entre torre e muro. Nem os vigias da torre nem os
guardas da muralha poderiam v-lo ali. O nico possvel perigo era vinha da
outra torre de vigia, a trinta metros. Mas o vigia continuava curvado sobre o
parapeito, olhando fixamente para noite.
        Ele explorou a superfcie do muro com as mos, tirando suas luvas e
guardando-as no cinto para faz-lo. O trabalho na pedra, que parecia harmnico
e elegante de longe, era na verdade spero e irregular, com muitas rachaduras,
fendas e salincias, fornecendo apoio para um alpinista com a experincia de
Will. Alm disso, o ngulo entre a torre e o muro d apoio extra se ele
precisasse. Ele sorriu. Poderia escalar esse muro at se tivesse sete anos de idade.
        Ele levava uma longa corda enrolada nos ombros por baixo da capa, mas
seria usada para ajudar Alyss a descer, no para ele subir. Com os vigias
circulando, era quase impossvel arriscar jogar a corda e prende-la entre as
ameias no topo do muro. Flexionando os dedos, ele levantou suas mos sobre a
cabea, colocou-as em duas salincias na pedra fria e se puxou para cima.
        Subiu lentamente e suavemente o muro. s vezes, tinha que se mover
para direita ou esquerda da posio original para usar o melhor apoio. Seus
dedos doam com o esforo e o frio, mas estavam resistentes e fortes, resultado
de anos de prtica.
        Chegando perto do topo, ele ouviu os passos do vigia e parou, segurando
no muro como uma aranha gigante, dedos das mos e ps doendo com o esforo.
O vigia parou no final da sua ronda e bateu os ps uma ou duas vezes. Ento ele
saiu, voltando por onde ele veio. Will esperou alguns segundos e pulou sobre as
ameias. Movendo-se como uma sombra em uma noite cheia de sombras, ele
atravessou o caminho at as escadas e desceu silenciosamente at o ptio abaixo.
        Ele parou na base das escadas. No tinha vigias aqui, mas sempre tinha a
chance de algum surgir das portas que levam ao castelo ou  torre do porto.
Ele estudou a situao por longos minutos. O espao aberto que levava at a
entrada da torre era bem iluminada por tochas presas no muro. Seria melhor
andar direto, sem qualquer tentativa de se ocultar. Algum que  visto andando
at a porta seria muito menos fcil de levantar suspeita que algum que
obviamente est se infiltrando. Ele tirou o capuz e pegou um chapu de tecido
macio, arrumou as penas de seu tecido e o endireitou na cabea. Ento, andando
confiante at a porta sem nenhuma tentativa de se ocultar, ele andou at as
escadas que levam a entrada do castelo.
        Quando ele chegou s escadas, ele desviou sabiamente para a esquerda e
ficou nas sombras da prpria escadaria. Ele guardou o chapu e colocou o capuz
sobre a cabea de novo. Oculto pelas escadas, ele observou a muralha atrs dele
para ver se algum o percebeu. Mas os vigias estavam atentos ao lado de fora,
no de dentro, e eles nunca observavam em volta.
        Satisfeito por no ter sido visto, ele moveu-se pela base da torre para um
ponto entre duas tochas acesas. Na extrema borda do alcance da luz, ela estava
incerta e inconstante. Ele respirou fundo, checou se o frasco de cido estava em
segurana no cinto as suas costas, ento comeou a subir mais uma vez.
        Como esperava, a torre interna foi construda da mesma pedra que os
muros e estava cheia de apoios para ele. Ele escalou firmemente. Mesmo
acostumado com alturas, ele evitou olhar para baixo. Voc nunca sabe quando a
vertigem pode te atingir. O muro devia ter oito metros de altura. Essa torre tinha
mais de trs vezes aquela altura, algo perto de trinta metros acima do cho.
Enquanto ele subia, o vento ficou mais forte e assoviou em volta dele,
ameaando tira-lo de seus apoios precrios.
        Sempre se segure com trs, repetia para ele mesmo  o velho ditado que
ele dizia desde garoto enquanto escala. Significava que ele nunca deveria mover
uma mo ou um p para outro apoio a menos que tenha os outros trs
seguramente firmes. Tinham muitas janelas pequenas no caminho e ele desviou
delas. Ficou tentado a olhar, mas entendeu que seria um erro fatal. Se tivesse
algum olhando pela janela e visse uma cara estranha surgir do nada com certeza
iria dar o alarme.
        O vento ficava forte a medida que subia, fazendo o ar frio ficar
congelante. Suas mos estavam dormentes, o que aborreceu ele. Ele precisava
uma boa sensibilidade nas mo para encontrar as mais seguras fendas rachaduras
na pedra. Se no pudesse senti-las direito, sempre teria a chance de ele segurar
numa pedra solta e ela cairia quando transferisse peso para ela. Mentalmente, ele
levantou os ombros. No tinha nada que ele pudesse fazer sobre isso e agora ele
j tinha subido trs quartos da torre, de qualquer jeito. Ele olhou para um lado,
onde a terra coberta de neve estava. A quilmetros dali, ele podia ver a massa
escura da Floresta Grimsdell, com os topos das rvores cobertas com o branco da
neve que caiu sobre elas. Se ele estivesse escalando por pura diverso, ele teria
parado para admirar a vista maravilhosa. Ele sorriu tristemente. J faz um bom
tempo que ele no escala somente pela diverso do esporte.
        Ele olhou para cima e viu que a ameia estreita da torre estava apenas 
alguns metros acima. Ele cobriu a distancia e alcanou o topo com cuidado.
Ningum nunca sabia o que podia ser encontrado nessa bordas. Alguns
arquitetos de castelo gostavam de colocar pontas de lana para desencorajar os
alpinistas.
        No havia pontas, mas ele franziu ao tocar a superfcie congelada. Gelo,
pensou. gua da chuva era coletada na ameia e congelava-se quando a
temperatura caa. Aquilo seria complicado. A maioria se seguraria nas ameias
rapidamente, transferindo o peso para as mos enquanto o faziam. Com gelo
escorregadio por toda borda, isso poderia ser fatal. Will deixou algum peso
sobre as pernas enquanto procurava por um ponto seguro para segurar. Seus
dedos do p se enrolavam pelo esforo e ele podia sentir o inicio de uma cibra
no peito do p esquerdo. Ele encontrou um ponto seguro com a mo direita e
subiu um pouco mais alto, seu p esquerdo procurando um novo apoio. Sempre
trs, ele repetia. Ele moveu seu sua mo esquerda pela ameia, a escorregando at
encontrar um ponto sem gelo para se apoiar. Ento seu p direito veio acima ele
podia subir totalmente na ameia, virando devagar para sentar nela, suas costas
contra a parede da torre atrs dele. Quando se inclinou para trs,com um pouco
mais de fora do que o desejado, ele sentiu uma presso vindo de algo pequeno
nas costas. Seu corao saiu pela boca quando ele lembrou do frasco nas suas
costas. Coberto daquele jeito pela capa, se quebrasse agora, no teria jeito de
tira-la a tempo. Ele se afastou um pouco do muro enquanto contava os segundos.
Dez. Quinze. Vinte. Um minuto inteiro e ele no sentiu nenhuma sensao de
calor do cido corroendo sua pele. Ele deu um suspiro de alivio.
         Agora onde est Alyss? ele se perguntou.
         Enquanto subia a torre ele girou em volta dela  partir do seu ponto
original, procurando pelos melhores apoios. Ele olhou para direita e agora viu
que a janela onde devia ser o quarto de Alyss estava a trs metros dali. Ele andou
de lado at l, seus ps sobre as ameias. Ele franziu enquanto movia-se at a
janela. Tinha um monte de gelo na passagem estreita e isso viraria uma
dificuldade para ele parar e girar, na inteno de olhar para dentro da janela.
         Pelo menos, pensou, ele teria as barras para dar apoio seguro para as
mos. Ele parou quando a janela estava a sua direita, um pouco acima de sua
cabea. Ele a procurou com sua mo direita, tateando pela volta, e encontrou
uma das barras de ferro.
         Se o quarto estivesse ocupado por algum alm de Alyss, ele pensou,
seria perigoso. Sua mo estaria na linha de viso de algum olhando pela janela,
e a medida que ele virasse e ficasse de frente para janela estaria totalmente
exposto. Ele se comprometeria sem antes saber quem estava no quarto. Mas, por
causa do gelo nas ameias, ele no tinha alternativa.
         Ele se apoiou com as ndegas na parede , tirando seu p direito da ameia.
Seu peso era suportado quase totalmente pela mo na barra desde que no
houvesse reao dentro do quarto, assumindo que quem fosse que estivesse l
dentro no estava olhando para janela. O p direito estava instvel na ameia, ele
percebeu, enquanto colocava mais fora na perna esquerda, virando devagar para
seu lado direito, esticando o joelho para ficar mais alto.
         Seu corao pulou quando sentiu seu p escorregando pelo gelo, e ele
virou mais rpido, jogando seu brao esquerdo para segurar outra barra na janela.
E ele fez bem na hora. Seu p escorregou para fora da ameia escorregadia e ficou
pendurado apenas pelas suas mos. Com um gemido suave de esforo, ele se
puxou para cima. Seu p direito encontrou a ameia novamente e ele transferiu
peso para sua perna  no muito, pois no confiava que no iria escorregar
novamente.
         Ele agradeceu os anos que praticou com seu arco e desenvolveu os seus
msculos dos braos e das costas. Agora seu p esquerdo estava de volta  ameia
e recebeu um pouco de peso como o outro.
        Devagar, seus olhos encontraram a parte baixa da janela e ele pode ver
dentro do quarto, para onde Alyss sentava, jogada em uma mesa, de costas para
janela, sua cabea apoiada nas mos.

37

        Oitenta quilmetros ao sul, um cavaleiro de armadura estava cavalgando
no cortante vento frio do norte.
        O sol j havia descido a linha do horizonte e a escurido se espalhou
depressa pela terra. Qualquer pessoa sensata teria parado para acampar e se
proteger da neve e granizo trazidos pelo vento. Mas o cavaleiro ainda forava
seu caminho para o norte.
        Sua tnica era branca e seu escudo tinha o desenho de um punho azul,
smbolo de um mercenrio  cavaleiro procurando por emprego em qualquer
lugar. Seu equipamento era padro  uma lana pesada estava presa no estribo a
sua direita e uma longa espada de cavaleiro podia ser vista sob sua capa.
Somente o escudo era diferente. Em um tempo onde cavaleiros preferiam
escudos com pontas afiadas em baixo  tima arma em momento cruciais  este
carregava um simples escudo redondo.
        O cavalo de batalha andou alguns passos de lado, tentando escapar das
rajadas de vento e do doloroso granizo que ele recebia. Gentilmente, ele voltou o
seu curso para o norte.
        S mais um pouco, Kicker, Ele disse, suas palavras grossas e arrastadas
vindo pelos lbios quase congelados.
        O cavalo estava certo, pensou. Era loucura continuar viajando nesse
tempo. Mas ele sabia que havia uma pequena aldeia a alguns quilmetros depois
da estrada, e a proteo de um celeiro seria melhor e mais confortvel que
qualquer proteo que ele conseguisse entre as rvores. Ele quase lamentou no
ter parado no final da tarde, quando passou por uma vila com uma pousada
aparentemente muito confortvel. Seria um bom lugar para estar agora, ele
pensou.
        Ento ele pensou em seus amigos e no possvel perigo que esto
passando e no lamentou sua deciso de continuar a moldar seu caminho atravs
da noite fria e escura.
        Ele duvidou que Kicker concordasse. Ele tentou sorrir, mas seus lbios
estavam muito duros e gelados agora.
        Ele se mexeu inconfortvel na sela, sentindo uma gota d`gua gelada
descendo pelas suas costas, enquanto pensava no encontro com Halt e Crowley,
a alguns dias atrs.
        Ento vocs querem que eu v para Macindaw? Ele disse, a cabea
cheia de pensamentos. O que vocs acham que eu posso fazer que Will e Alyss
no possam?
        Eles estavam no escritrio de Crowley na alta torre do Castelo Araluen.
Era um quarto pequeno mas confortavelmente mobiliado e mantido quente pelo
fogo aceso na lareira. Halt e Crowley trocaram olhares e o Comandante dos
arqueiros gesticulou para Halt responder.
        Ns nos sentiramos melhor se Will e Alyss tivesse um pouco mais de
msculos a sua disposio.
        Horace sorriu. Sou apenas um homem.
        Halt o considerou intensamente. Voc  muito mais que isso Horace,
ele disse Eu tenho visto seu trabalho, lembra? Eu me sentiria aliviado se
soubesse que voc est cobrindo as costas de Will. E nos precisamos mandar
algum que ambos conheam e confiem.
        Horace sorriu com a possibilidade. Seria legal v-los de novo. Disse. A
vida no castelo Araluen no inverno tende a ser um pouco chata. A idia de ser
mandado em misso sozinho tinha uma aparncia tima. Ele e Alyss eram
amigos desde crianas e ele no tem visto Will, seu melhor amigo, a meses.
        Halt levantou-se e foi  janela, olhando para a paisagem cinza de inverno
que cercava o castelo. A parte sul do pas, onde no h neve, mas que o frio
deixava as rvores de uma forma como se tivesse nevado, tinha uma forma
desolada que combinava com o humor de Halt.
         a incerteza que esta nos matando, Horace, disse. At agora tnhamos
uma mensagem rotineira dos soldados de Alyss. Ou uma resposta do pombo que
mandamos ontem. Afinal, eles no tem que esperar o pssaro descansar. Eles
tem outros seis pombos prontos para mandar mensagens.
        Claro, um falco pode ter capturado o pombo que mandamos, Crowley
disse. Isso acontece..
        Halt mostrou um flash de aborrecimento e Horace percebeu que os dois
j haviam tido essa conversa  possivelmente mais de uma vez.
        Eu sei disso, Crowley! Ele disse aborrecido. Ele olhou Horace de novo.
Pode no ser nada, Crowley pode estar certo. Mas eu no quero arriscar. Eu
gostaria de saber que voc est indo ajud-los. Se ns recebermos uma
mensagem nesse meio tempo, nos sempre podemos mandar uma ordem para
voc poder voltar.
        Horace fitou o pequeno arqueiro grisalho com cordialidade. Halt estava
mais preocupado do que gostaria, provavelmente porque Will estava l em cima,
nos campos do norte coberto de neve, Horace percebeu. No importa quantos
anos passem, parte de Halt sempre vai ver Will como seu jovem aprendiz. Ele foi
em direo ao arqueiro.
        No se preocupe, Halt, ele disse calmamente. eu vou ver se ele est
bem. Os olhos de Halt mostravam sua gratido. Obrigado, Horace.
        O nome dele  Hawken, Crowley disse, decidindo que era hora de
Horace se preparar para misso. Melhor se acostumar a isso.
        Horace franziu para ele, sem entender.
         sua nova identidade, Crowley disse a ele.  uma misso secreta e
ns, dificilmente poderemos mandar o jovem cavaleiro mais famoso de Araluen
para os campos de Norgate. Voc ir como Sir Hawken e ser um mercenrio.
Melhor pegar um escudo pintado de acordo.
       Horace assentiu. Ento vou providenciar o msculo, e, deixar Will e
Alyss fazerem todo trabalho mental? ele disse alegremente.
       Halt o considerou srio, balanando a cabea devagar. No se faa de
pequeno, Horace, ele disse. Voc  um bom pensador. Voc  firme e prtico.
s vezes ns nos desviamos , quando isso ocorre at os Arqueiros e Diplomatas
precisam desse tipo de pensamento para se manter no caminho.
       Horace ficou surpreso com a declarao. Ningum nunca o chamou de
bom pensador antes.
       Obrigado por isso, Halt, Ele disse. Ento seu sorriso quebrou de novo
No posso te convencer a vir comigo? Como nos velhos tempos na Glia?
       Dessa vez, Halt sorriu enquanto balanou a cabea. J tem um arqueiro
em Macindaw, Para qualquer coisa alm de uma invaso em longa escala, um
arqueiro j  o suficiente.
        O vento aumentou e o granizo soprava forte em seu rosto. Kicker
resmungou, balanando a cabea, e Horace inclinou-se para frente e alisou o
pescoo do cavalo de batalha.
       No vou exigir tanto de voc agora Kicker, Ele disse. S me leve por
mais alguns quilmetros. Will precisa de ns.

38

        Alyss! A garota loira sentou-se, assustada, ao som sussurrado de seu
nome. Ela virou-se na cadeira para ver o rosto de Will na janela gradeada, o
familiar, irreprimvel sorriso iluminando seu rosto. Ela se levantou num salto. A
cadeira caiu atrs dela e ela a segurou pouco antes de bater no cho. Ela
atravessou rpido o quarto at a janela.
        Will? Meu Deus! Como voc chegou aqui em cima?
        Ela olhou para fora, pela queda vertiginosa abaixo e percebeu que ele
estava pendurado nas salincias cobertas de gelo sem nenhum outro suporte. Ela
recuou meio passo, seu corao batendo forte. Alyss podia encarar os maiores
perigos sem vacilar, mas ela tinha um medo terrvel de altura. A viso da escura
queda depois da janela a encheu de medo. Will estava mexendo as mos sobre o
manto e logo estava tirando uma longa corda e a jogando para dentro do quarto.
        Vim te tirar daqui ele disse a ela. Aguente s alguns minutos
        Ela olhou ansiosamente por cima do ombro enquanto ele jogava a corda
para dentro do quarto, a desenrolado de sua capa. A boca dela ficou seca quando
entendeu a idia de Will.
        Voc quer que eu desa pela corda? Ela disse, apontando para o monte
enrolado na frente dela. Ele sorriu calmamente.
         fcil, ele disse. E eu vou estar aqui para ajud-la.
        Will, eu no posso Ela disse, com sua voz quebrando Eu no suporto
altura! Eu vou paralisar! Eu no consigo fazer!
        Will parou por um momento, contemplando. Ele sabia que tinha pessoas
que possuam um medo mortal de altura. Pessoalmente, ele no podia entender.
Toda sua vida ele teve facilidade de escalar rvores, barrancos e muros. Mas ele
percebeu que aquele medo dela seria totalmente debilitante. Ele pensou e ento,
ele sorriu.
        Sem problema, disse. Eu vou amarrar a corda na sua cintura e descer
voc daqui.
        O resto da corda finalmente estava fora do manto e caiu encima da pilha,
em frente a janela.
        Ento Alyss percebeu que medo de alturas era imaterial. No tinha jeito
dela passar pelas barras  ao menos que ele planejasse cerr-las, o que levaria
muito tempo. Ela olhou assustada para a porta. Keren disse que estaria de volta
em uma hora ou menos. Quanto tempo havia se passado enquanto ela estava na
mesa? Era uma hora ou menos, seria meia hora? Quarenta minutos? Ele
poderia estar vindo agora.
        Voc deve sair daqui, ela disse, com outra inteno na voz. Keren
pode voltar a qualquer minuto.
        Ento ele vai desejar no ter voltadoWill disse, com seu sorriso
desaparecendo Voc descobriu o que ele vai fazer? ele perguntou. Will
imagina que a melhor maneira de faz-la descer pela janela e distraindo ela.
Alyss balanou a cabea, impaciente, enquanto Will procurava algo nas costas,
tirando uma pequena garrafa coberta de couro de sua capa. Ele a segurava com
muito cuidado quando ele a deixou no parapeito.
        Voc tem que ir! Ela disse. Ns no temos muito tempo, ele esta
voltando para me interrogar novamente
        Will parou com o que estava fazendo. Novamente? perguntou, Ele
machucou voc? Sua voz era fria. Se Keren a machucou, ele seria um homem
morto. Mas ela balanou a cabea mais uma vez.
        No, ele no me machucou. Mas ele tinha um pedra entranha... Sua voz
vacilou. Ela no queria dizer a ele o quo perto ela esteve de entregar a
verdadeira identidade do amigo.
        Uma pedra? Ele repetiu, confuso.
        Ele consentiu Uma gema azul. Ela...de algum jeito, me fez dizer
qualquer coisa que ele quisesse saber. Will, eu quase disse que voc  um
arqueiro! Ela exclamou. Eu no pude me conter. A gema faz... faz voc
responder perguntas.  estranho.
        Will pensou sobre isso. Uma memria tirada de sua primeira noite no
castelo, na sala de jantar, onde os seguidores de Keren reagiram
entusiasmadamente a sugesto que Will devia cantar outra msica. Talvez ele
estivesse brincando com controle mental  muito tempo.
        Ele mudou de pensamento. Puxando sua faca, ele comeou a cavar uma
pequena vala envolta das bases das barras do meio da janela para por acido.
Tinham quatro barras ao todo e ele pensou que se removesse as do meio ele
poderia criar uma passagem grande suficiente para seu propsito. Ele poderia
entrar e amarrar a corda na cintura de Alyss, usando as barras restantes para dar
apoio enquanto ele a faria descer at o cho. Ento ele desamarraria a corda e
desceria por ele mesmo.
        Bem, Ele disse Nenhum dano causado. Buttle j adivinhou quem eu
sou de qualquer jeito. Ele sorriu para melhorar o nimo dela, mas ele pode ver
que ela estava triste por como ele viu as suas prprias fraquezas.
        Ele poderia s ter suspeitado, Disse ela miseravelmente No podia ter
certeza, mas de algum jeito ele me fez falar.
        Isso faz parecer que Keren era o feiticeiro todo tempo. Will disse
pensativo. Alyss olhou para ele, confusa.
        O que quer dizer? Ela perguntou.
        Ele que est por trs da doena misteriosa do Lord Syrion. E ele
envenenou Orman igualmente. Por isso ele quis que eu o tirasse daqui. Agora
voc me diz que ele tem um jeito misterioso para te fazer responder suas
perguntas. Keren usou a velha lenda, e as histrias sobre Malkallam, para
reforar seu prprio teatro. Ele queria controlar o castelo  mas ainda no
consegui pensar de que forma ele pretende mant-lo.
        Ele fez um acordo com os escoceses, Ela disse. Mais cedo, ela fez essa
acusao contra Keren, mas havia sido um tiro no escuro. Sua resposta, porm,
confirmou sua suspeita.
        Escoceses? ele disse. Ele pensou por um momento. Se os escoceses
tiverem o controle do castelo de Macindaw, sua passagem para Araluen seria
segura. Eles poderiam liderar um ataque surpresa atravessando a regio rural, ou
at uma invaso completa. Pequena como era, Macindaw era uma chave vital
para segurana ao norte de Araluen Ento nos temos que impedi-lo de qualquer
jeito.
        Correto! Alyss disse, com uma nova urgncia na voz. por isso que
voc deve sair daqui agora! V para Norgate e soe o alarme. Traga contigo um
exrcito para det-lo!
        Will estava concentrado no pequeno frasco de couro, apertando sua
lngua entre os dentes da frente enquanto removia a tampa com cuidado. Ele a
olhou e balanou a cabea.
        No sem voc.` Ele disse. Cuidadosamente, ele derramou um pouco de
lquido da garrafa na pequena trincheira que ele fez na base da barra de ferro. O
liquido fumegou quando atingiu a pedra e o ferro, derretendo um pouco do gelo
envolta. A nuvem acre que surgiu fez Will tossir. Ele tentou abafar o som, com
pouco sucesso. Alyss se afastou um passo ou dois, cobrindo as narinas com a
manga de sua camisa.
        O que  essa coisa? Ela disse.
        cido. Coisa realmente desagradvel. Malcolm disse que iria corroer
essas barras em segundos. Ele franziu. A barra ainda parecia slida. Ou talvez
ele tenha dito minutos Emendou. Ele retampou a garrafa e foi para prxima
barra, usando sua faca novamente para cavar a trincheira na base.
        Vamos deixar essa e vamos para prxima. Enquanto isso amarre uma
ponta da corda em uma das outras barras.
        Ela fez como ele disse. Mas ela estava pensando sobre algo que ele disse.
        Quem  Malcolm Perguntou. Ele olhou para ela e sorriu.
         o nome real de Malkalam. Ele , na verdade, um cara bem legal
quando voc o conhece direito.
        Que foi o que voc fez,  claro, Ela disse secamente. Parecia tanto com
a Alyss de antes, que ele at sorriu mais.
        Vou te contar sobre ele depois. S me de um minuto, essa  a parte
complicada.
        Ele tinha a garrafa novamente e estava colocando lquido no pequeno
poo que cavou na pedra e argamassa. De novo, a nuvem acre subiu novamente,
seguida pelo cheiro de ferrugem queimada. Ele parou, seu lbios pressionados de
concentrao, vendo o resultado. Como antes, o cido parecia demorar mais que
devia para corroer a barra. Ele testou a outra barra e sentiu um pouco de
movimento. Estava funcionado  mas no to rpido como ele estava esperando.
Ele pensou em colocar mais cido, mas desistiu. Somente iria transbordar pelo
parapeito e isso era algo que deveria evitar.
        Ele no podia fazer nada exceto esperar. Ele recolocou a rolha e passou o
frasco para Alyss pelas barras.
        Aqui. Ponha em algum lugar, ele disse. Ele no desejava fazer a
descida com aquilo no seu bolso. Distrada, ela colocou a garrafa ao seu lado, em
cima da verga da janela..
        O que me mata, ele continuou, tentando manter a mente dela longe da
descida,  de onde aquele maldito John Buttle veio? Nesse momento ele devia
estar no meio de Skorghijl.
        O navio teve problemas, Alyss respondeu. Buttle vangloriou-se sobre
isso quando ele a reconheceu, antes de Keren trazer ela para este quarto. Eles
foram pegos por uma tempestade. Ela os levou para oeste e ele atingiram um
recife na costa. O navio estava com muitos danos quando chegou no litoral. Eles
subiram o Rio Oosel para passar o inverno  mas quando perceberam que ia
afundar, eles desamarraram Buttle e ele teve a chance.
        E ele pagou esse ato de bondade, como de costume? Will disse, e ela
assentiu.
        Eles estavam exaustos quando chegaram no Oosel. Ele matou dois
guardas e fugiu. Veio pra c por pura sorte.
        E se encaixou perfeitamente, Will disse. Ela concordou.
         engraado Will disse, Como pessoas como Buttle e Keren parecem
encontrar um ao outro...
        Ele parou no meio da frase quando ela levantou a mo. Olhou para ela
com curiosidade, seu sangue fugindo do rosto. Ela ouviu a porta do outro quarto
abrir e fechar, e o som da voz de Keren enquanto falava com os guardas do lado
de fora.
        Keren! ela sussurrou com urgncia. Will, voc tem que sair daqui
agora! Vai!
        Ela juntou a corda e a jogou pelas barras, deixando elas carem pelas lajes
longe dali. Will puxou desesperado a primeira barra. Ela mexeu mais agora, mas
ainda estava muito slida para remover.
       Vai! Alyss repetiu desesperada Se ele te encontrar aqui ele mata ns
dois
        Relutante, Will concordou que ela estava certa. Apoiado na borda
estreita, ele no podia lutar contra Keren e seus guardas. Pelo menos se ele
estiver livre, ter outra chance de resgatar a amiga.
        Houve uma exploso de risos do lado de for a. Os olhos de Alyss
arregalaram quando ela ouviu a chave girar na fechadura. Will sabia que tinha
que fugir, mas tinha algo que ainda tinha que dizer a ela.
        Alyss, Ele disse, e ela o olhou com grande agitao. Se ele perguntar,
diga qualquer coisa que ele quiser saber. Isso no pode nos ferir mais. Somente
responda as perguntas.
        Ela no podia revelar os planos dele, pensou, porque ele no tinha um.
Mas no havia sentido em sofrer para revelar fatos que Keren, provavelmente, j
adivinhou.
        Certo! Ela disse.
        Prometa, Ele insistiu. Nada que voc disser vai me prejudicar.
        Alyss estava no limite do pnico, mas ela sabia que ele no iria se ela no
prometesse.
        Eu prometo! Eu vou dizer tudo! Mas vai! AGORA!
        Ele estava ocupado passando a corda das pernas pelas suas costas e por
cima do ombro.
        Ele apertou as luvas e segurou a parte logo abaixo do n que estava a
meio metro de sua cabea com sua mo esquerda, enquanto usava sua mo
direita para segurar a corda, pressionando-a contra seu quadril.
        Alyss estava com o estmago pesado enquanto Will descia pelo espao,
controlando sua descida com a volta da corda pelo seu corpo, se afastando da
parede com seus ps.
        Eu voltarei por voc, Ele disse suavemente. Ele comeou a descer
devagar. A vontade era chegar ao final rpido, mas movimentos rpidos so mais
fceis de serem vistos pelos vigias nas torres e muralha.
        Apressada, Alyss afastou-se da janela, fechando a cortina antes. Ela tinha
que impedir que Keren visse a corda pelo maior tempo possvel. Se Will fosse
pego na metade da descida, ele com certeza morreria.


39

       Alyss mal se sentou  mesa quando a porta foi aberta e Keren entrou.
Assim que trancou a porta atrs dele, ela respirou fundo e forou-se a se acalmar.
Usou toda sua concentrao para encarar com um olhar de desprezo.
       Bem, estou de volta. Keren disse. Ele sorriu alegremente, ignorando o
olhar gelado que ela lhe deu. Ento ele franziu o nariz enquanto cheirava o ar.
       Bom Deus, que cheiro terrvel  esse? Voc estava queimando alguma
coisa?
        Alyss pensou rapidamente. Ela havia se acostumado com o cheiro do
cido, que obviamente ainda enchia o quarto. Ela levantou automaticamente em
toda sua altura e lhe olhou desdenhosamente.
        Alguns documentos comigo Disse ela. Pensei que seria melhor se no
soubesse o que havia neles.
        Keren a considerou, pensativo Verdade? ele disse, um pouco menos
feliz que antes. Eu suponho que devia t-la revistado antes. Por eu ter escolhido
ser um cavaleiro, voc decidiu me decepcionar.. Ele alcanou o bolso de seu
cinto. Mas voc parece esquecer que meu amiguinho azul aqui pode fazer voc
me dizer qualquer coisa que estivesse nesses documentos..
        O corao de Alyss bateu rpido ao ver a pedra azul. Apesar de tudo que
ela sabia sobre ela, sentiu uma vontade sobre-humana de olhar para a pedra.
Alyss virou os olhos para longe dela com um esforo supremo.
        Voc parece esquecer, ela disse imitando seu tom sarcstico na outra
vez, eu quebrei seu poder sobre mim..
        Keren sentou em uma cadeira, cruzando as pernas enquanto ele passava a
pedra pelas mos. Ele sorriu numa verdadeira diverso.
        Verdade. Ele disse. Mas eu te disse que na segunda vez seria muito
mais fcil?.
        Alyss virou as costas pra ele e andou em direo  porta, garantido que
ele olhasse diretamente longe da janela. Ela no tinha certeza, mas ela pde
ouvir um ocasional estalo vindo da corda amarrada na barra.
        Seu feitio barato no me impressiona. Ela disse  tudo truque e
desiluso e eu sei como anul-los..
        Keren assentiu para ela Tenho certeza de que sabe.. Ele disse Se fosse,
de fato, feitiaria. Mas isso  algo completamente diferente. Isso  Mesmerismo
 uma forma de domnio mental. A pedra  um msero ponto de foco para sua
mente. Ela relaxa e me ajuda a control-la..
        Alyss riu desdenhosamente, apesar de profundamente desconfortvel
com o que ele disse. Ela estava chegando ao fim da conversa, ele percebeu. Mas
ela tinha que jogar o jogo para dar mais tempo para Will.
        E agora que voc me disse, vou resistir  tentao de dormir. Ela disse.
Keren balanou a cabea.
        Normalmente voc poderia fazer isso. Se voc soubesse o propsito da
pedra, poderia resistir a ela. Mas voc j foi hipnotizada, e um primeiro controle
mental causa um efeito chamado sugesto ps-hipntica`.
        Alyss girou os olhos em sarcasmo. Que assustador! Ela disse. Mas algo
a corroia por dentro. Keren estava completamente confiante, e uma coisa que ela
aprendeu sobre ele  que ele no blefa.
        No  assustador, s  til. Disse num tom razovel. Veja, enquanto
est hipnotizada, eu posso plantar uma sugesto dentro de sua mente que vai me
permitir trazer voc sobre meu controle instantaneamente. S tenho que voltar ao
assunto que discutimos por ltimo.
        Tenho certeza de que era um muito chato. Ela disse sarcasticamente.
Mas o medo crescia com cada palavra que ele dizia. Ele continuou sorrindo. Ele
admirava sua coragem e seu esprito de luta. Mas ento, ele pensou, poderia se
dar ao luxo de admir-la a qualquer instante, pois poderia hipnotiz-la
novamente. Ele segurou a pedra perto dela, que rapidamente virou os olhos para
longe.
        No, no. Ele disse suavemente Voc deve olhar para a pedra Ela
manteve os olhos afastados e uma voz ameaadora chamou-a Eu posso ter meus
homens forando isso se voc se recusar. Mas voc VAI olhar para pedra.
        Relutante, ela permitiu seu olhar retornar  pedra. To azul, to profunda,
to bonita.
        A voz de Keren parecia vir de muito longe agora. Era profunda e calma
agora. No havia nenhuma ameaa nela.
        Relaxe, Alyss. Relaxe e respire profundamente. Isso! Boa menina. Isso
no  uma maneira muito melhor de se comportar?
        Sim, Ela disse sonhadora muito melhor..
        Recapitulando, Sua voz veio, parecendo encher a conscincia dela.
Ns estvamos falando sobre seu amigo Will na ultima vez.
        Will  um Ranger, Ela disse. No fundo da mente dela havia uma
sensao de que ela disse algo errado. Algo que ela devia ter escondido. Por um
momento, ela sentiu um vago sentimento de repulsa por ter sido covarde.
         claro que . Ns sabemos isso, disse a voz calma, e ela sentiu-se um
pouco melhor. Se ele sabia, no tem perigo em ter dito a ele. Mas agora estou
interessado nos documentos que voc queimou. Fale-me sobre eles
        No existem documentos, ela disse. De novo, sua mente lutou para
recuperar o controle. Suas palavras eram montonas e sem sentimento, e ela no
pde parar ela mesma enquanto percebeu que estava revelando o segredo mais
perigoso de todos. Era o cido que voc pode cheirar.
        Seu sorriso desapareceu e seu rosto ficou vermelho. Ele no podia
entender...
        cido? Que cido? Ele perguntou rapidamente.
        Will ps acido nas barras, Alyss disse. Sua conscincia estava gritando.
Cale-se, por Deus, cale-se! Will precisa de tempo para fugir, sua covarde! Ento,
horrorizada, ela ouviu-se dizendo as ultimas palavras.
        Will precisa de tempo para fugir.
        A compreenso chegou ao rosto de Keren com essas palavras. Ele
arremessou-se para fora da cadeira. Todos os sinais de calma, atitudes
descontradas que ele usava desapareceram, enquanto a cadeira caa no cho
atrs dele. Ele alcanou a janela em passos largos e tirou a pesada cortina para o
lado.
        A fumaa era muito maior agora que o cido continuou a comer atravs
do ferro das barras: espirais de fumaa subiam das bases das duas barras centrais,
que ele pde ver estar cercada de pequenas piscinas de lquido. O cido, antes
claro, estava agora bolorento e marrom por destruir parte do ferro. Ele puxou
uma das barras com fora, quebrando o resto de metal que o segurava. Seus
olhos se estreitaram e ele voltou-se para Alyss.
        Onde ele foi? Ele exigiu. A lgica disse que Will Barton no poderia
ter escapado pela janela, apesar de como ele entrou no quarto o intrigava.
        No ocorreu a ele que Will nunca esteve realmente dentro do quarto. E,
com seus olhos atrados pelas fumegantes piscinas de cido nas barras, ele no
percebeu a corda amarrada em volta da barra da esquerda.
        No houve resposta da parte de Alyss. Dominada pelo conflito em sua
mente, ela desmaiou assim que Keren pulou de sua cadeira. Ela estava cada no
cho ao lado da cadeira virada. Amaldioando, ele foi na direo dela. Ele iria
conseguir respostas, mesmo que tivesse que arranc-las dela. Ento ele parou
assim que ouviu um estalo vindo da janela. Ele girou para trs e dessa vez ele viu
o n de corda envolta da base da barra. Ele correu at a janela, amaldioando
novamente quando inclinou-se no parapeito e queimou a mo no cido. A corda
estava esticada, suas fibras estalando enquanto movia levemente como o peso de
alguma coisa  ou algum  no final dela.
        Num segundo, Keren tirou sua faca, alcanando a corda esticada e
sentindo as fibras se rompendo. Ele pensou em chamar os guardas fora da cela,
mas percebeu que havia alguns mais prximos e melhores. Ele gritou com toda
fora para os guardas no topo dos muros de vigia.
        Guardas! Guardas! Intruso no castelo! Intruso no castelo! Detenham-no!
        Longe abaixo, Will ouviu os gritos, sentiu a vibrao da corda que Keren
tentava cortar com sua faca. Sabendo que tinha apenas segundos, ele tentou
encaixar os ps de volta na parede. Desesperado, ele apalpou o muro  procura
de apoio, finalmente achando uma funda fenda entre dois blocos de granito.
Enquanto procurava apoio para outra mo, a corda desceu, caindo no cho e se
enrolando como uma cobra gigante sobre as pedras no cho do ptio.
        Ele ainda estava a sete metros do cho e podia ouvir os gritos confusos
dos vigias da muralha atrs dele, enquanto tentavam entender o que Keren
gritava. Will desceu rapidamente, machucando a pele e as unhas e rasgou as
calas na altura dos joelhos nas pedras speras da torre. A trs metros do cho,
ele pulou, pousando como um gato, deixando os calcanhares e joelhos
amortecerem a queda. Em volta, gritos confusos ecoavam enquanto os vigias
chamavam uns aos outros, tentando entender o que estava acontecendo.

       Quatro metros dali, a porta da torre de guarda abriu e um sargento,
armado com uma alabara  uma combinao de machado e lana  saiu, olhando
em volta de direita  esquerda para ver o que estava acontecendo. Antes que ele
percebesse, Will tirou o capuz e saiu a luz, apontando para a pilha de corda
enrolada no cho.
       Ele veio nessa direo Gritou. Atrs dele! Ele esta indo para os
estbulos!
       Era natural para um sargento reagir ao bvio som de um comando. Na
confuso do momento, a ltima coisa que ele pensou foi que aquela pessoa
gritando ordens para ele pudesse ser o intruso que ele estava procurando. Ele foi
na direo que Will apontou. Quando chegou perto, perdeu a vantagem de sua
arma de longo alcance, como era a inteno de Will.
        Tarde demais, ele reconheceu o rosto do bardo que tinha escapado no dia
anterior.
        Um momento, Ele disse. voc ... Antes de terminar a sentena, ele
mexeu desajeitadamente sua alabara. A faca de Will estava em sua mo e ele
desviou a pesada arma para um lado. Agarrando o brao do sargento, girando e
abaixando em um nico movimento, ele o jogou por cima do ombro nas pedras
do ptio. A cabea do sargento bateu na pedra dura. Seu elmo rolou para o lado e
ele ficou desacordado.
        Will pegou o elmo e a longa e pesada arma. Ento ele parou para cortar
um pedao da corda da pilha antes de ir para as escadas. Longe da torre, ele pde
ouvir Keren gritando enquanto o via correndo. Will comeou a gritar tambm,
para aumentar a confuso.
        Eles esto no hall do porto! Ele berrou. Centenas deles! Todos os
guardas para o porto!
        Ele desceu para as ameias, ainda gritando variadas ordens contraditrias,
mandando os soldados para o porto e a torre norte, com o elmo chacoalhado em
sua cabea enquanto corria. Confuso era seu melhor aliado, ele sabia. Isso e o
fato de que ele sabia que todos que ele viu eram inimigos, ento os guardas
identificavam cada nova pessoa, enquanto no imaginavam que j tinham o visto
o intruso e o confundido com um sargento.
        Ele subiu pela rampa do muro do sul, para as ameias. Havia trs vigias
correndo at ele, com a torre do oeste as costas de Will. Os homens pararam
quando o viram. Ele apontou descontroladamente para fora do muro.
        Abaixem-se, idiotas! Eles tm arqueiros! ele berrou. Desde que eles
no esperavam que um inimigo avisasse de um perigo, os trs homens
acreditaram, caindo rpido no cho enquanto esperavam que uma chuva de
flechas voasse por cima deles no prximo instante.
        Will virou e entrou rpido na torre, batendo a porta atrs dele. Tinha um
grande barril por perto e ele o rolou, fazendo ele bloquear a borda anterior antes
de sair pelo outro lado, para as ameias oeste. Tinham mais homens correndo e
gritando ao longe, mas ali estava relativamente quieto, exceto pelos passos que
ele ouvia descendo as escadas internas das torres de vigia. Habilmente, ele
amarrou a corda no cabo da alabara, prendeu ela entre duas ameias, ento jogou
o resta da corda, e ela caiu pelo lado de fora da muralha.
        Segurando a corda, ele desceu pela borda, andando pelo muro de pedras
speras. Ele chegou ao fim da corda, mas era curta para chegar ao cho. Olhando
em volta, viu que estava a dois metros do cho, ento ele pulou o resto do da
altura. Dessa vez, ele no caiu to facilmente, bateu no terreno irregular e bateu
seu joelho forte contra uma pedra afiada.
        Vou ter que usar cordas mais longas, Ele murmurou. Ento, pensando
que a corda traria a caada para este lado da torre, ele ocultou-se e, mancando,
contornou a base da torre para a parede sul, ficando perto da pedra spera, e
oculto nas sombras da torre. L, ele assoviou  um som curto, cortante e de alta-
frequncia, que subiu um tom.
        Acima dele, um som de gritos e passos corridos. Ordens e contra-ordens
estavam sendo berradas. Ele no podia mais ouvir Keren, ento sups que o
cavaleiro renegado estava descendo a torre interna para controlar a caada,
querendo encurral-lo, Will pensou sombriamente. Ele assoviou de novo.
Ningum no castelo parecia perceber o som com toda a confuso. Mas a cento e
cinquenta metros dali, depois de uma ligeira subida, aguados ouvidos podiam
ouvir.
        Will estava para assoviar novamente quando ouviu o som de uma
cavalgada. Era um que ele reconheceu facilmente  O curto galope do cavalo de
pequenas pernas, Puxo.
        Ele viu o pequeno cavalo um pouco acima de onde estava, indo a algum
lugar um pouca a direita de onde estava escondido. Ele assoviou e Puxo
corrigiu o percurso correndo diretamente para ele.
        Abandonando qualquer tentativa de se esconder, Will correu o melhor
que pde para longe do castelo. Ele ouviu mais gritos atrs dele, mas, tanto se
tiver sido descoberto ou tanto se foi parte da confuso acontecendo no castelo,
ele no tinha idia e no tinha nenhum desejo de parar e tentar descobrir.
        Puxo parou de repente ao lado dele, orelhas em p, dentes descobertos e
relinchando uma saudao. Will no tentou responder. Ele segurou-se no cavalo
para andar melhor enquanto este girava para voltar por sua prpria trilha.
        Vai! Ele gritou. Corre, vai!
        Agora ele podia ouvir gritos prximos a rampa e sabia que foi visto. Mas,
a no ser que algum tenha uma besta e for capaz de atingir um alvo se mexendo
rpido em pouca luz, ele sabia que estava a salvo. Puxo lanou-se para longe do
castelo, alcanando um galopar completo em meia dzia de passos. Will,
pendurado no cavalo, esperou e, quando julgou o momento pela velocidade do
cavalo, ele deu um impulso no cho, pulando em cima da sela. Puxo balanou a
cabea em aprovao.
        Bom Garoto. Will disse a ele, esfregando seu pescoo. Sem diminuir a
marcha, Puxo relinchou suavemente. Havia uma nota de condenao no som.
        Eu pensei que disse para ficar longe de confuses.
        No seja resmungo. Will disse. O animal ignorou-o. Chegaram 
elevao e Will viu as figuras de Xander e Malcolm esperando por eles. Ele
diminuiu com uma puxada nas rdeas.
        O que aconteceu? Xander perguntou. Will balanou a cabea.
        Eu a vi. Falei com ela. Mas o maldito do Keren chegou antes que eu
pudesse tir-la de l.
        E o que planeja fazer agora? perguntou Malcolm.
        Agora ns voltamos para floresta. Will disse, entregando-se ao
inevitvel.
        Xander olhou para ele curiosamente. O jovem ranger parecia admitir a
derrota, mas tinha uma nota de determinao em sua voz. Xander sabia que esse
assunto estava muito longe de acabar.
        E depois? Ele perguntou.
        Will virou seu rosto para ele. O capuz de sua capa escondia grande parte
do rosto nas sombras. Xander somente conseguia ver a boca e parte determinada
de seu queixo.
        Ento, Ele disse. Eu vou tirar Alyss daquele maldito castelo  Nem
que eu tenha que remov-lo pedra por pedra para conseguir.




Sabe aquele LIVRO que voc t louco pra ler?
Aquele BEST SELLER que todo mundo t lendo e voc ta doidinho
por ele??
Ou aquele CLSSICO que voc precisa pra ESCOLA?
Ou ento aquela POESIA pra sua namorada chata que no se
contenta com pouca
coisa...
Quer entender FILOSOFIA?
Quer entender MATEMTICA? CINCIA? MITOLOGIA?
Ou prefere aquele ROMANCE POLICIAL da Agatha Christie?
Ou talvez aquele ROMANCE  estilo Dirio da Nossa Paixo?
Ou aquele DRAMA  Espera de Um Milagre?
Mas tem tambm aquela FICO com VAMPIROS E LOBISOMENS
que todo
ser racional adora!
Quer viajar pra OUTRO MUNDO?  s embarcar nas Fronteiras do
Universo!
Ou talvez nas Crnicas de Nrnia!
Com um toque de MAGIA de Harry Potter e um pouco do PICO
Senhor dos
Anis, ou talvez Eragon.
Ou voc prefere a TECNOLOGIA de Eu, Rob?
Que tal aprender uma NOVA LINGUA na seo de IDIOMAS?
Ou delirar nas CONSPIRAES de Dan Brown e companhia?
Um pouco de FOFOCA? Acesse o blog! Gossip Girl!
Quer mais um pouco do Rei do TERROR? Aqui tem um pouco e
muito mais!
Ou talvez TEATRO? O ROMNTICO E TRGICO Romeu e Julieta?
Pode ser
TAMBM Otelo. Oh, pobre Desdmona...
Ou A COMDIA dos Erros lhe agrada mais?
Mas se voc  CRENTE FERVOROSO que s anda com a BBLIA
debaixo do
brao, agora voc poder dizer tambm que a tem no computador!
Mas que os MUULMANOS no fiquem com CIMES, pois tambm
temos
ALCORO!
 s visitar o acervo da . mafia dos livros . que contm mais de
1.000 ttulos em formato pdf para voc se divertir na frente do
computador!

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